DS 7 Crossback 1.5 BlueHDi EAT8 – Ensaio Teste

By on 4 Outubro, 2019

DS 7 Crossback 1.5 BlueHDi EAT8 Performance Line

Texto: Francisco Cruz

Gigante de alma grande

Modelo de topo na gama da francesa DS, o DS 7 recorre a uma imagem aspiracionalmente estatutária, assim como como um ambiente a bordo luxuoso e diferenciador, para se destacar entre concorrência generalista, mas também quando ao lado dos premium. Sendo que, para tal, apenas necessita de um pequeno turbodiesel de alma grande, como é o caso do já actualizado 1.5 BlueHDI de 130cv, para o conseguir!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Conforto; Habitabilidade; Motor/Caixa de velocidades

 

 

 

Menos:

Patilhas da caixa de velocidades; Visibilidade traseira; Câmara traseira de pouca definição

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Especialmente quando comparado com as restantes propostas da marca de Paris, é, sem dúvida e apesar do aspecto volumoso, o tamanho certo e mais equilibrado. Desde logo, por ser aquele em que as linhas avant-garde e sofisticadas, também elas responsáveis pela afirmação desta (ainda) jovem marca, melhor se expressam. E, ainda mais, quando apuradas com a inclusão do mais desportivo pacote Performance Line!

A confirmá-lo, num corpo geneticamente robusto e impactante, a inclusão das “radicais” jantes em liga leve Beijing de 19″ e dos vidros traseiros escurecidos, dois elementos a que, no caso da “nossa” unidade, se juntava ainda o apaixonante sistema DS Active LED Vision – deslumbrante não apenas no “bailado” de luz que protagoniza ao ligar, mas principalmente pela excelente iluminação que garante à noite. Infelizmente, proposto aqui como opcional e, por isso, a acrescentar mais 1 300€ ao preço final.

E se, no topo de tudo o resto, ainda juntarmos a bonita cor exterior Vermelho Absolute Nacarado, por 800€…

 

Interior

Pontuação: 9/10

Assumidamente diferente na imagem exterior, o DS7 faz por estender essa mesma personalidade muito própria, ao interior do habitáculo. Marcado não apenas por design diferente de tudo o resto que existe, mas também e no caso específico deste navio-almirante da marca francesa, com uma ergonomia e intuitividade muito mais convincentes que, por exemplo, nas propostas mais acessíveis da DS.

A juntar à imagem aspiracionalmente estatutária, uma óptima qualidade de construção e, principalmente, de materiais, claramente de topo, com a faceta tecnológica transmitida, quer pelo enorme painel de instrumentos 100% digital e configurável, quer pelo igualmente generoso ecrã táctil do sistema de infoentretenimento destacado do tablier e com botões tácteis – críticas, só mesmo para o botão rotativo do som, pouco preciso e funcional… -, a contribuírem para uma elogiável sensação de luxo a bordo.

De resto e igualmente em plano muito elevado, o conforto. A começar pelo lugar do condutor – concebido à imagem de um verdadeiro SUV, ou seja, um pouco alto que o tradicional, tem depois um fantástico banco em couro a que só falta mais apoio lateral, além de um volante de óptima pega e multiregulável. Ambos a garantirem que a mais pequena viagem pode ser um momento de prazer, ajudados igualmente pelo bem definido apoio de pé esquerdo, pelo correcto posicionamento da generalidade dos comandos e botões, e até mesmo pelos vários e bons espaços de arrumação…

Mas se o condutor é presenteado com muito conforto e estatuto, os restantes ocupantes não ficam muito atrás, já que o DS 7 oferece uma excelente habitabilidade, mesmo para cinco adultos. Ainda que, no banco de trás, com o lugar do meio a não garantir o mesmo conforto dos restantes, devido a um assento e costas demasiado duros…

