Peugeot 508 2.0 BlueHDI 180 GT Line – Ensaio Teste

By on 21 Fevereiro, 2019

PEUGEOT 508 2.0 BLUEHDI 180 GT LINE

Texto: José Manuel Costa

Leão de garras afiadas

O 508 é um carro que não é barato, mas tem muitos argumentos que permitem pensar que é um carro importante para a Peugeot. Porém, a política de preços e o posicionamento da marca do Leão face ao 508 é radicalmente diferente. Tendo a maioria dos lucros a chegar através das vendas dos SUV (60%) e com os comerciais a contribuírem bastante para isso (30%), o 508 e outros modelos da gama não precisam de contribuir com mais de 10% para os lucros da marca. Por isso mesmo é que a Peugeot não entra na guerra dos descontos e coloca uma etiqueta de preço acima do comum. Com isso, “educou” os consumidores, já viciados nos descontos, como provou com os 3008 e 5008, e assim evita que os valores residuais do 508 desçam muito. Assim, a Peugeot consegue seduzir as frotas não pelo preço, mas pelo valor residual (essencial para os frotistas) e pelo preço que custa mensalmente um 508. É arriscado? É, mas até agora tem resultado e por isso a receita será seguida neste automóvel que, diga-se, tem várias qualidades e, ainda por cima, é giro!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Comportamento / Habitabilidade / Qualidade

 

 

Menos:

Largura do banco traseiro / Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Além do corpinho que o Centro de Design da Peugeot lhe deu, o 508 destaca, ainda, alguns detalhes deliciosos como os dentes de sabre na frente e a faixa traseira onde estão os farolins com as três barras que desenham as garras do leão. As portas sem moldura são um toque de classe num conjunto muito agradável à vista. As jantes grandes que cobrem as cavas das rodas, permitem que o 508 pareça um carro bem maior do que é e de segmento acima. Um conjunto desenhado com muito bom gosto que tem uma carrinha ainda mais gira e sensual. Mas dela falamos noutra altura.

Pontuação 8/10

Interior

O interior do 508 continua a nos deixar boquiabertos pois está desenhado com uma sobriedade rebelde que nos coloca encapsulados no nosso banco com tudo orientado para o condutor, inclusive o enorme painel de instrumentos virtual. A prática faz a perfeição e no caso do Peugeot i-Cockpit, parece que os homens do estilo interior afinaram a ideia e no 508 resulta sem problemas. A posição de condução é encontrada num ápice, o pequeno volante cai bem nas mãos e os revestimentos deram um salto qualitativo impressionante. Ali um ou outro material menos robusto ou agradável ao toque, não estraga uma fotografia de um interior espaçoso funcional e de bom gosto.

Habitabilidade não suscita críticas até porque há mais espaço, atrás, para a cabeça devido à forma do tejadilho. Há ali e acolá um pequeno equívoco de ergonomia, mas nada de fundamentalmente errado. Há uma crítica a fazer, a largura do banco não permite que três pessoas viajem de forma perfeitamente confortável no banco traseiro. Já a bagageira com 487 litros não é fabulosa, mas cumpre a sua missão, com o banco traseiro a poder ser rebatido o que permite aumentar a capacidade de carga para os 1537 litros.

Pontuação 8/10

Equipamento

O Peugeot 508 GT Line, destaca retrovisores rebatíveis eletricamente, cruise control programável, faróis inteligentes, sensores de chuva e luz, limpa vidros automático, rádio com ecrã de 8 polegadas com Bluetooth e USB, ajuda ao estacionamento traseiro, ignição por botão, banco do condutor com regulação lombar e regulação elétrica nos bancos dianteiros, navegação 3D com Peugeot Connect Box, retrovisor interior electrocromático, Pack Safety Plus, vidros escurecidos, estofos em couro e tecido, regulação lombar elétrica, duas tomadas USB na consola traseira, câmara traseira jantes de liga leve de 18 polegadas, ambiente interior Mistral, retrovisor electrocromático sem moldura, bancos dianteiros com regulação lombar e elétrica, Full LED e farolins traseiros LED 3D, i-Cockpit Amplify, bancos em couro. Para a lista de opcionais seguem o portão traseiro com abertura mãos livres (450€), espelhos exteriores elétricos, aquecidos e rebatíveis com iluminação de acolhimento (150€), alarme volumétrico (350€), suspensão activa (1.000€), teto de abrir elétrico com cortina (1.200€), Pack Night Vision (permite detetar á noite a presença de peões ou animais na estrada, custa 1.20€), Pack City 3 (ajuda gráfica e sonora ao estacionamento traseiro, dianteiro e lateral e assistência ao estacionamento paralelo e perpendicular, custa 700€), Pack Drive Assist Plus + Pack Safety Plus (regulador de velocidade adaptativo com função stop6go, ajuda á manutenção da posição na via, travagem de emergência com câmara e radar, alerta de risco de colisão, alerta ativo de transposição involuntária de linha, reconhecimento e preconização de sinais, vigilância do ângulo morto, sistema de deteção de fadiga, máximos automáticos, custa 400€), sistema de som Focal Premium (850€) e Pacl Elétrico e Massagens (Bancos AGR com regulação elétrica de 8 vias, aquecidos e com massagem, custam 1000€).

