Renault Captur Energy dCi 110 – Ensaio

By on 20 Julho, 2017

Renault Captur Energy dCi 110 Exclusive eco2

Texto: Francisco Cruz

O Rei chegou!

Rei e senhor do segmento B-SUV, o Renault Captur acaba de ser submetido à sua mais recente actualização, centrada não somente no visual, mas também em aspectos como a qualidade e equipamento; e, tudo isto, sem alterações de preço! O que faz despoletar a questão: Haverá alguém capaz de acabar com este reinado? Dificilmente…

Verdadeiro best-seller na oferta da marca do losango, hoje em dia e após quatro anos de comercialização já com mais de 200 mil unidades transaccionadas, o Renault Captur é daqueles automóveis que personifica, na perfeição, a expressão “Está bem e recomenda-se!”. A confirmá-lo, o facto de, cumprido um já considerável – para um automóvel – percurso de vida, continuar claramente “na berra”, não necessitando mais do que algumas (pequenas) alterações para manter vivas as aspirações a um longo reinado!

Modelo que tem por base a mesma plataforma e soluções técnicas do não menos popular Clio, é, de resto, caso para dizer que a Renault não teve de esforçar-se muito neste restyling, de forma a manter o Captur actual, atraente e competitivo, face aos sucessivos rivais que quase todos os dias vão surgindo no mercado. Tendo começado e como de resto já é hábito, por operar uma “lavagem de cara”, traduzida na adopção de novos faróis que passam a ser Full LED logo a partir da versão intermédia por nós testada (Exclusive); uma nova assinatura luminosa já em forma de “C” e que hoje em dia caracteriza todos os modelos da marca; além de pormenores como é o caso do novo filete cromado na grelha frontal e das protecções em plástico cromado nas zonas inferiores dos pára-choques dianteiro e traseiro. E que, embora de índole apenas decorativa, não deixam de contribuir para dar ao Captur um ar não só mais aventureiro, como também mais estatutário! Ambição, aliás, confirmada com a inclusão, na versão por nós testada, de soluções como os vidros traseiros sobreescurecidos.

De resto e numa proposta que prima, desde o lançamento, por um alto índice de personalização, que o restyling agora apresentado potencia com a oferta de mais de 30 combinações de cores para corpo e tejadilho, novas são também as jantes em liga leve de 17”, assim como os farolins em LED. Ambos parte do equipamento de série da versão Exclusive, tal como acontece, já no interior do habitáculo, com as forras amovíveis dos bancos (com fechos de correr e velcro para uma mais fácil aplicação, podem ser em Branco Marfim, Caramelo ou Azul) e com as aplicações em cromado acetinado nas saídas de ar, friso da consola central, moldura dos altifalantes e base da alavanca da caixa de velocidades.

Sem esquecer e agora já no domínio da tecnologia, a inclusão de mais-valias como o ar condicionado automático (do qual só não nos atrai por aí além o design dos comandos), do sistema multimédia NavEvolution 3.0 com ecrã táctil de 7” e sistema de navegação (apenas para a Europa Oeste?!), o Cartão Renault Mãos-Livres, Regulador/Limitador de Velocidade, sistema de ajuda ao arranque em subidas e controlo da pressão dos pneus. Sendo que, para mais e melhor que isto, só mesmo recorrendo à lista de opcionais – onde figuram elementos como o mais evoluído sistema R-Link, também com ecrã táctil de 7”, navegação TomTom (não muito rápida, é certo…), Bluetooth, Audio Streaming e entrada USB (590€), a par de outras soluções de que o “nosso” Captur também dispunha, como o pack interior decorativo em azul (100€) ou o pneu sobressalente (70€). Mas que, no final das contas, também acabam por elevar o preço final para os 25.590€…

No entanto e especialmente para quem, como nós, já conhecia o crossover francês, digno de realce é, também e sem dúvida, a evolução registada na qualidade dos revestimentos, contribuindo inclusivamente para sensações mais agradáveis a bordo, isto num habitáculo em que não só o acesso de se faz de forma fácil e desimpedida, como a habitabilidade convence mesmo naquelas situações em que somos forçados a viajar com carga máxima. Ou seja, com cinco ocupantes no interior, os três de trás a desfrutarem de bastante espaço para pernas e em altura graças também ao facto do banco traseiro poder ser ajustado em profundidade, ao mesmo tempo que, na bagageira, uma capacidade de carga 557 litros (1.247 l com os bancos rebatidos na horizontal) e um piso amovível que por baixo esconde um fundo alçapão, acabam surpreendendo pela forma como conseguem “engolir” malas e bagagens para um fim-de-semana mais prolongado; mesmo tratando-se de cinco pessoas!

