BMW 216d Steptronic Gran Tourer – Ensaio Teste

By on 11 Novembro, 2019

BMW 216d Steptronic Gran Tourer

Texto: Francisco Cruz

Quando três são mais que sete

Verdadeiro monovolume de sete lugares, o BMW Série 2 Grand Tourer está já disponível entre nós, com um pequeno três cilindros a gasóleo com 116 cv, conjugado com a bem conhecida caixa automática Steptronic de 7 velocidades. União que vem demonstrar que, por vezes, três conseguem ser bem mais que sete…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Habitabilidade; Funcionalidade; Motor/Caixa de velocidades    

Menos:

Conforto em mau piso; Terceira fila; Acesso à 3.ª fila

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 8/10 Generoso nas dimensões, o BMW Série 2 Grand Tourer conjuga o visual genuinamente monovolume com, basicamente, todos os predicados identificativos da marca da hélice azul. A começar nas ópticas com luzes diurnas arredondadas integradas, a famosa grelha duplo rim (ainda de dimensões contidas…), além de umas jantes de 17” e uma traseira de linhas direitas, mas não menos personalizada. A contribuir igualmente para a imagem geral equilibrada, não apenas o Branco Alpine (638,21€) como cor exterior, mas também a linha de equipamento Sport (3.804,88€). Embora e neste caso em concreto, tudo pago à parte… naturalmente!

Interior

Pontuação: 9/10 Monovolume de corpo inteiro, o Série 2 Gran Tourer não deixa de ser, também aqui, um genuíno BMW. Afirmando-o, desde logo e para começar, na óptima qualidade de construção e de materiais. Igualmente convincente, a posição de condução, correcta, confortável, funcional, tudo isto a partir de um banco firme mas confortável, além de com apoios razoáveis, assento extensível e todos os ajustes necessários. E que, ajudado por um volante de óptima pega e igualmente multiregulável, oferece ainda um fácil acesso à generalidade dos comandos, à excepção do botão de experiência de condução, com três modos – Sport, Comfort e Eco Pro. Neste caso, algo tapado no acesso pela generosa manche da caixa Steptronic, e, por isso, bem menos convincente na funcionalidade e acessibilidade que, por exemplo, o sistema de infotainment. Valorizado não apenas de um bom ecrã táctil, mas também pelo já tradicional botão rotativo junto à mesma manche. Num habitáculo de acesso fácil e bons espaços de arrumação, o maior argumento reside, no entanto, na habitabilidade, em particular, nas duas primeiras filas de bancos. Resultado não só de uma segunda fila com ajustes vários (60/40), a permitir o ajuste 60/40, tanto em profundidade (manípulos na parte frontal dos assentos), como também da reclinação ou rebatimento completo, na horizontal e no seguimento do piso da mala, das costas – trancas nas laterais dos bancos. Embora pensada (também) com o intuito de facilitar o acesso aos dois bancos da 3.ª fila, bem integrados no piso quando não em uso, a solução acaba, contudo, por não ter grande eficácia, fazendo antever, logo aí, os principais destinatários deste lugares: as crianças. Isto porque, uma vez montados, estes dois bancos individuais acabam revelando-se desconfortáveis para um adulto, o qual viaja com os joelhos mais altos face à bacia e de cabeça muito próxima do tejadilho. Um handicap a juntar, aliás, à complexidade do sistema de montagem/rebatimento de qualquer um dos bancos das duas últimas filas, a exigir o acionamento de vários e diferentes botões ou alças, consoante o processo que se deseje – em suma, podia ser mais fácil e intuitivo… Quanto à bagageira, uma capacidade que, naturalmente, varia consoante o número de lugares em utilização, podendo ir dos 145 litros, quando com sete lugares, até aos 1.802 litros, com apenas a fila dianteira em utilização. Sendo que, independentemente do número de passageiros, mantêm-se mais valias como o portão de accionamento elétrico e acesso amplo, vários alçapões por baixo do piso falso, ganchos porta-sacos e cintas nas laterais.

Equipamento

Pontuação: 7/10 BMW dos pés à cabeça, o Série 2 Gran Tourer é-o também no equipamento de série. O qual mantém, também aqui, o apelo à extensa lista de opcionais, como forma de garantir um produto final à imagem daqueles que são os pergaminhos da marca. Assim, com necessidade de pagamento acrescido, desde logo, a linha de equipamento Sport (3.804,88€), sinónimo de jantes em liga leve de 17” com pneus Runflat, faróis e luzes de nevoeiro em LED, fecho automático da porta da bagageira, frisos em preto brilhante, sensores de estacionamento à frente e atrás, Cruise Control com função de travagem, assistente de estacionamento, pack de luzes, ar condicionado automático, volante desportivo em pele e apoio de braços frontal. A que se juntava ainda, no caso da unidade por nós testada, a pintura exterior Branco Alpine (638,21€), o Pack Business (1.048,78€), garantia de espelho retrovisor interior com função automática anti-encandeamento, sistema de Media e navegação, além de vidros com protecção solar (300,81€), transmissão automática Steptronic de dupla embraiagem (1.601,63€) e a terceira fila de bancos (674,80€); isso mesmo, a terceira fila de bancos, que, apesar de ser o principal elemento diferenciador neste Gran Tourer, continua a ter de se paga à parte…

