Abarth 124 GT – Ensaio Teste

By on 20 Novembro, 2018

Abarth 124 GT

Texto: Francisco Cruz

Cara e coroa

Irmão quase gémeo de um dos mais icónicos pequenos roadsters de dois lugares ainda em comercialização, o Abarth 124 GT passa a ser, também, a outra face de uma moeda que, até há bem pouco, apenas representava o eterno Mazda MX-5. Resta agora saber qual a face o carro italiano veio ocupar…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.

 


Mais:

Divertimento ao volante / Direcção / Motor

 

 

Menos:

Interior demasiado colado ao do MX-5 / Consumos / Bagageira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Embora tendo por base praticamente os mesmos recursos técnicos do MX-5, a verdade é que, em termos estéticos, e principalmente no que ao exterior diz respeito, o Abarth 124 GT faz questão de afirmar-se como uma proposta visualmente diferente. Apostando não apenas numa troca quase obrigatória de grelha, ópticas, farolins e pára-choques, como também em cores distintas – cinzento, preto e vermelho. As quais, no carro italiano, procuram recuperar a imagem de alguns Abarth de outros tempos, em conjunto com inevitáveis “escorpiões” que é possível encontrar no capot e tampa da mala, pára-lamas dianteiros e cubos da rodas.

Com um aspecto exterior que pouco ou nada remete para o fantástico roadster nipónico, a unidade que tivemos oportunidade de ensaiar contava ainda com um acréscimo de “luxo”: um tecto rígido em fibra de carbono cujo peso não vai além dos 16 kg e que, além de não deixar de contribuir para uma maior rigidez torcional, visa, em conjunto com as também novas jantes OZ Ultraleggera de 17 polegadas (3 kg mais leves que as standard), o spoiler traseiro (negro) e as capas dos retrovisores (pretas ou vermelhas) em carbono, garantir uma diminuição no peso do conjunto.

Ainda relativamente ao hardtop, que não deixa de poder ser retirado, embora não recorrendo pura e simplesmente à tradicional alavanca junto ao pára-brisas, mas tendo de desaparafusar dois parafusos (sendo que, depois, é preciso ter um lugar apropriado na garagem onde arrumá-la…), ainda mais curioso é o facto do 124 GT manter, arrumada por detrás dos encostos de cabeça, a capota original em lona, em tudo idêntica à do MX-5. Opção que, à falta de outros entendimentos, poderá ser encarada como a forma encontrada pela marca italiana para que a chuva nunca apanhe o proprietário deste Abarth “descalço”…

Pontuação – 9/10

Interior

Com um aspecto exterior pouco dado a confusões de identidade com o “irmão mais velho” Mazda MX-5, o Abarth 124 GT já não consegue o mesmo feito, no que ao interior do habitáculo diz respeito. Replicando, em nossa opinião de forma algo exagerada, muitas das soluções estéticas e funcionais do modelo japonês.

Como exemplo desta realidade, que até em muitos casos seria fácil de alterar, surgem as saídas de ar, o volante e respectivos botões (isto, apesar do escorpião, de dimensões generosas, surgir bem visível ao centro…), os comandos manuais do ar condicionado e até os (pouquíssimos) espaços de arrumação. Já para não falar no sistema de infotainment, o qual não só utiliza o mesmo ecrã e comandos rotativos do Mazda, como reproduz o mesmo layout e modo de funcionamento, por vezes excessivamente lento, do do MX-5. E, isto, apesar do construtor italiano já possuir, no seio das suas marcas, soluções bem melhores!…

A fazer, efectivamente, a diferença para o “irmão mais velho”, não tanto a qualidade de construção, que é idêntica e, como tal, de bom nível, mas mais os revestimentos. Com o 124 a preferir, mesmo sem abandonar totalmente os plásticos rijos já conhecidos do MX-5, a Alcantara, o couro e algumas aplicações em metal (as mesmas do Mazda). Com o carro italiano a diferenciar-se igualmente nos bancos, em couro preto/vermelho e com a inscrição Abarth gravada nas costas, e no painel de instrumentos, com conta rotações igual ao do MX-5, mas de fundo vermelho e, também aqui, colocado ao centro. Já o velocímetro, à direita e mais pequeno, exibe números pequeninos, exigindo atenção para que, num momento de descuido, não sejamos “apanhados” a velocidades acima do legalmente permitido.

