Citroen C3 1.2 Puretech – Ensaio Teste

By on 28 Junho, 2019

Citroen C3 1.2 Puretech

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Motor potente, qualidades intactas

O C3 com o motor 1.2 Puretech já por aqui passou, mas a versão com o motor 110 CV veio até ao AUTOMAIS e deste ensaio completo ficam as mesmas ideias do modelo com menos potência. O C3 é um utilitário com estilo diferenciado, classe e um jeitinho muito especial, da Citroen, de ser um automóvel sedutor. Mas não se pense que faz sombra a rivais como o Ford Fiesta, pois este é o rei dos utilitários desportivos, ou ao VW Polo, pois este tem mais qualidade. Porém, não sei explicar como, prefiro este C3 com o motor de 110 CV. Coisas…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Facilidade de utilização, consumos, estilo    

Menos:

Habitabilidade traseira, lacunas de equipamento

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10 Olhem bem para ele. Olhem bem! Parece um utilitário?! Parece que estamos na presença do rival do Ford Fiesta, Volkswagen Polo, Renault Clio e todo o grupo de utilitários á venda entre nós?! Não! Não parece e isso é o primeiro trunfo do C3. Parece um carro maior e do segmento superior, exatamente a mesma sensação experimentada com o C4 Cactus. Ou seja, por muito menos, parece que anda com um carro acima. Boa! Porque os tempos não estão para gastos, o C3 utiliza a mesma plataforma do anterior, mas devidamente recondicionada com a aplicação de vários reforços e medidas ligadas à segurança dos passageiros. Que trouxeram peso, escovado pelos rapazes da casa francesa em áreas onde se podia estabelecer alguns compromissos. Contas feitas, o C3 ficou com o mesmo peso do primeiro C3, mas com mais equipamento. Seja como for, o estilo do C3 é um dos seus atributos, até porque, como disse, é diferente e muitos podem leva-lo por um carro maior.

Interior

Pontuação 7/10 Sabem porque é que o tabliê do C3 esta tão chegado para dentro do habitáculo, roubando algum espaço? É um dos compromissos pela utilização da anterior plataforma. Porque a não ser isso – tal como sucedia com o anterior C3 – seria difícil aceitar que o tabliê fosse tão grande e intrusivo, roubando muito espaço habitável. Já agora, senhores da Citroen, não dava para colocar o volante um nadinha mais longe do banco? Excetuando este pormenor, a posição de condução é ótima e só mesmo o acesso é ligeiramente condicionado pois as portas são um nadinha estreitas. A mala é mais que suficiente com 300 litros de capacidade. O espaço no banco traseiro não é lá muito generoso (raios partam o tabliê) e à frente, os bancos poltrona oferecem um enorme conforto.

Equipamento

Pontuação 6/10 Acha piada ao C3 branquinho com o tejadilho vermelho? São 200 euros. Há combinações mais caras que chegam aos 380 euros. E também gosta de ver aqueles detalhes em vermelho? Pois muito bem, são mais 200 euros, o mesmo preço se forem em cinzento. Fazem parte dos ambientes interiores. De série o carro vem todo cinzento. No que toca ás jantes, o C3 oferece umas belas unidades de 16 polegadas, mas se gosta daquelas que têm a cruz no meio e blocos no exterior, pois gaste mais 250 euros e fica com o C3 todo catita. Ah! os Airbump são de borla. Depois é mergulhar na lista de opcionais, onde pode gastar 200 euros para a monitorização do ângulo morto, 450 euros para o acesso e arranque mãos livres. Ou preferir o pacote Citroen Connect Nav que por 500 euros lhe oferece a navegação com ecrã de 7 polegadas, entrada USB e jack. Há depois uma boa lista de acessórios de conforto, transporte, estilo, proteção e segurança. De série é oferecido a travagem autónoma de emergência, alerta de transposição de faixa, vidros elétricos, faróis de nevoeiro, câmara de visão traseira, vidros e óculo traseiro escurecido, Citeoen Connect Box, regulador e limitador de velocidade, banco do condutor com regulação em altura, ar condicionado automático, volante em pele, jantes de liga leve de 16 polegadas e ecrã de 7 polegadas sensível ao toque com Mirror Screen. Isto na versão Shine.

Consumos

Pontuação 6/10 O motor 1.2 Puretech já revisto e homologado segundo o protocolo WLTP, tem como consumo misto um valor de 6,1 l/100 km. Ainda segundo este novo protocolo de medição, o motor consome 7,2 l/100 km a baixa velocidade, 5,8 l/100 km a velocidade média e 5,3 l/100 km em velocidade elevada. A velocidade extrema, o consumo é de 6,5 l/km. Ora, falhei quase todos os alvos, com um consumo médio no final do ensaio de 7,1 l/100 km, sendo que em cidade andei sempre acima dos 7 litros e em autoestrada razoavelmente depressa, essa cifra andou perto dos 7,8 l/100 km. Mas a velocidade estabilizada, os valores ciaram para os 6,8 l/100 km. Sinceramente acho que o motor 1.2 Puretech faz um excelente trabalho e com as características que tem um excelente consumo.

