Primeiro ensaio Toyota Yaris 2020: um excelente utilitário

By on 10 Fevereiro, 2020

Cascais e a Serra de Sintra foram o palco para este primeiro contacto com o novo Yaris, um carro que me deixou boquiaberto.

Podem dizer que é exagero, podem até entender que estou a divagar. Não faço sequer a mínima ideia daquilo que os meus companheiros de trabalho sentiram ao volante do novo Toyota Yaris, mas posso dizer-vos que lá dentro e depois de alguns quilómetros mais parecia estar ao volante de um Corolla que do pequeno Yaris. E estou à vontade para dizer isto, pois nesse dia andava em testes com um Toyota Corolla GR Sport!

Carregado de novos sistemas, estreias no segmento e uma motorização híbrida totalmente nova, o Yaris é uma espécie de afirmação da Toyota, murro na mesa contra a tendência Premium – encostando-se a ela, diga-se – com um carro muito bem pensado, desenhado, ensaiado e afinado. A cada novo Toyota tenho de reconhecer que o senhor Akyo Toyoda cumpre o que diz e a verdade é que os Toyota enfadonhos desapareceram e, surpresa das surpresas, até o Yaris tem, agora, um comportamento em estrada fantástico.

Arrumei as coisas técnicas num texto que está aqui ao lado com tudo aquilo que os responsáveis pelo projeto me explicaram. Está lá tudo. Aqui, vou apenas contar-lhes como foi este primeiro ensaio a um carro do segmento B que tem corpinho esbelto, mas alma de carro acima. Vamos lá!

Qualidade de estilo e materiais

A celebre frase “Veio para Ficar” sempre traduziu uma fiabilidade a toda a prova que nem os milhares de ações de recolha para reparar pequenos problemas, desfocou. Porque, na realidade, um Toyota é durável e capaz de fazer milhares de quilómetros. A necessidade de poupar aqui e ali para não estragar a margem de lucro operacional, invejada por muitos, empurrou alguns modelos da casa japonesa para um túnel que foi escurecendo com modelo como o Auris. Ainda hoje me pergunto o que é que passou pela cabeça dos homens da Toyota para acabar com o nome Corolla?! Erro crasso agora reparado. Mas, deixemos o Corolla em paz e olhemos para o Yaris, um carro que tem sido um sucesso depois de ter ganho o galardão de “Carro do Ano” em 2000, sendo o primeiro Toyota pensado especialmente para a Europa, o primeiro carro do segmento B a ter cinco estrelas EuroNCAP e o primeiro carro do segmento B a ter uma motorização híbrida. Contas feitas, já vendeu mais de 4 milhões de unidades no Velho Continente, meio milhão deles com motor híbrido.

A quarta geração do Yaris é totalmente diferente da anterior, abandonando a forma semi-monovolume em favor de um tradicional dois volumes. O estilo é divertido, com uma frente destacada e uma traseira que acaba mais cedo que o fim do carro. Confusos? Eu explico: se olharem de perfil para o Yaris, verificam que o eixo traseiro está bem para lá do fim das portas, o tejadilho termina a meio do eixo e o para choques é bem saliente, mais parecendo que o Yaris tem, quase, o eixo fora do perímetro do carro. Isto é assim para que, sendo mais pequeno que o anterior, esta quarta geração tenha mais espaço interior. Com as cavas das rodas musculadas e uns farolins traseiros que abraçam a totalidade da largura do carro, a frente destaca uma grelha generosa e faróis que se prolongam por cima do guarda lama. Confesso que gosto muito do estilo deste Yaris, muito melhor que a sensaborona geração anterior. Autorizando o tejadilho em cor contrastante com o resto do carro, a Toyota deu ao Yaris a possibilidade de ficar ainda mais sedutor.

Os homens da Toyota e particularmente o Luc Nuyts, um dos responsáveis pelo Yaris na Toyota Motor Europe (TME), lembravam a cada minuto que os carros eram pré-series e que por isso não valia a pena estar a analisar o interior. Bom, se estes que estavam no Yaris que conduzi ainda não são os materiais definitivos, garanto-vos que há muito boa marca que os aceitava já para colocar nos seus carros! 

