Ford Focus 1.0 Ecoboost 125 Titanium – Ensaio Teste

By on 5 Fevereiro, 2019

Ford Focus 1.0 Ecoboost 125 Titanium

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Gasolina melhor que diesel?

Já lhe contei tudo sobre o novo Focus e até já ensaiei a versão diesel do novo modelo. Também já lhe disse que o Focus é uma espécie de Némesis do Volkswagen Golf, pese embora nas vendas isso não se repercuta com o Golf a vender quase meio milhão de unidades no Velho Continente ao passo que o Focus tem dificuldade em chegar às 200 mil unidades. Por isso mesmo há um novo Focus, onde a Ford atirou para o caixote do lixo a globalização da gama Focus e recentrou o foco onde o carro sempre foi imbatível. Arrepiou caminho (o insucesso do Focus nos EUA ajudou) e fez um Focus dedicado apenas aos europeus. Um carro totalmente novo com uma nova plataforma, suspensões e definições de afinação que trazem de volta o prazer de condução, melhor proteção em caso de acidente, enfim, a casa da oval azul trouxe de volta o Focus. Agora, gasolina ou diesel? Leia o resto do ensaio que ficará a saber a minha opinião.

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Mais:

Comportamento / Motor / Habitabilidade

 

 

Menos:

Pequenos detalhes / Estilo discreto

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Aqui o discurso é igual ao que tive aquando do ensaio do Focus a gasóleo. Ou seja, o estilo mantém ligação com o passado, mas de uma forma mais elegante, exibindo o modelo um capô longo e um pilar C mais robusto. Claro que ao ter uma distância entre eixos maior, devido à nova plataforma, permite alongar o carro. As formas da carroçaria são mais ondulantes, a frente nervurada com uma grelha redesenhada e faróis rasgados com novo desenho. Ser na versão ST-Line o Focus ganha alguma agressividade, nesta variante mais familiar, digamos assim, o Ford perde algum impacto e acaba por ser demasiado discreto. Tudo o resto é igual, ou seja, o trabalho feito na aerodinâmica do carro permite que não hajam ruídos aerodinâmicos sensíveis, com um coeficiente de arrasto de 0.27. A qualidade de construção é excelente, com as folgas simétricas e mínimas. E o Focus continua a ter os famosos e muito práticos protetores de porta que já conhecem. Mas que são uma bela ideia, mesmo que sejam barulhentos.

Pontuação 8/10

Interior

Também aqui não há novidades, pois o habitáculo é semelhante ao do Focus a gasóleo. Os interiores dos novos modelos da Ford estão bem mais agradáveis e saltaram de um habitáculo carregadinho de botões e com um ecrã do tempo dos afonsinhos, para um maior minimalismo, bem desenhado onde se destaca um generoso ecrã flutuante a encimar a consola central, onde o sistema Sync da Ford mostra-se com um grafismo muito agradável. Podia ser mais rápido, mas é um problema de processador que a Ford rapidamente conseguirá solucionar.

Houve ganhos evidentes na habitabilidade e, ergonomicamente, a Ford fez um excelente trabalho. A qualidade percecionada subiu, bastante, pois todas as zonas mais importantes do tabliê estão forradas com materiais suaves ao tato. O detalhe foi acautelado, com as bolsas das portas com os fundos forrados a alcatifa, por exemplo.

Passando a utilizar um travão de mão elétrico, a consola central ganhou espaço e há porta copos reguláveis, além de um apoio de braços que contém uma caixa de arrumação, sendo disponibilizado, dependendo da versão, um carregador de telefone por indução.

Os muitos botões desapareceram, mas não na totalidade. Ou seja, ainda há controlos físicos para o sistema de info entretenimento e para o sistema de climatização, todos belissimamente integrados no conjunto do interior. Vários dos sistemas de ajuda à condução também possuem botões que permitem desliga-los.

Os bancos dianteiros não têm regulação lombar e a almofada do assento é um nadinha fina, mas o conjunto é confortável e a posição de condução ótima, mesmo que o volante esteja um pouco baixo. E ao contrário dos bancos da versão ST-Line, estes são menos envolventes e com menor apoio lombar.

Quanto ao espaço disponível, com o aumento da distância entre eixos, o Focus passa a ser dos melhores do segmento. O fundo alisado, o redesenhar da consola central e dos bancos dianteiros, permite que haja muito espaço para a arrumar as pernas e permitir levar um quinto elemento sem grande sacrifício. A bagageira oferece 375 litros que chega aos 1354 litros com o rebatimento dos bancos.

