SEAT Tarraco 2.0 TDI – Ensaio Teste

By on 23 Março, 2019

SEAT Tarraco 2.0 TDI CR XCellence S&S

Texto: Francisco Cruz

Estranho, só mesmo o nome!

Depois do Ateca e do Arona, a SEAT aumenta a sua oferta crossover, com uma proposta para famílias numerosas. Primo-direito de Skoda Kodiaq e Volkswagen Tiguan Allspace, o SEAT Tarraco – nome estranho!… – promete agradar a quem procura não somente um SUV de visual aventureiro, mas também espaço, funcionalidade e equipamento. Pelo que, a estranhar, só for o nome!…


Mais:

Habitabilidade / Funcionalidade / Equipamento

 

 

Menos:

Terceira fila de bancos / Alguns plásticos / Exposição do ecrã táctil ao Sol

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 8/10

São mais de 4,7 metros de carro, com um visual exterior moderno mas também aventureiro, além de com todos os predicados conhecidos do universo SUV. No qual só se estranha, no fundo, duas coisas: a nova frente, marcada por uma nova grelha na vertical que marca a diferença para aquela que era a interpretação em todos os modelos da SEAT, e o nome escolhido para este modelo: Tarraco. Nada mais, nada menos, que o primeiro nome da cidade espanhola de Tarragona, a hipótese mais votada de entre um total de 10.130 topónimos espanhóis propostos pelos fãs da marca – nós, nem queremos pensar naquilo que foi ficando pelo caminho!…

Mas se o nome continua, ainda hoje, a soar-nos estranho, ainda para mais num SUV extra-large, a verdade é que, já a estética, é bem capaz de vir a tocar muitos corações. E não apenas pela postura assumidamente desportiva, como também pela imagem, de certa forma, elegante e até estatutária. Resultado, em grande parte, das muitas aplicações metalizadas, assim como das generosas jantes de 19 polegadas (de série), ou até mesmo das novas ópticas mais esguias e dos farolins de novo design, interligados por um filete de luz também em LED – também aqui, uma solução que “soa” a imitação, ou não fosse esse um dos pormenores identitários dos modelos mais recentes da “irmã” Audi…

Interior

Pontuação: 9/10

Mas se as linhas exteriores do Tarraco não escondem uma nova linguagem de design que promete estender-se a outros produtos da marca de Martorell, já no interior do novo SUV, são também vários os pormenores estilísticos e soluções tecnológicas que fazem a sua estreia, em propostas do fabricante espanhol.

É o caso, por exemplo, do novo painel de instrumentos 100% digital de layout original, ou do novo ecrã táctil de 8″, parte do sistema de infoentretenimento Media Plus. E que, embora destacado do tablier e numa posição mais ao nível dos olhos, vê a sua legibilidade penalizada, pela excessiva exposição ao sol.

Bem mais perceptível é, sem dúvida, a qualidade de construção patente no habitáculo, onde também se percebe um maior cuidado com os revestimentos mais expostos. Algo que, ainda assim, não impede a presença dos sempre desagradáveis plásticos rijos e rugosos, como os existentes nas laterais da consola central, não faltando sequer o tradicional plástico a revestir os pilares. A verdade é que já merecia material melhor, meus senhores!…

Por outro lado e embora exibindo vários comandos, botões e até a manche da caixa de velocidade, claramente importados do universo Volkswagen, o Tarraco não deixa de oferecer uma elevada funcionalidade e ergonomia, com todos os botões e espaços de arrumação (na base da consola, sob o encosto de braço, no bom porta-luvas…) a mostrarem-se intuitivos, funcionais e acessíveis. Tudo isto, a somar a uma posição de condução correcta, ainda que elevada, suportada no facto de garantir não apenas um bom acesso à generalidade dos comandos e visibilidade dos vários ecrãs, mas também conforto através de um banco em tecido e alcântara, multiregulável e com bons apoios laterais. Além de apoiado por um bom apoio de pé esquerdo.

