Renault Twingo Exclusive TCe 90 EDC – Ensaio

By on 18 Dezembro, 2017

Renault Twingo Exclusive TCe 90 EDC

Texto: Francisco Mesquita

“Trendy” e “boa onda”!

A imagem é (quase) tudo! Parece ser este o lema da versão Exclusive do Twingo TCe 90, que auxiliado pela caixa automática EDC, soma agora alguns pontos extra. Linha “trendy” e espírito “boa onda” piscam o olho aos mais jovens, que terão no carácter “descontraído” do motor a gasolina de 90 cv, um bom companheiro para passeios ou viagens.

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 A última geração do Twingo pouco tem a ver com a primeira. Perdeu-se a fórmula original e o espírito revolucionário, mas isso não impediu que, na sua “terceira vida”, o pequeno utilitário da marca do losango deixe de marcar passo com forte personalidade, que esta versão Exclusive vem demarcar ainda mais.

 Exterior

Face ao Twingo “Night & Day”, a versão, que afinal, serve de entrada de gama, o Exclusive ganha novos argumentos e tudo começa com uma imagem exterior mais atrativa, que combina um estilo “vintage” com moderno. Os retrovisores exteriores em preto, os vidros escurecidos, os faróis de nevoeiro com iluminação em curva e o stripping exclusive servem para atrair atenções, por onde quer que passe. Apenas disponível em três cores – verde pistachio, preto estrela, branco cristal –, o padrão de xadrez nas listas laterais e, sobretudo, no teto de lona (extra) “piscam o olho” aos condutores mais jovens, e fazem toda a diferença, na altura de ser “trendy”. As jantes de liga leve de 16’’ com detalhes verdes e as proteções laterais da cor da carroçaria também ajudam a cativar.

Interior

Bem alinhado com a imagem do exterior, o habitáculo também se destaca, desde logo por voltar a usar o mesmo padrão de xadrez nos estofos dianteiros e traseiros e fazer mergulhar condutor e passageiros numa sensação de “bom-gosto”. Parte da consola dianteira e uma parte do centro do volante recebem a cor da carroçaria, funcionando tudo em perfeita harmonia visual e ajudando a consolidar a imagem jovem e atrevida.

Menos bem conseguido é a habitabilidade do espaço interior. Os lugares dianteiros não oferecem qualquer tipo de problema, mas os de trás – apenas dois – são acanhados e vivem da generosidade do condutor e passageiro da frente, que se quiserem ir bem instalados, vão automaticamente, prejudicar o espaço para as pernas de quem viaja atrás.

Continuando na tónica do espaço interior, não faltam pequenos espaços de arrumação, como porta-objetos nas portas dianteiras e traseiras, no painel de bordo, na consola central (este é até amovível) e atrás, por cima do porta-bebidas, na mini-consola central traseira, podendo estender-se os compartimentos de arrumação em gaveta sobre o banco traseiro (extra), sem esquecer o útil porta-óculos do lado condutor. Na bagageira, o facto do motor ser traseiro, prejudica, obviamente, a profundidade (ainda que o acesso até fique mais facilitado), mas não a um ponto crítico em matéria de volumetria total, com os 219 litros disponíveis (ou 980 litros com os bancos rebatíveis) e servirem para a maior parte das necessidades diárias de transportes de volumes.

Em matéria de equipamento, o Twingo TCe 90 EDC apresenta-se bem “apetrechado”. Bancos com regulação em altura, vidros e retrovisores elétricos, ar condicionado automático, regulador e limitador de velocidade, sensores de chuva e luminosidade e volante em couro são de série, itens a que se juntam ainda o completo computador de bordo (com funções de conta-quilómetros total e parcial, combustível consumido, consumo médio e instantâneo, autonomia, distância percorrida, velocidade média), a função stop&start, o modo ECO (capaz de otimizar o consumo através do controlo da potência do motor, aquecimento e/ou climatização). Apenas o facto dos vidros traseiros terem apenas abertura lateral e não em altura, é menos abonatório.

Ao Volante

É fácil encontrar a posição ideal de condução, sempre ligeiramente alta, mas sem perder a envolvência, e partir… à aventura! O motor 0.9 litros turbo, com 90 cv é energético e não está com cerimónias no arranque, tornando-se, no primeiro impulso, talvez até demasiado reativo, mesmo quando queremos arrancar sem pressa. Nada de preocupante, contudo, que só vem confirmar a sua boa forma, pois a energia entregue é sempre suficiente para cumprir os “mínimos olímpicos” entre o ponto A e o ponto B, com uma entrega de potência “redondinha” (apesar da sobrealimentação do motor), o que torna agradável a condução em qualquer regime, com particular destaque para as médias rotações.

