Mitsubishi Outlander PHEV – Ensaio Teste

By on 9 Janeiro, 2019

Mitsubishi Outlander PHEV

Texto e fotos: José Manuel Costa ([email protected])

Fotos tiradas com o Samsung Galaxy S9+

Um belo híbrido

Crossover médio que tem como concorrentes o Honda CRV, Volvo XC60, Hyundai Santa Fé e os alemães BMW X3, Mercedes GLK e Audi Q5, mas também as carrinhas do segmento D, o Outlander é um automóvel que oferece um sistema híbrido muito interessante que, infelizmente, está embrulhado numa carroçaria desajeitada em termos de estilo e um interior que começa a parecer cansado.

Por outro lado, é um produto tipicamente Mitsubishi, ou seja, prático, robusto, fiável e… discreto.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Sistema híbrido / Quatro rodas motrizes / Praticabilidade

 

 

Menos:

Interior cansado / Conectividade menor / Estilo

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O estilo não é bonito nem feio, escondendo de forma interessante as dimensões do modelo. Diferente da anterior geração, o novo Outlander não é muito fotogénico e ao vivo é mais agradável que em fotografia. Bom sinal, pois é na estrada que ele vai andar. Destaque para a grelha dianteira que toma o lugar da anterior “Jet Fighter” como base da linguagem de estilo da Mitsubishi, para os pilares dianteiros mais finos para beneficiar a visibilidade e um desenho que se aproxima mais de uma carrinha que de um verdadeiro SUV. O redesenho da frente é que deixa algo a desejar, pese embora o “restyuling” que o Outlander recebeu é mínimo: um novo par de luzes LED, jantes de liga leve diferentes e… pronto, está feita a remodelação. Ou seja, o carro está, basicamente, igual ao anterior. Apesar disso, o Outlander PHEV é dos modelos híbridos Plug In SUV mais vendidos na Europa em 2017.

Pontuação 6/10

Interior

No interior, aplauso para a isenção de falhas ergonómicas e para um ambiente agradável, sem nenhum rasgo de grande originalidade, é certo, mas com tudo no local certo e com a (boa) lógica Mitsubishi de não oferecer mais que aquilo que é necessário. A riqueza dos pormenores e a qualidade percecionada fica longe de ser rival para os produtos Premium europeus, mas como referi, a Mitsubishi sempre optou por oferecer produtos funcionais, confortáveis e robustos. E qualidade, apesar de não ser muito percetível, existe. Pode-se não gostar desta opção, mas eu… gosto! Porém, não deixo de dizer que o interior do Ourlander está a ficar velho e cansado.

A Mitsubishi até voltou à era dos “gadgets” oferecendo pequenos mimos como o gráfico que destaca a condução ecológica de cada um, os diversos painéis informáticos colocados no meio dos instrumentos e a abertura elétrica do portão traseiro, disponível nas versões de topo.

A posição de condução é boa e nesta sua vida como híbrido, o Outlander PHEV só perde a possibilidade de ter sete lugares (as baterias tinham de ir para algum lado) pois a bagageira não perde muito com esta alteração oferecendo interessantes 463 litros. O sistema de info entretenimento não é fantástico, mas conta com o Apple Carplay e o Android Auto.

Pontuação 6/10

Equipamento

A versão Instyle é verdadeiramente espetacular em termos de oferta de equipamento de série. Não há nada que não exista a bordo, desde os airbags para os joelhos, o sistema “Super All Wheel Control” (S-AWC), monitorização do ângulo morto com assistente de mudança de via, assistente de tráfego traseiro, sistema de mitigação de colisão frontal, cruise control adaptativo, aviso de saída de faixa, máximos automáticos, câmara de estacionamento traseira, alerta acústico para peões, jantes de liga leve de 18 polegadas, enfim, há muito equipamento dentro do Outlander PHEV.

Pontuação 6/10

Consumos

A Mitsubishi anuncia 1,6 l/100 km, mas não é possível e quando a bateria descarrega, tudo é pior. Com a bateria carregada e uma boa utilização do sistema de regeneração de energia – controlado através das mesmas patilhas que eram usadas nos Lancer Evolution – é possível andar abaixo dos 5 litros de gasolina por cada centena de quilómetros. Se usarmos o modo de carga da bateria, as coisas são bem diferentes e os valores sobem para próximo dos dois dígitos. A média final ficou em aceitáveis 4,9 l/100 km.

Pontuação 6/10

Ao volante

O Outlander é um automóvel muito confortável, cortesia de uma suspensão bem pensada e uma afinação europeia que privilegia o controlo do rolamento da carroçaria e o conforto. Isto foi possível com um novo sub-chassis dianteiro, novos braços para a suspensão traseira independente multibraços e novos topos para o ancoramento dos elementos mola/amortecedor à frente. Tudo isto, mais o normal endurecimento das barras estabilizadoras e das taragens de molas e amortecedores, permite controlar o rolamento, mas para não penalizar o conforto, o Outlander ainda está algo macio.