Ao volante

Pontuação 7/10 O regresso da Citroen aos bons velhos tempos, teve como consequência perder de vista um dos rivais, o Ford Fiesta. A base e as suspensões não conseguem oferecer níveis de comportamento como o rival da oval azul e porque os dispositivos eletrónicos de ajuda à condução iriam encarecer o produto final, a Citroen preferiu jogar a cartada do conforto. Exatamente o mesmo que tinha feito no C4 Cactus. Vai dai, suavizou molas e amortecedores, alongou o curso das suspensões e colocou no interior verdadeiros sofás. Quer isto dizer que o C3 curva mal? Não! Só não é capaz de seguir um Fiesta ou um Polo se for armar-se em pilotaço na Serra de Sintra ou de outro local qualquer. Para o quotidiano e para uma ou outra incursão fora da cidade, é mais que suficiente. E porque há coisas que são inevitáveis, o C3 já tem o travão ativo de emergência em cidade e coisas como a monitorização do ângulo morto (meso que opcional) e o alerta para o desvio da faixa de rodagem. Como companheiro de todos os dias, o C3 é delicioso. Primeiro porque dá nas vistas e fica tudo a olhar, especialmente para a frente. Depois porque é muito confortável, a direção é suave e com um bom raio de viragem. Consegue manter a compostura quando enfrenta lombas ou buracos mais exagerados, embora não deixe de se queixar. Finalmente, é um carro refinado apesar de adornar um pouco nas curvas. É capaz de cumprir quilómetros com fadiga mínima. Só queria é que a Citroen recuasse um pouco o volante, pois nem todas as pessoas são finas e em forma como um Sebastien Ogier.

Concorrentes

Ford Fiesta 998 c.c. turbo a gasolina; 125 CV; 170 Nm; 0-100 km/h em 9,9 seg,; 195 km/h; 4,3 l/100 km, 98 gr/km de CO2; 17.195 (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Renault Clio 999 c.c. turbo a gasolina; 100 CV; 160 Nm; 0-100 km/h em 11,8 seg,; 187 km/h; 4,4 l/100 km, 100 gr/km de CO2; nd (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   VW Polo 999 c.c. turbo a gasolina; 95 CV; 175 Nm; 0-100 km/h em 10,8 seg,; 187 km/h; 4,6 l/100 km, 104 gr/km de CO2; 18.418 euros (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10 Incrível como um motor com ou sem turbo pode ser tão diferente. Confesso que o motor 1.2 Puretech sem turbo é uma desilusão. Qualquer pretensão desportiva soa a ofensa e a caixa de cinco velocidades não rima perfeitamente. Já esta versão com 110 CV é bem diferente, com uma caixa de seis velocidades mais afirmativa, que rima melhor com as capacidades do bloco tricilindrico, justificando aqui porque é que já foi escolhido por três vezes como motor do ano. Não é muito barulhento – exceto quando estamos a subir ou o esganamos para uma ultrapassagem mais ousada – é suave e numa utilização urbana é quase perfeito, suportando e forma estoica maus tratos fora do casco urbano. Consegue manter velocidades de cruzeiro elevadas, para um utilitário, servindo perfeitamente o objetivo do C3.

Balanço final

Pontuação 7/10 Poderia sempre recorrer à ideia que desde que conheci pela primeira vez o C3 me veio à cabeça: o C3 recebeu um tratamento “C4 Cactus” e a coisa resulta de forma perfeita. O C3 é divertido, tem um estilo que o diferencia da concorrência, parece maior do que na realidade é e com o motor 1.2 litros com 110 CV, é muito mais interessante. Com a promoção da Citroen, fica abaixo dos 17 mil euros com um equipamento muito completo e ampla possibilidade de personalização por preços acessíveis. Não é nem quer ser desportivo, mas comporta-se de forma competente e suficiente para uma utilização urbano e periférica. Falta-lhe um pouco mais de qualidade geral em alguns materiais, mais espaço no banco traseiro e, quem sabe, a nova plataforma da PSA que lhe vai permitir ter motorizações elétricas e muito mais espaço na traseira. Mas isso fica para outras núpcias. Seja como for, um excelente carro que sofre, agora, com a chegada de novidades de peso como o Peugeot 208 e o Opel Corsa, ambos com melhor base que o C3.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilidnros em linha, injeção direta a gasolina com turbo e intercooler Cilindrada (cm3): 1199 Diâmetro x Curso (mm): 75 x 90,5 Taxa de Compressão: 10,0 Potência máxima (CV/rpm): 110/5750 Binário máximo (Nm/rpm): 205/1500 Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 10,9 Velocidade máxima (km/h): 188 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,2/6,1/4,9 Emissões CO2 (gr/km): 110 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 3996/1749/1490 Distância entre eixos (mm): 2539 Largura de vias (fr/tr mm): 1471/1471 Peso (kg): 1165 Capacidade da bagageira (l): 300/922 Deposito de combustível (l): 45 Pneus (fr/tr): 205/55 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 16536€
Preço da versão base (Euros): 16536€