Pelo contrário, já não convence tanto, quanto à visibilidade que oferece do exterior, e, ainda mais, para trás. Levando a que, tantos os sensores, como a câmara (traseira), sejam, basicamente, imprescindíveis.

Muito mais convincente, sem dúvida, a habitabilidade, e principalmente a oferecida nas duas primeiras filas, com os ocupantes da 2.ª fila, por exemplo, a disfrutarem de óptimas quotas em todos os sentidos, ainda que não dispondo de bancos individuais. Já no que à terceira fila diz respeito, situação bem diferente, não somente porque o acesso é mais difícil, mas também porque o posicionamento dos bancos cansa os ocupantes, os quais, além de pouco espaço em altura, também viajam de joelhos elevados face à bacia. Penalização que, nem mesmo a possibilidade de avançar 60/40 os bancos da 2.ª fila, facilitando um pouco o acesso e garantindo um pouco mais de espaço para as pernas dos detrás, consegue suavizar…

Maior vantagem resultante desta funcionalidade, assim como do arrumar perfeito dos bancos da 3.ª fila no piso, surge na bagageira, cuja capacidade de carga facilmente passa dos 230 litros com sete lugares em uso, para 700 l com apenas cinco ocupantes, chegando mesmo aos 1.775 l, com não mais que os lugares da frente em utilização. Sendo que, seja qual for a capacidade escolhida, disponíveis estarão sempre um portão de accionamento elétrico com função mãos-livres (embora acompanhado de uma chapeleira extensível bem menos prática), alçapões à entrada e nas laterais, ganchos porta-sacos, mas também um só ponto de luz – insuficiente, sem dúvida…

Equipamento

Pontuação: 9/10

Acabado de chegar a Portugal, o SUV de maiores dimensões da SEAT está já disponível entre nós em duas versões, Xcellence e Style – a primeira das quais, aquela que tivemos oportunidade de ensaiar, e que, definitivamente, deixou-nos totalmente convencidos; pelo menos, no que ao equipamento diz respeito!

A justificar esta impressão, um extenso equipamento de série, do qual fazem parte, entre outras mais-valias, os faróis dianteiros e traseiros em LED com função Leaving Home/Coming Home, faróis de nevoeiro dianteiros com função cornering, jantes em liga leve de 19″ Exclusive Maquinadas com pneus 235/50 R19 (acompanhadas de roda suplente minimizada), barras de tejadilho cromadas, portão traseiro com abertura e fecho accionáveis com o pé, e vidros traseiros escurecidos. Este último, parte do Pack Iluminação & Estilo, também disponível de série, e que contempla ainda as molduras exteriores dos vidros em cromado, iluminação ambiente branca nos painéis das portas e iluminação LED no interior dos manípulos das portas.

Já no interior do habitáculo, protecção dos (curtos) estribos das portas iluminados, volante multifunções em pele com logótipo Xcellence, travão elétrico com função Auto-Hold, espelho interior anti-encandeamento automático, iluminação ambiente LED nos painéis das portas (dianteiras e traseiras), painel de instrumentos digital, ar condicionado Climatronic de três zonas com painel de controlo para os bancos traseiros e sistema de som Media Plus de 8″ com conexões Aux-in, USB (3), Bluetooth, Full Link, comandos por voz e oito altifalantes.

Finalmente e no que à Assistência à Condução e Segurança diz respeito, garantidas estão, à partida, câmara monovídeo multifunções, assistente de faixa de rodagem, protecção pró-activa e extensível a peões e ciclistas, sistema de reconhecimento de cansaço do condutor, Front Assist com assistente de travagem em cidade para Cruise Control adaptativo, Perfil de Condução SEAT com botão “Driving Experience”, Cruise Control Adaptativo até 210km/h, câmara traseira de ajuda ao estacionamento, assistente automático de estacionamento com sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, Controlo Electrónico de Estabilidade e serviço de chamada de emergência eCall.

