DS7 Crossback 1.6 PureTech – Ensaio Teste

By on 13 Maio, 2019

DS7 Crossback 1.6 PureTech Performance Line

Texto: Francisco Cruz

Velocidade Warp, Mr. Sulu!…

Especialmente entre os leitores que já entraram nos “entas” (quarentas, cinquentas…), acreditamos que, momentos televisivos como a série “Star Trek”, com o capitão Kirk da USS Enterprise a ordenar “Velocidade Warp, Mr Sulu!”, é algo que permanece. Sendo que, foi algo parecido, o que podemos experienciar no ensaio à versão mais “apimentada” do SUV de luxo francês DS 7 Crossback, denominada 1.6 Puretech Performance Line…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Ambiente a bordo; Motor; Habitabilidade    

Menos:

Consumos; Conforto em mau piso; Visibilidade exterior

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10 Aspirante assumido e declarado a um lugar entre as propostas premium, o DS7 Crossback demonstra essa mesma intenção, desde logo, através aspecto exterior. Marcado não somente pelas linhas vanguardistas, particularmente presentes na frente sólida e marcante, assim como na traseira igualmente intensa, mas principalmente pelos vários pormenores de classe e estatuto – é o caso da enorme grelha frontal, que, com a sua cor negra, contribui para projectar, tanto o logótipo metalizado da marca ao centro, como a moldura igualmente metalizada que a delimita. Igualmente a acentuar o primeiro impacto, oarrebatador conjunto de faróis Full LED, cativantes até pelo bailado que realizam ao arrancar, acompanhados dos já mais tradicionais luzes diurnas, em LED, colocadas na vertical tal como em outros modelos da marca. A completar este impressionante cartão de visita, umas não menos cativantes jantes em liga leve de 20″ (opcionais, infelizmente…), seguidas de uns farolins esguios, também eles marcantes na aparência. Isto numa traseira onde é possível encontrar ainda um enorme portão traseiro de accionamento elétrico, complementado por umas generosas ponteiras de escape quadradas, também elas desenhadas na vertical – no fundo, no fundo, apenas um de entre os muitos elementos distintivos e apaixonantes, que ajudam a tornar este SUV premium francês uma proposta verdadeiramente original e estatutária, diferente no porte e na classe, de tudo o que é rival…

Interior

Pontuação: 9/10 Exemplo de originalidade e de pormenores marcantes que nos prendem o olhar quando observado do exterior, o DS7 Crossback transporta esses mesmos princípios, para o interior do habitáculo. Onde, a par de uma convincente qualidade de construção (a melhorar, só mesmo o bater pouco sólido das portas…), acentuada por materiais de ainda maior estatuto, é possível encontrar as mesmas linhas modernas e elegantes que ajudam a que nos sintamos agraciados quando no interior. Igualmente de nível superior, a ergonomia relacionada com o posicionamento de comandos – na verdade, só mesmo a colocação do botão do travão de mão, integrado numa das fileiras de botões sobre o túnel de transmissão, assim como o botão start, “disfarçado” no tablier, nos custou um bocadinho a habituar… – e a colocação dos espaços de arrumação – todos com tampa… e de boa capacidade. Sobressaindo igualmente a fácil leitura e atratividade do painel de instrumentos 100% digital de 12,3″, personalizado e com várias configurações disponíveis, assim como do generoso ecrã táctil de 12″, que faz parte do sistema de infoentretenimento, e que conta ainda com uma fileira de botões de acesso rápido às diferentes funções… não muito tácteis. Ainda que bastante melhor integrados nas linhas vanguardistas do tablier que o layout do opcional relógio B.R.M… Bem mais fácil é, de resto, o desafio de encontrar a melhor posição de condução, graças não só a um excelente volante, pequeno, multiregulável, e revestido por materiais de luxo, como também a um banco a transpirar status – revestido a couro bordado, não prescinde sequer de sistema de regulação elétrica, memórias, aquecimento, ventilação e massagens. Tudo isto, a acrescentar ainda mais conforto a uma posição de condução correcta e bem integrada, mesmo que sem garantir a melhor visibilidade exterior – culpa das generosas dimensões exteriores, que só a presença de um compêndio de soluções tecnológicas, faz por atenuar… Com mais de 4,5 m de comprimento e uma distância entre eixos superior a 2,7 m, assegurada surge também uma óptima habitabilidade para os restantes passageiros, com o DS7 Crossback a não revelar quaisquer dificuldades em, não só permitir o acesso, como acomodar três adultos, nos bancos traseiros. Aos quais não faltará espaço, além da possibilidade de ajuste (elétrico) da inclinação 60/40 das costas dos bancos, visando um aumentar do conforto e relaxamento dos passageiros. Finalmente, no espaço destinado às bagagens, uma área cuja capacidade pode variar entre os 550 litros, com cinco lugares em utilização, e os 1.750 litros, com as costas nos bancos traseiros totalmente na horizontal e no seguimento do piso. Beneficiando assim um espaço que conta, logo à partida, não apenas com um portão de accionamento elétrico com funcionalidade mãos livres, mas também um alçapão por baixo do piso falso e a toda a dimensão do espaço, além de ganchos laterais, tomada de 12V, dois pontos de luz… e pneu sobressalente de emergência.

