Suzuki Vitara 1.4L 4×4 GLX – Ensaio Teste

By on 18 Fevereiro, 2019

Suzuki Vitara 1.4L VVT 4×4 AUT GLX

Texto: André Duarte ([email protected])

 Mais por menos

No final do último ano a Suzuki lançou a mais recente geração do Vitara. Um SUV do segmento B que reúne um rol de características muito tentadoras…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Sistema 4WD ALLGRIP / Condução OFF Road / Motor / Pragmatismo de utilização / Imagem

 

 

Menos:

Conforto / Qualidade de Construção e Materiais / Sistema de infoentretenimento

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O Suzuki Vitara é um modelo que causa uma boa impressão visual, com linhas que nos direcionam para uma condução fora de estrada. Na carroçaria destacam-se: grelha frontal cromada; proteções de pára-choques dianteiro e traseiro; plásticos nas cavas das rodas e na zona inferior na lateral; barras de tejadilho cromadas; jantes de 17 polegadas; faróis LED e faróis de nevoeiro. No geral, é um carro com estilo e que nos aguça o desejo de o experimentar.

Pontuação – 7/10

Interior

O interior oferece boas cotas de habitabilidade, tanto à frente como atrás. Os bancos são confortáveis, ainda que em viagens de maiores distâncias comecem a fazer sentir algum desconforto nas costas. A bagageira tem 375l de capacidade, que podem chegar aos 710l com os bancos rebatidos. Nela encontramos um piso duplo, que facilita a colocação de carga.

Geneticamente, o interior está em sintonia com o exterior, com um estilo aventureiro e descomprometido. Porém, a qualidade de construção e dos materiais (plásticos na consola central, tablier e portas e mesmo a consistência destas) deixa um pouco a desejar. O design geral é interessante e vê-se que há uma preocupação, conseguida, de criar um ambiente de carro para aventuras ao volante.

Já o sistema de infoentretenimento com ecrã tátil de 7 polegadas é limitado em funcionalidades, pouco intuitivo e sugestivo graficamente. Permite conexão com telemóvel (bluetooth ou cabo USB), aceder a navegação (que não consegui utilizar, sendo demasiado confuso) e rádio e cãmara de visão traseira. Tem também comando por voz.

Pontuação – 6/10

Equipamento

A versão de topo, 1.4L VVT 4×4 AUT, destaca-se por teto panorâmico com duas posições de abertura; computador de bordo com indicador de modo de condução e de mudança de direção (6AT); volante de três raios com patilhas de mudança de velocidades para transmissão 6AT; sistema de tração 4WD ALLGRIP: 4 modos de condução.

O nível de equipamento GLX inclui o topo da oferta disponível no Suzuki Vitara, em que os sistemas de assistência à condução têm nota mais: travagem de emergência autónoma; alerta de mudança de faixa; alerta anti fadiga; assistente de mudança de faixa; reconhecimento de sinais de tráfego; deteção de ângulo morto; alerta de tráfico posterior; assistência na travagem; controle de retenção em pendentes; controle de descida de pendentes; quatro sensores dianteiros e quatro traseiros de estacionamento; controle de velocidade adaptativo; limitador de velocidade; indicação de pressão dos pneus; faróis: projetores LED (médios);

faróis: halogéneo multi-reflectores (máximos); regulação da altura dos faróis: automática. Nota ainda para aviso de portas abertas, vidro traseiro com desembaciador, bancos dianteiros aquecidos e aquecimento suplementar traseiro.

Pontuação – 7/10

Consumos

Numa condução cuidada e cumpridora, sem picos de aceleração, é possível realizar consumos médios na casa dos 7,2l aos 100 km, um registo abaixo dos 7,7l anunciados, o que abona a fazer deste modelo. No entanto, sem tais cuidados, é fácil chegarmos perto dos 8l/100 km.

Pontuação – 7/10

Ao volante

O Suzuki Vitara é um modelo de espírito aventureiro, sensação que transmite ao volante, convidando-nos a explorar trilhos fora de estrada. É precisamente essa vertente, através do o sistema de tração integral 4WD ALLGRIP, a grande mais valia desta versão 1.4L VVT 4×4 AUT GLX de 140 cv.

O funcionamento da tração integral é simples. Temos o modo Auto, o ideal para circular no dia a dia, em que o sistema gere a repartição de tração pelas quatro rodas. Ou seja, quando selecionado, por defeito andamos com tração dianteira, mas o sistema liga a tração integral sempre que as condições de aderência assim o exijam. Ao modo Auto juntam-se os modos Snow, Sport e Lock. No primeiro damos indicação que a aderência é reduzida e no Sport temos a máxima performance do motor disponível. Já o Lock (para o ativarmos é obrigatório acionar primeiro o modo Snow) bloqueia a tração integral até velocidades na casa dos 60 km/h. Desta maneira temos um modelo com os benefícios da tração integral, mas que só é utilizada em necessidade ou por opção nossa.

