Peugeot 508 SW 1.6 PureTech EAT8 GT – Ensaio Teste

By on 11 Outubro, 2019

Peugeot 508 SW 1.6 PureTech EAT8 GT

Texto: Francisco Cruz

A cereja

A viver uma nova geração, que é também um substancial salto geracional face à antecessora, a carrinha Peugeot 508 assume-se, hoje em dia e fruto das suas muitas qualidades, como uma das figuras em destaque no segmento D. Destacando-se esta excelente mas pouco apreciada motorização 1.6 PureTech de 225 cv, como a saborosa cereja no topo do bolo!

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Mais:

Eficácia dinâmica; Conforto; Habitabilidade        

Menos:

Patilhas da caixa de velocidade; Óculo traseiro pequeno; Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Diga-se o que se disser, analise-se sob que prisma for, a verdade é que a conclusão só pode ser uma: a nova carrinha Peugeot 508 SW tem um aspecto, uma pose, uma elegância, verdadeiramente de espantar! Presente no mercado nacional desde junho último, a carrinha francesa continua, simplesmente, a surpreender e deslumbrar, provocando olhares de inveja por onde quer que passe. E, em particular, quando apresentada naquela que é a sua roupagem e posicionamento mais desportivo, denominado GT. Exibindo as mesmas linhas gerais insinuantes, mas também arrebatadoras, que vieram agitar o mercado das carrinhas do segmento D, a 508 SW GT consegue levar ainda mais longe o impacto, nomeadamente, através da inclusão, no exterior, de “pormaiores” como as luzes diurnas em LED tipo “dentes de sabre” ou as deslumbrantes jantes em liga leve “Augusta” bi-ton diamantadas de 19 polegadas, com pneus Michelin Pilot Sport 4 de tamanho 235/40. Resumindo: um deslumbre!…

Interior

Pontuação: 9/10

Arrebatadora no exterior, a Peugeot 508 SW GT provoca impacto idêntico no interior do habitáculo. Concebido, fruto também da elevada qualidade de construção e excelentes revestimentos, declaradamente para deslumbrar em termos de elegância e estatuto, ao mesmo tempo que um evoluído i-Cockpit, apela aos sentidos na condução! Agraciado com um banco de concepção desportiva, revestido a couro e Alcantara, e com todas as regulações necessárias, ao condutor fica assim reservada uma posição de condução assumidamente baixa e excitante, da qual faz igualmente parte não só um volante revestido a excelentes materiais, levemente cortado no topo e base, e com uma excelente pega, como também um painel de instrumentos 100% digital e configurável. Além de no sítio exacto em termos de visibilidade.

A complementar este espaço privilegiado, um apoio de pé esquerdo e pedais em metal e borracha anti-derrapante, assim como uma consola central correctamente virada para o condutor, com um generoso e funcional ecrã táctil, e uma fileira de botões em metal, tipo teclado de piano. Estes últimos, a proporcionarem o acesso directo a cada uma das funções do sistema de info-entretenimento.

Numa posição sem mácula, surge também a manche da caixa automática de oito velocidade, bem mais convincente no operar que, por exemplo, as patilhas, colocadas na coluna de direcção, curtas e em plástico de fraca qualidade. A nós, pelo menos, a agradar-nos ainda menos que a visibilidade traseira, “naturalmente” limitada fruto da subordinação das linhas exteriores ao design. Embora, neste caso, atenuada pela inclusão de sensores atrás e à frente, além de câmaras… Num habitáculo de óptima ergonomia, a que não faltam sequer espaços de arrumação, a garantia de uma boa habitabilidade, inclusive, para três adultos, no banco de trás.

