Renault Espace Initiale Paris dCi 160 EDC- Ensaio

By on 17 Agosto, 2017

Renault Espace Initiale Paris dCi 160 EDC

Texto: José Luís Abreu

Sete maravilhas das férias

Podemos chamar-lhe uma espécie de férias em classe executiva, pois para levar uma grande família a passear por Portugal não é fácil encontrar melhor…

A Renault Espace já não é nova, depois desta última geração ter chegado ao mercado muitos mais SUV e Monovolumes de sete lugares também surgiram, mas sem os ter experimentado a todos, não é fácil encontrar algum que faça claramente mais sentido. Pode haver melhores motores a ‘empurrar’ carros de sete lugares, mais conforto, mais espaço (só em monovolumes), agora, que juntem todos os pequenos grandes detalhes, não é mesmo nada fácil.

Procurava um carro grande, com caixa de velocidades automática, muito espaço, um motor quanto baste, e a Renault Espace proporcionou isso tudo. Até esta geração a Renault Espace sempre foi um ‘enorme’ monovolume, mas desta feita a marca francesa dotou a nova Espace de um conjunto de detalhes que a afastam do conceito de monovolume, mas curiosamente não se afastando por completo, de modo a poder ser considerada uma evolução na continuidade. Basicamente, hoje em dia é um ‘híbrido’ entre os dois sub-segmentos. Na verdade o que este automóvel é… é uma forma muito requintada para circular com toda a família lá dentro. Não falta espaço, o conforto é muito bom, e mesmo com ‘carga máxima’, os dois lugares da terceira fila de bancos, que são o que verdadeiramente, pode fazer justificar o investimento, pois são perfeitamente adequados para duas pessoas sem que precisem de ser crianças. Claro que há que fazer algumas concessões na fila do meio, mas já lá vamos. Agora, um pouco de história…

Diga 33

Mais de três décadas de história já tem a Renault Espace, mas os primeiros tempos não foram fáceis pois a aposta dos franceses no segmento familiar parecia um enorme fracasso. A Renault Espace, lançada em Maio de 1984, tinha vendido somente nove unidades no primeiro mês. O conceito era revolucionário: um modelo que combinava espaço, modularidade e conforto, tendo como target as famílias que apreciam a arte de bem viajar. O público desconfiou. Mas como diz a sabedoria popular, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Um quarto de século volvido, a Espace tornou-se uma das referências no segmento dos monovolumes familiares e, mais importante, inaugurou uma nova forma de encarar a mobilidade.

A história de sucesso da Espace começa no ano de 1984, com o lançamento da primeira geração. Utilizava uma carroçaria de fibra de vidro montada num chassis de aço temperado. Simples e eficaz. O crescente sucesso da nova coqueluche francesa junto do público levou a Renault a substituir a mecânica, até então assegurada pela Talbot/Simca, por material fabricado pela marca. Foram também realizadas algumas melhorias ao nível estético. Em 1991, e já com 192 mil exemplares produzidos, o construtor francês decidiu lançar a Espace II. A segunda geração apresentava um comprimento de 4,43 metros, um incremento precioso de 22 cm em relação à anterior Espace. Foi, essencialmente, um restyling, com um novo painel e outras modificações interiores.

Cinco anos depois, em 1996, a Renault lançou a terceira geração da Espace, com duas versões distintas: curta e longa, respetivamente com 4,52 e 4,79 metros. Esta sofreu alterações profundas no habitáculo, com o painel de instrumentos a surgir no centro – e não à frente do condutor – e com os bancos individuais a deslizarem por calhas. As linhas modernizaram-se e acompanharam as tendências da moda. Produziram-se mais de 365 mil exemplares até 2002, quando a Espace III surgiu. Inteiramente desenhada pelo construtor francês, a quarta geração elevou ainda mais os níveis de sucesso, e na história da indústria automóvel, o capítulo dedicado aos monovolumes reconhecerá, de certo, a importância da Renault e, em particular, da Espace.

Esta quinta geração faz ainda mais juz ao seu nome, pois estar sentado na posição do condutor, a primeira sensação é que estamos aos comandos de um avião… ou uma nave ‘espacial’. Desde head-up display, bancos com massagem, estaciona sozinha, está lá tudo…

Estética fantástica

É a primeira coisa que salta à vista. A estética desta Renault Espace nada tem a ver com a geração anterior, não sendo sequer comparável a direta proporcionalidade que esta quinta ‘vida’ tem face à sua concorrência do que tiveram as quatro anteriores. A linha de cintura é agora bem mais elevada, os cromados acrescentam estilo, e até a altura ao solo – que penaliza performances – lhe permite ser mais bonita, pois ‘obriga’ a jantes maiores. É um carro imponente, com um ar robusto, mas também futurista. Segundo a Renault, há ali muita inspiração aeronáutica.

