Volkswagen T-Cross 1.0 TSI Life – Ensaio Teste

By on 18 Junho, 2019

Volkswagen T-Cross 1.0 TSI Life

Texto: Francisco Cruz

Cuidado com ele!

Inscrição de última hora numa corrida em que, hoje em dia, não falta concorrência diversificada, o Volkswagen T-Cross chega com a lição bem estudada, apostando na imagem, habitabilidade, mas também num espevitado motor a gasolina. E, agora… cuidado com ele!


Mais:

Habitabilidade; Motor; Comportamento

 

 

Menos:

Pneus; Exigência de opcionais; Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Destinado a um público jovem e com alguma dose de irreverência, o Volkswagen T-Cross, espécie de variante mais aventureira do Volkswagen Polo, faz uso desses mesmos predicados, na produção da sua imagem exterior. Apostando, desde logo, numa dianteira de linhas sólidas e personalizadas, a que não falta sequer a identitária dose de conservadorismo tão característica da marca alemã.

Igualmente presentes, todos os predicados que hoje em dia fazem parte de qualquer produto aspiracionalmente SUV ou crossover, a começar pelas (muitas) proteções em plástico, acrescidas de uma linha de cintura elevada e as “necessárias” barras no tejadilho. Para terminar, no caso concreto deste pequeno SUV do segmento B, não somente numa traseira a procurar transmitir um certo ar tecnológico e vanguardista – resultado, principalmente, de uma iluminação traseira, em LED, a percorrer todo o portão da bagageira -, mas também numa imagem geral marcada pela já referida irreverência – “culpa”, em grande parte, da pintura metalizada “Laranja Energetic” (449€), que, conjugada com pormenores em Preto, abarca inclusivamente as jantes em liga leve de 17″ (730€), para assim produzir um impacto a que poucos (muito poucos!) ficam imunes…

Interior

Pontuação: 10/10

Espécie de “primo-direito” do Polo, com o qual partilha, de resto, a base técnica, o Volkswagen T-Cross repete essa mesma ligação familiar, na concepção do habitáculo. Onde, apesar da irreverência e personalidade da decoração (laranja), são perceptíveis as semelhanças, em termos estéticos e tecnológicos, com o utilitário. Por exemplo, no ecrã táctil de 8″ parte do sistema de infotainment, perfeitamente integrado no frontal do tablier e com apenas dois botões físicos – simples, funcional, além de a remeter, na qualidade perceptível, para propostas mais categorizadas.

Sem lacunas na qualidade e solidez da construção, apenas a quantidade de plásticos rijos e ásperos causa algum desconforto, ainda que estes sejam a norma no segmento. Algo que, ainda assim, o SUV alemão tenta suavizar, não somente com o recurso à alegre cor Laranja que aplica no tablier, consola, volante, portas e bancos (em tecido e couro), como também à correcta ergonomia e funcionalidade de comandos e (vários) espaços de arrumação. No caso do condutor, tudo acessível a partir de uma posição de condução mais elevada (+11 cm) que no Polo,  embora não menos confortável, graças também às possibilidades de regulação, tanto do volante com óptima pega, como do banco, com bons apoios laterais e coadjuvado por um apoio de pé esquerdo firme.

A pedir um maior período de adaptação, só mesmo a visibilidade traseira, ainda que, na versão por nós ensaiada, Life Plus, não faltem os sensores de estacionamento à frente e atrás. E que, mesmo sem a presença de uma câmara, são, sem dúvida, uma inestimável ajuda…

E se, à frente, acesso e espaço são argumentos sem o mínimo condicionalismo, atrás, o princípio é exactamente o mesmo, com os potenciais ocupantes dos três lugares traseiros  – é verdade, são mesmo três, e aproveitáveis!… – a beneficiarem não somente de um fácil acesso, como também de muito espaço para se acomodarem; desde logo, porque os bancos estão colocados sobre calhas de 15 cm, podendo, dessa forma, ser ajustados 60/40 em profundidade!

