Honda CR-V Hybrid Lifestyle – Ensaio Teste

By on 8 Julho, 2019

Honda CR-V Hybrid Lifestyle

Texto: Francisco Cruz

Quem sabe, nunca esquece!

Depois de ter deixado cair a tecnologia híbrida que foi uma das primeiras a promover, a Honda tenta agora recuperar o tempo perdido, lançando, com a quinta geração do seu SUV maior CR-V, uma versão híbrida a gasolina. E que, entre outros aspectos, é a confirmação de que, quem sabe, nunca esquece!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Sistema híbrido i-MMD; Conforto; Habitabilidade

 

 

 

Menos:

Caixa e-CVT em acelerações a fundo; Intuitividade do sistema CONNECT NAVI; Funcionamento da chapeleira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Depois de um período marcado por algumas opções estéticas menos consensuais (quem é que não se lembra da espécie de grelha “suspensa” da 3.ª geração?…), o Honda CR-V parece ter redescoberto, com a atual quinta geração, o caminho da tranquilidade. Desde logo, com a adoção de uma estética bem mais consensual, cativante e até estatutária.

A ajudar a esta impressão, a profusão de aplicações metalizadas que é possível observar, seja de que perspectiva for, na versão por nós testada, Lyfestyle. E a que se juntam, depois, umas novas e particularmente vistosas ópticas em LED, farolins na mesma linha, além de umas elaboradas jantes de 18″, também elas propostas de série.

Atraente, bem apetrechado, e com personalidade, o novo Honda CR-V mostra, assim e ainda no exterior, alguns dos motivos que fizeram com que fosse, em 2018, o terceiro SUV mais vendido em todo o mundo; é que, já lá diz o ditado, “os olhos também comem”… e decidem!

Interior

Pontuação: 10/10

Generoso nas dimensões exteriores (são 4,6 m de comprimento, com mais de 2,6 m na distância entre eixos e 2,1 m de largura…), o Honda CR-V estende essas mesmas sensações ao interior do habitáculo. Onde, a par de uma óptima qualidade de construção e de materiais, sobressai a funcionalidade, a ergonomia, a atratividade de um ambiente onde é fácil sentirmo-nos bem e confortáveis.

Mesmo sem grandes rasgos estéticos, não é difícil sentirmo-nos cativados, por exemplo,  pela quantidade de bons espaços de arrumação, nomeadamente, entre os bancos dianteiros; a óptima legibilidade, tanto do painel de instrumentos 100% digital (i-MID), como do ecrã táctil de 7”, levemente destacado (só é pena a fraca intuitividade…), parte do sistema multimédia Honda CONNECT NAVI Garmin; ou ainda pela forma prática como é possível operar a caixa i-CVT – sem qualquer manche, tem apenas quatro funcionais botões, através dos quais é possivel engrenar o modo de estacionamento (P), a marcha-atrás (R), o ponto-morto (N) e a marcha em frente (D)…

Quanto à posição de condução, assume-se elevada, como de resto é normal em qualquer proposta do género, embora com o condutor a permanecer bem posicionado face ao volante de óptima pega e multiregulável, a partir de um banco em pele que, além de confortável e com bons apoios laterais, conta ainda com a ajuda de uma acessível pedaleira e bom apoio de pé esquerdo.

Menos convincente, ainda que não necessariamente por culpa da posição de condução, a visibilidade traseira, limitada por um óculo demasiado alto, mas cuja importância, tanto os sensores (também estão à frente) como a câmara traseira, rapidamente se encarregam de anular…

Excelente, sem dúvida, a habitabilidade, beneficiada pelo crescimento, em cerca de 30 mm, face à geração anterior, da distância entre eixos. E que veio permitir, por exemplo, que na segunda fila, o espaço para pernas seja quase um exagero, também por não existir túnel de transmissão! Contribuindo assim para a alegria dos três adultos que, depois do fácil acesso, facilmente se acomodam lá atrás.

O mesmo se passa, de resto, com a bagageira, cuja capacidade de carga começa nos 497 litros, mas que facilmente pode ultrapassar os 1.600 litros; basta, tão só, accionar as trancas que estão no topo das costas dos bancos traseiros, ou nas laterais da mala, para dar início ao imaginativo sistema de rebatimento 60/40 da segunda fila. Cujas costas, uma vez na horizontal, contribuem para uma continuação perfeita do piso da bagageira.

Sem alterações, o pequeno alçapão, por baixo do piso falso, logo à entrada da bagageira… assim como a chapeleira de recolhimento um pouco mais retrógado e complicado.