Esta Renault Espace tem a mesma plataforma dos Nissan  Qashqai e XTrail, e, regra geral só a altura para a cabeça dos ocupantes sofre comparativamente à anterior geração pois tudo o resto, a nível de espaço, não muda muito. Nem sequer é preciso rodar para perceber o que se confirma depois em andamento, o conforto neste carro é muito bom, e o que a estética nos diz, transita para o habitáculo. Mesmo com sete pessoas dentro do carro, só mesmo nos dois lugares lugares traseiros, o sexto e o sétimo se sente algum desconforto, pois dependendo das três pessoas que rodam na fila do meio, há que gerir bem quem vai onde, de modo a que os bancos, todos individuais, possam ser adequados às pernas de quem viaja lá atrás. Aqui há que fazer um forte ressalva quando se tratarem de viagens mais longas, como foi o caso.

E quem viajou lá atrás refere precisamente essa questão, a ‘arrumação’ das pernas são mesmo a única preocupação. Para além disto, não é preciso grande ginástica para rebater bancos, pois não só o pode fazer com comandos na lateral esquerda do porta-bagagens, como fazê-lo atráves do R-Link 2, o que ajuda bem. De referir que a bagageira é grande, 745 litros com cinco lugares, 247 litros com sete lugares. Levar sete pessoas e respetiva bagagem para vários dias, esqueça, simplesmente não é possível.

Voltando à posição de condução, esta é naturalmente alta, o que logicamente ajuda muito na visibilidade, que é perfeita. A instrumentação também está bem acessível através da bonita consola central, que em cima tem o prático ‘tablet’ tátil de 8,7 polegadas, posicionado na vertical, a que se seguem os comandos do ar condicionado, manete da caixa de velocidades, e botão central da consola, que controla todo o sistema, havendo ainda espaço para um pequeno compartimento de arrumação, que dá jeito para a carteira, sendo que esta consola é em ponte, o que significa que por baixo há espaço para mais arrumação. Não é evidente à primeira vista, mas o espaço está lá.

O ‘tablet’ é intuitivo, e é aí que comanda também o excelente sistema áudio Bose, que nesta versão tem também o Bose Surround. Aí pode também ser ativado o sistema de reconhecimento de voz, telefone, o ar condicionado pode ser parametrizado, e até ali podemos ler emails. De referir que existem portas USB com jack de 3,5mm e tomadas de 12 V ou cartão SD na consola, mas também na segunda e terceira fila de bancos. São tudo pormenores que na altura da aquisição não se valoriza, porque se querem manter os custos o mais baixo possível, mas depois com o passar do tempo… passamos a vida a lamentar não os termos.

São inúmeras as funcionalidades do R-Link 2, por exemplo as de segurança, pois aí pode ativar o alerta de transposição da faixa de rodagem, a comutação automática dos faróis, o alerta de excesso de velocidade com reconhecimento dos painéis de sinalização, o aviso de ângulo morto através de um sinal visual no espelho retrovisor, o alerta de distância de segurança para a viatura que seguir à sua frente, o sistema de travagem ativa de emergência. Um curso de R-Link2 também é conveniente. Mas faça como eu, ponha um adolescente 10 minutos a mexer no tablet, que fica a saber tudo o que precisa num instante.

Através do R-Link 2 pode ainda traçar parâmetros para a Renault Espace, com o Multi-Sense, sistema que controla o 4Control (as quatro rodas direcionais), as regulações do amortecimento da suspensão, a sensibilidade da direção, resposta do motor, sensibilidade do pedal do acelerador, a rapidez da caixa de velocidades, tudo pode ser afinado ao desejo do condutor e se acha que até aqui passou a vida a adaptar-se ao carro que guia, é uma excelente ideia poder alterá-lo para a forma como se sente mais confortável a guiar, e olhe que faz uma diferença enorme, pois por vezes os detalhes são muito mais do que isso e ao longo de muito tempo fazem muita diferença, por exemplo no conforto. Lá está, a escolha é sua, pois pode ter dias de querer uma viagem calma e outros , mais pressa, precisamente por isso duma condução mais ‘desportiva’. Por falar nisso, a Espace tem quatro modos pré-programados (Eco, Confort, Neutro e Sport) e ainda parametrizar o seu.

Motor q.b.