Honestamente, não parecia nada que estes fossem carros de pré-serie, pois o nível é já muito elevado. Gostei muito do facto do volante ser pequeno (apenas o do GT86 é mais pequeno) e a Toyota mostra, assim, como é possível fazer volantes pequenos sem inventar no painel de instrumentos. Que é digital com um ecrã central onde são expressas todas as informações e dois blocos redondinhos onde se encontram várias informações. Ah! e tem um “head up display” de excelente qualidade. Sim, tudo isto num Segmento B!

O sistema híbrido arranca através de um botão, as hastes que controlam luzes, limpa para brisas e o computador de bordo são as mesmas do Camry (um toque de qualidade), os comandos do sistema de climatização são analógicos e, flutuante, no meio do tabliê, lá está o mesmo sistema de info entretenimento que pode ser visto no Corolla, por exemplo. Sim, é verdade, critiquei os botõezinhos que agora existem a ladear o ecrã e que parecem ter vindo do século passado, mas foi-me explicado que havia a necessidade de comandos analógicos, pois os clientes não gostaram de ter tudo dentro do ecrã. Os comandos colocados no volante estão racional e ergonomicamente colocados. Agora, olhe lá para a foto. Olhe! Se não lhe disser de que carro é, acredita que este é o interior de um carro do segmento B?! Pois é…

Comportamento excelente

A Toyota irá fazer a apresentação oficial do Yaris mais lá para o meio do ano e nessa altura levarei a fita métrica para esmiuçar as questões da habitabilidade. Nos curtos quilómetros feitos com o Yaris nos arredores de Cascais e numa ida, meio bandida, até á Serra de Sintra e ao troço da Lagoa Azul e a caminho de Colares, ficou uma certeza: a nova plataforma TNGA é realmente bem nascida e, nesta versão B, oferece ao Yaris condições para desafiar, sem dúvidas, os melhores do segmento. 

O troço da Lagoa Azul oferece desafios sensíveis ao comportamento de um automóvel e o Yaris conseguiu ultrapassá-los sem muitas dificuldades. Entrando na serra pelo lado de Cascais, subimos e descemos até sair pelo lado de Sintra e nesse percurso as curvas são das mais variadas, para todos os gostos e com algumas retas pelo meio. Pode o próximo contacto com o Yaris me desmentir, mas que diversão é o carro a curvar!

O reforço feito no berço do motor, a ligação das torres de suspensão dianteiras através de uma barra, o reforço do ancoramento da suspensão traseira, o eixo de torção 80% mais rígido que anteriormente e os apoios colocados de forma diferente desse mesmo eixo, permitem um comportamento assinalável.

A frente tem uma aderência excecional e a traseira mexe-se o necessário para evitar que em carga o siga em frente, Desta forma, compensa a muita aderência dianteira (agradecendo, também, aos pneus Bridgestone de grande qualidade) com o escorregar da traseira para curvar depressa, com controlo dos movimentos da carroçaria. O ESP raramente entra em ação (eu não dei por ele) e a direção é medianamente rápida e com alguma sensibilidade, o que não é muito habitual.

Tudo isto sem prejuízo do conforto, pois os engenheiros da Toyota não quiseram fazer um carro demasiado duro. Ora, endurecendo os apoios e o chassis, suavizaram as molas e o Yaris consegue absorver os buracos e as lombas sem se despenhar neles. 

Veredicto

Com um sistema híbrido novo de grande qualidade onde tudo já rima de melhor maneira, com consumos interessantes (6,1 l/100 km depois de uma passagem pela Serra um nadinha violenta) e um excelente comportamento, o Toyota Yaris pode estar a bater á porta da liderança do segmento. É uma opinião que pode ser desmentida quando tiver um contacto mais profundo com o Yaris, mas este primeiro ensaio deixou-me muito bem impressionado.

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