Opcionais e pagos à parte, surgem o tecto de abrir panorâmico elétrico (975,80€), umas ainda mais generosas jantes em liga leve de 20″ Maquinadas (660,81€), o sistema de navegação (354,20€) com cartografia da Europa (106,40€) e o pacote de Segurança (443,80€), sinónimo de assistente de máximos, deteção de veículos no ângulo morto, Exit Assist, assistente de pré-acidente e assistente de capotamento. Opção, ainda assim, bem mais compreensível de figurar na lista de extras, que os bancos da 3.ª fila, a exigirem mais 702,80€…

Consumos

Pontuação: 8/10

À altura das necessidades familiares no que às prestações diz respeito, o SEAT Tarraco junta a esta qualidade consumos igualmente aceitáveis. E que, embora substancialmente acima dos 4,9 litros prometidos como média em trajecto combinado, ainda consegue satisfazer…

Colocado à prova durante vários dias, não apenas em cidade, mas também durante num passeio mais longo de fim-de-semana, em família, despedimo-nos do “nosso” Tarraco com uma média registada de 7,8 l/100 km. Valor que, não sendo propriamente brilhante, até por contar à partida com a ajuda de um Stop&Start discreto no funcionar, assim como com um sistema de modos de condução com opção ECO, acaba por não deslustrar; ou, pelo menos, não muito…

Ao volante

Pontuação: 9/10

Generoso nas dimensões, com maior altura ao solo, e mais de 1,7 toneladas de peso, isto ainda antes da entrada em cena dos sete ocupantes, e respectivas bagagens, apetece dizer que, também no desempenho, seja ele em alcatrão ou por uns menos aconselháveis caminhos de terra, o SEAT Tarraco nunca esquece a faceta mais familiar. Aspecto que acaba mesmo sendo uma espécie de marca indelével que faz com que, impulsionado por um conjunto motor/caixa de velocidades concebido segundo o mesmo espírito, seja também nessa perspectiva que o novo SUV grande da marca espanhola mais gosta de ser encarado.

Sem ambições de condução mais envolvente ou até desportiva, ainda que com uma posição de condução que facilmente agrada, e a que se junta uma direcção não menos competente, assim como um sistema de travagem à altura das necessidades e com o “obrigatório” travão de estacionamento elétrico, sobressai, desta forma, a estabilidade e segurança que o Tarraco exibe, apoiadas numa suspensão que faz do (bom) compromisso entre desempenho e conforto, argumento. E que, mesmo não impedindo as oscilações de carroçaria em traçados dinamicamente mais exigentes (e desvalorizados pelo condutor!), acaba tendo rápido reconhecimento quando por pisos mais degradados.

Quanto a possíveis aventuras fora de estrada, é não apenas a tracção dianteira, mas também a inexistência de qualquer solução offroad, nomeadamente no sistema de modos de condução com quatro opções (Eco, Normal, Sport e Individual), todas elas direccionadas para o alcatrão e para o acerto apenas da resposta do motor e direcção, que acabam por aconselhar comedimento nas ambições. Até porque, alguns centímetros a mais na distância ao solo, como acontece neste Tarraco, nem sempre são solução suficiente para garantir que conseguiremos sair de algum “aperto” mais inesperado.

Assim e se for esse propósito, o melhor mesmo é fazer contas e, porque não, optar pela versão de tracção integral 4Drive; ainda que tal signifique também o fim da Classe 1 nas portagens…

Concorrentes

Hyundai Santa Fé 2.2 CRDi 8AT Executive 7 Lugares, 200 cv, 10,0s 0-100 km/h, 203 km/h, 6,0 l/100 km, 149 g/km CO2, 57.515€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Mitsubishi Outlander 2.2 DI-D Instyle Navi 7 Lugares, 150 cv, 10 0-100 km/h, 200 km/h, 5,1 l/100 km, 134 g/km CO2 (NEDC), 33.150€ (preço promocional)