Em termos mecânicos, e sendo verdade que a versão a gasolina de 225cv dá outro ímpeto a esta Espace, não é absolutamente necessário num carro destes, e por isso esta versão ensaiada, o bloco turbo diesel de 1.6 litros e 160 cv com a caixa de dupla embraiagem EDC automática de seis velocidades é muito equilibrado e mesmo com os sete ocupantes em momento nenhum senti qualquer falta a este nível. Este bloco diesel tem dois turbos, um de muito baixa inércia, que permite fazer arranques dar respostas mais enérgicas logo a partir dos baixos regimes e um segundo turbo que ajuda muito nas recuperações e acelerações. Apesar de ter cinco modos de condução (Neutral, Eco, Comfort, Sport e Perso) cujas diferenças se notam bem, é no modo Comfort que destaco esta Espace, pois como a viagem era grande, e compunha muitos quilómetros fora de auto-estrada, as sensações dos ocupantes variaram bastante e mesmo quando não anunciei a troca para o modo Sport, não demorou muito a perguntarem-me se “a estrada é muito má aqui?”.

A qualidade do rolamento no modo neutral e Comfort são bem maiores, e apesar de se notar se peso e as dimensões do conjunto, a Espace é suficientemente ágil, e o sistema 4Control, de quatro rodas direcionais ajuda bastante, pois pode-se curvar mais depressa sem quaisquer ‘stresses’, sendo que, logicamente a estabilidade direcional ganha muito com o 4Control. Recorde-se que a velocidade reduzida, as rodas traseiras viram no sentido oposto ao das rodas dianteiras, com uma amplitude máxima de 3,5 graus, de modo a favorecer as manobras, como por exemplo o estacionamento. Em estrada, e a velocidades a partir de 50, 60 ou 70km/h, conforme o modo de condução, as rodas traseiras viram no mesmo sentido que o das rodas dianteiras, com tudo o que isso implica em termos de segurança e prazer de condução, pois a curvas passam a sê-lo… menos. Quanto aos consumos, e apesar dos “sete”, os 7l/100 Km (e mais qualquer coisa) foram a norma, sendo que quando o ritmo era mais baixo não era nada difícil baixar para 6,7l/100 Km.

O conforto é sem dúvida um dos grande argumentos deste carro, ainda que se note alguma diferença quando se passa duma auto-estrada, para uma estrada nacional, que como é hábito têm pisos bastante piores, o que se nota bem, mas sem comprometer demasiado o conforto. Já a insonorização não pareceu perfeita, mas também não é demasiado incomodativa.

Efetivamente, o interior desta Renault Espace é muito bom, pois para além do espaço, vive-se bastante bem dentro do carro. Não falta luz (ajuda muito o teto em vidro), e isso estende-se aos restantes passageiros, sendo que somente o sexto e sétimo podem sentir-se mais claustrofóbicos, mas isso é uma inevitabilidade a não ser que tenha um… autocarro.

Preço alto

O carro é excelente, mas o preço não! É este o único grande óbice que vejo, sendo que neste caso específico desta versão isto acontece porque a Espace está super-equipada, mas 57.050€ é obra. De qualquer forma, esta motorização de 160 cv diesel, nunca fica por menos de 47.230€ sendo que se quiser os sete lugares, precisa incluir mais 1.200€. A versão de 130 cv começa nos 44.680€. O tempo passou e a concorrência tem vindo a equipar-se bem, pelo que neste momento há carros de sete lugares com argumentos e preços para dar grande luta à Espace, por exemplo o Peugeot 5008 mais bem equipado com 150cv (4X2) fica por cerca de 45.000€, bem diferente dos 57.050€ desta Espace.

A tração total faz grande diferença, pois por exemplo a Ford S-Max 2.0 TDCi AWD 180 cv custa mais ou menos o mesmo que a Espace. Portanto, há muito detalhe para analisar e também, claro, há carros de sete lugares bem mais baratos no mercado, como por exemplo o Dacia Lodgy, Fiat 500L, Ford Grand C-Max e Citroën C4 Grand Picasso.

Sem dúvidas que a Espace sempre foi um dos modelos mais competitivos do seu segmento, mas já acusa o peso da idade, e os mais recentes Grand Scénic podem ter ocupado um lugar que a Espace já tem mais dificuldade em manter.

MAIS: Conforto/Espaço/Equipamento

MENOS: Preço/Consumos

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 4 cilindros em linha, dianteiro transversal, turbo diesel, injeção direta, Common Rail, intercooler

Cilindrada (cm3) – 1.598

Diâmetro x curso (mm) – 80 x 79,5

Taxa de compressão – 15,5 a 1

Potência máxima (cv/rpm) – 160/4000

Binário máximo (Nm/rpm) – 380/1.750

Transmissão, direcção, suspensão e travões

Transmissão e direcção – Tracção dianteira, caixa automática 6 velocidades

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 9,9

Velocidade máxima (km/h) – 202

Consumo médio (l/100 km) – 4,7

Consumo AutoSport (l/100 km) – 6,1

Emissões de CO2 (g/km) – 120

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) –  4.857/1.888/1.677

Distância entre eixos (mm) – 2884

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1.630/1.621

Bagageira (l): 247-2035

Depósito (l): 58

Peso (kg) – 1659