Volkswagen Passat Variant 1.5 TSI – Ensaio Teste

By on 30 Maio, 2019

Volkswagen Passat Variant 1.5 TSI DSG Confortline

Texto: Francisco Cruz

E, porque não?!

Trata-se de uma carrinha, genuíno familiar concebido para todas as necessidades e alturas do ano, que os portugueses se habituaram a ver “apenas” com motores a gasóleo. No entanto e no caso concreto da referência Volkswagen Passat Variant, será que tem mesmo de ser assim?…

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Mais:

Motor/Caixa de velocidades; Qualidades familiares; Comportamento

 

 

Menos:

Equipamento de série; Visibilidade traseira; Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Familiar por excelência na oferta da alemã Volkswagen, o Passat é, ainda hoje, 46 (!) anos após a estreia, um dos modelos mais importantes na oferta do maior construtor automóvel europeu. Tendo conquistado o seu lugar de referência no segmento, também através de uma estética exerior cuja evolução tem acontecido sempre segundo o princípio da continuidade, nunca da revolução.

Actualmente a viver a sua oitava geração, a qual terá, de resto, novo restyling ainda este ano (possivelmente, já em Agosto…), a verdade é que, também na variante carrinha ou Variant, o Passat tem conquistado públicos através de uma imagem bem mais conservadora – mas também bem mais estatutária – que a dos rivais, trocando mesmo o primado vanguardista, por uma postura mais senhorial – que, aliás, os responsáveis do fabricante de Wolfsburgo acreditam ser a preferida do cliente-tipo deste segmento…

A confirmá-lo, a opção declarada, na actual geração do modelo, pela profusão de metalizados, na grelha frontal, entrada de ar inferior, molduras das janelas e até barras de tejadilho, ao mesmo tempo que as linhas gerais procuram promover, acima de tudo, a sensação de largura, postura, e estatuto do modelo. O qual, diga-se, nem mesmo umas “meras” jantes de 16″ conseguem beliscar…

 

Interior

Pontuação: 9/10

Conservadora no exterior, a Volkswagen Passat Variant reafirma esse mesmo princípio, no interior do habitáculo. Onde, mais do que um design propriamente impactante, é a qualidade da construção e de materiais que se destacam. Ambas conjugadas com linhas simples e ergonómicas, a contribuírem não somente para a correcta visibilidade e leitura, como também para o fácil acesso, tanto do painel de instrumentos analógico-digital, como do ecrã táctil que serve de porta de entrada para o prático e intuitivo sistema de info-entretenimento Discovery Media.

A contribuir igualmente para as boas sensações sentidas no posto de comando, um banco em tecido mas a oferecer uma posição de condução quase perfeita, graças não só aos inúmeros ajustes, como também ao bom apoio lateral. Isto, já para não falar no correcto apoio de pé esquerdo, aspecto particularmente importante quando se trata de um carro equipado com caixa automática, sem embraiagem… e com patilhas no volante de acesso não muito fácil, por serem um pouco curtas. Mas que, ainda assim, não exigem tanto do condutor, quanto a (fraca) visibilidade traseira, a pedir não só sensores de proximidade, como até mesmo a opcional câmara…

Quanto aos restantes passageiros, têm à sua espera um bom acesso ao habitáculo, além de uma habitabilidade traseira capaz de acomodar até três adultos; mais à larga os dos bancos laterais, um pouco mais condicionado o do lugar do meio. Consequência não só de um assento mais estreito, como também de um túnel de transmissão que, embora estreito, não deixa de ser intrusivo…

Finalmente e no que à bagageira diz respeito, espaço mais do que suficiente para as necessidades de uma família de quatro elementos – 650 litros é capacidade inicial, 1.780 l é a promessa com as costas dos bancos traseiros rebatidos 60/40 na horizontal, e no seguimento do piso da mala. Argumentos a que a Passat junta, depois, outros de funcionalidade, como é o caso do portão de accionamento elétrico (opcional) ou do piso bipartido amovível com possibilidade de colocação numa de duas alturas – ainda que, mesmo no patamar mais alto, com pouca profundidade, e sem um piso nivelado por baixo. Culpa da presença do pneu sobressalente…

