Range Rover P400e PHEV – Ensaio Teste

By on 16 Janeiro, 2019

Range Rover Vogue P400e PHEV

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Gigante com pés de barro

A Jaguar Land Rover continua o seu caminho de eletrificação das suas gamas e depois do Range Rover Sport, o “navio almirante” da gama recebe o sistema híbrido que apesar de recorrer a um motor de 4 cilindros, garante mais de 400 CV de potência. A Range Rover aproveitou para fazer uma ligeira remodelação ao carro que não teve muita influência no exterior, trouxe mais qualidade para o interior para o puxar para mais perto de modelos como o Bentley Bentayga, descolando-o do Sport. Leia o ensaio completo a um carro que ainda habita os sonhos de muitos apesar de custar 130.620 euros.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Qualidade / Potência / Versatilidade da unidade híbrida

 

 

Menos:

Motor de 4 cilindros / Consumos sem bateria / Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

As diferenças que foram introduzidas no estilo do Range Rover são quase impercetíveis, o que se compreende, pois, o estilo quase eterno tem-lhe garantido ser um dos SUV de luxo mais vendidos em todo o Mundo. O demónio está nos detalhes e se olhar com atenção para as fotos verá que há uma nova grelha dianteira, o para choques foi redesenhado com maiores entradas de ar, na lateral as guelras foram alteradas, enquanto que na traseira o para choques foi redesenhado e as saídas de escape também são novas. Mas a grande diferença que permite saber qual é a geração do Range Rover que temos à frente, reside nos faróis. Há quatro opções: Premium, Matrix, Pixel e Pixel Laser. Esta á a tecnologia de topo que instala 142 LED individuais que combinados com quatro feixes lasers ilumina até 500 metros à frente.

Pontuação 8/10

 

Interior

A procura de colar o Range Rover aos modelos de topo do segmento de luxo como levou a marca britânica a investir na qualidade do interior e na conectividade. Comecemos pelos bancos que estão maiores, mais suaves e passam a contar com regulação em nada menos que 24 vias, através de controlos colocados no forro da porta e não no banco, tornando a regulação mais simples. Os modelos de topo têm massagem de pedras quentes, este Vogue não tinha esse extra. No banco traseiro a forma foi redesenhada e os têm opção de apenas dois lugares com regulação elétrica do ângulo das costas. Os materiais são excelentes, a montagem também e o tabliê recebe os mesmos ecrãs do Velar para controlar todas as funções e até a climatização. A bagageira continua a ser enorme com 802 litros de capacidade que se expandem até aos 1943 litros com os bancos rebatidos. A única diferença reside no piso da bagageira que está ligeiramente elevado para acomodar as baterias que, neste processo, roubam quase uma centena de litros à bagageira.

Pontuação 9/10

 

Equipamento

Inevitavelmente, é muito completo. Olhando para as ajudas á condução, o Range Rover Vogue oferece controlo de tração, estabilidade, de inclinação, de travagem em curva, de descida em declives, altura de acesso automática e distribuição eletrónica da força de travagem. Oferece para brisas acústico e aquecido, espelhos aquecidos com regulação elétrica e recolha automática com função de memória e iluminação de aproximação, espelhos interior anti encadeamento, sensores de chuva e luz, luzes LED, lava faróis, assistência à estabilidade do atrelado.

Exibe, também, pré-aquecimento ou refrigeração do habitáculo, volante multifunções e com ajustes em altura e profundidade, quatro vidros elétricos com anti entalamento, volante em couro aquecido, bancos dianteiros aquecidos, tampa da bagageira acionada por gestos, acesso sem chave, fecho de portas amortecido, ar condicionado com três zonas e completo sistema de entretenimento que tem dois ecrãs de 10 polegadas sensíveis ao toque, algo lento para os dias de hoje. Tem sistema de navegação, controlo por voz, conectividade Bluetooth, ecrã interativo do painel de instrumentos com o condutor, televisão digital e um computador de bordo que interage com o condutor. Claro está que a travagem assistida de emergência está disponível de série. Não podemos esquecer o sistema de som Meridian, as jantes de 20 polegadas com 12 raios, sistema de câmaras surround, aviso de saída de faixa e o sistema para andar fora de estrada “Terrain Respond”. Há 17 tomadas USB, HDMI, AUX e 12 volts para que ninguém se possa queixar que ficou sem bateria…

Pontuação 9/10

Consumos

Para esta versão híbrida, a Range Rover anuncia um valor de consumo de 2,8 l/100 km e emissões de Co2 de 64 gr/km. Não é bem assim pois no final do ensaio o valor ficou longe. Porém, para um carro que pesa mais de duas toneladas e meia, fechar o ensaio com uma média de 7,2 l/100 km é muito bom. Quando a bateria fica exaurida, o computador de bordo devolve-nos cifras com dois dígitos.

Pontuação 7/10

Ao volante

Com uma autonomia elétrica de 50 quilómetros, andar em cidade é feito, quase, em modo EV com uma enorme suavidade, oferecida pelo motor elétrico poderoso e com o binário forte a estar disponível desde o arranque. Nesta altura, tudo se processa em silêncio e até sairmos do casco urbano e entrarmos em estrada aberta, o Range Rover impressiona ao esconder os cinco metros de comprimento e as mais de 2,5 toneladas de peso.

