FORD FIESTA ST – Ensaio Teste

By on 25 Junho, 2019

Ford Fiesta ST

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

O melhor nas curvas… e não só!

Temeu-se que com o “restyling” do Fiesta, o ST não fosse reconduzido, mas a Ford não traiu os seus adeptos e clientes e ofereceu uma sequela daquele que é, sem favor, o melhor do segmento nas curvas. O novo modelo segue as pisadas do anterior, mesmo que a Ford tenha aburguesado um pouquinho o Fiesta. Mais! A Ford colocou um motor pequeno debaixo do capô, mais poupado nos consumos, mas com duas centenas de cavalos. Ou seja, a Ford preferiu seguir a via da segurança ao invés daquilo que fez, por exemplo, a Renault que quis reinventar o Clio e deu-se mal. Isso não é necessariamente mau, pois a Ford jogou pelo seguro mas não retirou um grama de qualidade no comportamento, com um motor moderno que foi uma bela surpresa.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Grande comportamento, Posição de condução, Motor fabuloso

 

 

Menos:

Talvez o comando da caixa

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

O Fiesta ST recorre aos truques habituais: além de receber para choques redesenhados, o Fiesta tem jantes maiores de 17 polegadas que podem ser de 18 como as do carro que ensaiei, umas saias laterais mais profundas e um spoiler traseiro maior. A diferença para um Fiesta comum não é enorme, mas isso já é habitual na Ford.  A verdade é que o carro ficou mais giro com o restyling sofrido e o ST também ganha.

Interior

Pontuação 8/10

O interior do novo Fiesta é uma enorme melhoria face ao anterior modelo, mais intuitivo, mais agradável de viver, enfim, com mais qualidade. Hoje, no Fiesta, temos um painel de instrumentos com excelente visibilidade, um ecrã central com excelente qualidade e comandos reduzidos ao indispensável. A versão ST ganha um volante desportivo, cortado na parte inferior, uma alavanca da caixa parcialmente em aço, pedais em alumínio e uns bancos Recaro excelentes. Há uns pespontos azuis a lembrar ser este um Fiesta musculado e alguns detalhes a imitar a fibra de carbono, completam o conjunto de alterações que a casa da oval azul decidiu introduzir no ST. São suficientes, mas eu espero sempre um pouco mais. Não há.

O Fiesta existe nas versões de 3 e 5 portas, sendo dos poucos modelos que ainda oferecem a carroçaria mais desportiva, hoje quase esquecida. Mas na Ford não é assim e os adeptos do ST adoram a carroçaria de três portas. Eu também gosto, mas percebo que sejamos cada vez menos a desejar estas carroçarias.

A habitabilidade não é recordista, mas o Fiesta acaba por fazer boa figura, se bem que quem viaja atrás face aos imponentes bancos da dianteira, ficam quase enjaulados só com visão para o lado. Não sendo tão amplo como um VW Polo o Fiesta acaba por fazer boa figura.

 

Equipamento

Pontuação 7/10

Pintado de vermelho, o Fiesta ST não aumenta de preço, se quiser em outra cor terá de gastar entre 203 e 432 euros. Pode encomendar o pacote fumador (20 euros), sistema de deteção de ângulo morto (406 euros), proteção das portas (127 euros), câmara de visão traseira (457 euros), faróis LED (660 euros), teto panorâmico com abertura elétrica (711 euros), pacote performance (do qual fazem parte do diferencial autoblocante “launch control”, controlo do arranque com indicação no painel de instrumentos, luzes indicadoras de performance, tudo por 914 euros) e o pacote Driver (sistema de estacionamento automático, espelhos exteriores aquecidos e retrácteis e câmara de visão traseira, tudo por 686 euros). O Fiesta ST que serviu de base a este ensaio, tinha, ainda, alarme (152 euros) e a pintura “Performance Blue” que custa 432 euros. De série são oferecidos os faróis de nevoeiro, sensores de luz e chuva, máximos automáticos, jantes de liga leve de 18 polegadas com pinças de travão pintadas de vermelho, ar condicionado automático, sistema de navegação Sync3 e ecrã sensível ao toque com 8 polegadas, sistema de som Bang&Olufsen, bancos Recaro, cruise control, suspensão ST e reconhecimento dos sinais de trânsito.

Consumos

Pontuação 5/10

A Ford anuncia um consumo médio de 6 litros por cada centena de quilómetros, mas a verdade é que nunca consegui chegar lá. Ainda assim, fiquei boquiaberto com os 7,5 l/100 km que registei de média. E mesmo abusando do motor Ecoboost, os valores de consumo raramente passaram dos 10 litros. Claro que no modo de condução mais agressivo e com muita utilização da caixa, as cifras sobem acima dos dois dígitos. Mas o resultado final é absolutamente excelente e face ao anterior modelo (que gastava 10 l/100 km), é uma progressão enorme. E na comparação com os adversários como o Polo GTI ou o Mini Cooper S, oferece-lhes um capote.