A mesma possibilidade existe, de resto, quanto ao rebatimento das costas, as quais, mediante o accionamento das trancas no topo, podem ser reclinadas para a frente, dando assim continuidade ao piso da mala, ainda que ligeiramente na perpendicular; perfeitamente aproveitável, refira-se!

Aliás, sobre a bagageira, cuja capacidade de carga começa nuns auspiciosos 385 litros, e que depois facilmente chega aos 1281 litros, importa destacar o amplo acesso, além da possibilidade de colocação do piso, num de dois patamares. Sendo que, no mais alto, passa a existir um alçapão a toda a dimensão do espaço, embora com o respectivo piso penalizado pelo facto de não possuir qualquer cobertura, mas ser o próprio pneu sobressalente!

Equipamento

Pontuação: 9/10

Inteligente na forma como soube adaptar-se às preferências actuais do mercado, o Volkswagen T-Cross procura repetir a mesma postura, no que ao equipamento diz respeito. Garantindo, desde a versão base, equipamentos como, por exemplo, a monitorização de peões, serviço de chamada de emergência “eCall”, monitorização da pressão dos pneus, Hill Hold Control, indicador multifunções “Plus”, ar condicionado “Climatic”, luzes de condução automáticas com funções “Leaving-Home” e função manual “Coming-Home”,  barras de tejadilho Pretas e jantes em aço com pneus 205/60 R16. Sendo que, nesta fase de lançamento, a Volkswagen oferece ainda o Pacote Safety, sinónimo de sistema “Front Assist” com travagem de emergência em cidade (City Emergency Brake), sensor de ângulo morto com assistente de saída do estacionamento e “Lane Assist”, e o sistema de proteção proativa dos passageiros.

Integrado o nível de equipamento Life Plus (993€), são acrescentados, entre outros, o Cruise Control Adaptativo com controlo automático de Distância,  o sistema de detecção de fadiga, sistema de navegação Discover Media com cartão SD (Europa), Rádio Composition Media, App-Connect e “Volkswagen Media Control”, pacote “Lights & Vision”, e volante mutifunções em couro.

Caso seja possível esticar um pouco mais o orçamento e incluído o “elétrico” Pacote Design “Laranja Energetic” (730€), a garantia de maior impacto visual, fruto da presença das jantes em liga leve “Manila” de 17″ com superfície Laranja e porcas anti-roubo, inserções decorativas “Transition”em Laranja Energetic/Cinza, vidros traseiros escurecidos, capas dos retrovisores exteriores pintadas, bancos dianteiros desportivos com regulação do apoio lombar e ar condicionado “Climatronic” com filtro de poeiras e pólen. Mantendo-se, contudo, de fora, a impactante pintura metalizada Laranja Energetic, pela qual será sempre preciso pagar mais 449€…

Consumos

Pontuação: 8/10

Convincente na utilização, o 1.0 TSI a gasolina de 115 cv com que pudemos voltar a contactar, agora no novo Volkswagen T-Cross, acaba por agradar, igualmente, no sempre difícil capítulo dos consumos.

Anunciando um consumo médio oficial de 5,9 l/100 km, a verdade é que, terminado o ensaio com o pequeno crossover alemão, cumprido maioritariamente em cidade, a média obtida por nós, não ficou muito longe do prometido pela marca alemã. Cifrando-se nos 6,8 l/100 km, o que, em nossa opinião, só pode ser considerado um bom registo…

Ao volante

Pontuação: 10/10

Socorrendo-se da mesma base técnica do Polo, embora maior nas dimensões (+5,4 cm em comprimento) e na altura ao solo (+11,2 cm), a verdade é que o Volkswagen T-Roc, proposta de entrada na cada vez mais completa família SUV/crossover do maior construtor europeu, mostra saber fazer bom uso dos argumentos técnicos e tecnológicos que tem à sua disposição.