Em estrada o Vitara é consistente em todos os aspetos, sem ser uma proposta exímia em algum deles. A condução é pouco filtrada, sentindo-se no habitáculo o pisar no asfalto e os barulhos oriundos da carroçaria ao rolar neste. Em curva há alguma rigidez da carroçaria e percebe-se que não é um carro para grandes velocidades, e sim para desfrutar ao volante da viagem, com tranquilidade. A tração dianteira é o bastante para o dia a dia e sempre que a tração integral entra em ação, tal percebe-se de imediato ao volante, com o Vitara mais agarrado à estrada e a assumir maior prontidão na resposta. A caixa automática de 6 velocidades é também uma boa aliada, apesar de não ter um desempenho muito célere. Esta conta com patilhas no volante, as quais têm uma característica que desagrada: quando queremos colocar uma mudança acima e o sistema considera que não estamos numa velocidade adequada para tal, impede-nos de o fazer e emite um alerta sonoro.

Mas é quando deixamos o asfalto e vamos para trilhos de todo-o-terreno que o carácter do Vitara mais sobressai. O sistema de tração integral 4WD ALLGRIP é eficaz e permite-nos desenvencilhar da maioria das situações, para o que contribui também o motor de 1.4l e 140 cv e o baixo peso do conjunto, 1220 kg. Nestas condições de terreno o Vitara mostra uma boa capacidade de adaptação e agilidade, ainda que com algumas oscilações e consequente desconforto no habitáculo, fruto de um sistema de suspensão não muito evoluído. Aqui a caixa automática de 6 velocidades é um elemento que facilita a condução.

É neste contexto fora de estrada onde o Suzuki Vitara 1.4L VVT 4×4 AUT GLX se encontra em casa, fazendo-nos vivenciar sensações de aventura e liberdade que são um prazer ao volante.

Pontuação – 7/10

 

Concorrentes

O Suzuki Vitara 1.4L VVT 4×4 AUT GLX não tem concorrentes diretos, porque as propostas no segmento com semelhantes características são todas apenas de tração dianteira. A única que se aproxima, apesar de já com uma potência bem superior, é o Hyundai Kauai, com 177 cv:

 

Hyundai Kauai 1.6 T-GDi 177 DCT 4×4 Premium – 28.580€ (Ficha técnica)

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

O motor 1.4l a gasolina de 140 cv é uma proposta que oferece uma boa disponibilidade de potência, maioritariamente em médios e altos regimes, ainda que o binário máximo de 220 Nm esteja disponível desde 1500 rpm. Já em baixos regimes, por vezes a resposta não é tão imediata como gostaríamos, isto se estivermos com o modo Auto selecionado. Se passarmos para o Sport, tudo muda, e sentimos de imediato uma entrega encorpada e reativa em todas as situações. O bloco adequa-se perfeitamente ao conjunto, tanto para uma condução em estrada como para um utilização em todo-o-terreno.

Pontuação – 7/10

Balanço final

O Suzuki Vitara 1.4L VVT 4×4 AUT GLX oferece-nos a possibilidade de termos um SUV com 140 cv e tração integral sem um preço exorbitante, fator que o coloca com um posicionamento estratégico de mercado onde não encontra rivais. Por outro lado, tem características que o tornam consistente em todos os aspetos, permitindo uma utilização multifacetada, em que mesmo as suas fragilidades o tornam cativante. Há um laivo de frescura e pureza nesta proposta do segmento B SUV que nos rejuvenesce e coloca um sorriso na cara seja qual for a viagem.

Pontuação 8/10

Ficha técnica

Motor

Tipo – gasolina, 4 cil. em linha, injeção direta

Cilindrada (cm3) – 1373

Diâmetro x curso (mm) – 73,0 x 82,0

Taxa de compressão – 9,9:1

Potência máxima (cv/rpm) – 140/5500

Binário máximo (Nm/rpm) – 220/1500 – 4000

Transmissão e direcção – Integral, transmissão automática de 6 velocidades; pinhão cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – McPherson à frente e Eixo de torção atrás

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 10,2s

Velocidade máxima (km/h) – 200 km/h

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 6,6/8,9/7,7

Emissões de CO2 (g/km) – 174

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) –  4175/1775/1610

Distância entre eixos (mm) – 2500

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1535/1505

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos maciços

Peso (kg) – 1220

Capacidade da bagageira (l) – 375 até 710 (c/ bancos traseiros rebatidos)

Capacidade do depósito (l) – 47

Pneus (fr/tr) – 215/55 R17

Preço da versão base (Euros): 29196€