Câmaras no lugar dos espelhos: só vantagens e alguns soluços

By on 26 Setembro, 2018

Nos protótipos, há anos que os espelhos retrovisores são substituídos por câmaras de alta definição. A Lexus e a Audi chegaram-se á frente e apresentaram carros equipados com esta solução. Vamos explicar-lhe as razões porque as câmaras são, em tudo, melhor que os espelhos.

Lembram quando fizeram as aulas de condução? O instrutor, coitado, repetia a ladainha a cada vez que um dos instruendos se sentava ao volante: “verifique os espelhos exteriores, verifique o espelho interior, visão por cima do ombro, visão lateral”. Pois é… quem é instrutor de condução vai ter de se adaptar a uma novidade que são as câmaras de filmar. A conversa vai ser “verifique os monitores interiores, o exterior e a visão por cima do ombro”. Porque, tenham a certeza, os espelhos retrovisores vão desaparecer em favor das câmaras. Tal como dizia a canção dos “The Bangles”, “vídeo kill the radio stars”, neste caso, “vídeo cameras kill the mirrors”.

Curiosamente, esta decisão de substituir os espelhos pelas câmaras colocou designers e engenheiros do mesmo lado da barricada, pulando de alegria com esta decisão de colocar câmaras no lugar dos espelhos. Porquê?

Em primeiro lugar, todos sabemos da aversão dos estilistas e designers aos espelhos, tendo já tentado de tudo para os encaixar no desenho original que, na esmagadora maioria, surge como protótipo e, nesses, os espelhos nunca aparecem, substituídos pelas câmaras. A chegada ao mercado japonês do Lexus ES300h com câmaras e do Audi e-Tron ao mercado europeu, também com câmaras, foi recebida com exultação até pelos consumidores.

Curiosamente, o primeiro carro a ter câmaras no lugar dos espelhos foi o VW XL1, o “VW 1 litro” que foi, efetivamente, vendido e a verdade é que não tinha, sequer, as habituais caixas onde se anicham espelhos, por questões aerodinâmicas. Por outro lado, há modelos no mercado norte americano que têm uma câmara colocada na traseira e enviam imagens para o espelho interior.

Portanto, nem Lexus nem Audi são as primeiras marcas a terem carros com câmaras, podendo, apenas, reclamar o título de “Primeiro carro de produção em série com câmaras ao invés de espelhos” e, aí, ganha o Lexus pois estará à venda em outubro, enquanto o Audi só chega nos últimos dias deste ano. Porém, o ES300h não oferece o sistema de série, colocando-o na lista de opcionais, mas apenas no Japão, já que o modelo europeu não terá nem sequer como opcional. No caso do Audi, passa-se exatamente a mesma coisa.

As câmaras instaladas no Lexus ES300h e no Audi e-Tron, estão nos mesmos locais onde estão, habitualmente, os espelhos, mas em nichos muito mais pequenos e perfilados de acordo com as definições aerodinâmicas dos veículos. As imagens recolhidas pelas câmaras são enviadas para ecrãs que estão colocados de forma diferente dentro do habitáculo. No Lexus, há dois ecrãs de 5 polegadas colocado na base do pilar A, em cima do tabliê. Já no Audi, os ecrãs têm 7 polegadas colocados nas portas na área entre o limite superior do forro da porta e o recorte da abertura da porta, uma espécie de nicho colocado perto do pilar A. Ou seja, o condutor faz, exatamente, o mesmo movimento com a cabeça que com os espelhos. Ou seja, não há nenhuma alteração ás rotinas dos condutores.

As vantagens das câmaras

Olhando para o sistema, as vantagens são mais que evidentes. O condutor estará a olhar para um ecrã de alta qualidade e não para uma superfície vidrada através de outra superfície vidrada. Depois, o condutor tem uma muito melhor visibilidade, pois as câmaras são grande angular, a qualidade definição é excelente e não são afetadas pelas condições climatéricas, embaciamento, enfim, todas as dificuldades que são experimentadas pelos condutores na utilização dos espelhos.

Depois há outras vantagens. Os nichos que albergam as câmaras são muito menores e perfilados, com as diferenças a serem assinaláveis. No caso do Audi são menos 38 centímetros face aos espelhos convencionais. O que dá muito jeito em parques de estacionamento ou até em estradas municipais. Por outro lado, o barulho aerodinâmico provocado pelos espelhos… desaparecem! Finalmente, a chatice de ajustar os espelhos sempre que a nossa esposa ou alguém se senta ao volante do nosso carro, desaparece.

A segurança também é reforçada, por aquilo que já dissemos acima, nomeadamente, a visibilidade. Já falámos acima de várias vantagens, há mais uma: a visibilidade noturna e a ausência de embaciamento. No estacionamento, esta nova tecnologia permite projetar a área em redor do veículo quando é engrenada a marcha atrás, graças à qualidade da câmara e das características das mesmas.

E os desenvolvimentos da tecnologia deixam antever muitas melhorias para a segurança. Segundo Wolfgang Fey, responsável pelo desenvolvimento das câmaras de visão exterior na Continental, “no futuro, os sistemas serão capazes de reconhecer situações adversas de condução e ajudar o condutor com ajudas á condução.”

E, claro, não deixa de vir á baila a realidade aumentada. Por exemplo, os monitores podem exibir com cor diferenciada a aproximação de veículos no ângulo morto a velocidades elevadas. Ou então, alertar com imagens para a presença de ciclistas, motociclistas e peões, evitando alguns acidentes por desconhecimento da sua presença. Enfim, abre-se um leque de possibilidades. Uma delas é no estacionamento, fazer desaparecer na imagem os pilares do carro ou até algumas zonas, como bagagem colocada na mala ou outras.

Quer isto dizer que a tecnologia que substitui os espelhos pelas câmaras vai chegar já?

Não, a mudança vai ser progressiva porque é necessário ter muita capacidade de processamento para conseguir projetar imagens de alta resolução, com intensidade em termos de luminosidade para conseguir que essas imagens cheguem aos ecrãs. Além disso, há que assegurar que a transmissão sem fios seja poderosa e sem falhas e instalar sistemas de apoio caso haja um problema nas câmaras, evitando assim que os ecrãs fiquem negros sem imagens para o condutor. Finalmente, o sistema é muito mais complexo que os tradicionais espalhos retrovisores e o preço final da tecnologia é muito mais caro, pelo que, para já, a tecnologia ainda estará como opcional e não como equipamento de série.

Ficam, apenas, uma questão sem resposta. Para que desenvolver e gastar dinheiro com algo que se tornará obsoleto daqui a uns anos quando chegarem os automóveis autónomos? Não se sabe, mas fica a ideia que a condução autónoma não deverá ser generalizada tão depressa, a condução de nível 5 exigirá, sempre, que os veículos tenham alguma forma de controlo, nem que seja visual, por parte dos ocupantes para que a sensação de segurança seja maior. Veremos se é assim ou não, até porque a grande maioria dos condutores está disposto a pagar até 250 euros pela condução autónoma no seu carro, mas não estão dispostos a prescindir do ato de condução. Portanto…

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