ALFA ROMEO GIULIETTA 1.6 SPORT TCT – Ensaio Teste

By on 15 Março, 2019

Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 Sport TCT

Texto: José Manuel Costa

O canto do cisne

Aproxima-se, a passos largos, o fim desta geração do Giulietta que nasceu em 2010 e que se manteve, mais ou menos, inalterada até aos nossos dias. Conseguiu ser o segundo classificado no Carro do Ano europeu de 2011 e a Alfa Romeo já vendeu mais de 400 mil unidades de um carro com um estilo intemporal e que, apesar da idade, manteve o estatuto de Alfa Romeo mais vendido até o ano passado, ultrapassado pelo excelente Stelvio. Mesmo assim, ainda vende mais que o Giulia e nos dois primeiros meses de 2019, já comercializou quase duas mil unidades. Recordo que quando a marca italiana lançou o Giulietta, uma das frases era “Sem coração, seríamos meras máquinas” e o modelo compacto da Alfa Romeo tem um belo coração e um belo aspeto, mas o tempo avança inexoravelmente e a erosão já se faz sentir num carro feito em outra época – conheceu mudamças em 2014 e depois em 2016 – e que fica, já, demasiado longe dos excelentes produtos que a casa italiana faz, nomeadamente, o Giulia e o Stelvio. É o canto do cisne de um produto tipicamente Alfa Romeo.

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Mais:

Estilo / Comportamento / Caixa

 

 

Menos:

Posição de condução / Habitabilidade / Alguns materiais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10

Já lá vão três anos desde que a Alfa Romeo atualizou o Giulietta, com um novo para choques dianteiro e uma nova grelha, jantes de liga leve com outro estilo e cores novas. Não mudou muito porque problema que o Giulietta não tem é no que concerne o estilo. Pode já ter uns aninhos, mas continua a ser um dos carros mais bonitos do segmento com aquele gostinho italiano que, sendo “alfista” ou não, ninguém consegue criticar os traços desenhados por Lorenzo Ramaciotti, do Centro Stile Afa Romeo. E face a rivais mais conservadores, o Giulietta mostra-se, ainda, inovador com as pegas das portas traseiras escondidas, os faróis minimalistas com luzes LED, enfim, o escudo dianteiro com o símbolo da Alfa Romeo, fá-lo destacar-se dos restantes.

Interior

Pontuação 5/10

Franqueada a porta do Giulietta, voltamos a ser esbofeteados por uma onda de estilo italiano, onde tudo faz sentido, onde tudo é simples e ao mesmo tempo complexo. É um interior feito com bom gosto – e nestas coisas, o bom gosto é eterno, por isso o Giulietta tem tantos anos e continua apelativo – sendo fácil de utilizar quotidianamente, mas com aquele gostinho especial de um carro italiano… ou melhor, de um Alfa Romeo! O maior problema é que na época deste Giulietta, a Fiat encarava a Alfa Romeo de uma outra forma e embelezando-lhe o manto e oferecendo-lhe o melhor do estilo interior, ofereceu-lhe uma qualidade menor. É verdade que com o último “restyling” a casa de Arese retificou algumas coisas. Por exemplo, o volante tem uma pele de maior qualidade, as bolsas nas portas estão maiores e há várias zonas revestidas com material anti-risco, mas não disfarçam os plásticos de pouca qualidade nas zonas inferiores das bolsas das portas, do tabliê e da consola central. E face aos rivais mais poderosos do segmento, o Giulietta parece aquela moça rústica de beiços pintados de um vermelho que fomenta o desejo, mas que quando abre a boca mostra os dentes desalinhados e amarelados que afastam qualquer um. É uma pena, mas percebe-se porque o Giulietta foi lançado numa época conturbada em que era preciso fazer alguma coisa para que a Alfa Romeo não se perdesse como sucedeu com a Lancia. Ainda assim, fica a nota para o estilo que é, realmente, muito agradável. A bagageira, com o banco possível de ser rebatido na proporção 60/40, tem 350 litros de capacidade. A expansão com o rebatimento do banco não é muito grande e a forma da bagageira, do acesso e a forma como o banco rebate, não são muito práticos.