Equipamento

Pontuação: 8/10

Disponível, nesta motorização, apenas com os níveis de equipamento intermédio (Confortline) e de topo (Highline), a “nossa” Volkswagen Passat Variant 1.5 TSI envergava, precisamente, a primeira opção. A qual já lhe permitia ostentar, de fábrica, mais-valias como a Ajuda ao Arranque em Plano Inclinado, Cruise Control Adaptativo com Controlo Automático da Distância (ACC) até 210km/h, Front Assist, Travagem Autónoma de Emergência em Cidade (City Emergency Braking), sensor de chuva, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, serviço de chamada de emergência “ecall”, sistema Start&Stop com recuperação da energia de travagem, e travão de parque elétrico com função Hild Hold Control.

Presentes, ainda, equipamentos como o Car-Net com serviço “Guide & Inform” e “Security & Service”, ar condicionado  de 3 zonas com controlo na segunda fila de bancos, bancos dianteiros conforto, aquecidos e com regulação lombar (elétrica no caso do condutor), Rádio “Composition Media” com oito altifalantes, e Navegação “Discover Media”. Além do cada vez mais desvalorizado o pneu sobressalente de dimensões normais, mas em jante de aço.

Ainda assim e ao contrário do que acontece com a maior parte da concorrência, remetidos para a lista de opcionais estão a já referida câmara traseira (398,00€) e portão traseiro com abertura/fecho elétrico (475,00€), barras de tejadilho cromadas (347,00€), interface de telefone Business (489,00€), vidros traseiros escurecidos (316,00€), Active Info Display (645,00€), e sistema de navegação Discovery Pro (910€).

O que, diga-se, de certa forma, também encontra justificação nas pretensões “quase-premium” de modelo e marca…

Consumos

Pontuação: 8/10

Bloco equipado com tecnologia de desactivação de cilindros, precisamente com o objectivo de manter mais controlados os consumos, o 1.5 TSI de 150 cv que a Volkswagen propõe como única motorização a gasolina no Passat Variant, acaba por conseguir corresponder às expectativas. Desde logo, oferecendo médias bastante satisfatórias para a potência que anuncia.

Ajudada igualmente por um sistema Stop&Start especialmente discreto na sua intervenção, a unidade com que fizemos este ensaio terminou os quatro dias que esteve ao nosso serviço, com uma média registada de 6,9 l/100 km; ou seja, muito próximo daquilo que é o valor anunciado como consumo combinado oficial!

O que, reconheça-se, é bom…

Ao volante

Pontuação: 9/10

Conservadora na imagem, a Volkswagen Passat Variant estende essa forma de estar ao comportamento dinâmico, tornando-se facilmente uma viatura familiar que dá gosto usufruir – pela estabilidade, segurança, e facilidade de condução, que em todos os momentos evidencia…

Mesmo sem conseguir disfarçar as dimensões familiares que não deixam de se fazer sentir, em particular, nos trajectos mais sinuosos – mas que, por outro lado, também ajudam a fazer desta carrinha uma referência entre as propostas do género -, a proposta alemã acaba destacando-se igualmente pela tranquilidade, conforto e refinamento que proporciona aos ocupantes. Com o enérgico 1.5 TSI de 150 cv a responder, nos momentos desejados, com uma maior desenvoltura e rapidez de processos; responsabilidade partilhada, aliás, com a excelente caixa DSG.

