Renault Espace TCe FAP Initiale Paris – Ensaio Teste

By on 17 Abril, 2019

Renault Espace TCe FAP Initiale Paris

Texto: Francisco Cruz

Num mundo ideal…

… Este seria, sem dúvida, o monovolume que quereríamos na nossa garagem! Pela estética atraente, pelo espaço generoso, pelo conforto elevado, e pelo equipamento de topo; mas também pelo emocionante propulsor a gasolina. Eis, caros fãs de automóveis, o Renault Espace TCe 225 Initiale Paris – o monovolume/SUV/desportivo, que adorámos ter lá em casa!…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Motor/Caixa de velocidades, Conforto, Espaço

 

 

Menos:

Direcção com não muito feedback, Consumos, Visibilidade traseira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Numa época de paixões por tudo o que é SUV e crossover, também o principal responsável pelo nascimento do segmento dos monovolumes, decidiu, à partida para aquela que é a sua quinta geração, apresentada em 2015, repensar um percurso já com mais de 30 anos. Acabando por adoptar um visual e posicionamento mais… aventureiros, também como forma de conseguir ombrear com os modelos que, na última década, têm vindo a apoderar-se do mercado.

Assim e apesar de mantendo a tradicional carroçaria de monovolume, cujas dimensões exteriores pouco diferem das da antecessora, a não ser na altura (-6,3 cm), na distância entre eixos (+1,6 cm)… e no peso (são menos 250 kg!), a actual Espace passou a ostentar vários predicados claramente inspirados no mundo crossover. A começar numa maior distância ao solo (16 cm), na adopção de rodas maiores (no caso da “nossa” versão Initiale Paris, de 19″) e na colocação de (supostas) protecções inferiores de carroçaria. Tudo soluções que, em conjunto com a nova cor exterior Cinzento Titanium (700€), acabaram contribuindo para uma imagem exterior não apenas diferente, como também mais moderna, forte, distinta.

Nós, gostamos!…

Interior

Pontuação: 10/10

Generosa nas dimensões exteriores, a quinta geração da icónica Espace replica esse mesmo princípio, no interior do habitáculo. Onde, a par do espaço, sobressaem igualmente os ventos de modernidade, sofisticação e tecnologia.

De resto e a acentuar as excelentes sensações que é possível experimentar, desde o primeiro momento, a bordo, não somente a qualidade (elevada) dos revestimentos que fazem parte da versão de topo Initiale Paris, mas também soluções como o painel de instrumentos 100% digital (mas não configurável) ou o enorme “tablet” que preenche a consola central – acessível, funcional, mas também com um layout já um pouco… ultrapassado. Menos moldura e mais ecrã, por exemplo, seriam bem-vindos…

Igualmente em alta, a ergonomia de todo o espaço, assim como da generalidade dos comandos, com particular destaque para a vanguardista manche da caixa de velocidades. E a que se junta depois um funcional comando rotativo com botões de acesso directo para o sistema multimédia R-Link 2, além de vários e bons espaços de arrumação na parte inferior do túnel de transmissão.

Quanto à valorizada habitabilidade, excelentes quotas, sem dúvida, tanto na primeira, como na segunda fila de bancos. Com a sensação de espaço e conforto a começar logo nos lugares da frente, onde é possível encontrar uma excelente posição de condução, correcta e confortável. Resultado não apenas de um volante de óptima pega, ajustável em altura e profundidade, como também e principalmente, de um banco confortável e com bons apoios, além de ajustável eletricamente. O que acaba favorecendo bem mais o acesso à generalidade dos comandos, que propriamente a visibilidade para o exterior; a qual “vive” muito da ajuda dos sensores e câmaras…

Já na segunda fila, composta de três bancos individuais, habitabilidade e conforto não muito diferentes, graças à multiplicidade de ajustes de cada um dos bancos – inclusivamente, em profundidade. Facilitando igualmente e no caso dos bancos laterais, o acesso à 3.ª fila… apesar do peso!

Finalmente e no que concerne aos dois bancos individuais da 3.ª fila (opcionais, com um custo adicional de 1 200€), perfeitamente integrados no piso, contam com um processo de montagem/desmontagem fácil, a partir da bagageira. Com o rebatimento dos mesmos, na continuação do piso, a poder ser inclusivamente feito, pressionando um dos sete botões colocados na lateral da mala – um para cada banco.