Equipamento

Pontuação 6/10  

Esta versão Sport do Giulietta exibe um completo equipamento de série. Da lista destacamos o volante em pele, os comandos no volante do sistema Uconnect, o ar condicionado automático bizona, cruise control, vidros traseiros escurecidos, tejadilho com forro preto, faróis de nevoeiro, saias laterais mais compridas, spoiler traseiro, sistema de ajuda ao arranque em declive, diferencial autoblocante eletrónico Q2 e mais um par de coisas. Assim equipado, o Giulietta custa 31.602 euros, um valor interessante face aos rivais. Depois, pode olhar para a lista de opcionais, dos quais deixamos aqui uma pequena amostra.

Os estofos em pele custa 1700 euros, a regulação elétrica dos bancos dianteiros fica por 1.250 euros, o pacote Tech (Rádio Alpine com ecrã de 7 polegadas, sistema Uconnct Link, Apple Car Play e Android Auto, câmara de estacionamento traseira, sensores de estacionamento traseiros e porta HDMI) custa 1.150 euros. O pacote Carbon (acabamentos com aspeto fibra de carbono, debruado a vermelho na grelha e no para choques dianteiro, capas dos espelhos, minissaias laterais, puxadores das portas e molduras dos faróis de nevoeiro, detalhes de decoração no interior) custa 800 euros, a pintura metalizada fica por 600 euros, um kit de travagem Brembo com maxilas pintadas de vermelho e proposto por 500 euros, o memso preço das jantes de liga leve de 18 polegadas. O pacote Visibility (retrovisores exteriores rebatíveis eletricamente, retrovisor interno electrocromático e sensores de chuva e luz) custa 300 euros, os sensores de estacionamento à frente e atrás, ficam por 220 euros, as patilhas da caixa TCT no volante custam 150 euros, enquanto os pedais em alumínio são 200 euros e os frisos em alumínio nas soleiras das portas com a palavra Alfa Romeo, custam 100 euros. A Alfa Romeo oferece 4 anos de garantia com manutenção incluída ou até aos 120 mil quilómetros, tendo intervalos de manutenção de 20 mil quilómetros.

Consumos

Pontuação 6/10

O bloco 1.6 litros a gasóleo é um motor económico que a Alfa Romeo reclama gastar 3,9 litros por cada centena de quilómetros com emissões de 103 gr/km de CO2. É verdade que é económico, mas nunca consegui igualar esse valor. Andando sem grandes preocupações, mas dentro de todos os limites legais, este Giulietta turbodiesel devolveu-me um consumo de 5,3 l/100 km, valor que baixou com alguns cuidados e aproveitando o binário do motor, para os 4,9 l/100 km. Com uma outra aceleração menos económica e um percurso feito no meio da serra para avaliar as capacidades do chassis, a média subiu para os 6.4 l/100 km. Contas feitas, a média final foi de 5,2 l/100 km, longe daquilo que a Alfa Romeo reclama, mas anda assim, muito decente para um motor de 1.6 litros com 120 CV.

Ao volante

Pontuação 7/10

Tenho de começar por dizer que a posição de condução não é brilhante e que nem todos a vão conseguir encontrar. Fosse igual á do Giulia e nada teria a dizer. Depois, dizer que o Giulietta também tem os modos de condução DNA (Dynamic, Natural, All Weather) que influenciam a resposta ao acelerador, a direção e a resposta da caixa, além do controlo de estabilidade. No Giulietta, as afinações do DNA não são muito felizes, com o modo Dynamic a ter demasiado peso na direção e o acelerador a ficar algo “dormente” nos modos Natural e All Weather. Se no segundo se percebe, para que o equilíbrio seja possível em zonas de baixa aderência, no primeiro nem por isso. Seja como for, no modo Dynamic sempre as coisas são melhores.

A suspensão do Giulietta está afinada para o lado duro e num piso mais degradado, sente-se que o carro italiano é durinho. Não chega a ser desconfortável como um Mini, por exemplo, mas abaixo dos seus rivais como o Golf ou até o Focus.