Porém, mesmo não controlando de forma perfeita o rolamento da carroçaria, promove um comportamento razoável para um carro que, apesar de ter perdido cerca de 100 kgs (em média, consoante a versão), ainda é algo pesado (1880 kgs)… e grande. Pena que a direção seja demasiado leve a velocidades mais elevadas, colmatando esse defeito com uma resposta rápida às instruções do condutor.

Não é, de todo, um desportivo e por isso não vale a pena andar a abusar que o Outlander não lhe vai oferecer prazer de condução e muito menos fazer a Sera de Sintra a fundo. É um carro tranquilo, eficaz naquilo que é a condução e ponto final.

Pontuação 6/10

Concorrentes

Honda CR-V

1597 c.c. (turbodiesel); 160 CV; 350 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 202 km/h; 5,1 l/100 km, 133 gr/km de CO2; 47.480€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Skoda Kodiaq

1395 c.c.; 150 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 197 km/h; 6,9 l/100 km, 155 gr/km de CO2; 40.061€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Toyota RAV4

2494 c.c.; 197 CV; 210 Nm; 0-100 km/h em 8,3 seg.; 180 km/h; 4,9 l/100 km, 117 gr/km de CO2; 40.685€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

O bloco 2.4 litros com quatro cilindros é capaz de funcionar em ciclo Otto (para potência) ou ciclo Atkinson (para o consumo), tem mais potencia que anteriormente, chegando a potência às rodas da frente através de uma caixa chamada “Multimode eTransmission” que não é uma CVT, dizem os homens da Mitsubishi, mas parece-se tanto com uma que até irrita. Com carga na bateria, o motor passa a maior parte do tempo parado ou a funcionar como gerador para carregar a bateria de 13,8 kWh que está colocada na bagageira. O sistema tem dois motores elétricos, um no eixo dianteiro e outro no eixo traseiro, sem ligações mecânicas que asseguram a tração integral. O motor traseiro tem 95 CV e o dianteiro tem 82 CV.

O sistema híbrido tem capacidade para andar em modo apenas elétrico até aos 135 km/h. A autonomia elétrica é de 45 quilómetros, suficientes para as deslocações pendulares.

Oferece vários modos de condução, todos eles muito simples: para o sistema de tração integral há o “Snow” e o “Lock”, para o motor há o “Normal”, “Save” e o “Charge”. O modo “Save” poupa a bateria para que se possa usar o modo elétrico à chegada de uma cidade com taxas de congestionamento ou proibição de passagem de veículos com emissões superiores a determinado valor. O modo “Charge” utiliza o motor térmico para recarregar a bateria na eventualidade de não consegui encontrar um carregador ou não desejar passar quatro horas a carregar as baterias.

Finalmente, o sistema oferece um regenerador de energia com seis níveis de regeneração controlados pelas patilhas colocadas atrás do volante. Simples e muito intuitivo. Tudo isto funciona de forma mas ou menos coordenada e só é pena que a caixa “Multimode eTransmission” tenha muitas parecenças com a CVT e o motor tenha, assim, aquela sensação de pastilha elástica, ou seja, há uma razoável diferença entre a ação no pedal do acelerador e aquilo que sucede.

Pontuação 7/10

Balanço final

Num segmento onde existe tanta oferta, o Outlander tem vida muito complicada. Ser confortável, competente, prático e robusto são excelentes argumentos, mas não são suficientes para contrariar um estilo sem grande apelo e algumas áreas menos conseguidas. Louve-se o esforço da Mitsubishi para fazer deste Outlander um produto competitivo no segmento piscando o olho aos adeptos das carrinhas com este crossover. Quem já tem um Outlander mais antigo, vai encontrar nesta geração uma melhoria enorme, até no sistema híbrido. Quanto aos outros… provavelmente não vão encarar este Mitsubishi como opção. Fazem mal, pois apesar de tudo, o Outlander é um excelente híbrido “Plug In” e é uma boa alternativa às carrinhas, por exemplo. E por pouco mais de 41.850 euros, com um nível de equipamento muitíssimo completo, este Outlander PHEV é uma opção a ter em conta.

Pontuação 7/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros com ciclo Otto e Atkinson

Cilindrada (cm3): 2360

Diâmetro x Curso (mm): 88 x 97

Taxa de Compressão: 12,0

Potência máxima (CV/rpm): 135/4500

Potência máxima motores elétricos (CV): 82 + 95 CV (fr/tr)

Binário máximo (Nm/rpm): 211/4500

Transmissão: dianteira ou integral com transmissão de mudança única

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): McPherson /multibraços independente

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,5

Velocidade máxima (km/h): 170

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): – / – /1,6

Emissões CO2 (gr/km): 46

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4695/1800/1710

Distância entre eixos (mm): 2670

Largura de vias (fr/tr mm): 1540/1540

Peso (kg): 1880

Capacidade da bagageira (l): 462 / 1602

Deposito de combustível (l): 45

Bateria (kW): 13,8

Pneus (fr/tr): 225/55 R18

Preço da versão base (Euros): 49.000 (preço de campanha – 39.348€)

Preço da versão Ensaiada (Euros): 53.000 (preço de campanha – 41.850€)

Preço da versão ensaiada (Euros): 53000€
Preço da versão base (Euros): 49000€

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