Renault Mégane Grand Coupé – Ensaio Teste

By on 8 Setembro, 2018

Renault Mégane Grand Coupé TCe Executive

Texto: Francisco Cruz

Democratizar a moda

Num segmento até há bem pouco só de marcas premium, a Renault foi uma das últimas marcas generalistas a entrar na moda dos coupés de quatro portas, procurando democratizá-la. O responsável por esta tentativa chama-se Renault Mégane Grand Coupé; resta saber se poderá ter sucesso…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Conforto / Habitabilidade / Equipamento

 

 

Menos:

Direcção pouco informativa / Modo Eco demasiado restritivo / Consumos

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Depois da tentativa (falhada) feita com o Fluence, entretanto tornado veículo elétrico, a Renault regressa à mais tradicional das carroçarias, ainda que suavizada pelas notas mais actuais dos chamados coupés de quatro portas e perfil alongado. Linhas a que se somam os genes da nova família Mégane, a qual surge na base desta proposta de nome pomposo Grand Coupé…

Com mais de 4,6 m de comprimento e uma distância entre eixos aumentada em 4,2 cm (2,7 m) face ao hatchback, este Mégane Grand Coupé partilha, de resto, com o irmão mais compacto, tanto a imagem dianteira, marcada pelas emblemáticas luzes diurnas em “C”, como traseira, da qual faz parte, entre outros pormenores, o filete de luz a interligar os farolins.

Diferente, o óculo traseiro de dimensões bem mais generosas e fortemente colocado na perpendicular, a ajudar a um perfil em que o terceiro volume surge perfeitamente integrado/disfarçado no conjunto, senhor de linhas suaves e fluídas.

Contudo e apesar deste esforço de suavização, a garantia de ganhos acrescidos na capacidade de carga da bagageira, com o Coupé a suplantar os 384 litros de capacidade inicial do hatchback, oferecendo 550 litros. Isto, num espaço de acesso amplo, ainda que alto, mas que também é, basicamente, o que está à vista; ainda que podendo ser aumentado até aos 987 litros, mediante o rebatimento fácil 60/40 das costas dos bancos. Os quais ficam, contudo, sempre mais altos que o piso da mala…

Interior

Mas se por fora o Renault Mégane Grand Coupé não esconde as linhas da família a que pertence, no interior, o três volumes francês segue o mesmo princípio, decalcando do “irmão mais velho” o tablier, o cockpit, a consola central. Ainda que e por ser proposto apenas na versão mais equipada, Executive, com os melhores revestimentos, bancos em tecido preto (opcionalmente, em couro), mas também alguns plásticos menos convincentes - como é o caso dos utilizados nas laterais da consola central, a beliscar uma boa qualidade de construção e solidez gerais.

Quanto à ergonomia e funcionalidade, além do acesso mais fácil através das portas dianteiras, com a traseiras a serem penalizadas pelo perfil coupé, um habitáculo, nos lugares dianteiros, em tudo idêntico ao do hatchback. Nomeadamente, com vários espaços de arrumação e comandos funcionais.

Já nos lugares traseiros, a (boa) surpresa transmitida por um espaço capaz de albergar até três adultos, graças também a um túnel de transmissão pouco saliente, e um lugar do meio que, embora mais alto, tem largura e distância para o tejadilho suficientes para acomodar um passageiro.

No caso dos bancos laterais traseiros, até com mais altura do que à frente – 851 mm, contra 840 mm.

Igualmente positiva a posição de condução, confortável e correcta, graças também à regulação em altura e profundidade, tanto do volante de óptima pega, como do banco em couro e tecido. Este último, também com bom apoio lateral e a garantir um correcto acesso à generalidade dos comandos - já o mesmo não se pode dizer da visibilidade traseira, a exigir ajudas como os sensores e a câmara, ambos propostos – felizmente – de série.

Equipamento

Disponível apenas com o nível de equipamento mais recheado, Executive, o Renault Mégane Grand Coupé praticamente dispensa qualquer incursão na lista de opcionais; que, aliás e neste caso em concreto, é, inclusivamente, curta!

Assim, opcionais, apenas o pneu sobressalente, os elevadores dos vidros elétricos com função de impulso, o Head-Up Display, os estofos em couro Carbono e a pintura metalizada, além de três pacotes de equipamento: Easy Parking (Easy Park Assist + Alerta de ângulo morto), Pack Massagens (Apoios de cabeça dianteiros reguláveis em altura e inclinação + Banco do condutor com função massagem + Volante em couro* premium) e Pack Safety (Sistema de travagem de emergência activa + Alerta de distância de segurança + Regulador de velocidade adaptativo).

Pelo contrário, de série e sem qualquer acréscimo no preço, surgem soluções como o ESP/ASR com sistema de ajuda ao arranque em subida, faróis diurnos LED Edge Light, Full LED PURE VISION, indicadores LED integrados nos retrovisores exteriores e travão de estacionamento assistido. A que se junta, na ajuda à condução, alerta de excesso de velocidade com reconhecimento dos sinais de trânsito, alerta de transposição involuntária de faixa, câmara de marcha-atrás, comutação automática das luzes estrada/cruzamento, regulador e limitador de velocidade, sensores de chuva e luminosidade, e sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro.