Com este motor de 120 CV, o Giulietta não é nenhum foguete, mas a verdade é que cumpre a sua função e no que toca ao comportamento, o chassis do Giulietta, oriundo dos Fiat Stilo, Bravo e Lancia Delta, consegue portar-se muito bem, aproveitando a afinação mais dura das suspensões para controlar muito bem os movimentos da carroçaria, com um eixo dianteiro que não cede depressa e que mantém a trajetória sem grande esforço, tendo o eixo traseiro multibraços a funcionar da melhor forma. Claramente, o motor não coloca em causa as capacidades do chassis.

Concorrentes

Ford Focus 1.5 TDCI ST Line

1500 c.c. turbo diesel; 120 CV; 300 Nm; 0-100 km/h em 10,5 seg,; 191 km/h; 4,7 l/100 km, 123 gr/km de CO2; 32.276 euros

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Renault Megane Blue dCi 115 GTLIne

1461 c.c. turbo diesel; 115 CV; 260 Nm; 0-100 km/h em 10,6 seg,; 190 km/h; 4,5 l/100 km, 120 gr/km de CO2; 32.468 euros

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Seat Leon 1.6 TDI 115 FR DSG

1598 c.c. turbo diesel; 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 197 km/h; 4,1 l/100 km, 108 gr/km de CO2; 33.371 euros

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VW Golf 1.6 TDI Highline

1598 c.c. turbo diesel; 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 10,5 seg,; 198 km/h; 4,0 l/100 km, 105 gr/km de CO2; 35.546

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 6/10

O motor 1,6 litros turbodiesel tem apenas 120 CV, pelo que o Giulietta não é, neste formato um carro emocionante. Chega dos 0-100 km/h em 10,2 segundos e alcança os 195 km/h, cifras normais num motor que é facilmente utilizável e que acoplado á caixa TCT de dupla embraiagem, se mostra ainda mais tranquilo. A caixa, com patilhas no volante, é mais agradável no modo manual. É uma unidade que passa de mudanças de forma calma e suave, não sendo particularmente rápida. É suficiente para o motor deste Giulietta e, no meu entender, melhor que a caixa manual.

Balanço final

Pontuação 6/10

Se fosse pelo estilo, o Alfa Romeo Giulietta teria outra pontuação, mas a verdade é que temos de olhar para ele de todos os ângulos e, assim, não posso evitar dizer que tem uma habitabilidade fraca, alguns materiais que não deveriam estar no interior e que o sistema DNA não está bem afinado para o motor 1.6 JTDM e a caixa TCT de dupla embraiagem. O conforto também não tem nota máxima e para quem gosta de um Alfa Romeo a lembrar o “Cuore Sportivo” ou até espera daqui “la mechanica delle emozione”, terá de procurar outro modelo da gama. O motor 1.6 turbodiesel é económico, mas não é capaz de grandes fulgores. Está, mesmo, na hora da Alfa Romeo trazer para a arena outro Giulietta, pois este esta mesma na fase do “canto do cisne”…

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha com injeção direta e turbocompressor com intercooler

Cilindrada (cm3): 1598

Diâmetro x Curso (mm): 79.5 x 80.5

Taxa de Compressão: 16,5

Potência máxima (CV/rpm): 120/3750

Binário máximo (Nm/rpm): 320/1750

Transmissão: dianteira com caixa de dupla embraiagem com 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente, McPherson/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,2

Velocidade máxima (km/h): 195

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 3,3/4,9/3,9

Emissões CO2 (gr/km): 103

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4351/1798/1465

Distância entre eixos (mm): 2364

Largura de vias (fr/tr mm): 1554/1554

Peso (kg): 1320

Capacidade da bagageira (l): 350

Deposito de combustível (l): 60

Pneus (fr/tr): 225/45 R17

Preço da versão Ensaiada (Euros): 36.762 (com 4.000€ de campanha em vigor)

Preço da versão ensaiada (Euros): 36762€
Preço da versão base (Euros): 31602€