À ajudar a agradabilidade da condução está uma direção muito comunicativa, que pela sua desmultiplicação variável e amplo raio de viragem, lhe conferem as características perfeitas para enfrentar os desafios da urbe, o ambiente de eleição deste Twingo.

Efeito positivo no conjunto tem também a caixa automática EDC, de seis relações (longas para otimizar os consumos, mas bem escalonadas), com comando preciso que facilitam bastante a condução em ritmos mais lentos e que poderiam, apenas, ser ligeiramente mais rápidas.

Um defeito menos notado que a suspensão que, ao contrário do que a marca nos habituou, não goza das propriedades perfeitas, revelando-se pouco macia, sobretudo, nos pisos degradados, comprometendo o conforto global (já que os bancos, em si, também não são tão confortáveis como o desejado), mas, em contrapartida, oferecendo um comportamento dinâmico melhorado, que, em nada é beliscado pelo maior peso atrás, devido ao facto incaracterístico neste segmento, do Twingo (tal como acontece com o smart forfour com o qual partilha a maioria dos componentes) ter o motor instalado na traseira e a tração se fazer às rodas de trás. Privilegiando a segurança, e bem, neste capítulo a Renault decidiu “disciplinar” a diversão máxima que um carro de tração atrás pode proporcionar, não permitindo desligar o controlo de estabilidade, pelo que, na prática, a maior parte dos condutores nem se aperceberão que estarão ao volante de um carro de transmissão traseira.

Sistemas de Assistência à Condução e Conetividade

O Twingo Exclusive não vive apenas da aparência “trendy”. Efetivamente, o pequeno utilitário francês também está ligado à realidade através dos sistemas de conetividade que qualquer marca já não dispensa para “agarrar” a juventude. Para além de um original e destacável suporte de telemóvel (com ligação USB), é possível encontrar mais duas saídas USB para conectar equipamentos à “vida real”, para além de uma tomada de 12v. Tão importante como a conectividade é a segurança e neste prisma, a Renault também não facilitou no modelo mais baixo da sua gama. É possível contar, de série, com sistema ABS (anti-bloqueio de rodas na travagem), sistema ESC (controlo de estabilidade dinâmica, que engloba controlo de subviragem, sistema antipatinagem e assistentes de vento lateral), sistema de auxílio à travagem de emergência, sistema de auxílio ao arranque em subida (retém o veículo durante 2 segundos) e kit de enchimento de pneus.

Equipamento Opcional

A maneira mais fácil de rechear este Twingo de equipamento é adotar os Packs de equipamento disponíveis: Pack Conforto, que inclui sistema de aquecimento dos bancos dianteiros e o sistema ISOFIX nos bancos dianteiros e traseiros, e tem um custo acrescido de 300 €, e o Pack Techno que disponibiliza o sistema R-Link com rádio digital, o sistema de ajuda ao estacionamento traseiro com câmara de marcha-atrás e a consola central aberta com USB, mas cujo preço ascende já aos 1.000 €. Se a carteira não chegar para tanto, também é possível selecionar apenas os equipamentos que mais valoriza. Assim, poderá contar com o sistema de alerta de transição involuntária de faixa (300 €), as gavetas de arrumação sob os bancos traseiros (50 €), a Cartografia de GPS Europa (130 €), a decoração da cava das rodas (500 €) ou a pintura opaca especial/metalizada (320 €). O sistema de ajuda ao estacionamento traseiro (120 €) e o teto de abrir elétrico em lona (950 €) completam o leque de ofertas “à la carte”.

Consumos

O motor de 0.9 litros turbo a gasolina não sofre de excesso de “gulodice”, revelando-se comedido nos consumos. No entanto, “comedido”, neste caso, significa, também e como é natural, sempre valores mais elevados do que aqueles que um motor diesel teria para oferecer. Realisticamente, em cidade, só mesmo se se andar com um “ovo debaixo do acelerador” será possível fazer médias inferiores a 7.0 l/100 km/h, mas com um ritmo rolante de estrada ou autoestrada valores de 5.5 l/100 km/h obtêm-se com alguma facilidade. A levar o motor traseiro até ao “red line” (que, curiosamente, não é visível pois não há conta-rotações”), os consumos podem ascender aos 9/10 litros.