Melhor, no caso concreto destes bancos, a forma como rebatem horizontalmente as costas 60/40, mediante o accionar das trancas no topo ou nas laterais da bagageira. Garantindo dessa forma um aumento da capacidade inicial da bagageira, fixada nuns bons 555 litros, para uns ainda mais impressionantes 1.752 litros. Tudo isto, tendo por base um piso amovível que, quando colocado no patamar mais alto, não só fica ao nível das costas, como ainda beneficia de um acesso amplo através de um portão de accionamento elétrico, além de oferecer um alçapão a toda a dimensão do espaço – o pneu sobressalente fica um piso abaixo. Assim como toda uma série de soluções de funcionalidade, como os ganchos porta-sacos, a tomada de 12V ou os dois pontos de luz…

Equipamento

Pontuação: 8/10

Proposta topo-de-gama na oferta da ainda jovem marca parisiense, o DS 7 não deixa de beneficiar, e muito, com a opção pelo nível de equipamento Performance Line. Desde logo, porque acrescenta à versão base, entre outros elementos, a câmara de visão traseira com ajuda ao estacionamento traseiro e dianteiro, o já referido ecrã digital no painel de instrumentos de 12,3″, barras de tejadilho em alumínio ou a roda de socorro temporária.

Ainda assim, importa referir que, de fora, continuam a ficar alguns equipamentos importantes. Acessíveis, apenas e por exemplo, com a inclusão de dois packs opcionais: Performance Line (1.100€), o qual engloba a DS Active LED Vision, a tecnologia de conforto DS Sensorial Drive, a iluminação interior PolyAmbient em LED, o pacote do Bluetooth, Mirror Screen, 8 altifalantes, navegação conectada 3D e controlo por voz, e ainda o relógio rotativo B.R.M R180; e o pack Confort Performance Line (1.100€), garantia da presença de sistemas de assistência à condução como a travagem de emergência automática, o reconhecimento de sinais de trânsito ou o alerta de veículos no ângulo morto – todos eles convincentes no desempenho.

Culpa da colagem às propostas premium? Também pode ser…

Consumos

Pontuação: 9/10

Convincente no desempenho, o 1.5 BlueHDi de 130 cv que equipava o “nosso” DS7 não deixou de manter a mesma toada, no que aos consumos diz respeito. Excedendo, é certo, os 5,2 l/100 km anunciados como média oficial para esta motorização, mas, ainda assim, a revelar-se bastante convincente!

Colocado à prova, durante vários dias, e com uma clara preferência, da nossa parte, pela utilização no modo Sport (do sistema de modos de condução faziam ainda parte o Eco e o Normal…), mesmo em cidade, o DS 7 Crossback 1.5 BlueHDi de 130 cv terminou este ensaio com uma média real de 7,1 l/100 km.

Não se pode dizer que seja um mau resultado, não, senhor…

Ao volante

Pontuação: 9/10

Referência no seio de uma marca que pretende competir directamente com os premium alemães, a verdade é que o DS7 acaba trilhando um caminho diferente destes, e não apenas na estética.

Colocado lado-a-lado com as propostas germânicas e nomeadamente quando equipado com o 1.5 BlueHDI de 130cv, o DS 7 revela sempre uma maior – e elogiável – preocupação com o conforto dos ocupantes, em resultado, também, da presença de uma suspensão traseira independente.

Contudo, desengane-se quem possa estar a pensar que este feito é conseguido à custa da eficácia dinâmica; pois, apesar do bom contacto com o alcatrão – a presença das desportivas jantes de 19″ com pneus 235/50 só se faz notar mais nas lombas ou num ou outro buraco mais fundo… -, o DS 7 mostra sempre uma assinalável compostura, sem oscilações excessivas da carroçaria, e com a direcção, precisa e com agradável feedback, a ajudar na colocação do conjunto em curva em estrada.