Já com a 2.ª fila em utilização, assegurada continua uma das mais confortáveis soluções do género, em automóveis de sete lugares, ainda que com os joelhos dos passageiros da última fila, a continuarem ligeiramente mais altos que a bacia, e o espaço em altura, a manter a “proibição” a passageiros com mais de 1,70 m de altura…

Quanto ao espaço destinado às bagagens, a versatilidade já conhecida deste tipo de propostas, ainda que dependente sempre do número de bancos em utilização. Imutável, apenas o excelente acesso e plano de carga, através  de um portão enorme mas também muito pesado. Mas, ainda assim, bem mais convincente que, por exemplo, a “ultrapassada” chapeleira – extensível, não só não recolhe com um só toque, como nem sequer tem direito a espaço próprio, por exemplo, no piso, quando desmontada; isto, porque o alçapão, à entrada do espaço, está já a abarrotar de ferramentas e outras coisas do género…

Equipamento

Pontuação: 10/10

Envergando aquele que é – chamemos-lhe assim – o seu “traje de gala” e a que a Renault decidiu dar o nome “Initiale Paris”, numa clara homenagem ao luxo francês, a verdade é que não faltam argumentos à atual Renault Espace para, inclusivamente, ombrear com algumas das mais luxuosas berlinas do mercado. Pretensão que a proposta francesa baseia não somente na óptima qualidade de construção, mas também e principalmente, na exclusividade dos materiais e eficácia das tecnologias de vanguarda – de segurança, e não só!…

Assim, optando por esta versão Initiale Paris, a garantia da presença no equipamento de série do sistema de quatro rodas direccionais 4Control, do amortecimento pilotado, do sistema de recuperação de energia na travagem, do sistema de modos de condução Multi-Sense, do Grip Control e do travão de estacionamento assistido. Além da comutação de  automática de luzes de estrada/cruzamento, tecto panorâmico fixo, ar condicionado automático de três zonas, sistema R-Link 2 com ecrã táctil de 8,7″, comando de voz e navegação 3D, sistema áudio BOSE com 12 colunas, iluminação do habitáculo personalizável na cor e intensidade, cartão Renault “Mãos-Livres””, estofos em couro Premium castanho escuro, apoios de cabeça traseiros “Grande Conforto”, e  das jantes em liga leve de 19″ “Initiale”.

Já no capítulo da segurança e ajuda à condução, incluídos estão os alertas de transposição involuntária da faixa de rodagem (que, já agora, podia não só alertar, mas também corrigir…) e de distância de segurança, o sistema de travagem de emergência activa (eficaz), o alerta de excesso de velocidade com reconhecimento dos sinais de trânsito e o aviso de ângulo morto.

Lacunas? Se quisermos ser picuinhas, podemos sempre citar as ausências do Head-Up Display ou até mesmo do accionamento elétrico, no enorme portão traseiro. Dois equipamentos que, no entanto, estão disponíveis através da lista de opcionais, o primeiro parte do chamado Pack Cruising (850€), ao passo que o segundo, integrando o Pack City (770€).

Infelizmente, já o mesmo não se pode dizer sempre desejável pneu sobressalente de emergência, que não figura em lado algum…

Consumos

Pontuação: 9/10

Porque o “mundo ideal” ainda não existe – infelizmente!… -, este acaba sendo o aspecto menos positivo do excelente 1.8 Turbo com que tivemos oportunidade de viver, a bordo da Renault Espace – os consumos.

Fogoso, vigoroso, arrebatador como poucos, o bloco TCe de 225 cv mostra-se igualmente bastante guloso, não sendo difícil terminar um dia “normal”, vivido maioritariamente em cidade, com médias a roçar os 10 l/100 km!

Sujeita, durante vários dias, à intensidade da rotina familiar, em que não faltou sequer o “obrigatório” almoço de domingo com a família na província, ficam para a “estória” os 9,3 l/100 km com que nos despedimos da Espace. Mas que, ainda assim, não foram suficientes para impedir que ficássemos a sonhar com o tal “mundo ideal”…

Ao volante

Pontuação: 10/10

Enorme, pesada, a verdade é que tudo isto pouco se nota, quando ao volante da Renault Espace TCe 225 Initiale Paris. Consequência não apenas da competência da plataforma CMF, mas também da presença de tecnologias como o amortecimento pilotado, garante de estabilidade e conforto acrescidos; do Grip Control, sinónimo de maior e melhor tracção; ou ainda do sistema de quatro rodas direccionais 4Control, que, ao envolver as rodas traseiras no estabelecer da trajectória, segundo também a velocidade, contribui para um desempenho mais eficaz e seguro.