Preço

Equipado com a caixa automática EDC de 6 velocidades, o Twingo Exclusive TCe 90 apresenta

um acréscimo de 1.450 € face à mesma versão mas de caixa manual, o que não sendo um valor excêntrico, acaba por representar quase 10% do valor total do carro. Claro que a opção é muito válida, sobretudo, se a cidade estiver destinada para ser o habitat natural deste Twingo, pelo conforto e descanso que proporciona. Contas feitas, isso já coloca o Twingo com um valor final de 15.570 €, que o poderá colocar um pouco acima da concorrência, mas, ainda assim, o opção sempre a considerar.

 Concorrentes

  • Citroën C1 AIRSCAPE 1.2 PureTech Feel (1.2 litros, 82 cv, 170 km/h, 11.0s 0-100 km/h, 4.3 l/100 km, 99 g/km, 14.020 €)
  • Ford KA 1.2 Ti-VCT Ultimate (1.2 litros, 169 km/h, 13.3s 0-100 km/h, 5.0 l/100 km, 114 g/km, 12.014 €)
  • Hyundai i10 1.2 MPI GLS Style (1.2 litros, 87 cv, 175 km/h, 12.1s 0-100 km/h, 4.9l/100 km, 114 g/km, 15.224 €)
  • Kia Picanto 1.2 GT Line (1.2 litros, 84 cv, 173 km/h, 12.0w 0-100 km/h, 4.6 l/100 km, 106 g/km, 14.676 €)
  • Opel Karl Rocks 1.0 75 cv (1.0 litros, 75 cv, 168 km/h, 15.0s 0-100 km/h, 4.7 l/100 km, 106 g/km, 13.240 €)
  • Peugeot 108 TOP! 1.2 PureTech Allure (1.2 litros, 82 cv, 170 km/h, 10.9s 0-100 km/h, 4.3 l/100 km, 99 g/km, 14.860 €)
  • SEAT Mii 1.0 75 Style (1.0 litros, 75 cv, 171 km/h, 13.2s 0-100 km/h, 4.7 l/100 km, 106 g/km, 11.905 €)
  • Skoda Citigo 1.0 75cv Style (1.0 litros, 75 cv, 171 km/h, 13.2s 0-100 km/h, 4.7 l/100 km, 101 g/km, 13.595 €)
  • smart Forfour 90 cv (1.0 litros, 90 cv, 165 km/h, 11.2s 0-100 km/h, 4.3 l/100 km, 99 g/km, 14.320 €)
  • Suzuki Celerio 1.0L GA (1.0 litros, 68 cv, 155 km/h, 14.0s 0-100 km/h, 4.3 l/100 km, 99 g/km, 10.357 €)
  • Toyota Aygo 1.0 x (1.0 litros, 69 cv, 160 km/h, 14.2s 0-100 km/h, 4.1 l/100 km, 95 g/km, 11.515 €)
  • Volkswagen Up! 1.0 (90 cv High Up! BlueMotion Tech (1.0 litros, 90 cv, 185 km/h, 9.9s 0-100km/h, 4.4 l/100 km, 101 g/km, 15.762 €)

Balanço Final

É difícil ficar indiferente à versão Exclusive do Twingo TCe 90 EDC. A combinação de cores dá-lhe um ar verdadeiro “cool” e moderno, sendo fácil com ele simpatizar, sobretudo se se contabilizar o teto de lona de xadrez (um extra indispensável para enfatizar a imagem cuidada). A condução alinha também pelo mesmo perfil, revelando-se fácil e “despachada”, ainda que a caixa automática EDC pudesse ser mais eficiente e a suspensão mais confortável. Nada que manche a aptidão para o ambiente urbano, onde este pequeno utilitário se sente como peixe na água.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo, intercooler

Cilindrada (cm3) – 898

Diâmetro x curso (mm) – 72.2 x 73.1

Potência máxima (Híbrida) (cv/rpm) – 90/5500

Taxa de compressão – 9.5: 1

Binário máximo (Nm/rpm) – 135/2500

Transmissão, direção, suspensão e travões  

Transmissão e direção – Tração traseira, Caixa automática 6 velocidades EDC; direção elétrica

Suspensão (fr/tr) – Independente McPherson/Eixo rígido de Dion

Travagem (fr/tr) – Discos ventilados/tambores

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 10.8

Velocidade máxima (km/h) – 165

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 4.1/6.0/4.8

Emissões de CO2 (g/km) – 108

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) – 3595/1646/1554

Distância entre eixos (mm) – 2492

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1452/1425

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/discos

Peso (kg) – 993

Capacidade da bagageira (l) – 219 (até 980)

Depósito de combustível (l) – 35

Pneus – 185/50 R16