Pontuação 7/10  

Consumos

O bloco 2.0 BlueHDI não em as mesmas características do bloco 1.6 BlueHDI e menos ainda nesta versão de 180 CV. E quando puxamos pelas qualidades do motor, os consumos sobem a um ritmo elevado, mas raramente ficamos acima dos dois dígitos. Consegui chegar aos 9,4 l/100 km, mas também ficar nos 4,1 l/100 km. Contas feitas, a média final do ensaio foi de 5,1 l/100 km, algo perfeitamente adequado ao modelo.

Pontuação 8/10

Ao volante

Com uma suspensão que deita mão a estruturas McPherSon, à frente, e eixo multibraços (atrás), o 508 tem um pisar muito suave e refinado e nos pisos ondulados consegue ter uma capacidade de absorção espantosa. Por via disso o conforto geral é muito bom, com uma suspensão que funciona de forma muito interessante. É verdade que a direção é bem assistida, mas desprovida de sensibilidade, mas tudo junto faz do 508 um conjunto muito agradável de conduzir com o comportamento a ser muito bom. Os modos de condução mexem, além das suspensões, também com o binário, com a direção e com os amortecedores, endurecendo tudo um pouco mais. É verdade que o 508 não é um automóvel excitante de conduzir, que nos deixa com um sorriso nos lábios depois de fazer os troços do Rali das Camélias, mas não deixa de ser verdade que podemos aumentar o ritmo que o 508 aguenta o mau trato. Claro, as jantes de 18 polegadas com peganhentos pneus Michelin Pilot Sport ajudam muito.

Pontuação 8/10

Concorrentes

Ford Mondeo

1997 c.c. turbo diesel; 180 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 8,6 seg,; 223 km/h; 4,8 l/100 km, 120 gr/km de CO2; nd

(Veja o ensaio AQUI e Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Skoda Superb

1968 c.c. turbo diesel; 190 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 7,7 seg,; 235 km/h; 4,7 l/100 km, 123 gr/km de CO2; 44.376€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

VW Arteon

1968 c.c. turbo diesel; 190 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 8,0 seg,; 238 km/h; 4,7 l/100 km, 122 gr/km de CO2; 48.065

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

O motor 2.0 BlueHDI é muito redondo – não tanto como o 1.6 BlueHDI – e apesar do escalonamento da caixa muito longo, consegue-se um ritmo muito agradável e condizente com o aspeto desportivo do 508. Se optar pelos modos de condução (Eco, Normal, Sport e Individual) terá ao seu dispor vários carros num só. Os 180 CV são mais que suficientes para nos retirar de situações mais apertadas e em estradas sinuosas, mesmo que a caixa automática não seja um exemplo de velocidade, consegue ajudar o motor a expressar-se bem. E vejam lá como o trabalho está tão bem feito que o 508 SW com jantes de 18 polegadas, nem pestaneja ou nos destrói as costas.

Pontuação 8/10

Balanço final

O 508 é um carro sui generis: é giro, o interior é espaçoso, o comportamento é bom, enfim, tem pouco que criticar. Mas não tem a envolvência na condução que gostaria que tivesse, o banco traseiro deveria ser mais largo, enfim, há uma ou outra coisa que deveria ser melhor. Não sendo o melhor em nada, é bom em quase tudo e por isso é uma ótima alternativa aos habituais alemães dominadores do segmento. O preço poderá ser um contratempo, pois as tarifas da Peugeot continuam, tal como a marca, em alta…

Pontuação 8/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros, turbodiesel com intercooler e sistema stop&start

Cilindrada (cm3): 1997

Diâmetro x Curso (mm): nd

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima (CV/rpm): 180/3750

Binário máximo (Nm/rpm): 400/2000

Transmissão: Dianteira com caixa automática de 8 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente McPherson/independente eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 8,3

Velocidade máxima (km/h): 235

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 3,9/6,0/4,7

Emissões CO2 (gr/km): 123

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4750/1859/1403

Distância entre eixos (mm): 2793

Largura de vias (fr/tr mm): 1601/1597

Peso (kg): 1535

Capacidade da bagageira (l): 487/1537

Deposito de combustível (l): 55

Pneus (fr/tr): 235/40 ZR19

Preço da versão ensaiada (Euros): 51000€
Preço da versão base (Euros): 47000€