Nissan Qashqai 1.5 dCi – Ensaio Teste

By on 6 Novembro, 2018

Nissan Qashqai 1.5 dCi N-Connecta

Texto: José Manuel Costa

O Rei sobrevive

Criou o segmento há uma dezena de anos, conheceu duas gerações e outro par de renovações e mantém-se na crista da onda apesar do lago dos crossover estar cada vez mais povoado e com propostas cada vez mais avançadas. Quando lhe perguntam sobre um refrigerante, que nome lhe vem á cabeça? Coca Cola! E se lhe perguntar sobre fotocópias? Xerox! Mas se lhe perguntar sobre berbequins? Black & Decker, certo?! E quando algum artista faz um número de circo na estrada e rola depressa demais, o que é que lhe chamam? “Deve pensar que é um Fangio!!” Quando falamos de crossover… qual é o nome que lhe vem à cabeça? Qashqai, claro! Este Nissan é a prova que nem sempre ser o melhor do segmento é sinónimo de vendas. Seja porque o modelo já é associado ao segmento e a opção é imediata, seja porque a agressividade comercial permite que o Qashqai tenha preços competitivos, seja porque o Nissan é, na realidade, um excelente carro, a verdade é que continua com uma carreira comercial que permanece em alta.

Conheça todas as versões AQUI.


Mais:

Comportamento / Tecnologia / Fator de sedução

 

 

Menos:

Habitabilidade / motor 1.5 dCi / performances

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Não há carros perfeitos como já não há, neste momento, carros maus. Porém, a Nissan tinha a consciência plena que a anterior geração estava no limite em várias áreas. E apesar das vendas não se ressentirem, a verdade é que os utilizadores foram vocalizando, com a ajuda dos jornalistas, problemas que os incomodavam no dia a dia com o Qashqai. Assim, os mais de 2 milhões de clientes disseram que o Qashqai deveria ser mais forte em termos de estilo, acabamentos e refinamento, ter equipamento mais completo e maior envolvência na condução.

Como podem ver nas fotos o estilo exterior mudou a frente do carro, o interior recebeu um novo volante e reforço da qualidade dos interiores, foi melhorada a insonorização, colocada uma direção nova e foram promovidas mudanças na suspensão.

A frente é a única zona que permite dizer que este é um Qashqai diferente. A forma sensaborona, conservadora da frente da segunda geração deste Nissan deu lugar a uma frente mais trabalhada com a famosa forma em V da grelha, mais agressiva, novos faróis – que agora podem ter tecnologia LED adaptativa – novo capot e uma lateral que recebeu ligeiríssimos retoques, terminando na traseira que recebe novos farolins e um para choques redesenhado.

Interior

No interior, temos um volante vindo do Micra e que rima mais ou menos com o habitáculo do Qashqai. Os materiais suaves ao toque e de qualidade até à linha de cintura, dai para baixo menos agradáveis – embora haja um elevar de fasquia na qualidade dos plásticos e revestimentos – habitabilidade suficiente para duas pessoas no banco traseiro (cabe um terceiro, mas não deixará de se fazer ouvir…), uma posição de condução dominante e uma bagageira multi configurável que se suporta no rebatimento 60/40 das costas do banco traseiro para oferecer maior versatilidade. Ou seja, melhorado o que era preciso, o resto ficou igual. O que não são más notícias.

Equipamento

A versão mais vendida entre nós, a N-Connecta Business, oferece um equipamento muito completo para além das jantes de liga leve de 17 polegadas. Oferece sensores de luz e chuva, regulador de velocidade, ajuda ao arranque em subida, ar condicionado automático, vidros elétricos nas quatro portas, bancos dianteiros “Advanced Comfort”, volante e alavanca da caixa em pele, faróis LED, espelhos retrovisores de comando e rebatimento elétrico, tejadilho panorâmico e barras no tejadilho. Nesta versão é oferecido o novo sistema Nissan Connect com sistema de navegação, sensores de estacionamento á frente e atrás e todas as opções de conectividade. Tudo isto deixa pouco para a lista de opcionais, a maioria deles para embelezar ou ajudar no transporte de bicicletas ou rebocar alguma coisa. E nestes aspetos, a lista de opcionais é verdadeiramente longa.

Consumos

O bloco 1.5 dCi sempre se destacou pelo seu pequeno apetite e com as alterações que têm sido introduzidas ao longo dos anos, essa característica tem vindo a ser refinada. A Nissan reclama um consumo médio de 3,8 litros de gasóleo por cada centena de quilómetros. Um valor baixo e impossível de alcançar, mas após um ensaio longo com muitas centenas de quilómetros, a média ficou nos 4,8 l/100 km. Sim, é mais um litro do que a Nissan reclama, mas é um excelente valor que autoriza uma autonomia alargada. Contudo, em auto estrada, o esforço exigido ao bloco 1.5 litros para manter uma velocidade de cruzeiro razoável leva o consumo para próximo dos seis litros por cada centena de quilómetros. Seja como for, o Qashqai 1.5 dCi é, também aqui, uma excelente proposta.