Ao volante

Pontuação 9/10

As alterações que o Fiesta ST sofreu não prejudicaram nada do carácter do carro: a frente continua com uma aderência fabulosa e uma obediência ao que fazemos na direção sem igual. Com o pacote Performance, que oferece o diferencial autoblocante mecânico da Quaife, e a direção direta (apenas duas voltas de topo a topo), basta atirar o carro para dentro da curva que o sistema funciona, passando por cima do ESP. Nos modos Normal e Sport, a direção pouca diferença tem, mas no modo Track, as coisas ficam mais assertivas, o peso aumenta ligeiramente e até parece que fica ainda mais direta. A sensibilidade não é muita, mas consegue ser melhor que o anterior ST.

A traseira continua como sempre, ou seja, solta e pronta a ajudar o condutor. Leve velocidade para uma curva e depois, com uma das rodas traseiras no ar… levante o pé! A traseira roda, mas basta voltar ao acelerador para que o carro endireite e saia disparado. Se quiser aprender a arte de escorregar levantando o pé a meio da curva, o Fiesta ST é o melhor parceiro.

E tudo isto acontece mesmo com uns pneus Michelin peganhosos que se agarram á estrada… com unhas e dentes! Mesmo assim, o Fiesta escorrega e oferece-nos um prazer de condução que nenhum rival consegue dar.

E se ligar o modo Track, desliga o ESP e as coisas tornam-se mais sérias. O botão para mudar de modo não está no sítio certo e ao lado esta o botão que desliga, completamente, o ESP. Convirá não se enganar… digo eu!

Claro que nem tudo são rosas. O conforto não é o melhor – mas também que interessa isso?! – e sente-se a potência no eixo dianteiro, o famoso “torque steering”. Não é algo que nos provoque preocupação, até porque é perfeitamente controlável. Em linha reta quase não se dá por ele, em curva sim.

A caixa de seis velocidades, manual – sim, aqui não há dupla embraiagem nem patilhas no volante, é tudo “puro” – tem um comando que merecia ser mais eficiente e rápido. Está melhor que no anterior, mas ainda não é perfeito para o tipo de carro que é o Fiesta ST.

Concorrentes

Mini Cooper S

1998 c.c. turbo a gasolina; 192 CV; 280 Nm; 0-100 km/h em 6,8 seg,; 235 km/h; 5,8 l/100 km, 133 gr/km de CO2; 31.750

(Conheça todas versões e motorizações AQUI)

 

VW Polo GTI

1984 c.c. turbo a gasolina; 200 CV; 320 Nm; 0-100 km/h em 6,7 seg,; 237 km/h; 5,9 l/100 km, 134 gr/km de CO2; 32.334

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 8/10

O bloco de 3 cilindros com 1.5 litros é a grande mudança do novo Fiesta ST. A unidade Ecoboost é um motor mais moderno que o antigo propulsor de 1.6 litros e quatro cilindros. 200 CV e 290 Nm são os números deste motor, igualando o motor antigo durante os 20 segundos de “overboost” que este libertava. Com o 1.5 litros, nada disso acontece e os 200 CV estão disponíveis ao longo de uma ampla faixa de rotações. O mais curioso é que sendo um motor de elevda performance, tem um sistema que desliga um cilindro – ficando apenas em dois cilindros – quando o carro segue em velocidade de cruzeiro com carga mínima. Algo que não sucede com os Ecoboost de 1.0 litros! A verdade é que o motor é muito agradável e com algum trabalho de sintetizador, o som é fabuloso.

Balanço final

Pontuação 8/10

O Fiesta ST é o melhor carro do segmento nas curvas. Não dá chances a nenhum dos rivais sendo eficaz, divertido e assertivo. E gosto ainda mais deste Fiesta ST pois a Ford deitou fora muitas das coisas que o anterior tinha boas e decidiu trazer coisas novas, como o motor de 1.5 litros. Por isso, o resultado final deste Fiesta ST é verdadeiramente espetacular. É verdade que a Ford sacrificou algumas coisas, pois o Fiesta ST é mais suave em algumas coisas, refinado em outras e mais fácil de conviver na maioria das situações. Ainda por cima o carro é giro! Tem defeitos, claro que tem, como a direção pouco sensível e por vezes demasiado pesada, os modos de condução não acrescentam muito e há ali um ou outro detalhe menos conseguido. Suficiente para evitar que comprasse um Fiesta ST? Claro que não. Aliás, se gosta do Fiesta, compre o ST que agora até tem versão de cinco portas se a desculpa era a questão familiar!

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injeção direta, turbo com intercooler

Cilindrada (cm3): 1497

Diâmetro x Curso (mm): 84 x 90

Taxa de Compressão: 9,7

Potência máxima (CV/rpm): 200/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 290/1600 – 4000

Transmissão: dianteira, com caixa manual de seis velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente, tipo McPherson/eixo de torção elástico

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 6,5

Velocidade máxima (km/h): 232

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 5,1/7,6/6,0

Emissões CO2 (gr/km): 136

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4068/1735/1469

Distância entre eixos (mm): 2493

Largura de vias (fr/tr mm): nd

Peso (kg): 1187

Capacidade da bagageira (l): 311/1093

Deposito de combustível (l): 42

Pneus (fr/tr): 205/40 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 29153€
Preço da versão base (Euros): 26680€