Volkswagen T-ROC 1.0 TSI – Ensaio Teste

By on 27 Março, 2019

Volkswagen T-Roc 1.0 TSI

Texto: José Manuel Costa

O melhor do segmento?

A Volkswagen tinha como grande ambição, ter o melhor carro do segmento com o T-Roc. E a verdade é que em 2019, o T-Roc está com excelente ritmo de vendas (em 2018 vendeu 140 927 unidades) e em fevereiro foi mesmo o modelo que mais quota de mercado obteve, todos os segmentos misturados. Um excelente sinal que nos leva a tentar perceber porque razão o carro feito em Portugal, na Autoeuropa tem esta capacidade. E o ensaio é feito à versão com o motor 1.0 TSi de 115 CV.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Estilo / Personalização / Comportamento

 

 

Menos:

Insonorização / Alguns materiais / Versatilidade

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

O T-Roc precisa de ser situado, pois é um carro complicado de justificar. Na essência é um Audi Q2 pensado para ser do tamanho do Golf, mas que fique abaixo do Tiguan, porém, acima do próximo T-Cross, o rival do Seat Arona. Ou seja, é uma espécie de Golf com melhor aspeto, mas mais acessível que o Tiguan. Confuso?

Ainda a procissão vai no adro… um SUV ou um crossover seduz pelo espaço, pela melhor acessibilidade e um aspeto mais robusto e aventureiro. Ora, o T-Roc não tem nada disso. Lá está, é uma alternativa SUV ao Golf. Ao T-Roc falta versatilidade e funcionalidade, não tem grande capacidade para andar com barcos e reboques e não é mega espaçoso. Bolas então para que serve este SUV?

Serve para quem tem bom gosto, deseja qualidade e quer ser visto num crossover e não ao volante de mais um Golf dos muitos que já circulam entre nós. Quer ser reconhecido como aventureiro que tem um carro com bom aspeto, com uma posição de condução dominante e lhe confere status, que deseja passar nas zonas de areia de acesso ás praia algarvias, os estradões de terra que levam ao turismo de habitação ou o caminho que o separa da estrada de uma encosta sobre o mar. E chega!

Curiosamente, o T-Roc não tem nada a ver com o Golf em termos de formas e desenho, surgindo muito mais arrojado e com proporções interessantes. Largo, musculado, tem as rodas nos quatro cantos da carroçaria e detalhes de estilo que deixam qualquer um embeiçado.

Vejam as cavas das rodas muito musculadas, a parte inferior da carroçaria bem vincada e depois, a dupla linha de cintura que exigiu muito trabalho de moldagem da chapa, unindo a frente mergulhante com a traseira vertical.

Para oferecer a possibilidade da pintura em duas cores, o T-Roc tem um friso cromado que vai da base do pilar A até ao pilar D, passando por cima das arredondadas portas. Deixa a possibilidade de mudar as cores do Pilar D e conferir ao tejadilho um aspeto flutuante com cor diferente do carro. Bem feito e agradável à vista. Enfim, o T-Roc é um carro giro.

Interior

Pontuação 7/10

Muito diferente é o interior. A Volkswagen tem uma reputação a defender e com o T-Roc coloca em risco essa imagem pois foi por ali que tentou poupar alguma coisa, distraindo o utilizador com um painel personalizável onde as cores garridas fazem perder o foco no resto do habitáculo.

A posição de condução elevada é muito boa e graças ao posicionamento dos bancos, o T-Roc parece oferecer mais espaço do que na realidade possui. Mais curto que um Golf e com a distância entre eixos menor, alberga quatro pessoas sem dificuldade, fazendo a vida miserável a um quinto elemento. Há espaço em altura e em largura, mas o banco do meio está sobrelevado devido ao túnel de transmissão, reduzindo o espaço para a cabeça e devido ao rebatimento 60/40, o banco é mais estreito.

Funcionalidade não é palavra forte no T-Roc, pois os bancos não se mexem em calhas, não há muitos espaços de arrumação (há uma gaveta debaixo do banco do condutor o que é uma tradição VW), porta luvas escondidos ou redes para guardar papeis ou revistas. Porém, a bagageira com 445 litros tem fundo falso e há uma escotilha para colocar objetos mais compridos.

Quando olhamos para os plásticos e verificamos que está longe, muito longe do Golf e mais próximo daquilo que fazem outras marcas com menores responsabilidades, não pude deixar de sorrir. Será que a Volkswagen anda a poupar assim tanto que já não tem plásticos de qualidade? Distrai-se o utilizador com a cor e a personalização para ver se ele não dá pelos plásticos de inferior qualidade que servem o interior.

