Mazda CX-3 1.8 Skyactiv-D – Ensaio Teste

By on 15 Março, 2019

Mazda CX-3 1.8 Skyactiv-D Evolve Navi

Texto: José Manuel Costa

Mais que uma carinha laroca

Não há grande mudanças no CX-3, porém, o bloco diesel deixa de ser um 1.5 litros dando lugar a um robusto e muito agradável 2.0 litros turbodiesel, ainda por cima muito económico. Lançado em 2015, o CX-3 tem tido uma bela carreira comercial, empurrado por um estilo muito feliz que, como sempre a Mazda referiu, é muito mais que um SUV compacto. Tem substância, é muito giro e agora tem uma gama de motores de qualidade. É muito mais que uma carinha laroca!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Estilo / Consumos / Motor    

Menos:

Qualidade de alguns materiais / Sistema de info entretenimento

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10

O novo modelo tem pouquíssimas alterações ao estilo já conhecido e que é do agrado de todos. Exceção feita a uma grelha dianteira redesenhada, tecnologia LED nos farolins traseiros, jantes de liga leve com novo desenho e a pintura “Soul Red Crystal”, ou seja, um novo tom de vermelho. E ficam por aqui as novidades em termos de estilo exterior. E ainda bem que não mexeram mais, pois o CX-3 continua a ser dos SUV compactos mais giros do mercado. Senão o mais giro…

Interior

Pontuação 6/10

Mantendo a filosofia minimalista, o painel de instrumentos do anterior modelo, posição de condução e habitabilidade, a Mazda redesenhou a consola central, tirou o travão de mão mecânico e colocou um botão que faz o mesmo efeito e liberta muito espaço, há mais espaço para arrumação de pequenas coisas e o apoio de braços é bem-vindo. O espaço habitável não é enorme, ficando a par com utilitário e na bagageira há mais 100 litros que no Mazda 2 (350 litros, expansíveis a 1260 litros com o rebatimento do banco traseiro) e para trás não se quase nada, cortesia das sensuais linhas da carroçaria. Os sensores de estacionamento são mais valia a não desprezar. O sistema de info entretenimento foi atualizado, mas envelheceu umas décadas, face ao que o Mazda 3 apresentou. Infelizmente, não deve chegar a esta geração do CX-3, mas só na próxima geração. A Mazda incrementou a qualidade do interior, mas continuam alguns plásticos continuam a ser pobres, muito por culpa da filosofia Skyactiv. Eu explico. Com um chassis tão composto, rígido e com pouco NHV (Barulho, Aspereza e Vibrações), a Mazda não sentiu necessidade de investir na qualidade percecionada. Um erro que foi mitigado, mas que só será corrigido na próxima geração. Por outro lado, é necessário manter os preços acessíveis – a imagem de marca da Mazda não é, vá lá saber-se- porquê, igual à de outros construtores – e isso só é possível com algumas concessões. Uma delas reside nos plásticos que, em algumas zonas, apesar da melhoria, são fracos. No banco traseiro, o apoio de braços passa a ter dois porta copos e não um espaço de arrumação. A arrumação da consola central modificou a ergonomia, para melhor, mas tudo o resto ficou praticamente na mesma com mais umas zonas almofadadas nos apoios de braços. O espelho retrovisor interior é novo com sistema anti encadeamento, os aros em volta dos orifícios da climatização podem ser coloridos, com o sistema MZD Connect, há Apple CarPlay e Android Auto e pouco mais.

Equipamento

Pontuação 6/10  

Com vários níveis de equipamento, o CX-3 disponibilizado, oferecia um nível com um recheio assinalável. Os opcionais não são muitos, destacando-se o Pacote High Safety (HS) que por 1.100 euros oferece sensores de estacionamento traseiros (e que falta fazem dada a forma da carroçaria), avisador de transposição involuntária de faixa, sensore de luz e chuva e vidros traseiros escurecidos. O pacote High Technology (HT) custa 1.565 euros e disponibiliza monitorização do ângulo morto, travagem de emergência autónoma, Cruise Control com radar, monitorização da fadiga do condutor e luzes LED adaptativas. O pacote Navi oferece o sistema de navegação (400 euros), o pacote Leather forra os estofos com pele, o banco do condutor tem regulação elétrica com memória no banco do condutor e sistema de som Bose (2.100 euros). De série, este Mazda CX-3 oferece portas USB e AUX, tomadas de isqueiro, ar condicionado, vidros elétricos, espelhos exteriores elétricos e rebatíveis, jantes de liga leve, sensores de estacionamento traseiro e travão de mão elétrico.

