BMW perde 27% de lucro no terceiro trimestre face a 2017

By on 7 Novembro, 2018

Nicolas Peter, CFO do BMW Group, anunciou uma quebra de 27% no lucro operacional do terceiro trimestre de 2018, para os 1,75 mil milhões de euros. Um resultado negativo que se justifica pela flutuação cambial, pelas tensões comerciais entre os EUA, China e Europa, elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento e despesa com novos produtos.

Os lucros foram particularmente atingidos pelo aumento das matérias primas, os efeitos cambiais, a necessidade de aprovisionamento de garantias e boas práticas devido ao WLTP, a guerra de preços na Europa (onde a BMW escolheu não entrar) e as tensões comerciais entre os EUA e a China e entre os EUA e a Europa. Tudo isto levou a que um ligeiro aumento das vendas não se refletisse na margem operacional que emagreceu para 4,4% no terceiro trimestre de 2018, bem distante dos 8,6% do ano anterior e longo dos 8 a 10 por cento tidos como objetivo.

Para obviar a esta situação, a BMW está já a implementar uma série de medidas para contenção de custos e assim compensar os custos de lançamento de novos modelos (X3, X5, Série 3 e Série 8) bem como o investimento na pesquisa e desenvolvimento que já superou os 4,45 mil milhões de euros.

“Tal como o resto da indústria, estamos perante fatores externos adversos cujo impacto negativo não poderá ser totalmente anulado” disse Nicolas Peter, o diretor financeiro da BMW. “No lado dos custos, começamos a implementar medidas bem cedo. Temos uma melhor priorização das questões e tomamos uma série de medidas a curto, médio e longo prazo nos últimos meses. Medidas adicionais vão ser necessárias para conseguirmos alcançar os nossos objetivos.” Convirá lembrar que a BMW alertou em outubro que o lucro antes de impostos deveria recuar em 2018, quando se previa que não existisse grande flutuação. A BMW conseguiu 7,88 mil milhões de euros de lucro antes de impostos (EBT) e planeia terminar 2018 na casa dos 7 mil milhões de euros, um recuo face a 2017. O EBIT é de 7,6%, longe, para já dos 8 a 10% antecipados para 2018.

A estratégia Number One>Next da BMW tem quatro prioridades – sistemática eletrificação de todas as marcas e modelos; desenvolvimento da condução autónoma, expansão dos serviços de mobilidade através da “joint venture” com a Daimler; desenvolvimento estratégico da rede global de produção – que exigem um enorme investimento no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D). Por isso, até setembro, o grupo BMW já investiu 4,45 mil milhões de euros, mais 400 milhões de euros que em 2017.

Ora, estes custos brutais juntamente com as distorções trazidas para o mercado com a adoção do protocolo WLTP, tem vindo a prejudicar os lucros da BMW como de toda a indústria automóvel. A BMW tem toda a sua gama homologada segundo esta nova norma, mas marcas houve que não o conseguiram e por isso, literalmente, despejaram carros no mercado antes de setembro com enormes descontos, provocando distorções preocupantes.

Além disso, a BMW teve de fazer provisões para acomodar os custos com garantias e com a recolha de veículos devido a problemas diversos como modelos diesel que podiam pegar fogo ou problemas com os semi eixos, além de ter embarcado numa campanha global de atualização de motores diesel mais antigos e que cobraram uma fatura de 679 milhões de euros.

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