Finalmente e ainda na vertente tecnológica, o sistema de modos de condução Renault Multi-Sense, cartão Renault Mão Livres, retrovisor interior electrocromático e sistema multimédia R-Link 2 com ecrã vertical táctil de 8,7, rádio com navegação e cartografia da Europa.

Consumos

Igualmente disponível com motorização a diesel, o Mégane Grand Coupé por nós testado surgia, no entanto, com um quatro cilindros 1,2 litros a gasolina, naquela que é a sua versão mais potente, de 130 cv e 205 Nm de binário. Conjugada com caixa manual de seis velocidades.

Especialmente espevitado quando mantido acima das 2.500 rpm – até aí mostra alguma lentidão… - e com o red-line a surgir às 6000 rpm, este 1.2 TCe assume-se assim uma escolha agradável, a garantir desempenho razoável, principalmente, quando não utilizado com o modo Eco. Opção parte do sistema Muti-Sense que acaba sufocando, em demasia, o pequeno bloco de apenas 1198 cm3, perdendo assim uma desenvoltura que agrada, em particular, nos regimes médios.

Já quanto aos consumos, uma média registada de 7,4 litros, já com um Start&Stop diligente e rápido na atuação. Número que, obtido com apenas um ocupante e muitas vezes com o modo Eco seleccionado, dificilmente será argumento…

Ao volante

Mais comprido e com maior distância entre eixos, o novo Renault Mégane Grand Coupé adopta um comportamento geral um pouco à imagem das linhas exteriores, suaves e descontraídas. E a anunciar uma clara vocação para o conforto, em detrimento de atuações mais desportivas ou envolventes na condução.

Com uma direcção algo leve em demasia e pouca capacidade informativa, além de uma caixa manual de utilização agradável, embora também ela mais vocacionada para momentos de descontracção, o mesmo sentimento é, de resto, possível encontrar na suspensão. A qual, marcada por um pisar aveludado, convida, também ela, a andamentos mais descontraídos e sem grandes preocupações em termos de eficácia. Ainda que tal não signifique qualquer receio de reacções excessivas ou imprevistas, já que, mais amigo dos passageiros que este coupé francês, não é fácil de encontrar…

Já na perspectiva exclusiva do condutor, mais intensidade na condução, só mesmo seleccionando o modo Sport, ou o Perso (de personalizável), no Multi-Sense. Forma de conseguir um pouco mais de presença do motor, da direcção e até em termos de sonoridade, entre vários outros aspectos, ajudando assim a garantir um pouco mais de envolvência na condução. Mas pouca… infelizmente.

Assim, pouco mais resta que usufruir deste coupé de quatro portas francês segundo os princípios que presidiram à sua concepção, e que os concorrentes alemães também renegam: de forma descontraída e prazenteira, sem atitudes bruscas ou agressivas ao volante. Ainda que tais momentos tenham melhor resposta da parte desses mesmos rivais, praticamente todos eles de um outro estatuto… e preço.

Concorrentes

Hyundai i30 Fastback 1.4 T-GDi 140 cv Style, 9,2s 0-100 km/h, 208 km/h, 5,7 l/100 km, 134 g/km, desde 26.550€

Balanço final

Num universo alternativo em praticamente só se fala alemão, a Renault entra tentando democratizar o conceito dos coupés de quatro portas, com um Mégane Grand Coupé que, mesmo com um preço um pouco mais elevado que o do hatchback, promete adicionar a uma melhor habitabilidade, espaço de carga, equipamento e conforto, as linhas com bastante mais sex-appeal daquela que é uma das carroçarias do momento. Resta saber se em dose suficiente para atenuar a falta de linhagem…

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, com injecção directa, turbocompressor e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.199

Diâmetro x curso (mm): 72,2 x 73,2

Taxa de compressão: 10:1

Potência máxima (cv/rpm): 130/5.500

Binário máximo (Nm/rpm): 205/2.000

Transmissão, direcção, suspensão e travões

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de seis velocidades; direcção elétrica, assistida

Suspensão (fr/tr): Independente do tipo McPherson; Eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados; Discos

Prestações e Consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,6

Velocidade máxima (km/h): 200

Consumos urbano/extra-urbano/misto (l/100 km): 6,9/4,6/5,5

Emissões de CO2 (g/km): 123

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.632/2.058/1.443

Distância entre eixos (mm): 2.711

Largura das vias fr/tr (mm): 1.577/1.574

Peso (kg): 1.315

Capacidade da bagageira (l): 503/987

Depósito de combustível (l): 49,7

Pneus (fr/tr): 225/40 R18 / 225/40 R18

Preço da versão base (Euros): 24230€