Chegando à estrada, a pressão no acelerador e a necessidade de andar mais depressa faz entrar em ação o motor a gasolina. A insonorização dá parte de fraca e o bloco de 4 cilindros faz-se ouvir. Apesar dos valores de potência e binário do sistema híbrido elevados, a verdade é que o conjunto tem alguma dificuldade em mexer toda a massa do carro, sendo que a transmissão não ajuda muito arrastando-se um nadinha.

Mas assim que passamos a fase de impulso e atingimos as velocidades de cruzeiro, o Range Rover mostra toda a sua qualidade, voltando a manter os níveis de ruído em valores aceitáveis e em curva, o chassis e suspensões pneumáticas do P400e “escondem” de forma perfeita a massa e o peso, com controlo quase absoluto do rolamento da carroçaria o que permite um comportamento em curva muito interessante e seguro.

O Range Rover tem a enorme vantagem de ser um SUV que se comporta muito bem em estrada e fora dela. O facto de ter um motor elétrico ajuda, muito, na progressão, utilizando os vários modos do Terrain Response. O binário disponível desde o arranque permite dosear a forma como o Range Rover se “enrola” nos obstáculos. E não há problema de misturar um híbrido com água, pois o Range Rover passa muito bem por obstáculos de água ou ribeiros até 500 mm. Sem problemas!

Pontuação 8/10

Concorrentes

Audi Q7 e-tron

2967 c.c. (turbodiesel); 373 CV; 700 Nm; 0-100 km/h em 6,2 seg,; 230 km/h; nd, 48 gr/km de CO2; nd

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volvo XC90 T8 Twin Engine

1969 c.c.; 407 CV; 300 Nm; 0-100 km/h em 5,6 seg,; 230 km/h; nd, 49 gr/km de CO2; 125.975€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

O Range Rover P400e utiliza um motor de 4 cilindros Ingenium, igual ao do Jaguar F-Type, por exemplo, que debita 272 CV, tendo acoplado um motor elétrico com 115 CV, instalado na caixa automática de oito velocidades ZF, produzindo, assim, um total de 404 CV e um binário de 640 Nm. Valores muito respeitáveis que autorizam performances como os 220 km/h e aceleração 0-100 km/h em 6,8 segundos. Uma vez mais cifras interessantes para um carro que pesa mais de 2,5 toneladas, e que são idênticas ao Range Rover equipado com o V8 turbodiesel.

A bateria de iões de lítio tem uma capacidade de 13,1 kWh, está colocada debaixo da bagageira e tem a porta de carregamento instalada na frente. Numa ficha normal, leva 7h30m para carregar a bateria, num carregador rápido são necessárias 2h45m. Como dissemos acima, com a bateria totalmente carregada, a autonomia elétrica é de 50 quilómetros.

O Range Rover P400e conta, ainda, com o “Predictive Energy Optimisaton” utiliza dados do GPS obtidos do sistema de navegação com a escolha do percurso, para maximizar a poupança de combustível. Há, também, uma função “Save” que permite poupar a carga da bateria num determinado nível, reservado o modo elétrico para ser usada no derradeiro percurso até casa ou até ao emprego, já dentro da cidade.

Pontuação 8/10

Balanço final

Um modelo como o Range Rover receber uma motorização híbrida, diz muito sobre aquilo que a marca pensa do futuro. O PHEV perde para o V8 turbodiesel no refinamento da motorização, pois o quatro cilindros é mais vocal e menos suave, principalmente quando puxamos pela capacidade do conjunto. Com performances iguais e consumos iguais, o P400e faz todo o sentido face ao V8 turbodiesel. E por 130 mil euros, provavelmente é mesmo a melhor escolha. As alterações feitas, cirúrgicas no exterior, mais profundas no interior, deram ao Range Rover uma muito necessitada melhoria no ambiente e no nível de tecnologia e qualidade. Acredito mesmo que este é o mais interessante Range Rover.

Pontuação 7/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros com injeção direta, turbo com motor elétrico

Cilindrada (cm3): 1997

Diâmetro x Curso (mm): 83 x 92

Taxa de Compressão: 9,5

Potência máxima (CV/rpm): 272/3600 (115 CV motor elétrico)

Binário máximo (Nm/rpm): 640/1750 – 2250

Transmissão: integral com caixa automática de 8 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/multibraços com elementos pneumáticos

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 6,8

Velocidade máxima (km/h): 220

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): – / – /2,8

Emissões CO2 (gr/km): 64

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 5000/2073/1869

Distância entre eixos (mm): 2922

Largura de vias (fr/tr mm): 1693/1685

Peso (kg): 2509

Capacidade da bagageira (l): 802/1943

Deposito de combustível (l): 90

Pneus (fr/tr): 255/55 R20

Preço da versão base (Euros): 130.620

Preço da versão Ensaiada (Euros): 130.620

Preço da versão ensaiada (Euros): 130620€
Preço da versão base (Euros): 130620€