Equipamento

Pontuação 6/10  

O nível Style do T-Roc oferece vário equipamento de série como as a jantes de liga leve de 16 polegadas, barras de tejadilho, cruise control adaptativo, faróis de nevoeiro, ecrã de 8 polegadas situado mesmo no meio do tabliê, igual ao usado no Golf e em outros modelos da VW. Pode ter uma série de funções, incluindo sistema de navegação residente ou através do Apple CarPlay e do Android Auto. Há muitas aplicações para usar e no fundo existe para dar alguma classe ao interior (o vidro que cobre o ecrã e os comandos é fantástico) e oferecer a conectividade que hoje todos desejam. Depois é deitar mão á lista de opcionais e comprar o carregador de indução para o smartphone ou até um sistema de som da Beats Audio. As possibilidades são imensas. Basta clicar aqui para configurar o seu T-Roc com as milhares de opções existentes. Entre elas está o Active Info, a versão da VW do “Audi Virtual Cockpit” e que também é opcional. Porém, é um item que merece ser ponderado pois possui várias configurações e confere um aspeto distinto ao interior do T-Roc.

Consumos

Pontuação 7/10

Os consumos do bloco 1.0 TSI da Vokswagen são surpreendentes, pela positiva. Num ensaio longo com muitos quilómetros, o T-Roc portou-se sempre à altura e no final, uma média de 6,9 l/100 km justifica-se pelo andamento em auto estrada. Com algum cuidado na condução, foi possível fazer muitos quilómetros abaixo dos seis litros, pelo que tenho de dar pontuação muito positiva ao T-Roc neste aspeto.

Ao volante

Pontuação 7/10

Colocado em andamento, o T-Roc equipado com este motor 1.0 TSI com 115 CV mostra-se vivaço com a caixa de seis velocidades a rimar de forma perfeita com o motor cuja sonoridade, apesar de ser um três cilindros, oferece uma sensação de modelo desportivo. Certa é a qualidade do trabalho feito pelos homens da VW no chassis e no comportamento do T-Roc. Ao volante esquecemo-nos que este é um crossover, tal a qualidade do comportamento e da direção deste VW. As rodas dianteiras respondem de forma perfeita àquilo que transmitimos ao volante e a suspensão tem a dureza necessária para evitar movimentos desnecessários da carroçaria, sem comprometer decisivamente o conforto. Nem as jantes de 17 polegadas perturbam este equilíbrio que se mantem quando decidimos atacar uma estrada mais sinuosa e com pior piso. O T-Roc mantem-se imperturbável.

Crítica tem de ser feita ao menor isolamento que deixa chegar até o interior o ruído de rolamento e aerodinâmico, sobretudo oriundo dos espalhos exteriores de generosas dimensões.

Concorrentes

Audi Q2 1.0 TFSI 116

999 c.c. turbo a gasolina; 116 CV; 200 Nm; 0-100 km/h em 10,1 seg,; 197 km/h; 5,1 l/100 km, 117 gr/km de CO2; 164.050

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Fiat 500X 1.4 Multiair 140

1368 c.c. turbo a gasolina; 140 CV; 230 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 190 km/h; 6,0 l/100 km, 139 gr/km de CO2; nd

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Toyota C-HR 1.2 Turbo

1197 c.c. turbo a gasolina; 116 CV; 185 Nm; 0-100 km/h em 10,9 seg,; 190 km/h; 5,9 l/100 km, 135 gr/km de CO2; 164.050

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10

O motor a gasolina com três cilindros da Volkswagen é uma excelente unidade, que apesar de não esconder o facto de não ter quatro pistões a andar para cima e para baixo, tem uma sonoridade agradável consegue oferecer uma boa dinâmica ao T-Roc e nunca sentimos o carro em défice de força. Não tem capacidades para oferecer ao modelo fabricado em Palmela uma grande capacidade de reboque ou ser especialmente veloz quando carregado, mas é suficiente.

Balanço final

Pontuação 7/10

O T-Roc quando falamos de espaço interior, qualidade de alguns materiais ou até de versatilidade, não figura entre os melhores do segmento. Se a conversa visar o comportamento, salta para o lado dos melhores e no que toca ao estilo, marca muitos pontos. O T-Roc é um carro com muito estilo, mas que se formos mais além, acaba por ser uma versão menos conseguida do Golf. Porque lhe falta o refinamento do segundo, a qualidade percecionada e até o espaço. Ou seja, se não for um adepto ferrenho dos SUV, espere pelo novo Golf, acabará melhor servido. Se adora os SUV, então o T-Roc é um carro a considerar.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 999

Diâmetro x Curso (mm): 74,5 x 76,4

Taxa de Compressão: 10,5

Potência máxima (CV/rpm): 115/5000 – 5500

Binário máximo (Nm/rpm): 200/2000 – 3500

Transmissão: tração dianteira, caixa manual de 6 vel.

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson; eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,1

Velocidade máxima (km/h): 187

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,5/6,1/5,1 (consumo real medido 6,9 l/100 km)

Emissões CO2 (gr/km): 117

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4234/1819/1573

Distância entre eixos (mm): 2590

Largura de vias (fr/tr mm): 1538/1533

Peso (kg): 1270

Capacidade da bagageira (l): 445/1280

Deposito de combustível (l): 50

Pneus (fr/tr): 205/55 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 26616€
Preço da versão base (Euros): 26616€