Opel Crossland X 1.6d – Ensaio

By on 22 Julho, 2017

Opel Crossland X 1.6d

Texto: José Manuel Costa

Monovolume ou SUV?

Aqui está o substituto do Meriva, um carro ao gosto do mercado, ou seja, um SUV, perdão, crossover. Mas, olhando bem para este Crossland X, para as suas características e para o facto do Mokka X continuar ao seu lado, não é mais que evidente que este é um monovolume compacto travestido de SUV? Lá está, um crossover.

Construído sobre a nova plataforma do grupo PSA (algo que estava já acertado antes da compra do grupo Opel pelo grupo PSA), o Crossland X não tem capacidade para oferecer tração integral, é menor que o Mokka X (exatamente 63 mm) mas exibe maior espaço interior e maior versatilidade. Então, porque razão a Opel vende dois carros no mesmo segmento? Ainda por cima, o Mokka X paga classe 2 nas portagens e este Crossland X paga classe 1.

A razão é simples: são dois carros diferentes e com alvos distintos. Aqui a Opel exibe a estratégia de “atirar a tudo o que mexa”. Ou seja, primeiro satisfazer os que querem, mesmo, um SUV até com tração integral, que sempre pagaram Classe 2 nas portagens e que adoram o estilo meio musculado do Mokka (o carro é realmente giro!). Depois, satisfazer os que gostam de estar na moda, aqueles que não têm condições financeiras de ir buscar um modelo do segmento acima e para quem pagar Classe 2 nas portagens é ultrajante e, finalmente, os que dizem, fervorosamente, quererem um SUV, mas depois choram em privado pelo seu monovolume compacto.

Para os primeiros lá está o giro e divertido Mokka X, para todos os outros o Meriva, perdão, o Crossland X feito com base no Peugeot 2008, aproveitando, até, as mecânicas. Claramente um projeto “chaves na mão”. Com o Crossland X, a Opel coloca no mercado um monovolume compacto com ampla habitabilidade, prático, versátil e eficiente, que a marca alemã diz ser um SUV. Agora até diz que é um crossover e isso aproxima-se mais daquilo que o modelo é, pois cruza a altura ao solo e os detalhes dos SUV com amplo espaço interior e versatilidade.

Olhando para a forma da carroçaria – bonita ou feia, cada um dirá de sua justiça, nom meu caso entendo que Mark Adams e a sua equipa já fizeram coisas bem melhores – e para o arranjo do interior, tudo grita monovolume e não serão as proteções das rodas e o arregaçar das suspensões que fazem pensar de forma diferente.

Contas feitas, com o Mokka X, a Opel oferece um verdadeiro SUV-B – até tem tração integral se quiser! –muito giro e que tem um sucesso, na Europa, impressionante, mas entre nós é um Classe 2 nas portagens (uma injustiça cada vez menos justificável) sendo esse o travão que pode ajudar o Crossland X a brilhar.

Partindo de uma base excelente, a Opel não podia errar no interior do Crossland X. Por isso não espanta que o espaço interior seja muito generoso e que a bagageira seja líder no segmento com 410 litros de capacidade que se estendem até aos 1255 litros. A posição de condução, elevada como se impõe, é boa com muita possibilidade de ajuste, apesar do volante estar exageradamente saído face ao tabliê. O equipamento é bastante completo e, na versão Edition, oferece de série jantes de liga leve, espelhos elétricos, banco rebatível 60/40, ar condicionado, cruise control, rádio InteliLink 4.0 com comandos no volante, computador de bordo. Como opcionais, encontramos, entre outros, os estofos em pele (900 euros), as jantes de liga leve de 17 polegadas (400 euros) e utilidades como a câmara de visão traseira (junto com os sensores de estacionamento à frente e atrás, 600 euros, custando mais 140 euros se quiser a câmara 180 graus), Pacote Edition Plus (faróis de nevoeiro e sistema de navegação InteliLink, custa 600 euros). Pacote Park & Go (avisador de veículo no ângulo morto de visão, câmara traseira e assistência ao estacionamento, 750 euros) e Pacote Versatilidade (banco traseiro ajustável longitudinalmente, rebatimento secção central e piso duplo da bagageira, por 400 euros).

A qualidade do interior não deixa ninguém de boca aberta e não dará dores de cabeça aos modelos Premium, mas a Opel fez um belo esforço para arrumar tudo de forma competente e com uma montagem sem falhas evidentes. O estilo replica aquilo que a casa alemã já fez com o Astra e o Corsa, pelo que não há por aqui grandes novidades. O conforto é aceitável.

Utilizando os motores do grupo PSA, seria lógico pensar no motor 1.2 litros a gasolina como o melhor para o Crossland X. Mas as raízes de monovolume ainda lá estão e o motor diesel acabará por ser a opção da maioria. O bloco do grupo PSA com 1.6 litros na versão de 100 CV, aqui no Crossland X com 99 CV (preciosismos…) é suave e, como se sabe, calmo a sair dos blocos entrando, depois, na sua zona de conforto facilmente. Se na cidade acompanha bem as necessidades do tráfego urbano, saindo do casco citadino as coisas complicam-se. Apesar de ser muito progressivo e linear, o motor do Crossland X nunca se mostra arisco ou com capacidade para nos surpreender e os níveis de performance confirmam essa impressão. Usar a caixa de cinco velocidades, escalonada de acordo com as características do motor, é essencial, apesar de um funcionamento por vezes vago. Boa surpresa reside nos consumos, baixos, a rondar os cinco litros por cada centena de quilómetros, sem preocupações de poupar.

Veredicto

Não sendo o melhor exercício de estilo da Opel (o futuro Grandland X prova isso mesmo!), o Crossland X é um crossover que não esconde a sua alma de monovolume até á raiz. Por isso, se é dos que chora pelo seu monovolume compacto, aqui tem uma bela ocasião de fazer boa figura sem ser ao volante de um carro hoje conotado com os idosos e avozinhos… Não deixa de ter o espaço e a versatilidade do Meriva, mas com um aspeto mais “à moda”. Uma boa ideia da Opel que peca, apenas, por não ter os motores alemães e não ser mais apelativo.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel

Cilindrada (cm3) – 1560

Diâmetro x curso (mm) – 75 x 88,3

Taxa de compressão – 17,0:1

Potência máxima (cv/rpm) – 99/3750

Binário máximo (Nm/rpm) – 254/1750

Transmissão e direcção – Tracção dianteira, caixa manual de 5 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica.

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson/independente multibraços

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 11,6

Velocidade máxima (km/h) – 180

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 3,5/4,5/3,9

Emissões de CO2 (g/km) – 102

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) – 4212/1765/1605

Distância entre eixos (mm) – 2604

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1513/1591

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/discos

Peso (kg) – 1426

Capacidade da bagageira (l) – 410-1255

Depósito de combustível (l) – 45

Pneus – 195/60 R16

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