Ainda sobre o habitáculo, elogios merecidos para a funcionalidade proporcionada por um sem-número de espaços e espacinhos de arrumação (12 ao todo!), entre os quais, o novo alçapão com tampa na parte superior do tablier e o já conhecido porta-luvas tipo gaveta, do género “ou se ama, ou se odeia” (nós, gostamos…), assim como para o correcto posicionamento da maioria dos comandos. Ainda que, no caso da manche da caixa de velocidades, demasiado baixa face ao posicionamento do encosto de braço que a Renault resolveu integrar no banco do condutor. Este último, não apenas ajustável em altura e profundidade tal como o volante, mas também confortável, além de convincente na forma ligeiramente elevada como coloca o ocupante perante os comandos e contribui para uma melhor visibilidade em redor; ainda que, não tão boa, para trás…

E já que falamos de aspectos relacionados com a condução, momento para destacar igualmente o bom desempenho dinâmico deste crossover francês. Marcado, desde logo, por uma inegável e importante versatilidade, que tanto o torna uma óptima opção para uma vida em cidade, como para algumas aventuras fora de estrada – no primeiro caso, graças a um pisar agradavelmente firme e informativo, sem deixar de ser confortável, e complementado por uma direcção de bom peso e precisão, menos convincente apenas no que toca à brecagem; ao passo que, no segundo, fruto de uma maior altura ao solo (212 mm), que inclusivamente consegue fazer esquecer a ausência do já conhecido sistema Grip Control.

Seguro e fácil de conduzir, mesmo se evidenciando um oscilar mais acentuado da carroçaria quando ultrapassados os limites, para a óptima avaliação final contribui igualmente, no caso da unidade por nós ensaiada, o conhecido quatro cilindros turbodiesel 1,5 litros de 110 cv e 260 Nm de binário. Que, acoplado a uma convincente caixa manual de seis velocidades de accionamento curto e preciso, mostrou ser garantia não só de excelente insonorização e consumos atractivos – 6,4 l/100 km foi a nossa média, já com o contributo de um sistema Start&Stop e do conhecido modo de economia de combustível  ECO -, como também de uma ampla faixa de utilização, com a potência a surgir bem antes das 2.000 rpm, funcionando a partir daí de forma muito progressiva e suave.

E se as prestações dificilmente poderão ser qualificadas de desportivas, com a aceleração dos 0 aos 100 km/h a ultrapassar a marca dos 10 segundos (11,4 s), a verdade é que, uma vez transpostas para o dia-a-dia, também não serão propriamente uma desilusão. Com o modelo francês a, inclusivamente, recuperar velocidades com alguma facilidade, aproveitando também a agilidade que o caracteriza, ao mesmo tempo que dá mostras de saber acelerar de forma mais enérgica, sempre que a isso é solicitado. Tudo cumprido, no entanto, segundo aquela que é, cada vez mais, a sua verdadeira vocação, e que passa por tentar ser um verdadeiro, competente e compacto familiar.

A terminar e em jeito de conclusão, a certeza de que, apesar dos anos já passados e da agora ligeira actualização, este Renault Captur continua sendo uma das melhores opções entre aquelas que são, hoje em dia, as propostas com maior procura no mercado automóvel – os SUV e crossovers. Graças não só a argumentos novos (e importantes!), como é o caso da melhoria qualitativa dos revestimentos e o reforço do equipamento, tudo isto sem qualquer agravamento no preço, mas também a qualidades já conhecidas, como a habitabilidade ou o comportamento. E que, em conjunto, prometem continuar a fazer do Captur aquilo que ele já é – o rei do segmento B-SUV.

FICHA TÉCNICA

Motor: Quatro cilindros em linha, com injecção directa e turbocompressor de geometria variável

Cilindrada (cm3): 1.461 cc.

Diâmetro x curso (mm): 76,0X80,5

Taxa compressão: 15,5:1

Potência máxima (cv/rpm): 110/4000

Binário máximo (Nm/rpm): 260/1750

Transmissão e direcção: Tracção dianteira, com caixa manual de 6 velocidades, direcção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson/Independente, multibraços; com barra estabilizadora à frente/atrás

Dimensões e pesos (mm): 4,122(C)/1,778(L)/1,620(A)/2,606(DE)

Peso (kg): 1.190

Capacidade da bagageira (l): 557-1.247 litros

Depósito de combustível (l): 45

Pneus (fr/tr): 205/55 R 17

Prestações e consumos: aceleração 0-100 km/h (s) 11,4; velocidade máxima (km/h) 180; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 3,6/4,0/3,7; emissões de CO2 (g/km) 98;

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