Ainda que, com o lugar do meio mais estreito e sem o mesmo conforto dos restantes, beneficiando apenas de um túnel de transmissão quase inexistente. Culpa igualmente das linhas exteriores, uma bagageira com apenas 530 litros de capacidade na configuração inicial, mas que pode chegar perto dos 1.800 litros, com o rebatimento 60/40 das costas dos bancos traseiros – ligeiramente na perpendicular, é certo, mas, ainda assim, no seguimento do piso da mala. Com a operação a surgir facilitada pela colocação de trancas no topo das costas e nas laterais da mala, onde também estão dois pontos de luz e ganchos, contribuindo assim para um lote de aspectos positivos, dos quais fazem igualmente o acesso amplo e baixo – a 508 é mesmo uma das carrinhas com menor distância ao solo do segmento… -, fruto também de uma chapeleira que recolhe com um só toque. Menos positivo, a falta de um alçapão por baixo do piso falso e, já agora, a obrigatoriedade de pagar mais 450€ pelo funcionamento elétrico do portão traseiro, com sistema de abertura mãos livres…

Equipamento

Pontuação: 9/10

Vestida com o nível de equipamento de topo, a carrinha Peugeot 508 SW PureTech EAT8 GT surge optimamente equipada de fábrica e capaz de agradar à generalidade dos interessados. E isto, mesmo com algumas surpresas, na constituição da lista de opcionais… Começando pelos equipamentos propostos de série e sem custos adicionais, destaque natural para o Pack Safety Plus (Pack Safety + Assistente automático de máximos + reconhecimento dos painéis de velocidade e preconização + Sistema activo de vigilância do ângulo morto + Sistema de alerta de fadiga por análise de trajectória), ajuda estacionamento dianteiro e traseiro, câmara traseira, faróis dianteiros Full LED e farolins traseiros LED 3D com função de iluminação permanente, e suspensão activa.

Tecnologias a que juntam ainda as apaixonantes jantes “Augusta” de 19″, acesso e arranque mãos livres, acendimento automático dos faróis com função follow me home, limpa-vidros automático, Cruise Control programável, i-Cockpit Amplify, navegação 3D e Peugeot Connect Box, Rádio com ecrã 8”, bluetooth e USB, bancos em Couro Nappa e Alcantara, e banco do condutor com regulação lombar, inclinação eléctrica e regulação em comprimento dos assentos dianteiros. No entanto e apesar destaque riqueza, não deixa de ser uma surpresa o facto de, estando na presença de uma versão topo de gama, tecnologias hoje em dia muito em voga, como o regulador de velocidade adaptativo com função Stop&Go, a ajuda à manutenção na via, a travagem de urgência, o alerta de risco de colisão, o alerta ativo de transposição involuntária de linha e o reconhecimento alargado dos sinais de trânsito – tudo, diga-se, proposto num único pacote, Pack Drive Assist Plus + Pack Safety Plus, com o preço de 480€ -, figurarem como opcionais e pagos à parte…

Consumos

Pontuação: 8/10

Mas se as prestações têm todos os atributos para nos fazer surgir um sorriso – um, não; muitos!… – no rosto, já os consumos, dificilmente fugirão àquelas que são as expectativas. Assim e embora anunciado um consumo oficial em trajecto combinado de 7,2 l/100 km, nas nossas mãos, a média real, no final de um ensaio de vários dias, acabou fixando-se bem mais perto dos 8,4 litros. E, isto, diga-se, não andando sempre com “a faca nos dentes”, a tirar tudo e mais alguma coisa do conjunto; aí, o mais certo é contar com médias a roçar os 15 l/100km… Pelo contrário, optámos, quase sempre e na maior parte da situações, por uma condução descontraída, disfrutando da suavidade e souplesse deste PureTech.  Qualidades que, aliás, este 1,6 litros sabe afirmar muito bem… e que nós muito apreciámos!  

Ao volante

Pontuação: 10/10

Optimamente equipada em termos de motor e caixa de velocidades, a Peugeot 508 SW PureTech de 225 cv junta ainda, a estas duas qualidades, uma outra, não menos importante: uma plataforma excelente, com um chassis correctamente afinado para suportar todos os momentos de maior intensidade ao volante, além de apoiado por uma evoluída suspensão de amortecimento pilotado, a controlar, de forma exemplar, todos e quaisquer movimentos da carroçaria! Fruto, aliás, destes atributos, a nova carrinha 508 consegue mesmo posicionar-se como uma das propostas mais envolventes e eficazes que já tivemos oportunidade de conduzir, quando com o emblema do leão na grelha frontal.