Consumos

Pontuação 8/10

A Mazda reclama um consumo de 5,2 l/100 km com emissões de 157 gr/km de CO2, já debaixo do protocolo WLTP. E a verdade é que o motor Skyactiv-D é, realmente económico. Nunca o consumo subiu acima dos 7 litros e a média final ficou nuns fantásticos 5,4 l/100 km, muito perto daquilo que a Mazda reclama.

Ao volante

Pontuação 9/10

A equipa que preparou a renovação do CX-3 escutou as críticas sobre o comportamento do SUV e por isso introduziram algumas alterações nas suspensões, no chassis para o tornar mais rígido e na direção assistida. Tudo isto, dizia a Mazda, mais barras estabilizadoras modificadas e novas molas e amortecedores, melhoraram o comportamento e o conforto. Novos pneus e materiais diferenciados que foram usados em algumas zonas do carro, permitem que o conforto acústico seja maior, o que junto com o motor mais silencioso, permite uma agradável experiência de condução. As alterações no chassis e nas suspensões, juntam-se ao sistema de vectorização de binário GVC otimizado. Os novos molas e amortecedores e a barra estabilizadora dianteira com menor diâmetro, melhoram o comportamento. Isso é percetível na entrada em curva, com os novos pneus a manterem a aderência do eixo dianteiro (que cede apenas se abusarmos em demasia). Já as alterações à direção pouco fizeram por ela, pois continua a faltar sensibilidade, apesar do peso correto. O CX-3 aceita as transferências de massas sem grandes queixumes ou inclinação da carroçaria. Aliás, os movimentos da carroçaria estão bem controlados, mas se abusarmos da velocidade, o CX-3 mexe-se. Nada de preocupante ou grave e curvar com este Mazda acaba por ser simples. O conforto não melhorou de forma abismal, mas a verdade é que absorve bem buracos e lombas sem perturbar de forma ostensiva o equilíbrio do carro. Mas, como sucede com a maioria dos SUV, o Mazda CX-3 não é um carro que ofereça um prazer de condução por aí além. É eficaz, seguro e fácil. O que já é muito bom!

Concorrentes

Citroen C3 Aircross 1.5 BlueHDI 100 1560 c.c. turbodiesel; 120 CV; 300 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 183 km/h; 4,1 l/100 km, 107 gr/km de CO2; 20.956 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

Kia Stonic 1.6 CRDi TX 1582 c.c. turbodiesel; 110 CV; 260 Nm; 0-100 km/h em 11,3 seg,; 175 km/h; 4,2 l/100 km, 109 gr/km de CO2; 22.860 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

Seat Arona 1598 c.c. turbodiesel; 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 10,1 seg,; 185 km/h; 4,1 l/100 km, 107 gr/km de CO2; 27.690 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 8/10

O motor 1.8 Skyactiv-D tem pistões em forma de ovo, injetores revistos e combustão multi-estágios, o que permite uma enorme economia de combustível. A elevada cilindrada permite isso mesmo, perseguindo os engenheiros da Mazda a eficácia no consumo de combustível em detrimento das performances. Por isso o motor debita apenas 115 CV e 270 Nm de binário. Mesmo assim, o baixo peso do CX-3 permite uma aceleração 0-100 km/h de 9,9 segundos. A velocidade máxima é modesta, mas a agradabilidade do motor é enorme. É um bloco suave que rima de forma perfeita com a caixa manual de seis velocidades, mas sobretudo, é económico e casa de forma excelente com o CX-3.

Balanço final

Pontuação 8/10

O CX-3 sempre foi um dos meus SUV favoritos, não só por ser bonito, acolhedor e simpático na condução. As mudanças promovidas pela Mazda tornaram-no melhor. Não é um SUV com aspirações desportivas, tem uma visibilidade curta devido á forma sensual da carroçaria, o bloco turbodiesel prefere tranquilidade, devolvendo economia de combustível assinalável. Não é o melhor carro do segmento, mas é dos melhores e merecia ter mais atenção de quem procura um SUV compacto.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, turbo diesel com injeção direta e intercooler

Cilindrada (cm3): 1759

Diâmetro x Curso (mm): 79 x 89,7

Taxa de Compressão: 14,8

Potência máxima (CV/rpm): 115/4000

Binário máximo (Nm/rpm): 270/1600 – 2600

Transmissão: dianteira, caixa de 6 velocidades manual

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Tipo McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 9,9

Velocidade máxima (km/h): 184

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km):4,1/4,8/4,4

Emissões CO2 (gr/km): 114

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4275/1765/1535

Distância entre eixos (mm): 2570

Largura de vias (fr/tr mm): 1523/1521

Peso (kg): 1243

Capacidade da bagageira (l): 350/1260

Deposito de combustível (l): 48 Pneus (fr/tr): 215/50 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 28547€
Preço da versão base (Euros): 27032€