Não deixando de garantir uma óptima posição de condução, mesmo com um volante de óptima pega que, tal como no MX-5, só regula em altura, e um banco todo ele ajustável a que só faltará um tudo nada mais de apoio lateral, o desportivo italiano conta ainda com um acesso quase perfeito a todos os comandos verdadeiramente importantes, pedais em alumínio com borrachas anti-derrapantes, um apoio de pé esquerdo firme (mas que também podia ser um pouco mais comprido), além de uma visibilidade traseira que nada difere da do carro japonês – basicamente, difícil, e a exigir a presença das ajudas eletrónicas…

Sem porta-luvas, prateleiras (aproveitáveis) ou bolsas nas portas, pouco mais resta que uma espécie de gaveta entre os encostos, para arrumar a carteira ou telemóvel com que todos nós andamos no dia-a-dia. Sendo que, para algo mais do que isso, só mesmo a bagageira, em tudo idêntica à da do MX-5 – é pequena, tem acesso apertado e aproveitamento tão ou mais difícil. Servindo, basicamente, para acomodar dois bons sacos de ginástica… e é só!

Pontuação – 7/10

Equipamento

Derivação (também) do Abarth 124 Spider S1, o 124 GT tem garantidos, desde logo, na lista de equipamento de série, elementos como os faróis de nevoeiro e traseiros em LED, jantes em liga ultraleve OZ de 17″, o sistema de travagem Brembo com pinças vermelhas, o escape de quatro saídas, a suspensão desportiva Abarth by Bilstein e o arranque sem chave. Além dos bancos em pele e aquecidos Abarth, o volante desportivo também em pele, os pedais em alumínio Abarth, o Cruise Control, o pack Radio Plus Bose com nove altifalantes e dois subwoofers, e o seletor de modos de condução Sport.

Já no domínio da segurança, o sistema de estabilidade eletrónico (ESC) com desativação, o alerta de falta de pressão nos pneus (TPMS) e o sistema de proteção ativa para peões.

Quanto àquele que é o principal elemento de distinção no exterior, a capota em fibra de carbono, faz igualmente parte do equipamento de série, embora também possa ser adquirida como opcional, pelo preço de 2.980 euros, mais IVA. Neste caso, apenas e só para ser utilizada em unidades GT com a tradicional capota de lona.

No caso do “nosso” carro, a presença igualmente de outros opcionais, como o Pack Visibility (sensores de chuva + lava-faróis + nivelamento automático dos faróis + faróis de dupla função LED + faróis automáticos + faróis dianteiros Full LED + luzes diurnas LED + sensores de estacionamento traseiro), com um preço extra de 1.800 euros; o Kit Officine Abart Red com pintura Mate (kit Alcantara + tapetes Abarth + capot e bagageira em preto mate + capas dos retrovisores e inserção da grelha do pára-choques dianteira em vermelho + escape Abarth Record Monza), por 3.100 euros; o Pack Premium (Keyless Entry + sistema de navegação + câmara de estacionamento traseira), com um custo de 1.000 euros; e a cor exterior Cinzento Alpi Orientali 1974, por 750 euros.

Resumindo: é caro… mas vem bem recheado!

Pontuação – 8/10

Consumos

Desportivo puro, concebido e preparado (quase) exclusivamente com o propósito de oferecer elevadas doses de adrenalina ao volante, o Abarth 124 GT dificilmente será encarado, por qualquer potencial comprador, como uma proposta poupada, à partida,  nos consumos.

A confirmá-lo, de resto, as médias de 9,0 l/100 km com que terminámos o nosso ensaio, realizado ao longo de vários dias e praticando um estilo de condução idêntico ao que qualquer proprietário certamente fará: sem exagerar no acelerador (a não ser numa ou outra ocasião mais específica…), adoptando um desempenho mais descontraído em cidade, e apenas puxando um pouco mais quando em auto-estrada ou em trajectos onde as potencialidades do conjunto convidavam à emoção.

Porém, sem qualquer sistema Sotp&Start ou modo Eco (existe apenas uma opção Sport, mas já lá iremos…), será difícil, mesmo com um “pequeno” 1.4 Turbo de 170 cv, fazer muito melhor…

Pontuação – 7/10

Ao volante

Dizem os entendidos que, quando a base de trabalho é boa, torna-se mais fácil conseguir um resultado final excelente… e assim é!

A confirmá-lo, este Abarth 124 GT, interpretação italiana de um pequeno roadster japonês de créditos firmados, que, graças também às pequenas e subtis alterações feitas pelos experientes engenheiros do conhecido preparador transalpino, acaba tornando-se uma proposta ainda mais visceral e emocionante de conduzir!

A contribuir para este facto, não apenas a troca do bloco atmosférico japonês por um mais raçudo 1.4 Turbo com mais 10 cv que o modelo oriental (170 cv, portanto…), mas também a adopção de amortecedores mais desportivos (e rijos) Bilstein, sistema de travagem mais eficaz Brembo, jantes de 17″ com pneus mais desportivos (Bridgestone Potenza 205/45R17) e barras anti-aproximação. Estas últimas, destinadas a garantir uma maior precisão e inserção do modelo na trajetória, graças também a uma direcção que, inclusivamente, consegue a proeza de ser ainda mais desportiva que a do Mazda!

