Mercedes CLA 45 AMG: Para famílias apressadas

By on 29 Junho, 2016

Pode uma pequena carrinha elevar todos os sentidos do nosso corpo? Não é fácil, mas ter AMG no nome ajuda… muito!

Seja bem-vindo ao mundo moderno das siglas desportivas que antigamente tinham um significado próprio e hoje são sobretudo apetrechos do marketing destinados a promover versões aparentemente mais emocionais, mas em que o motor e a eficácia continuam demasiado… domesticados! Tudo o que não vai encontrar no Mercedes CLA 45 AMG Shooting Brake, que ao volante confirma todo o dramatismo da carroçaria. É mesmo ‘um AMG’, no sentido mais lato que a sigla pode ter.

Podíamos começar pelo ronco do motor. Mas o encanto nasce assim que se olha para ela: as enormes e raiadas jantes de 19 polegadas, a dupla ponteira de escape em cada uma das extremidades do para-choques traseiro, o lábio dianteiro e as entradas de ar afiguram-se como pormenores deliciosos para os amantes dos automóveis ‘agressivos’, embora demasiado ‘circenses’ para quem prefere viaturas discretas. Nós, felizmente, pertencemos ao primeiro grupo, e é por isso que cada retalho e apêndice “estético-aerodinâmico” transfigura-se num desejo repentino de velocidade iminente. Tenha por isso muito cuidado quando a sua esposa lhe perguntar qual o motivo para subitamente querer (sempre!) ir buscar os miúdos à escola, pois se ela souber que no fundo quer mostrar-lhes que “o carro do papá anda que se farta”, já sabemos onde esta história irá acabar… Em vez de serem eles, você é que irá sofrer o “castigo”!

RÁPIDO… MUITO RÁPIDO!

Qual o motivo para esta CLA Shooting Brake chegar mais depressa do que as outras carrinhas? É simples, muito simples: ter debaixo do capot um motor turbo de 2.0 litros, cuja potência cresceu de 360 para 381 cv na atualização operada pela Mercedes em setembro de 2015, e que faz deste 45 AMG o mais potente dos CLA, em versão berlina (igualmente radical) ou na shooting brake que conduzimos.

Não há milagres, nem se pretende enganar ninguém. A CLA Shooting Brake está longe de ser uma carrinha espaçosa, não só pelo segmento em que está inserida (B), mas também porque a tal curvatura do tejadilho que lhe dá o aspeto coupé obrigou a um certo compromisso, nomeadamente no que ao espaço para a cabeça de quem viaja atrás diz respeito. Apresenta, ainda assim, mais 6 cm extra em altura face ao CLA de cinco portas, garantindo que os ocupantes não bate com a cabeça no teto a cada solavanco mais repentino, isto apesar de partilharem o mesmo comprimento (4,63m) e a mesma distância entre eixos (2,69 m). O túnel de transmissão é que não ajuda nada ao transporte de cinco ocupantes, por isso o melhor é garantir que viajam apenas quatro (dois atrás) para a comodidade de todos. Minudências à parte importa saber o que se ganha com este CLA 45 AMG, e que na nossa opinião começa logo pelos muitos anos de vida pela experiência ao volante. A caixa automática speedshift de dupla embraiagem e sete velocidades ‘embala-nos’ com uma facilidade e velocidade incríveis, e as patilhas no volante contribuem em muito para esse prazer no ataque desenfreado às curvas mais exigentes, enquanto o sistema de tração integral 4matic garante uma precisão e estabilidade determinantes para uma condução mais desportiva.

É uma carrinha ‘seca’, sem dúvida, devido ao amortecimento das suspensões, essencial para que nada fuja do controlo do condutor. Mas felizmente contamos com o Dynamic Drive que nos permite alternar entre quatro programas de condução (‘Comfort’, ‘Sport’, ‘Sport+’ e ‘Individual) que influenciam não só a resposta do acelerador e da direção, como o conforto da marcha, e ainda que seja definido qual a nossa combinação preferida dentro das seguintes variáveis: direção, suspensão e resposta do motor. O primeiro é o mais equilibrado e o terceiro o mais visceral, mas também o que é capaz de abalar as nossas convicções e sentidos tal a rapidez com que tudo se processa na nossa mente.

Do ponto de vista emocional, a opção por esta CLA 45 AMG Shooting Brake apresenta ganhos evidentes. Tudo é ‘mais’, no espaço (em altura e na bagageira, que apresenta mais 25 litros do que a versão de cinco portas para um total de 495 litros – 1354 litros com os bancos rebatidos), na elegância (quem não gosta de uma carrinha com tejadilho descendente e de rodas enormes abrilhantadas com pinças vermelhas?), na potência (os 21 cv a mais desta atualização operada pela Mercedes, à conta de mudanças na distribuição, traduziram-se em menos 0,4s no intervalo até aos 100 km/h) e… no consumo (chegou aos 11,8 litros, contra os 6,9 litros anunciados, embora possamos admitir que é difícil manter uma toada ecológica perante a vivacidade do motor de quatro cilindros), sendo este o aspeto menos positivo, a juntar ao preço (66 800€, versão base, ou 77 516€, versão ensaiada, no qual não faltaram extras como as tais jantes de 19 polegadas – 1200€ – que adorámos, as pinças vermelhas – 400€ – e o pack night AMG – 850€ – com acabamentos a negro do para-choques, saias laterais, espelhos e ponteiras de escape) desta variante.

André Bettencourt Rodrigues

Ficha: Motor 4 cil em linha, inj direta, turbo, intercooler, gasolina, 1991 cm3; Potência 381 cv/6000 rpm; Binário 475 Nm entre 2250-5000 rpm; Transmissão integral permanente cx Automática sete velocidades dupla embraiagem; Suspensão independente McPherson à frente, eixo multibraços atrás; Travagem DV/DV; Peso 1615 kg; Mala 495-1354 litros; Depósito 56 litros; Vel. Máxima 250 km/h (limitado); 0-100 km/h 4,3s; Consumo médio 6,9 l/100 km; CO2 162 g/km; Consumo médio AutoSport 11,8 l/100 km A partir de 66 800€

 

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