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Nissan X-Trail 2.0 dCi X-Tronic N-Connecta 7 Lugares, 177 cv, 9,6s 0-100 km/h, 199 km/h, 5,6 l/100 km, 148 g/km CO2, 43.275€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Peugeot 5008 2.0 BlueHDI EAT6 GT Line 7 Lugares, 180 cv, 9,6s 0-100 k/hm, 215 km/h, 4,9 l/100 km, 129 g/km CO2, 44.800€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volkswagen Tiguan Allspace 2.0 TDI  Confortline 7 Lugares, 150 cv, 9,8s 0-100 km/h, 202 km/h, 4,9 l/100 km, 129 g/km CO2, 44.781€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Pontuação: 9/10

Disponível no mercado nacional também com motores a gasolina (1.5 TSI de 150 cv e 2.0 TSI de 190, com DSG e 4Drive), o SEAT Tarraco que tivemos oportunidade de ensaiar contava, no entanto, com um bem mais aliciante 2.0 TDI de 150 cv. Quatro cilindros turbodiesel que, embora também podendo envergar uma caixa automática DSG e tracção integral 4Drive, acoplava, no caso do “nosso” Tarraco,  não mais que uma caixa manual de seis velocidades, além de tracção apenas dianteira.

Já conhecido de outras ocasiões e propostas, este quatro cilindros made by Volkswagen acaba por revelar-se, também aqui, uma opção competente, desde logo, por garantir ritmos agradáveis para as ambições familiares. Resultado não apenas de uma resposta suficientemente madrugadora (cerca das 2.000 rpm), como também de uma subida de regime muito linear até às 4.000 rpm; acima disso e até ao red line, às 5.100 rpm, é mais o esforço que a eficácia que sobressai, penalizando, inclusivamente, a óptima insonorização que habitualmente evidencia.

Não conseguindo esconder o peso do conjunto, as maiores limitações fazem-se notar a partir do momento em que decidimos imprimir andamentos mais enérgicos, altura em que se torna mais evidente a necessidade de recorrer à caixa manual de seis velocidades, agradável na utilização e correcta no escalonamento, para manter o andamento. Ainda que notoriamente sem as mesmas capacidades, no espicaçar do conjunto, que a também já conhecida e muito elogiada DSG…

Razão pela qual, embora mais cara, acreditamos que poderá garantir um push extra, em particular, nos momentos de condução mais aplicados.

Balanço final

Pontuação: 9/10

Modelo de estreia da marca espanhola entre os SUV de maiores dimensões, capazes de acomodar famílias mais numerosas, o SEAT Tarraco apresenta-se com argumentos para responder afirmativamente àquelas que são as exigências mais comuns, neste tipo de veículos: estética, espaço, conforto, equipamento, e, já agora, um turbodiesel à altura do conjunto. No entanto, a concorrência, já instalada, é forte e não lhe fica atrás, pelo que não será só pelo nome, estranho e diferente, que Tarraco terá de procurar afirmar-se…

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injecção directa Common-Rail, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.968

Diâmetro x curso (mm): 81.0 x 95.5

Taxa compressão: 16.2 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 150/3.500-4.000

Binário máximo (Nm/rpm): 340/1.750-3.000

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Independente, do tipo McPherson, com Controlo Adaptativo da Suspensão/ Multilink com Controlo Adaptativo da Suspensão

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,8

Velocidade máxima (km/h): 202

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,7/5,8/4,9

Emissões de CO2 (g/km): 129

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,735/1,839/1,658

Distância entre eixos (mm): 2,790

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.575/1.564

Peso (kg): 1.735

Capacidade da bagageira (l): 230 (com 7 bancos) / 700 (com 5 bancos)/1.775 (com 2 bancos)

Depósito de combustível (l): 58

Pneus (fr/tr): 235/50 R19 / 235/50 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 48503€
Preço da versão base (Euros): 44463€