Afirmando-se através de uma suspensão agradavelmente informativa, a revelar igualmente um bom compromisso entre conforto e eficácia, o T-Roc não prescinde da reconhecida competência dinâmica dos produtos Volkswagen, demonstrando eficácia elevada a curvar. Aqui, fruto também de uma direcção bem adaptada às mais diferentes utilizações. E que faz com que, em momentos de maior audácia, da parte do condutor, na condução por trajectos mais sinuosos, acabem por ser os pneus Hankook Ventus Prime, os primeiros a queixar-se…

Evidenciando uma postura e desempenho de modelo pertencente a segmentos mais altos, ao pequeno SUV alemão não falta sequer a eficácia e segurança decorrentes da presença de tecnologias como a travagem autónoma de emergência ou a manutenção na faixa de rodagem. No fundo, mais um argumento em prol das aspirações citadinas e familiares, que o T-Roc (justamente) reivindica.

Concorrentes

Fiat 500X 1.0 Firefly Turbo City Cross, 120cv, 10,9s 0-100 km/h, 188 km/h, 5,8 l/100 km, 133 g/km CO2, 23 500€

(Veja ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Hyundai Kauai 1.0 T-GDi Premium, 120cv, 12,0s 0-100 km/h, 181 km/h, 5,4 l/100 km, 146 g/km CO2, 20 166€

(Veja ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

SEAT Arona 1.0 TSI Style, 115cv, 9,8s 0-100 km/h, 182 km/h, 4,9 l/100 km, 113 g/km CO2, 19 877€

(Veja ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Renault Captur TCe Exclusive, 120cv, 9,9s 0-100 km/h, 182 km/h, 5,5 l/100 km, 125 g/km CO2, 21 00€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Pontuação: 9/10

Para já disponível entre nós apenas com um único motor a gasolina, o já conhecido três cilindros de 999cc., com injecção direta e turbocompressor, a unidade que tivemos oportunidade de testar, envergava, contudo, a variante mais potente deste bloco, a debitar 116 cv às 5.500 rpm, e 200 Nm de binário, entre as 1500 e 4000 rpm.

Acoplado a uma caixa manual de seis velocidades – também está disponível com caixa DSG de 7, solução que, sem dúvida, gostaríamos de testar!… -, este 1.0 TSI acaba destacando-se pela personalidade expedita que facilmente agrada, graças não só à resposta pronta desde os regimes mais baixos, como também às boas retomas de velocidade – impressões, de resto, confirmadas, através de uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em pouco mais de 10s, assim como de uma velocidade máxima anunciada de 193 km/h.

A emoldurar tudo isto, uma insonorização quase perfeita, em que praticamente nem se dá pelo funcionamento do pequeno tricilíndrico. A não ser pela importante ajuda que dá na exploração da vocação citadina que é uma das qualidades deste este pequeno T-Cross…

Balanço final

Pontuação: 9/10

Apontado a um dos segmentos mais competitivos do mercado actual, o Volkswagen T-Cross entra na corrida, dando mostras de ter feito bem o trabalho de casa: conhecedor dos argumentos da concorrência, não só elevou muitos deles a novos patamares, como ainda lhes adicionou outras mais-valias! É o caso do tricilindríco 1.0 TSI de 115cv, óptimo complemento num pequeno crossover que, além da qualidade de construção, habitabilidade e equipamento, possui ainda um excelente desempenho; naturalmente, não podia ser também o mais barato…

Ficha técnica

Motor

Tipo: três cilindros em linha, com injecção directa, turbocompressor e intercooler

Cilindrada (cm3): 999

Diâmetro x curso (mm): 74.5 x 76.4

Taxa compressão: 10.5:1

Potência máxima (cv/rpm): 116/5.500

Binário máximo (Nm/rpm): 200/2.000 – 3.500

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Independente do tipo McPherson; Multi-Link

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 10,2

Velocidade máxima (km/h): 193

Consumo Velocidade Baixa/Velocidade Média/Velocidade Elevada /Velocidade Muito Elevada/Combinado (l/100 km): 7,0/5,7/5,1/6,3/5,9

Emissões de CO2 (g/km): 133

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,108/1,760/1,548

Distância entre eixos (mm): 2,551

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,526/1,504

Peso máximo (kg): 1.250

Capacidade da bagageira (l): 385/1.281

Depósito de combustível (l): 40

Pneus (fr/tr): 205/60 R16/205/60 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 24799€
Preço da versão base (Euros): 22264€