Equipamento

Pontuação: 10/10 Investido do nível de equipamento mais desportivo – que não o mais recheado -, o DS7 Crossback Performance Line exibe uma excelente dotação de série, com praticamente tudo aquilo que é de esperar num SUV premium. Entre as mais-valias sem custos acrescidos surgem, assim, não só a bonita pintura Branco Banquise e as jantes em liga leve de 19″ em preto Beijing, como também os DS Active LED Vision, barras no tejadilho, vidros traseiros escurecidos, pedaleira e apoio de pé em alumínio, climatização automática bizona (parte do Pack Auto Confort), Navegação Conectada 3D, iluminação PolyAmbient (configurável) DS Sensorial Drive em LED, além do relógio analógico B.R.M. R180. Já no capítulo das ajudas à condução, travagem de emergência automática, Safety Pack, câmara de visão traseira com ajuda ao estacionamento traseiro e dianteiro, sistema de condução autónoma DS Connected Pilot, DS Driver Attention Monitoring (alerta da atenção do condutor) e Alerta Activo de Transposição Involuntária da Linha da Faixa de Rodagem. Entre outros argumentos, claro está… Ainda assim e no caso concreto do “nosso” DS7 Crossback, a presença de opcionais como o excelente sistema de visão nocturna de veículos e peões DS Night Vision (1 100€), o límpido sistema HiFi FOCAL ELECTRA (900€), além da competente DS Active Scan Suspension (1 100€), suspensão activa capaz de “ler” antecipadamente todas as irregularidades que a estrada apresenta, adequando a resposta dos amortecedores. Embora, tal como os restantes, a obrigar a um acréscimo do investimento inicial, já de si aumentado com os 2 600€ que custa o próprio Pack Performance Line…  

Consumos

Pontuação: 8/10 Intenso e invariavelmente disponível desde os regimes mais baixos, o quatro cilindros 1.6 PureTech de 225 cv acaba cobrando a factura destas mesmas qualidades inatas, no capítulo dos consumos. Os quais, apesar das promessas do fabricante de médias na ordem dos 5,9 l/100 km, ficaram, no caso concreto do nosso ensaio, acima dos 9 l/100 km. Ainda assim e em defesa deste resultado, o facto dos 9,2 l/100 km terem sido obtidos não apenas com uma utilização maioritariamente em cidade, como também em resultado da forma despreocupada como invariavelmente rodámos.  E que, fruto do prazer obtido ao volante, tornou verdadeiramente mais fáceis as contas finais…

Ao volante

Pontuação: 9/10 Com mais de 4,5 m de comprimento e quase 1,7 m de altura, tudo isto num conjunto cujo peso em vazio não fica muito longe da tonelada e meia, a verdade é que não são muitos os que acreditem, logo à partida, nas pretensas ambições desportivas deste DS7 Crossback 1.6 PureTech 225. No entanto, apoiado por um conjunto motor/caixa de elevadas de elevada qualidade, por sua vez sustentado numa bem nascida plataforma modular EMP2, não são precisos muitos quilómetros para que o SUV francês comprove a validade da equação, garantindo óptimos momentos ao volante e sempre com um elevado nível de conforto – beliscado, apenas e só, nos pisos mais degradados, onde, assim, nunca esconde uma estabilidade e segurança dignas de realce. Igualmente em prol do óptimo desempenho, a presença da inovadora suspensão activa DS Active Scan Suspension. A qual, socorrendo-se de uma câmara, quatro sensores e três acelerómetros para “ler” permanentemente a estrada e as reacções do veículo, utiliza depois os dados que vai recolhendo para, através de um computador e em tempo real, dizer a cada um dos amortecedores como deve cada um reagir. Sempre, de acordo com o modo de condução seleccionado – mais filtrada e confortável com o modo Conforto accionado, mais firme e seco com o modo Sport engrenado. Como complemento, uma direcção convincente e que não se baseia apenas num volante de óptima pega, mas possui também uma boa capacidade de adaptação à velocidade, ainda que pecando ligeiramente no feeling que transmite. Situação que, ainda assim, não impede este DS7 Crossback  de se assumir como um excelente estradista, ainda mais até que um referencial conquistador de curvas e contracurvas… Se calhar, talvez porque, lá no espaço, tudo parece mais uma imensa auto-estrada…