Equipamento

Pontuação: 9/10

Embora disponível entre nós com um total de quatro níveis de equipamento – Comfort, Elegance, Lifestyle e Executive -, o contacto que tivemos com a versão Lifestyle veio demonstrar que, não é preciso mais, para sermos felizes!

Contabilizando praticamente tudo como parte do equipamento de série, o Honda CR-V Hybrid Lifestyle não esquece sequer a Segurança e Ajuda à Condução, incluindo, por exemplo, a Assistência à Estabilidade do Veículo (VSA), Sistema de Alerta de Esvaziamento de Pneus (DWS), Assistência ao Arranque em Subidas (HSA), Sistema de Assistência à Agilidade (AHA), Sistema de Travagem Atenuante de Colisões, Avisador de Colisões Dianteiras, Sistema de Assistência à Manutenção na Faixa de Rodagem, Alerta de Saída de Faixa, Controlo Inteligente da Velocidade de Cruzeiro Adaptável, Limitador Inteligente da Velocidade, Função de Seguimento a Baixa Velocidade, Sistema de Reconhecimento da Sinalização de Trânsito, Informação de Ângulo Morto incluindo Monitorização de Trânsito lateral, e Sistema de Chamada de Emergência (E-Call).

Já a pensar na defesa contra roubos,  imobilizador, alarme, fecho centralizado das portas com comando à distância e 2 chaves mecânicas, e sistema inteligente de acesso e arranque sem chave (Smart Entry & Start). Soluções a que se soma ainda, no domínio da tecnologia, o conhecido Modo ECON para maior economia nos consumos, Display Multi informação (i-MID), travão de estacionamento elétrico com função Brake Hold, A/C Automático com controlo duplo da climatização, Honda CONNECT NAVI Garmin (ecrã tátil de 7″, AM/FM/DAB, Apple CarPlay/ Android Auto, rádio via internet, aplicação Aha e navegador de internet), Sistema de telefone mãos-livres Bluetooth, Faróis LED automáticos com sensor de luz, Limpa-vidros automáticos (dianteiro) com Sensor de chuva, Sensores de estacionamento (à frente e atrás) e Câmara traseira de auxílio ao estacionamento.

Finalmente, contempladas estão ainda as jantes de 18″ com kit de reparação de pneus, barras no tejadilho, vidros escurecidos e spoiler traseiro… além dos 7 anos de garantia sem limite de quilómetros e 7 anos de assistência em viagem!

Consumos

Pontuação: 9/10

Recorrendo, na maior parte das situações e utilizações, à propulsão elétrica, o Honda CR-V Hybrid consegue, desta forma, médias bastante atractivas nos consumos. E, pasme-se, inclusivamente abaixo daquele que é o valor oficial anunciado, já segundo o mais exigente ciclo WLTP, em trajecto combinado: 6,9 l/100 km.

Assim, terminado o ensaio que se prolongou por vários dias, o “nosso” CR-V Hybrid apresentava como média assinalada no computador de bordo, 6,3 l/100 km. Valor alcançado sem quaisquer limitações ou condicionalismos na utilização e que, também por isso, só pode mesmo ser merecedor de elogios!…

Ao volante

Pontuação: 9/10

Grande, mas não especialmente pesado (pouco mais de 1.600 kg…), o Honda CR-V Hybrid mantém os mesmos genes das restantes versões, assumindo-se como uma proposta familiar, de utilização muito confortável, segura e estável em qualquer tipo de deslocação ou percurso.

Suave na forma como se deixa conduzir, fruto também de uma direcção adequada ao espírito do modelo, nem mesmo a partir do momento em que decidimos apertar um pouco mais com o conjunto, o CR-V perde a compostura. Revelando sempre e pelo contrário, um controlo muito assinalável da carroçaria, com as transferências de massas a fazerem-se sentir, de forma mais acentuada, já muito perto dos limites… e nas travagens bruscas a fundo, altura em que se nota um “afocinhar” da frente.

No entanto e apesar da elevada estabilidade do conjunto, a verdade é que a opção natural acaba, invariavelmente, sendo por uma toada mais tranquila e descontraída, aproveitando não só as qualidades estradistas do CR-V, mas também e especialmente em cidade, as vantagens do sistema híbrido i-MMD. O qual, particularmente quando com o modo ECON ligado, permite-nos fazer mais quilómetros (mais de 1.000, promete o computador de bordo…), em idêntico conforto e segurança – resultado não só da eficácia de sistemas como a manutenção na faixa de rodagem (mas que só dura 9 segundos…), travagem autónoma de emergência e alerta de passagem de veículos na traseira, mas também da voz doce que, logo após o arranque, alerta para a necessidade de colocar o cinto de segurança…