Consumos

Pontuação: 9/10 Mais uma agradável surpresa, especialmente quando tomadas em linha de conta as dimensões e peso deste Série 2 Gran Tourer. Com a unidade por nós ensaiada a confirmar esta boa opinião, numa média real de consumos que não foi além dos 5,6 l/100 km. Valor que, diga-se, acaba revelando-se ainda mais surpreendente, quando referimos que foi obtido na sequência de uma utilização maioritariamente em cidade, com pouco recurso ao modo Eco disponível através do sistema de modos de condução, mas quase apenas e só ao interventivo Stop&Start…

Ao volante

Pontuação: 8/10 Proposta genuinamente familiar, o BMW 216d Gran Tourer reafirma esse mesmo posicionamento no desempenho em estrada. Marcado por um pisar agradavelmente firme e informativo, pouco dado a oscilações exageradas da carroçaria, a par de uma facilidade de condução que, mesmo confrontada com as dimensões mais generosas do conjunto, não deixa de ser meritória. A favorecer igualmente este desempenho, uma direcção consentânea com o posicionamento do modelo, suficientemente informativa e nem sequer muito leve, mas bem mais adaptada às andanças do dia-a-dia, que, por exemplo, a suspensão aos maus pisos. Convincente igualmente nas mais longas viagens em auto-estrada, já quando em cidade, nota também para a atitude atenta do sistema de alerta de embate iminente com função de travagem automática, uma ajuda importante no por vezes complicado e cansativo trânsito citadino… ainda que sendo também a única do género; infelizmente!

Concorrentes

Volkswagen Touran 2.0 TDI DSG R-Line, 115cv, 11,3s 0-100 km/h, 188 km/h, 5,9 l/100km, 154 g/km, 42 482€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Renault Grand Scénic Blue dCi Limited, 120cv, 15,2 0-100 km/h, 193 km/h, 5,7 l/100 km, 151 g/km CO2, 38 080€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Peugeot 5008 1.5 BlueHDi EAT8 GT Line, 130cv, 13,5 0-100 km/h, 190 km/h, 5,4 l/100 km, 140 g/km CO2, 43 230€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação: 9/10 Mesmo tratando-se de uma proposta genuinamente familiar, com mais de 4,5 metros de comprimento, quase tonelada e meia de peso em vazio e uma lotação máxima de 7 lugares, a verdade é que os engenheiros da BMW não deixaram de conceber o maior  dos seus monovolumes, também com um singelo bloco de três cilindros a gasóleo. Neste caso, a debitar 116 cv de potência e 270 Nm de binário, e que, ajudado pela óptima caixa automática Steptronic de dupla embraiagem e sete velocidades, acaba resultando numa proposta bastante competente! Embora anunciando uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h que não vai além dos 11,5 segundos e uma velocidade máxima que – oficialmente – não ultrapassa os 192 km/h, torna-se, por isso, impossível não elogiarmos a personalidade agradavelmente reactiva e linear do tricilíndrico, na resposta ao acelerador, sempre convincentemente ajudado por uma transmissão que prima pela correcta gestão das capacidades do bloco. Com especial destaque para a maior irrequietude no modo Sport, garantia de um boost acrescido que também aqui se enaltece. Mesmo que mais perceptível quando com o carro não tão lotado quanto à partida o número de lugares faz prever…

Balanço final

Pontuação: 9/10 Proposta ideal para quem precisa de espaço, assentos e funcionalidade, mas que também não quer outra coisa que não seja um BMW, o Série 2 Gran Tourer equipado com pequeno tricilíndrico turbodiesel 1,5 litros de 116 cv e caixa automática Steptronic, acaba resultando numa óptima escolha, competente na forma como se exibe tanto em cidade, como em auto-estrada. Ainda para mais, quando não se pretendem prestações à altura dos pergaminhos da marca de Munique…

Ficha técnica

Motor Tipo: três cilindros em linha a gasóleo, com injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler Cilindrada (cm3): 1.496 Diâmetro x curso (mm): 84×90 Taxa compressão: 16,5:1 Potência máxima (cv/rpm): 116/4.000 Binário máximo (Nm/rpm): 270/1.750-2.250 Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de dupla embraiagem e sete velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson; Independente multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos sólidos Prestações e consumos Aceleração: 0-100 km/h (s): 11,5 Velocidade máxima (km/h): 192 Consumo combinado (l/100 km): 5,2 Emissões de CO2 (g/km): 139 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,568/1,800/1,608 Distância entre eixos (mm): 2,780 Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.561/1.562 Peso (kg): 1.495 Capacidade da bagageira com 3 filas/2 filas/1 fila/(l): 145/560/1.802 Depósito de combustível (l): 51 Pneus (fr/tr): 205/60 R16/205/60 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 44175€
Preço da versão base (Euros): 34250€