Ainda assim e para os condutores que preferem um carro (um pouco) mais visceral, a possibilidade de ativar o modo Sport, através do pequeno botão metalizado junto à manete da caixa. Forma de conseguir um pouco mais de genica na resposta do motor, assim como mais peso na direcção. Mas que, diga-se, dificilmente fará deste DS 7 um “animal de corridas”; quanto muito, um “puto espevitado”…

Concorrentes

Ford Kuga 1.5 TDCi Business, 120cv, 12,7s 0-100 km/h, 173 km/h, 4,4 l/100 km, 163 g/km CO2, 37 130€

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Hyundai Tucson 1.6 CRDi DCT Executive, 136cv, 11,8s 0-100 km/h, 180 km/h, 4,8 l/100 km, 126 g/km CO2, 36 155€

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Jeep Compass 1.6 Multijet II 4×2 Limited, 120cv, 11,0s 0-100 km/h, 185 km/h, 4,4 l/100 km, 117 g/km CO2, 37 000€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Nissan Qashqai 1.6 dCi XTronic Tekna, 130cv, 11,1s 0-100 km/h, 183 km/h, 4,7 l/100 km, 122 g/km CO2, 38 650€

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Peugeot  3008 1.5 BlueHDi EAT8 Allure, 130cv, 10,0s 0-100 km/h, 192 km/h, 4,2 l/100 km, 142 g/km CO2, 36 832€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

SEAT Ateca 1.6 TDI DSG Style, 115cv, 11,5s 0-100 km/h, 184 km/h, 4,5 l/100 km, 128 g/km CO2, 36 597€

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Motor

Pontuação: 9/10

Disponível entre nós com outros quatro cilindros, a gasolina e gasóleo, mais potentes e ambiciosos, o “nosso” DS 7 utilizava, contudo, um mais pequeno 1.5 BlueHDi a debitar 130 cv de potência e 300 Nm de binário. Ainda que ajudado por uma inquestionável no desempenho transmissão automática de dupla embraiagem Aisin com oito velocidades – e a verdade é que este conjunto surpreendeu-nos pela positiva!

Apesar das dimensões generosas do conjunto, com um peso ligeiramente acima da tonelada e meia, este 1.5 BlueHDi acabou demonstrando bastante mais alma do que as suas dimensões poderiam, à partida, fazer prever. Aproveitando igualmente a já bem mais previsível excelente gestão feita pela caixa EAT8 – a qual, diga-se, tanto agrada no modo 100% automático, como recorrendo às bem menos convincentes – na utilização, bem entendido… – patilhas na coluna de direcção, curtas e de toque mais fictício…

Evidenciando uma boa resposta tanto nos regimes de entrada, como médios, além de muito linear na subida de regime, este turbodiesel cumpre na perfeição as exigências de uma utilização de todos dos dias, não lhe faltando sequer resposta pronta num ou outro momento em que decidimos puxar um pouco mais pela mecânica. E sempre, diga-se, com uma sonoridade agradável, além de pouco perceptível quando decidimos “isolar-nos” do mundo exterior…

Balanço final

Pontuação: 9/10

Numa perseguição cerrada às propostas premium alemãs, o DS 7 Crossback 1.5 BlueHDi 130 EAT8 Performance Line acaba vingando, mas por qualidades bem distintas das ostentadas pelos primeiros. A começar numa estética e interior verdadeiramente marcantes e aspiracionalmente estatutários, a que junta depois válidas ambições familiares. E que, até mesmo com uma motorização “pequena” mas de grande alma, facilmente demonstram que este SUV francês está, efectivamente, no bom caminho…

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha a gasóleo, injecção directa, turbo de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.499

Diâmetro x curso (mm): 75 x 84,8

Taxa compressão: 16.5 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 130/3.750

Binário máximo (Nm/rpm): 300/1.750

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com barra estabilizadora; Multilink com barra estabilizadora

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 10,7

Velocidade máxima (km/h): 195

Consumos Baixa Velocidade/Velocidade Média/Velocidade Alta/Velocidade Extrema/Combinado WLTP (l/100 km): 5,8/4,9/4,5/5,7/5,2

Emissões de CO2 WLTP (g/km): 100

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,570/1,895/1,620

Distância entre eixos (mm): 2,738

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.621/1.600

Peso (kg): 1.503

Capacidade da bagageira (l): 555/1.752

Depósito de combustível (l): 55

Pneus (fr/tr): 205/55 R19 / 205/55 R19

Preço da versão ensaiada com campanha (Euros): 54 238,10€

Preço da versão base (Euros): 47 050,00€

Preço da versão ensaiada (Euros): 54238€
Preço da versão base (Euros): 47050€