Acrescentando, dessa forma, à natureza assumidamente familiar, uma vocação desportiva que, na verdade, só lhe fica bem – não só em termos de condução, como até mesmo enquanto complemento da estética!… De resto e ainda falando da faceta familiar, elogios, mais uma vez, para o papel da suspensão pilotada, tão convincente na eficácia com que lida com atitudes mais desportivas em estrada, como na salvaguarda do conforto dos ocupantes; inclusive, nos pisos mais irregulares. Oferecendo mesmo, senão a melhor, uma das melhores relações entre eficácia e conforto, do segmento…

Concorrentes

BMW 520i Touring Auto, 184cv, 8,2s 0-100 km/h, 225 km/h, 8,1 l/100 km, 184 g/km CO2, 63 900€

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Mercedes-Benz E 200 9G-TRONIC Station, 197cv, 7,8s 0-100 km/h, 231 km/h, 7,5 l/100 km, 171 g/km CO2, 60 050€

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Renault Talisman Sport Tourer Energy TCe EDC Initiale Paris, 200cv, 7,9s 0-100 km/h, 231 km/h, 6,0 l/100 km/h, 135 g/km CO2, 48 030€

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Skoda Octavia Break 2.0 TSI DSG RS, 245cv, 6,8s 0-100 km/h, 244 km/h, 7,7 l/100 km, 175 g/km CO2, 40 209€

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Motor

Pontuação: 10/10

Embora, no mercado nacional, com uma dimensão que pouco ou nada vai além das motorizações Diesel, nunca será demais recordar que esta Peugeot 508 SW é muito mais do que isso! Dispondo, mesmo, de motores a gasolina, tão ou mais capazes e arrebatadores, que os blocos a gasóleo – é o caso, aliás, deste 1.6 PureTech com 225 cv de potência e 300 Nm de binário! Exemplarmente ajudado por uma caixa automática de dupla embraiagem e oito velocidade que é, ela própria, exemplar na forma como gere as capacidades deste quatro cilindros equipado com injecção directa e turbocompressor, torna-se assim fácil apaixonarmo-nos por esta solução, excelente não só na forma pronta e imediata como reage ao pedal do acelerador, mas também pelo funcionamento muito suave e progressivo que exibe, quando a isso é instada.

Já para momentos de condução assumidamente extremados, a possibilidade de recorrer igualmente ao modo Desporto, num sistema Drive Mode que conta ainda com as opções Eco, Normal e Manual, sendo esta a melhor forma de obter um boost extra que motor e caixa ainda podem dar, apoiados por uma direcção equilibrada e precisa, em todos os seus momentos. Mesmo naqueles em que colocamos o conjunto à prova com uma aceleração a fundo ou decidimos aproveitar o não menos impressionante vigor das recuperações…

Balanço final

Pontuação: 10/10

Embora a pontuação final possa parecer algo exagerada, a verdade é que, esquecendo o preço – são mais de 50 mil euros!… – , é difícil encontrar aspectos negativos e verdadeiramente penalizadores, nesta versão topo-de-gama da francesa Peugeot 508 SW – é linda de morrer, com uma qualidade que nesta versão chega a pedir meças às rivais premium, equipamento e espaço capazes de satisfazer praticamente todas as necessidades familiares, e, para completar, ainda oferece uma envolvência, emoção e conforto na condução, que só apetece não mais parar! Resumindo: cereja mais doce do que esta, num bolo já de si bem confeccionado, não será fácil de encontrar!

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha a gasolina, com injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.598

Diâmetro x curso (mm): 77 x 85,8

Taxa compressão: 10,5 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 225 / 5.500

Binário máximo (Nm/rpm): 300 / 1.900

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de dupla embraiagem de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com amortecimento pilotado; Multibraços com amortecimento pilotado

Travões (fr/tr): Discos ventilados / Discos

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 7,4

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumo Misto (l/100 km com WLTP): 7,2

Emissões de CO2 Combinado (g/km): 163

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,778/1,859/1,420

Distância entre eixos (mm): 2,793

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,593/1,590

Peso máximo (kg): 1.500

Capacidade da bagageira (l): 530/1.780

Depósito de combustível (l): 62

Pneus (fr/tr): 235/40 R19 / 235/40 R19  

Preço da versão ensaiada (Euros): 53420€
Preço da versão base (Euros): 50590€