Num monovolume marcado igualmente por uma maior distância ao solo, ou não fosse hoje em dia também um aspirante a crossover, a presença do já conhecido sistema de modos de condução Multi-Sense, a permitir a adequar a resposta do conjunto aos desejos e humores do condutor. O qual, beneficiando de uma óptima posição de condução, consegue assim uma maior envolvência na condução, também da parte do conjunto.

No entanto e porque, mesmo com um pulmão de atleta de alta competição, continua a ser um genuíno familiar, a preocupação sempre presente com o conforto, sem dúvida de elevada estirpe, mas que também não deixa de cobrar a respectiva factura, na forma um pouco mais permissiva como a suspensão enfrenta atitudes mais radicais ao volante. Permitindo o aparecimento de oscilações não muito acentuadas da carroçaria, em particular, nos trajectos mais sinuoso, cumpridos a velocidades mais elevadas. Altura em que também se faz sentir, de forma mais notória, a falta de um maior feedback da parte da suspensão…

Concorrentes

Peugeot 5008 1.2 PureTech Auto. GT Line, 1199cc, 130cv, 10,9s 0-100 km/h, 188 km/h, 7,6 l/100 km WLTP, 172 g/km CO2 WLTP, 38 180€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volkswagen Sharan 1.4 TSI Cx. Man. Confortline, 1395cc, 150 cv, 9,9s 0-100 km/h, 200 km/h, 8,0 l/100 km WLTP, 182 g/km CO2 WLTP, 43 001€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

SEAT Tarraco 1.5 TSI DSG Style, 1498cc, 150cv, 9,9s 0-100 km/h, 198 km/h, 7,8 l/100 km WLTP, 176 g/km CO2 WLTP, 40 420€

 

Motor

Pontuação: 10/10

Mais conhecida entre nós com as motorizações Diesel, o ensaio que aqui relatamos vem, no entanto, demonstrar que, estivesse de acordo o sistema fiscal português, e a Espace teria outras motorizações bem mais capazes de assegurar o justo sucesso comercial do modelo! A começar, num suposto “mundo ideal”, pelo quatro cilindros 1,8 litros turbo que, embora mais conhecido pela adrenalina que proporciona em propostas genuinamente desportivas como o Mégane R.S. ou o Alpine A110 (onde, aliás, oferece ainda mais potência), conseguiu fazer-nos sonhar, ao volante do excelente monovolume francês…

De resto e no caso concreto da Espace, importa dizer que os 225 cv de potência e 260 Nm de binário anunciados no papel, chegam e sobram para garantir prestações invulgares para um monovolume – no caso do modelo francês, confirmadas através não só dos 7,9s que necessita para ir dos 0 aos 100 km/h, como também dos 224 km/h de velocidade máxima que promete alcançar. Duas cifras que, especialmente tratando-se uma proposta de quase cinco metros e perto de duas toneladas de peso, são claramente merecedoras de respeito…

A ajudar igualmente às impressionantes prestações, a competência de uma caixa automática EDC de dupla de embraiagem e sete relações que gere, de forma quase perfeita, as elevadas capacidade do propulsor. Assegurando não somente uma rápida aceleração, seja em que momento ou local for, como também uma elevada disponibilidade e suavidade na actuação.

Balanço final

Pontuação: 9/10

Percursora na afirmação dos monovolumes maiores, a Renault Espace está, hoje, uma proposta substancialmente diferente, não somente no aspecto, mas também no desempenho. Culpa, no caso da versão por nós ensaiada, do excelente 1.8 a gasolina de 225 cv, bloco que vem adicionar à já proverbial habitabilidade e capacidade de carga, assim como à faceta luxuosa e tecnológica proporcionada pelo nível de equipamento Initiale Paris, prestações de quase desportivo! Ainda que e infelizmente, com consumos também a preceito…

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, com injecção directa, turbocompressor e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.798

Diâmetro x curso (mm): 79.7 x 90.1

Taxa compressão: 9 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 225/5.600

Binário máximo (Nm/rpm): 260/1.750

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de dupla embraiagem de sete velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson; Multilink

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos sólidos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 7,6

Velocidade máxima (km/h): 224

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km com WLTP): -/-/8,5

Emissões de CO2 (g/km): 192

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,857/1,888/1,677

Distância entre eixos (mm): 2,884

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,630/1,621

Peso máximo (kg): 1.633

Capacidade da bagageira (l): 247/719/2.035

Depósito de combustível (l): 58

Pneus (fr/tr): 235/55 R19/235/55 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 57644€
Preço da versão base (Euros): 55676€