Ao volante

Mudança importante surge na suspensão. O Nissan Qashqai nunca foi um primor de conforto, não porque isso permitisse um comportamento referencial, mas devido à afinação de molas e amortecedores. Sem dificuldades de condução, sempre que apertávamos o andamento, a frente tinha a mania de descolar e por isso, o melhor era mesmo não abusar da sorte. Então, o que fizeram os senhores da Nissan para resolver este problema? Bom, suavizaram as molas entre 5 a 8% (dependendo do peso bruto do carro, sendo isso sensível nos diesel) e endureceram a barra estabilizadora dianteira 16%. A primeira medida serve para suavizar o carro, a segunda para preservar a capacidade em curva. O carro esta, realmente, mais suave e para o público alvo do Qashqai, não está longe do exigido.

O sistema Active Ride Control foi alterado para suavizar as bandas sonoras comuns através do uso do travão e do motor para evitar uma pancada seca. No capitulo da insonorização, a Nissan aplicou mais material em determinados pontos, aumentou a espessura dos vidros traseiros e colocou alguns detalhes aerodinâmicos que permitem diminuir o arrasto e, sobretudo, os ruídos provocados pelo vento.

Apesar de tudo isto, o Qashqai está, praticamente, na mesma. Continua a não ter problemas de inserção em curva, mas mantém algum movimento da carroçaria. Nota-se mais alguma compostura quando exageramos no andamento e, sobretudo, maior conforto. Não custa dizer que o Qashqai é um dos melhores SUV em termos de comportamento.

A direção também é nova, do volante á caixa, sendo mais leve, particularmente no modo Normal, aproveitando os 10% a mais de dureza conferidos pelo modo Sport para oferecer bom desempenho de topo a topo, consistência e precisão. A sensibilidade é pouca, mas isso já é um hábito no segmento. E, convenhamos, chegam os dedos de uma mão para contabilizar os crossover com capacidade de curvar depressa sem pecado.

Concorrentes

Renault Kadjar

1461 c.c. (turbodiesel); 110 CV; 260 Nm; 0-100 km/h em 11,9 seg,; 182 km/h; 3,6 l/100 km, 103 gr/km de CO2; 32.010€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Seat Ateca

1598 c.c. (turbodiesel); 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 10,5 seg,; 184 km/h; 4,3 l/100 km, 112 gr/km de CO2; 31.196€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Toyota C-HR

1798 c.c. (híbrido a gasolina); 122 CV; 260 Nm; 0-100 km/h em 11,0 seg,; 170 km/h; 3,8 l/100 km, 86 gr/km de CO2; 31.405€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

O motor 1.5 dCi que equipava o Qashqai que serviu de base a este ensaio, não deixa de fazer sentir que está já um nadinha cansado. Os 110 CV são justos, mas o bloco 1.6 dCi com 130 CV é mais agradável na utilização, mas mais caro. É verdade que é mais económico que o 1.6 litros, mas em certas situações, fica o desejo de estar volante do mais potente Qashqai diesel. Ainda assim, não deixa de permitir que o Qashqai tenha prestações razoáveis, acelerando dos 0-100 km/h em 11,9 segundos com uma velocidade máxima de 182 km/h.

Balanço final

Disfarçadas as rugas e esticada a pele, o Qashqai lá continua no topo do segmento. Porém, estas alterações não chegam para esconder que rivais como o Peugeot 3008, VW Tiguan, Audi Q3 e muitos outros ou são melhores que o Nissan ou pelo menos fazem jogo igual. A decisão de aumentar o conforto vai satisfazer os incondicionais do Qashqai e apenas aqueles que acreditavam que “agora é que é” no que toca ao comportamento, são capazes de serem tentados por outros modelos. Embora, acreditem, o Qashqai é dos melhores neste particular. E por 26.800 euros (preço promocional que oferece 4.000 euros), a proposta é muito tentadora.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel

Cilindrada (cm3): 1461

Diâmetro x Curso (mm): 76 x 80,5

Taxa de Compressão: 15,4

Potência máxima (CV/rpm): 110/4000

Binário máximo (Nm/rpm): 260/1750 – 2500

Transmissão: Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.

Direção: direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Suspensão (ft/tr): Independente tipo McPherson; eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 11,9

Velocidade máxima (km/h): 182

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 3,6/4,2/3,8

Emissões CO2 (gr/km): 99

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4394/1806/1590

Distância entre eixos (mm): 2646

Largura de vias (fr/tr mm): 1560/1560

Peso (kg): 1320

Capacidade da bagageira (l): 430/1585

Deposito de combustível (l): 55

Pneus (fr/tr): 215/55 R17

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 26800€
Preço da versão base (Euros): 26800€

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