VW Dieselgate: observador externo exige mais transparência

By on 27 Agosto, 2018

O Dieselgate parece um sismo de escala superior que depois da grande destruição continua com réplicas que vão espalhando pânico e mais destruição. Depois de um documento de Bernd Gotweis, ex-alto quadro da Vokswagen, exarado na companhia de Oliver Schmidt (preso nos EUA) a dar conta a Martin Winterkorn da situação antes desta ter sido noticiada, surgiu a noticia que Hans Dieter Poetsch e Herbert Diess, atual CEO da VW, sabiam deste documento. Ou seja, todos sabiam, antes do dia 18 de setembro de 2015, que o grupo VW utilizava um dispositivo para adulterar as medições de emissões poluentes nos EUA.

Ora, Larry Thompson, um ex-procurador geral dos EUA e, atualmente, o responsável pela monitorização externa da conformidade de procedimentos da empresa alemã, veio a terreiro dizer que está desagradado com a forma como alguns executivos da Volkswagen usam o conceito de privacidade e o sigilo profissional entre advogado e cliente para esconder informação vital sobre um escândalo de 27 mil milhões de dólares.

Depois de condenada no cambito dos vários processos, a Volkswagen recebeu uma ordem do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para apresentar três relatórios anuais ao auditor de conformidade independente (Independent Compliance Auditor ou ICA), Larry Thompson, examinando as causas para a violação dos limites de emissões. Esta situação emerge do acordo feito entre as autoridades dos EUA e a Volkswagen, depois do escândalo do dia 18 de setembro de 2015.

Colocado como ICA na VW desde o ano passado, Thompson tem a responsabilidade de verificar se tudo é feito dentro das regras e que não há mais nenhum uso fraudulento seja do que for para adulterar as emissões poluentes dos veículos do grupo VW. No seu consolado, Thompson já identificou 176 ações corretivas levadas a cabo pelo construtor alemão e foram identificadas mais 240 que terão de ser corrigidas em 2018.

“Com todos o respeito pelo trabalho de qualidade dos defensores da Volkswagen, o ICA tem de discordar de algumas atitudes de alguns advogados da empresa alemã. Os representantes legais da Volkswagen têm prometido melhorias na sua entrega de informação e aumentado a frequência das discussões com o ICA acerca deste tópico.” Este é o teor de uma parte mais recente relatório de Larry Thompson.

A linha de defesa da Volkswagen cedo se sentou na narrativa de uma ação concertada de uma linha de segundo plano de engenheiros e executivos do grupo. Porém essa cadeira tem sido tudo menos confortável: Rupert Stadler, CEO da Audi está preso por suposta obstrução à justiça; Martin Winterkorn enfrenta, nos EUA, uma acusação criminal, negando ambos que tenham feito alguma irregularidade e os procuradores de Briunswick, próximo de Wolfsburg, identificaram 39 suspeitos de envolvimento no escândalo das emissões.

A onde de choque acabou por fazer as autoridades avançarem para buscas na Daimler e na Robert Bosch. Também Hans Dieter Poetsch está a ser investigado sobre a forma como foram anunciados o escândalo e as suas consequências a nível financeiro. Hilltrud Werber, membro da administração do grupo VW responsável pela integridade e pelo departamento jurídico, veio tentar colocar água na fervura dizendo que o construtor está a trabalhar para adaptar todos os sistemas e um código de conduta para que se possa aprender das crises que passamos.

Depois do DIeselgate, a Volkswagen já veio dizer que deseja igualar, num futuro próximo uma rentabilidade de primeiro plano com uma eficiência de topo em veículos de qualidade, uma tarefa que irá durar até 2025. “Enfrentamos uma maratona para conseguir implementar este plano”, referiu este quadro do grupo VW. Veremos se os mais recentes desenvolvimentos não vão “estragar” as ideias de redenção dos responsáveis do grupo VW.

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