Revelando um comportamento verdadeiramente entusiasmante, mesmo se bem mais à custa do conforto que no MX-5, no modelo italiano não falta sequer um modo Sport, cujo botão colocado junto à manche da caixa de velocidades, uma vez accionado, torna ainda mais apurada a resposta do motor e da direcção. Altura em que, especialmente os mais afoitos, sentir-se-ão tentados a desligar igualmente o ESP, pressionando o botão correspondente à esquerda do volante, partindo, a partir daí, para a descoberta das vantagens do baixo peso, excelente equilíbrio e facilidade de condução que este Abath 124 GT oferece. Inclusive, nas fáceis derivas de traseira conseguidas através de uma pressão mais forte no acelerador, a que o conjunto, graças também à presença de um autoblocante, responde de forma intuitiva e fácil de controlar.

Em resumo: um mimo!…

Pontuação – 10/10

Concorrentes

Mazda MX-5, 2,0 litros, 160 cv, 7,4s 0 -100 km/h, 215 km/h, 6,9 l/100 km, 161 g/km, 42.252,00 Euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Fiat 124 Limited Edition, 1.4 litros, 140 cv, 7,5s 0-100 km/h, 215 km/h, 6,6 l/100 km, 153 g/km, 37.550,00 Euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Enquanto o Mazda MX-5 tem num 2,0 litros a gasolina, a debitar 160 cv de potência, a sua versão mais potente (ainda) em comercialização – a caminho está já um novo 2.0, mas com 184 cv… -, o Abarth 124 GT decidiu, neste capítulo, fazer diferente. Mais precisamente, trocando o bloco atmosférico japonês, por um bem mais italiano 1.4 Turbo de 170 cv!

Quatro cilindros em linha, agraciado com a mais-valia da turbocompressão, a verdade é que a opção italiana acaba por trazer ainda mais vivacidade ao conjunto, garantindo respostas mais rápidas e prontas, devido não só ao maior binário (250 Nm, logo a partir das 2500 rpm), como também aos esforços da caixa automática de seis velocidades e patilhas no volante – óptima na forma como tenta aproveitar toda a faixa do conta-rotações, não se coibindo inclusivamente de levar o ponteiro até aos limites, ainda que denotando uma ligeira décalage na resposta às patilhas, quando no modo manual…

Dono de uma aceleração intensa, e não apenas fruto da sonoridade rouca e  entusiasmante emitida pelas quatro ponteiras de escape Record Monza, as quais não esquecem sequer os característicos rateres nas passagens de caixa, principalmente quando com o modo Sport ligado, o 1.4 Turbo torna-se assim um bloco que dá prazer explorar, aproveitando especialmente os regimes intermédios do conta-rotações (red-line surge aos 6500 rpm…), com os 100 km/h a surgirem 6,8 segundos após o arranque. Com a subida rápida de velocidade a terminar – segundo o fabricante – nos 232 km/h.

Pontuação – 9/10

Balanço final

Dois lados de uma mesma moeda, a verdade é que torna-se difícil dizer qual dos dois irmãos quase gémeos – Mazda MX-5 e Abarth 124 GT -, é a cara, e qual é a coroa! Apoiada numa excelente base que o modelo nipónico tem vindo, ao longo dos tempos, a solidificar, a proposta italiana melhora-a, acrescentando-lhe um motor mais reativo e sonoro, suspensão e travagem mais eficazes, e, consequentemente, um comportamento ainda mais emocionante. Argumentos que, uma vez ponderados e avaliados, fazem-nos apetecer responder aos indecisos e à pergunta “qual a cara, e qual a coroa”, com “Atire a moeda ao ar, e descubra por si mesmo!”.

Pontuação – 9/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, Turbocompressor e Intercooler

Cilindrada (cm3): 1.368

Diâmetro x curso (mm): 72×84

Taxa compressão: 9,8:1

Potência máxima (cv/rpm): 170/5.000

Binário máximo (Nm/rpm): 250/2.500

Transmissão e direcção: Traseira, com caixa automática de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Independente de duplos braços com barra estabilizadora; Independente multibraços com cinco braços e barra estabilizadora

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 6,8

Velocidade máxima (km/h): 229

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 9,1/5,2/6,6

Emissões de CO2 (g/km): 153

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,054/1,740/1,233

Distância entre eixos (mm): 2,310

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,496/1,503

Peso (kg): 1.155

Capacidade da bagageira (l): 140

Depósito de combustível (l): 45

Pneus (fr/tr): 205/45 R17 / 205/45 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 50547€
Preço da versão base (Euros): 44000€

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