Mitsubishi Eclipse Cross – Ensaio Teste

By on 20 Março, 2020

Mitsubishi Eclipse Cross

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Ser diferente não chega

Há seis anos, a Mitsubishi já estava numa situação complicada e com o fenecimento do Lancer e a cavalgante superioridade dos SUV, a casa japonesa foi.se entregando ao destino e acabou nos braços da Nissan e da Renault. Chegou ao mercado em 2017, esta a caminho de ser renovado, mas ainda se destaca por ser diferente, tendo como pano de fundo ser um SUV desportivo. Está longe de o ser e a verdade é que não é um enorme sucesso: são “apenas” 98 mil unidades produzidas em 2019, uma queda sensível face às 118.249 unidades de 2018. Revisitamos o Eclipse Cross porque numa altura em que os SUV dominam, este crossover pode despertar-lhe o interesse. E como sempre digo: Eclipse Cross, porque não?

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Estilo original, motor, fácil de conduzir

 

 

 

Menos:

Sistema multimédia, Comportamento, Qualidade

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 6/10

A base do Eclipse Cross é a mesma do Outlander, mas com as necessárias modificações para um carro sem hibridização e de dimensões diferentes. Ainda assim, é maior e mais alto que um Nissan Qashqai ou um Seat Ateca e no que toca ao estilo, foi beber influência ao protótipo XR PHEV II de 2015. E é aqui que “a porca torce o rabo” como se diz no pais: não sendo tão radical como o XR, a verdade é que o estilo do Eclipse Cross é diferente de tudo aquilo que conhecemos. A frente tem uma enorme grelha, os faróis de nevoeiro são verticais e o para choques é dominado pela enorme entrada de ar central. Depois, a forma em cunha com cavas das rodas musculada, uma superfície vidrada que se estreia a caminho de uma traseira musculada, com o óculo traseiro dividido em duas partes, um spoiler por cima da tampa da mala de generosas dimensões e uma barra iluminada a meio. O para choques está dominado pelas placas de proteção. O CH-R é muito semelhante, mas o estilo do Toyota é mais refinado e técnico que o do Eclipse Cross.

 

Interior

Pontuação 5/10

Ao contrário do quase radical exterior, o habitáculo do Eclipse Cross é muito tradicional, conservador, enfim, muito “Mitsubishi”. Há muito plástico e alguma pele, mas a qualidade do interior do Eclipse Cross não chega ao Toyota CH-R ou ao VW T-Roc. Curiosamente, face ao Outlander, o interior do Eclipse Cross é bem melhor. O sistema de info entretenimento continua a necessitar de um produto totalmente novo e evoluído, pois as falhas são várias, apesar de ter de dizer que tem Apple Car Play e Android Auto. No que toca ao espaço disponível, quem viaja á frente não tem queixas, atrás se for alto falta um pouco de altura entre o banco e o tejadilho, enquanto que para arrumar as pernas, o espaço é generoso, tendo ainda a particularidade o banco traseiro de ter uma função de deslocamento que permite oferecer mais 200 mm de espaço para as pernas. A bagageira tem 448 litros, uma das melhores da classe, mas a forma como foi desenhada a mala e, sobretudo, o acesso, acaba por desiludir. A altura de acesso é muito elevada, mas por baixo há um útil espaço para esconder algumas coisas.

Equipamento

Pontuação 7/10  

Tendo apenas como extra a pintura metalizada, o Eclipse Cross tem um equipamento muito bom. Tudo é de série e só terá de desembolsar 405 euros pela pintura metalizada. O resto é somar, pois vidros elétricos, ar condicionado, jantes de liga leve, espelhos elétricos, teto panorâmico, enfim, tudo é de série.

Consumos

Pontuação 5/10

A Mitsubishi diz que o Eclipse Cross tem um consumo médio de 6,6 litros por cada centena de quilómetros. Esse é um valor que o bloco 1.5 MIVEC não acompanha no mundo real. Contas feitas ao ensaio, registámos um consumo de 7,1 l/100 km, cifra que não sendo a melhor, acaba por não ser demasiado negativo. Em cidade o motor tem alguma dificuldade em suportar cifras abaixo os 8 litros, mas no cômputo geral, o valor final acaba por ser razoável.

