Opel Karl Rocks – Ensaio

By on 30 Junho, 2017

André Duarte ([email protected])

Opel Karl Rocks

Quando dotamos um modelo com um condimento para o tornar mais especial, a curiosidade fica sempre em sentido. Fomos por isso conhecer o Opel Karl ‘vestido’ com traje Rocks

Urbano e descomprometido

Karl Rocks bem podia ser o nome de um agente secreto pronto a responder a qualquer solicitação para salvar o Mundo, numa disponibilidade de 24h/dia, sete dias por semana. Não é o caso.

Falamos do Opel Karl que na sua versão Rocks está igualmente preparado para a exigência horária do hipotético agente secreto, tendo o propósito máximo de ‘salvar’ o seu proprietário na difícil tarefa de encarar o dia a dia rodoviário e as exigências urbanas.

Exterior Amadurecido

Na versão Rocks, o citadino Karl surge ligeiramente encorpado, fruto do aumento da altura da suspensão em 20 mm e de um estilo com apontamentos off road, atribuído por vários detalhes: proteções na carroçaria em plástico preto, pára-choques dianteiro e traseiro mais expressivos; grelha dianteira inferior específica;  proteções de guarda-lamas e de embaladeiras; soleira da porta com inscrição; inserção Rocks na traseira; chassis sobre-elevado 1,8 mm; jantes exclusivas de 15 polegadas e barras no tejadilho. Tudo isto atribui-lhe um visual informal e distintivo face à versão normal.

 Interior agradável

Já no interior, deparamo-nos com um habitáculo caracterizado por uma posição de condução elevada e de fácil regulação ao corpo. Aqui encontramos várias espaços para a arrumação, para se poder colocar objetos como a carteira ou o telemóvel, tanto junto do seletor na consola central, como nos espaços criados para o efeito nas portas.

Nos lugares traseiros é possível irmos devidamente acomodados, sendo que o elemento do meio naturalmente será mais penalizado no caso de levarmos três ocupantes, principalmente de estaturas de 1,75 m ou superiores. Nota também para a qualidade interior, dos bancos aos plásticos, à luz dos seus cerca de 13.000€ .

Quanto à bagageira, os 215 litros não são enormes, mas revelam-se o quanto baste para uma utilização diária em que precisemos, por exemplo, de transportar alguns sacos de compras. Porém, para alguma urgência, os bancos traseiros rebatidos garantem até 1013 litros de espaço, sendo este contabilizado até ao teto do veículo. Apesar de não ser a altura do ano para o efeito, daqui a uns meses o Pack Inverno será um bom amigo dos seus utilizadores. Por 350€ este opcional garante bancos dianteiros aquecidos e volante forrado a couro, também aquecido. Em termos de conectividade, o opcional Pack OnStar (600€) é também uma boa aposta já que inclui os sistemas Interlink e Opel Onstar.

Em ação

Rodamos a chave e o bloco de 1.0 litros a gasolina de imediato desperta. Iniciamos a marcha e apesar de a potência não ser muito expressiva, no caso, 75 cv, esta beneficia do baixo peso do conjunto, 939 kg, algo que contrasta com a imagem produzida pelo exterior, que faz transparecer a ideia de um carro mais pesado pela maior expressividade que os apontamentos Rocks lhe atribuem.

Desenvolvendo sem pressas, a troca de relações é garantida por uma caixa manual de 5 velocidades, sendo a partir das 3750 rpm que nos é permitido extrair maior prazer ao volante, ainda que este seja um modelo para registos fora de exuberâncias… mas quem não gosta de uma dose de maior adrenalina de quando em vez?

Porém, para uma condução dentro da legalidade e em ambiente urbano, o bloco está perfeitamente à altura das exigências. Apenas é necessário ter alguma atenção para manobras de ultrapassagens, que exigem a devida antecipação, de forma a termos o motor na relação e rotação certas para quando delas precisarmos. O trabalho da suspensão está perfeitamente enquadrado com a estrutura do veículo e garante a comodidade necessária para as ‘missões especiais’ entre o trânsito e ruas citadinas. Com naturalidade conseguem-se consumos na casa dos 5,2 l/100 km, subindo para os 5,8 l se quisermos abusar do acelerador.

Em termos de equipamento de série, destaque para o cruise control, faróis de nevoeiro com luz de curva e para o modo City – este pode ser ativado através de um simples toque de botão, situado no tablier no lado esquerdo do volante; quando acionado a direção torna-se mais leve, algo benéfico em manobras de estacionamento. Em relação a este tópico, e dado que estamos perante um modelo de propensão urbana, os mais 300€ pelos opcionais sensores de estacionamento podem fazer-nos pensar duas vezes, mas quando colocados a uso irão revelar-se um bom investimento.

‘Escapulidela’ off road

Com um ar mais aventureiro que o seu congénere ‘normal’ e mais 20 mm de altura ao solo proporcionados pelo aumento da suspensão, o Rocks dá-nos argumentos para querermos ter uma experiência mais arrojada… fora de estrada.

Rolando em terra batida, num terreno com algumas perturbações, sentimos um verdadeiro feeling de liberdade, mas também alguns cuidados a ter. Obviamente que podemos sempre dar largas à imaginação, mas é importante não descurarmos que continuamos a ter um Opel Karl em mãos e não um veículo verdadeiramente dotado para aventuras desta índole.

A suspensão, com mais trabalho que o habitual, consegue amenizar as irregularidades do piso, apesar de se sentir uma trepidação constante no conjunto, que origina ruídos vários, oriundos do efeito provocado pelas vibrações na carroçaria e plásticos no interior e que se estende ao volante, com a vibração a aumentar com o galopar da velocidade. A experiência off road realizou-se até um máximo de 40 km/h, de forma a não ultrapassarmos aquilo que considerámos ser a fasquia de segurança neste particular.

Aposta consistente

Depois de alguns dias na companhia do Opel Karl Rocks, fica no ar a ideia de que este é um carro que dá prazer quanto mais o descobrirmos e é inegavelmente uma proposta consistente para o quotidiano, com um ‘toque’ de aventura face à versão normal, da qual se distancia por mais 1250€ ( ambos em versão base). No final, falamos de uns perfeitamente adequados 13.240€ para um modelo claramente pensado para uma utilização prática e diária, sem adornos.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 3 cilindros em linha, injeção direta

Cilindrada (cm3) – 999

Diâmetro x curso (mm) – 74,0 x 77,4

Taxa de compressão – 10,5:1

Potência máxima (cv/rpm) – 75/6500

Binário máximo (Nm/rpm) – 95/4500

Transmissão e direcção – Tracção dianteira, caixa manual de 5 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson; Eixo de torção

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 14,0

Velocidade máxima (km/h) – 168

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 4,2/5,6/4,7

Emissões de CO2 (g/km) – 106

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) –  3674/1698/1495

Distância entre eixos (mm) – 2385

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1410/1418

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Tambor

Peso (kg) – 939

Capacidade da bagageira (l) – 215

Depósito de Combustível (l) – 32

Pneus – 185/55 R15