Regresso ao passado: Fiat Uno Turbo (1985)

By on 16 Abril, 2020

Foi carro do ano em 1984, mas a versão mais desejada do Fiat Uno só surgiu em 1985, ou seja, há exatamente 35 anos. O pequeno Uno passou a chamar-se Turbo i.e. graças a um motor, para a época, sofisticado capaz de tocar os 200 km/h. Infelizmente, alguém se esqueceu de mexer no chassis…

Ironia daa ironias, o Uno nunca foi vendido nos Estados Unidos da América, onde foi apresentado á imprensa e o Turbo i.e nunca recebeu a atenção que necessitava para ser um desportivo competente, apesar das características típicas de um desportivo. Juntava a isso aquilo que os italianos da Fabbrica Italiana Automobilli Torino, ou seja, a Fiat, melhor faziam na época: utilitários espaçosos e práticos. Um digno sucessor do 127, o carro que “inventou” o segmento B. Só recordar que na génese do Fiat Uno estava o projeto da Ital Design para oferecer um monovolume à Lancia. Chama-se Megagamma e acabou, com as devidas modificações, por ser a base do Uno.

Quando o Fiat Uno nasceu, Peugeot, Ford e Renault já tinham versões desportivas dos seus utilitários e o Uno 70S não era, de todo, concorrência para carros como o Renault 5 GT Tubo, o Peugeot 205 GTI ou até o Fiesta XR2. Demorou apenas um ano para que a Fiat corrigisse a situação com o lançamento do Uno Turbo i.e.

Por fora não parecia ser nada de especial: jantes de liga leve, tímidas saias laterais, um para choques dianteiro com a parte inferior modificada com entradas de ar e um pequeno e discreto spoiler traseiro. Nada mais!

Já por baixo do capô, as coisas eram bem diferentes. Os engenheiros da Fiat pegaram no bloco de 1.5 litros que equipava o Ritmo 85S, reduziram o diâmetro dos pistões para melhorar as condutas de refrigeração líquida em redor dos cilindros. Aplicaram-lhe um turbo de boas dimensões da IHI, arrefecido a água, um permutador ar/ar, um radiador de óleo e uma evoluída injeção eletrónica vinda da Bosch, a LE-2 Jetronic. E para que o sistema funcionasse da melhor forma, havia um ventilador para os injetores. A Magnetti Marelli forneceu a ignição com o sistema Microplex. Um motor muito avançado e com refinamento tecnológico só visto na competição. Pelo menos em 1985… Os resultados, para a época, eram excelentes: 105 CV e 147 Nm de binário. Uma caixa manual de 5 velocidades vinda do Fiat Ritmo 105 TC, levava o Uno Turbo até aos 200 km/h.

E pronto, o dinheiro que havia para fazer o Uno Turbo foi gasto na mecânica, já que no chassis, os engenheiros pegaram no sistema McPherson dianteiro e no eixo de torção traseiro e adicionaram uma barra estabilizadora à frente, um redutor na caixa para que os dois semi eixos tivessem o mesmo comprimento, amortecedores a gás e discos de travão no eixo traseiro, rebaixando o carro 10 mm. As bonitas jantes continuaram com 13 polegadas e os pneus eram uns finos 175. 

Olhando para os rivais, nomeadamente o Renault 5 GT Turbo igualmente nascido em 1985 e o Peugeot 205 GTI, era de uma pobreza enorme o chassis do Uno Turbo: os carros franceses tinham suspensão específica (4 barras de torção para o Renault, triângulos atrás para o Peugeot) e jantes de 14 polegadas.

O Uno Turbo era uma “bomba”, a direito, pois em curva ficou claro que o carro não tinha as capacidades necessárias para lidar com um tão bom motor. O Fiat era ultrapassado em todos os pontos, desde potência ao comportamento, pelos rivais. Recordo coo o carro tinha dificuldades em travar e a frente não tinha capacidade para lidar com o motor, alargando a trajetória com saídas de frente que a determinada velocidade acabavam por levar a uma saída de estrada. A travagem só melhorou, um pouquinho, quando a Fiat introduziu o ABS (chamava-se Antiskid na Fiat) em 1987 num carro que apesar das enormes dificuldades com o comportamento, não recebeu nenhuma alteração até 1989. E o ABS era de apenas dois sensores, o que não ajudava quase nada a fraca travagem do Uno Turbo i.e. 

No final de 1989, chegou a vez do carro ser remodelado para ter se parecer com o Fiat Tipom ganhou potência (o motor passou a ser um 1.4 litros e a debitar 118 CV), mas o chassis ficou inalterado e as jantes mantiveram-se, pelo que o comportamento piorou pois havia mais potencia. Hoje em dia, o Uno Turbo i.e é um carro muito procurado: motor e caixa são surpreendentemente fiáveis, mas a parte elétrica é complicada (particularmente os pontos de massa e alguns dos chicotes apresentam falhas), os revestimentos dos bancos são frágeis, o mesmo se passa com os acessórios elétricos: limpa para brisas é dos mais frágeis. A ferrugem e a corrosão são dos maiores problemas nos modelos iniciais, os mais desejados e valiosos.

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