Ao volante

Pontuação 4/10

Quem não se lembra dos Lancer Evolution? Ou até dos Pajero? Carros que a Mitsubishi fez e que eram uma delicia de conduzir, principalmente, o Lancer. Venceram muitas corridas, foram campeões do mundo, mas tudo desapareceu e a história mudou de rumo. O Eclipse Cross até é confortável, mas o comportamento está longe, muito longe daquilo que conhecíamos no Lancer, por exemplo. Em autoestrada e estradas boas, a insonorização é boa, o conforto acústico também e viajar é muito agradável. Venham as estradas mais enrugadas ou em pior estado de conservação e as coisas ficam menos suaves, com o Eclipse Cross a ser mais desconfortável. No que toca ao comportamento, a suspensão não controla bem os movimentos da carroçaria, mas isso não se nota quando o ritmo é normal. Quando o demónio do Lancer baixa sobre nós, aceleramos e aí junta-se a falta de controlo dos movimentos da carroçaria com um ESP que tem uma afinação demasiado zelosa e um eixo dianteiro que tem, manifestamente, dificuldades em manter a trajetória. Por essa razão é que o ESP é tão agressivo, ou seja, evita que sejamos otimistas e abusemos do eixo dianteiro. E a falta de controlo da massa, aumenta ainda mais essas dificuldades do Eclipse Cross. Ou seja, se pensava que o carro tinha alguma ligação com o Lancer do passado… zero!

Concorrentes

Nissan Qashqai

1618 c.c. turbo a gasolina; 163 CV; 240 Nm; 0-100 km/h em 8,9 seg,; 200 km/h; 5,8 l/100 km, 134 gr/km de CO2; 35.255 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

Toyota CH-R

1987 c.c. híbrido a gasolina; 184 CV; 190 Nm; 0-100 km/h em 8,2 seg,; 180 km/h; 8,2 l/100 km, 92 gr/km de CO2; 39.170

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Pontuação 6/10

O motor de 1.5 litros sobrealimentado tem um nível de potência interessante e na maior parte do tempo, é um amigo do condutor, permitindo que sejamos capazes de andar para diante sem grande esforço. A caixa manual de seis velocidades rima com o motor e não é por aqui que o Eclipse Cross pode ser menos interessante.

Balanço final

Pontuação 6/10

Curiosamente, o Mitsubishi Eclipse Cross tem vários pontos muito positivos: é diferente em termos de estilo sem ter mau gosto, tem um bom motor a gasolina que rima muito bem com o carro, um habitáculo muito bem equipado e com espaço mais que suficiente, a qualidade e o estilo do habitáculo evoluíram face a outros produtos da Mitsubishi e o preço até é simpático. Mas do outro lado está um comportamento que me deixou triste porque pensava que o carro fosse um herdeiro dos bons velhos tempos do Lancer. Não queria um Evolution, mas pensava que fosse bem melhor. E este é um problema para o Eclipse Cross que acaba por desfocar tudo aquilo que é bom neste Mitsubishi. Falta sofisticação ao carro no que toca ao comportamento.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros, turbo com injeção direta

Cilindrada (cm3): 1449

Diâmetro x Curso (mm): 75 x 84,8

Taxa de Compressão: 10,0

Potência máxima (CV/rpm): 163/5500

Binário máximo (Nm/rpm): 250/1800 – 4500

Transmissão: tração dianteira com caixa manual de 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,3

Velocidade máxima (km/h): 205

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 5,7/8,2/6,6

Emissões CO2 (gr/km): 151

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4405/1805/1685

Distância entre eixos (mm): 2670

Largura de vias (fr/tr mm): 1545/1545

Peso (kg): 1507

Capacidade da bagageira (l): 378/1159

Deposito de combustível (l): 63

Pneus (fr/tr): 215/70 R16

Preço da versão base (Euros) inclui campanha

Preço da versão Ensaiada (Euros) inclui campanha

Preço da versão ensaiada (Euros): 29400€
Preço da versão base (Euros): 29805€