Concorrentes

Mitsubishi Outlander 2.4 PHEV Instyle 4WD, 135cv, 10,5s 0-100 km/h, 170 km/h, 1,7 l/100 km, 46 g/km CO2, 35 319€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Toyota RAV4 2.5 Hybrid Active 4×2, 178cv, 8,4s 0-100 km/h, 180 km/h, 5,6 l/100 km, 126 g/km CO2, 38 790€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volvo XC60 T8 Geartronic AWD Momentum PHEV, 390cv, 5,5s, 230 km/h, 2,2 l/100 km, 64 g/km CO2, 68 640€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação: 9/10

Primeiro SUV Honda com tecnologia de propulsão híbrida a ser comercializado na Europa, o novo CR-V tem por base o novo sistema Intelligent Multi-Mode Drive, ou i-MMD, que, socorrendo-se de dois motores elétricos (um a funcionar como gerador, outro como propulsor) e um motor a gasolina Atkinson 2,0 litros de 145 cv,  os primeiros apoiados por um conjunto de baterias de iões de lítio (colocadas sob o banco traseiro e o piso da mala), funciona quase como se de um elétrico se tratasse. Porquê? Porque, apesar de contar com um motor de combustão, são os motores elétricos que assumem a primazia na locomoção!

Ao contrário do que acontece na generalidade dos híbridos, em que o motor elétrico surge no apoio ao motor de combustão, no CR-V Hybrid, é o propulsor a eletricidade responsável pela locomoção que, ajudado por uma unidade de controlo electrónica, assume o protagonismo. Com o 2,0 litros a gasolina a surgir, ele sim, em segundo plano e no apoio ao primeiro; aliás, segundo cálculos divulgados pela própria marca, deslocações em cidade, com velocidades até 40 km/h, fazem com o CR-V utilize o modo híbrido durante não mais que 18% do tempo, com o restante (82%) a ser feito com recurso apenas e só aos motores elétricos!

Acrescido de uma caixa de variação contínua de relação fixa (e até com pretensas patilhas no volante!…), responsável por uma transferência bem mais suave do binário (ainda que, nas acelerações mais a fundo, também a “esforçar” um pouco mais o motor), este sistema i-MMD acaba de destacar-se por uma excelente suavidade e linearidade, tanto na aceleração como nas recuperações, tudo isto envolvido numa insonorização quase perfeita e, na maior parte das vezes, quase sem emissões!

De resto e embora, quando a funcionar exclusivamente a electricidade (modo EV), a autonomia das baterias pouco ultrapasse os 2 km, optando pelo modo Normal ou Sport, garantida está sempre uma elevada disponibilidade, mesmo sem utilizações abusivas do acelerador. Com os 184 cv que são a potência total desenvolvida pelo sistema, a prometerem, mesmo, acelerações dos 0 aos 100 m/h em 8,8s, ainda que com a velocidade máxima anunciada a não ir além dos 180 km/h.

Balanço final

Pontuação: 9/9

Bonito, bem construído, espaçoso e bem equipado, o novo Honda CR-V Hybrid Lyfestile consegue juntar a todos estes argumentos, mais uma (importante) qualidade: a eficácia do novo sistema de propulsão híbrido i-MMD de 184 cv, que, mesmo apoiado por um “generoso” quatro cilindros a gasolina, garante consumos assinaláveis. Tornando, a par dos 7 anos de garantia sem limite de quilómetros e assistência em viagem, e do facto de pagar apenas Classe 1 nas portagens (com Via Verde, bem entendido…), bem mais suaves os mais de 40 mil euros que custa!

Ficha técnica

Motor a gasolina

Tipo: quatro cilindros em linha a gasolina, ciclo Atkinson, i-VTEC

Cilindrada (cm3): 1.993

Potência máxima (cv): 145/6200

Binário máximo (Nm/rpm): 175/4000

Motor elétrico

Tipo: Síncrono magneto permanente

Potência (cv): 184

Binário (Nm): 315

Bateria de iões de lítio (kWh): 1,0

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa e-CVT de apenas uma velocidade; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Independente do tipo McPherson; Independente multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos sólidos

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 8,8

Velocidade máxima (km/h): 180

Consumo Combinado (l/100 km WLTP): 6,9

Emissões de CO2 (g/km): 122

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,600/2,117/1,689

Distância entre eixos (mm): 2,663

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,601/1,630

Peso máximo (kg): 1.657

Capacidade da bagageira (l): 497/1.692

Depósito de combustível (l): 57

Pneus (fr/tr): 235/60 R18 / 235/60 R18

Preço com campanha de desconto (Euros): 43 400,00€ (implica financiamento)

Preço da versão ensaiada (Euros): 45400€