Igualmente a ajudar à simplicidade de processos, uma direcção competente e à altura do conjunto, a par de uma suspensão eficaz na forma como conjuga conforto e eficácia. Ambos a ajudarem a fazer desta Volkswagen Passat Variant 1.5 TSI DSG Confortline, um produto ainda e sempre apetecível…

Concorrentes

Ford Mondeo SW 1.5 EcoBoost ST-Line Auto., 165cv, 11,2s 0-100 km/h, 207 km/h, 7,5 l/100 km, 201 g/km CO2, 43 421€

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Mazda 6 SW 2.0 SKYACTIV-G Excellence Pack Leather Navi, 145cv, 10s 0-100 km/h, 206 km/h, 6,3 l/100 km, 155 g/km CO2, 40 687€

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Opel Insignia Sports Tourer 1.5 Turbo Dynamic, 165cv, 9,2s 0-100 km/h, 218 km/h, 5,5 l/100 km, 128 g/km CO2, 34 100€

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Renault Talisman Sport Tourer 1.6 TCe Initiale Paris, 200cv, 7,9s 0-100 km/h, 231 km/h, 6,0 l/100 km, 135 g/km CO2, 48 030€

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Skoda Superb Break 1.5 TSI DSG Style, 150cv, 9s 0-100 km/h, 209 km/h, 5,5 l/100 km, 162 g/km CO2, 42 984€

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Motor

Pontuação: 9/10

Encarada pela grande maioria dos consumidores como uma proposta apenas e só Diesel, a verdade é que o quatro cilindros 1,5 litros com turbcompressor , injecção directa, e tecnologia de desactivação de cilindros (ACT), que tivemos oportunidade de experienciar na Volkswagen Passat Variant, acabou demonstrando que o futuro das carrinhas é – ou pode ser… -, já hoje em dia, também a gasolina.

Anunciando uma potência máxima de 150 cv às 6000 rpm, a par de um binário máximo de 250 Nm, disponível logo a partir das 1500 e até às 35000 rpm, o 1.5 TSI acabou destacando-se não só por um funcionamento incomparavelmente mais suave e discreto que qualquer bloco Diesel, como também e principalmente, pela forma despachada, linear e progressiva, como se manifesta; e, logo a partir das 1500 rpm! Qualidades a que soma ainda uma capacidade de recuperação da velocidade muito convincente.

Igualmente importante na obtenção destes bons resultados, o papel da já conhecida e muito elogiada caixa automática DSG de dupla embraiagem, que, com as suas sete relações e um funcionamento extremamente discreto e eficaz, consegue retirar tudo o que de melhor o pequeno quatro cilindros tem para oferecer; inclusive, naqueles momentos em que decidimos descobrir o que realmente vale este 1.5 TSI com 150 cv de potência!

E, pode acreditar o leitor, a verdade é que vale bastante!…

Balanço final

Pontuação: 9/10

Referência no seio de uma marca que os portugueses se habituaram a colocar a meio-caminho  entre os generalistas e os premium, a Volkswagen Passat Variant tem sido, igualmente e particularmente ao longo das duas últimas décadas, uma espécie de exemplo a seguir, também para a concorrência. A partir de agora, também com um óptimo motor a gasolina, a ajudar a elevar a conservadora carrinha alemã, a um novo patamar de inovação… tecnológica. Com preço (alto) a condizer…

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, com injecção directa, turbocompressor e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.498

Diâmetro x curso (mm): 74.5 x 85.9

Taxa compressão: 10.5 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 150/5.000-6.000

Binário máximo (Nm/rpm): 250/1.500-3.500

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de sete velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson; Eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos sólidos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 8,6

Velocidade máxima (km/h): 213

Consumos Extra-Alta Velocidade/Alta Velocidade/Média Velocidade/Baixa Velocidade/Combinado (l/100 km WLTP): 6,6/5,5/6,2/7,9/6,4

Emissões de CO2 (g/km): 126

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,887/1,832/1,516

Distância entre eixos (mm): 2,786

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,586/1,570

Peso máximo (kg): 1.450

Capacidade da bagageira (l): 650/1.780

Depósito de combustível (l): 66

Pneus (fr/tr): 215/60 R16 / 215/60 R16

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 44315€
Preço da versão base (Euros): 40158€