Bugatti Chiron: PECADO CAPITAL

By on 19 Setembro, 2016

Objeto de desejo, reverência e culto, mas apenas para os mais endinheirados. Pode não fazer muito sentido, mas continua a ser indiscutível no reino dos supercarros. Já conhece o sucessor do Veyron?

Passou mais de 300 horas no túnel de vento, mas valeu a pena. O sucessor do estratosférico Bugatti Veyron só podia ser ainda mais exuberante, e embora do ponto de vista estético as semelhanças sejam claras no que ao desenho da carroçaria diz respeito, este Chiron parece mais elegante, raçudo e endiabrado.

Fabricado em Molsheim, o herdeiro daquele que foi o carro de produção em série mais rápido do mundo, entretanto ultrapassado pelo Koenigsegg Regera, apresenta agora incríveis 1500 cv do tradicional W16 de 8.0 litros, agora com quatro novos turbos de dupla-fase, e um binário estupidamente elevado de 1600 Nm distribuído às quatro rodas entre as 2000 e as 6000 rpm (já lhe dissemos que tem 32 injetores?).

Embora o velocímetro vá até aos 500 km/h (!!!), a velocidade máxima está limitada a ‘apenas’ 420 km/h, mas a Bugatti acredita que sem essas restrições o Chiron é mesmo o carro mais rápido do mundo.

SEM LIMITES

Com um preço base de 2,4 milhões de dólares (cerca de 2,2 milhões de euros) e limitado a 500 unidades, assim se vê a exclusividade deste supercarro, que carrega consigo outros luxos como altifalantes embelezados com… diamantes! Daí que o melhor seja matar a sua curiosidade com as imagens que lhe trazemos.

Do ponto de vista técnico, o Chiron revela ainda outros dados curiosos, como por exemplo o facto de atingir os 300 km/h em… 13,5s. Se isso é bom? Bem, se lhe dissermos que são menos três segundos do que o McLaren P1, facilmente se percebe a grandiosidade do feito.

A Bugatti testou os limites da física. Não existe nenhuma área onde não tenhamos conseguido melhorias assinaláveis”, diz o presidente da Bugatti. E é difícil não concordar com ele. “O Chiron não é só um campeão da aceleração e velocidade máxima, mas, pela primeira vez, também um moderno e ágil Bugatti que proporciona o máximo prazer de condução”, continuou, numa referência ao facto de o predecessor andar apenas em linha reta, chamemos-lhe assim, à falta de melhor descrição.

No entanto, a incrível oportunidade de poder ter um automóvel moderno com um motor de 16 válvulas em ‘W’ continua a ser, aos nossos olhos, o seu grande atrativo, numa época em que o downsizing de motores domina a indústria automóvel e os ‘singelos’ V12 são quase uma miragem.

Para oferecer aos seus clientes os níveis de desempenho acima descritos, a Bugatti evolucionou o conceito, com quase todos os componentes da sua unidade motriz a serem redesenhados. Os 25% a mais de potência em relação ao Veyron e o peso acrescido das alterações tecnológicas foram compensadas com uma maior utilização de materiais como o titânio e a fibra de carbono. O tubo da admissão, o sistema de carregamento do ar e a tampa do motor são feitos de fibra de carbono. O peso da nova cambota também foi otimizado.

LINEAR

Se é verdade que a refrigeração foi melhorada, com mais de 60 mil litros de ar e 800 litros de água a circularem e a serem bombeados pelo motor a cada minuto, a grande novidade do W16 está na gestão dos quatro turbos. Para assegurar a máxima aceleração à partida sem os efeitos do ‘turbo lag’, o Chiron inicia a marcha com apenas dois turbos em ativo. As outras duas unidades fazem-se sentir apenas às 3,800 rpm.

Esta opção, garante a Bugatti, permite uma curva de potência linear a partir das 2000 rpm, um binário elevadíssimo nos regimes mais baixos e níveis de potência que podem ser perfeitamente doseados pelo condutor sem grandes dificuldades. O que vem mesmo a calhar, já que o preço proibitivo da compra terá com certeza equivalência na ordem de ir à oficina…

Quanto ao seu maior rival, o Koenigsegg Regera, também fornece números muito interessantes, considerando que apenas conta com um V8 biturbo de 5.0 litros (de origem Mercedes), mas devidamente acompanhado por três motores elétricos para oferecer 1800 cv e 2150 Nm de binário máximo. No entanto, como os motores de combustão interna e os motores elétricos não atingem a sua potência máxima ao mesmo tempo, os números oficiais são de ‘apenas’ 1500 cv e 2000 Nm.

A proposta sueca declara 2,8s até atingir os 100 km/h, 6,6s para chegar aos 200 e 300 km/h em 10,9s. Ah, e para atingir os 400 km/h são necessários 20 segundos. O Bugatti por outro lado, reclama o primeiro marco em 2,5s, como já vimos, o segundo em 6,5s e o terceiro e 13,5s. Mas convém ressalvar que o Chiron pesa mais 406 kg do que o Regera (1996 kg contra 1590 kg), o que obviamente influencia as prestações. Se procura exclusividade máxima, o Regera é a opção certa para si, pois apenas serão construídas 80 unidades. Mas se por outro lado considera que o preço é o melhor argumento para identificar essa característica, então terá que ir para o Bugatti, 700 mil dólares (cerca de 619 mil euros) mais caro. Tudo no capítulo dos sonhos, claro…

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