VW Golf 1.6 TDI – Ensaio/Teste

By on 22 Junho, 2017

VW Golf 1.6 TDi 115 DSG Confortline

Texto: José Manuel Costa

Dizem os homens do futebol que são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha, mas nos automóveis são cada vez mais os que chegam ao segmento, mas no final do dia todos querem levar para casa o VW Golf. É como os hambúrgueres, há muitos, mas acabamos todos por encostar a carteira ao balcão do McDonalds. Ensaio á versão 1.6 TDI com caixa DSG.

Não vale a pena mencionar o “Dieselgate” nos EUA, pois sendo grave, o que aconteceu não espelha aquilo que é a marca ou os seus produtos. Goste-se mais ou menos, a verdade é que o Golf é o melhor carro do segmento, sem estar aqui a fazer favor nenhum. Hoje não há carros maus e por isso a concorrência vai apertando o cerco e modelos como o Renault Megane, o Honda Civic, o Peugeot 308 ou o Opel Astra, entre outros, ameaçaram a liderança do Golf. A VW entrou em cena e com a habitual sobriedade, retocou aqui e ali o Golf e restabeleceu a normalidade. E bem muitas crises com emissões, nem muitos fóruns que clamam o carro ser sempre o mesmo, impedem que seja o mais vendido na Europa, por larga margem.

Mexer naquilo que é um sucesso é arrojado para não dizer idiota. Está explicado – tipo livro Explicação para Totós – porque o Golf evolui e nunca revolucionou. Vende como pãezinhos quentes, para que mudar conceito e forma? O Big Mac não continua a ser igual há mais 50 anos? As coisas são simples, para que complicar.

Esta sétima geração e meia do Golf não mexeu na plataforma (continua a MQB) e no exterior há para choques redesenhados à frente e atrás, novos guarda lamas dianteiros, farolins traseiros LED e novos faróis que podem ter unidades LED como opcional.

No interior, o sistema de info entretenimento mudou bastante, oferecendo até controlo por gestos, uma novidade no segmento.

Ora se nada mais mudou no Golf, estamos perante um carro muito sólido, com uma bela posição de condução, qualidade de materiais e de montagem, há espaço suficiente para cinco viajarem sem grandes dificuldades e a mala é suficiente para uma utilização quotidiana. O isolamento acústico é excelente e ficamos quase que num casulo, isolados do exterior.

Continua a ser um carro confortável e o motor a gasóleo pouco se escuta dentro do Golf. Trabalho da boa insonorização. O equilíbrio entre comportamento e conforto é brilhante e dá gosto conduzir o Golf.

A direção está bem calibrada, peso certo e desmultiplicação adequada, com alguma sensibilidade, embora neste particular não seja dos melhores. Bom, também não queriam um carro perfeito, não é? Seja como for, somos capazes de inserir o carro em curva sem problemas que ele suporta o mau trato e mantém a frente a farejar a berma sem grandes dificuldades.

Como disse acima, a grande novidade é mesmo o novo sistema de info entretenimento, agora com ecrã de 8 polegadas e um aspecto mais tecnológico com botões sensíveis ao toque. O grafismo e a forma como tudo está organizado é igual, mas o processador é mais poderoso, logo tudo se desenrola com maior celeridade. O sistema é oferecido desde cedo na gama e pode depois ser complementado com sistema de navegação e outros. Se escolher o sistema de navegação Discover Navigation Pro, recebe um ecrã de 9,2 polegadas.

O sistema está equipado com tudo o que é agora “obrigatório” como Apple CarPlay, Andoid Auto, Mirror Link, leitura de emails e de mensagens, Bluetooth, hot spot wifi, etc, etc. Pela primeira vez na VW, o Golf pode contar com a versão VW do Virtual Cockpit da Audi, num ecrã de 12,3 polegadas. Funciona como se conhece de modelos VW e Audi.

Veredicto

Estaria tentado a recomendar-lhe o Golf 1.0 litros a gasolina, mas este TDI com 115 CV é tão simpático, económico (fiz média de 4,7 l/100 km) e fácil de conduzir que complicado é recomendar outro carro. Continua a ser o melhor e com a caixa DSG fica próximo do céu, o único lugar onde há perfeição. O modelo ensaiado era um Confortline e o nível de equipamento era abundante, pois o carro trazia, apenas, pouco mais de mil euros das jantes de 17 polegadas, da pintura metalizada e dos espelhos exteriores rebatíveis eletricamente. Contas feitas, o preço base é de 31.001 euros, com estes extras que lhe reforçam a imagem, fica por 31.970 euros. Fica fácil perceber que é altamente recomendável…

FICHA TÉCNICA

Motor 

Tipo – 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel

Cilindrada (cm3) – 1598

Diâmetro x curso (mm) – nd

Taxa compressão – nd

Potência máxima (cv/rpm) – 115/3250 – 4000

Binário máximo (Nm/rpm) – 250/1500 – 3200

Transmissão e direcção – Tração dianteira, caixa DSG de 7 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – Independente tipo McPherson; independente multibraços

Travões (fr/tr) – Discos ventilados./Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 10,5

Velocidade máxima (km/h) – 198

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 3,8/4,1/3,9 (consumo real medido 4,7 l/100 km)

Emissões de CO2 (g/km) – 102

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) – 4356/1799/1492

Distância entre eixos (mm) – 2620

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1549/1521

Peso (kg) – 1246

Capacidade da bagageira (l) – 380/1270

Depósito de combustível (l) – 50

Pneus – 205/55 R16