Concorrentes

Audi Q3 35 TFSI S tronic S Line, 1498cc., 150cv, 9,2s 0-100 km/h, 207 km/h, 7,8-7,2 l/100 km, 176-163 g/km CO2 WLTP, 46 920€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   BMW X1 sDrive 1.8i Steptronic Line Sport, 1499cc, 140cv, 9,7s 0-100 km/h, 7,1-6,9 l/100 km, 162-156 g/km CO2 WLTP  46 148€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Mercedes-Benz GLC 200 4MATIC 9G-TRONIC AMG, 1991cc, 197cv, 7,9s 0-100 km/h, 215 km/h, 8,4 l/100 km, 191 g/km CO2 WLTP, 66 354€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Jaguar E-Pace P200 AWD Auto R-Dynamic, 1998cc, 200cv, 7,1s 0-100 km/h, 216 km/h, 9,4-10,1 l/100 km, 213-230 g/km CO2 WLTP, 61 264€ (Veja o ensaio AQUI)  

Motor

Pontuação: 10/10 Disponível entre nós também com motores Diesel, a unidade que nos calhou em sorte testar, envergava, no entanto, um 1.6 PureTech a gasolina, naquela que é a sua versão mais exclusiva – com 225 cv às 5500 rpm e um binário máximo de 300 Nm, disponível logo a partir das 1900 rpm. Razão das capacidades Warp que faz o título deste ensaio, este quatro cilindros turbo contava ainda com a importante ajuda de uma óptima caixa automática de dupla embraiagem e oito relações, fornecida pelos japoneses da Aisin, e cujo desempenho consegue ser ainda mais surpreendente pela forma suave e linear como gere as potencialidades do motor (a excepção reside apenas no arranque, o qual acontece invariavelmente de forma um pouco brusca…), que propriamente pela rapidez referencial com que reage às ordens dos condutor – facto que, aliás, nem mesmo um possível recurso ao modo semi-manual e às pequenas e muito “plastificadas” patilhas no volante, permite eliminar. Permitindo, sim, ao DS7 Crossback 1.6 PureTech 225, acelerar dos 0 aos 100 km/h em pouco mais de 8 segundos, e até mesmo de atingir uma velocidade máxima (anunciada) de 234 km/h… Marcado igualmente por uma sonoridade grossa e funda que dá gosto ouvir, não falta, por isso, emoção e impetuosidade a este 1.6 PureTech 225, em particular, quando com o modo “Desporto” seleccionado. Agradando igualmente numa utilização mais descontraída, em que a disponibilidade e subida linear das rotações conseguem fazer-nos sentir pouco menos que predestinados. O mesmo acontecendo, aliás, quando com o modo “Eco” accionado e apesar desta opção significar um assumido restringir das capacidades do bloco…

Balanço final

Pontuação: 9/10 Luxuoso, confortável e bem equipado, o DS7 Crossback não deixa de ser um SUV diferente, aspiracionalmente premium, que a inclusão do excelente 1.6 PureTech a gasolina de 225 cv e 300 Nm, se encarrega de elevar a patamares ainda mais exclusivos. O que, mesmo com a já esperada penalização ao nível dos consumos, torna ainda mais difícil de não gostarmos deste topo de gama; nem que seja pela possibilidade de, pelo menos uma vez na vida e mesmo com o resto da família já a questionar a nossa sanidade mental, podermos ordenar, alto e bom som, “Velocidade Warp, Mr. Sulu!”.

Ficha técnica

Motor Tipo:  quatro cilindros em linha a gasolina, injecção directa, turbo e intercooler Cilindrada (cm3): 1598 Diâmetro x curso (mm): 77 x 85.5 Taxa compressão: 10.5 : 1 Potência máxima (cv/rpm): 225/5500 Binário máximo (Nm/rpm): 300/1900 Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de dupla embraiagem de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica variável Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com amortecimento Hidroactivo e barra estabilizadora; Multilink com amortecimento Hidroactivo e barra estabilizadora Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos Prestações e Consumos (WLTP)  Aceleração: 0-100 km/h (s): 8,6 Velocidade máxima (km/h): 236 Consumos Velocidade Baixa/Velocidade Média/Velocidade Alta/Velocidade Extrema/Mistos (l/100 km): 10,8/7,8/6,9/8,5/8,2 Emissões de CO2 (g/km): 184 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,573/1,906/1,625 Distância entre eixos (mm): 2,738 Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,621/1,598 Peso (kg): 1.425 Capacidade da bagageira (l): 555/1.750 Depósito de combustível (l): 62 Pneus (fr/tr): 235/55 R18 / 235/55 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 52.661,10€ (c/ campanha de desconto de 3 500€)
Preço da versão ensaiada sem opcionais (Euros): 50 293,02€ (c/ campanha de desconto de 3 500€)

Preço da versão ensaiada (Euros): 52661€
Preço da versão base (Euros): 50293€