Pontuação 8/10

Equipamento

A versão Titanium deste Focus oferece um equipamento de série muito interessante e completo. No exterior, destaque para as jantes de 16 polegadas, espelhos elétricos e rebatíveis, luzes dianteiras e traseiras LED. No interior, o Focus Titanium oferece ar condicionado automático, computador de bordo, luzes ambiente LED, botão FordPower para arranque sem chave, suporte lombar e regulação em altura do banco do passageiro, sistema de navegação com rádio, ecrã tátil de 8 polegadas a cores, applink, Andoirid Auto, Apple CarPlay e seis colunas, agrupados no Ford Sync3, volante e alavanca da caixa forrados a pele, sensor de luz e chuva e retrovisor interior electrocromático. Olhando para as características de segurança, para lá dos corriqueiros ABS e ESP, o Focus 1.0 Ecoboost 125 Titanium oferece, de série, quase uma dezena de airbags, cruise control adaptativo, sensores de estacionamento á frente e atrás, assistência à pré-colisão (travagem autónoma de emergência e deteção de peões e ciclistas), travagem ativa pós colisão, modos de condução e assistência à manutenção na faixa de rodagem.

A partir daqui, vamos aos opcionais e para a versão que ensaiei, estavam disponíveis o carregador sem fios (152 euros), tejadilho e capas dos espelhos exteriores pintados de cinzento (102 euros), pintura metalizada (305 euros), sistema de navegação Premium com som Bang&Olufson Play (305 euros) e “Head Up Display” (407 euros).

Quanto aos pacotes de equipamento o Focus que testei era uma verdadeira montra daquilo que a Ford disponibiliza. O pacote interior Titanium (152 euros) oferece detalhes em cinzento no volante, na alavanca da caixa, no interior, nos tapetes Premium á frente e atrás. Depois temos o Pacote Estilo (915 euros), que integra jantes de liga leve de 17 polegadas, vidros escurecidos e faróis LED. O Pacote Driver (407 euros) destaca sistema de estacionamento automático, câmara de visão traseira e proteção das portas. Já o Pacote Parcial Couro (762 euros) oferece os bancos parcialmente forrados a couro, o aquecimento dos bancos dianteiros e a regulação elétrica do banco do condutor. Finalmente, o Pacote Driver Plus (407 euros) oferece o sistema de reconhecimento de sinais, máximos automáticos, deteção de obstáculos e controlo automático da velocidade adaptativo.

Pontuação 7/10

Consumos

O motor Ecoboost nunca foi um pisco no que toca aos consumos, mas tanta genica não se alimenta com migalhas. Mas a Ford tem vindo a trabalhar o seu tricilindrico e se é verdade que os 4,9 l/100 km anunciados são uma perfeita utopia, os 7,0 l/100 km registados no cômputo deste ensaio são interessantes e aceitáveis para um motor que tanto oferece em termos de desempenho. Em cidade terá de ter algum cuidado para não exagerar e só mesmo quando atiramos o Focus para uma estrada sinuosa e queremos tirar tudo dele é que os consumos se encostam aos dois dígitos. Mas conduzido de forma respeitosa e, sobretudo, atenta, permitirá que a média baixe dos sete litros registados no final do ensaio.

Pontuação 6/10

Ao volante

O Focos com motor a gasolina não tem eixo traseiro multibraços, mas sim um eixo de torção. Porém, não fique preocupado pois o comportamento, refinamento e conforto do Focus são irrepreensíveis. Tal como sucede no Focus diesel, a suspensão dá a ideia que é algo suave, nomeadamente nas curvas mais lentas, mas a verdade é que em conjunto com um chassis bem travado e rígido, o Focus curva de forma admirável. A direção assistida não tem sensibilidade quase nenhuma, mas responde rapidamente aos nossos desejos e consegue desenhar a trajetória escolhido sem grandes problemas. Claro que o eixo traseiro, aliviado de carga, ajuda com um ligeiro escorregar e se a estrada for daquelas ritmadas, vamos aumentando a velocidade a cada curva sem sentirmos a necessidade de levantar o pé.

O conforto é muito bom e o refinamento também, exceção feita a umas vibrações de baixa intensidade que se sentem no banco e que no carro com motor a gasóleo não senti. Nada de preocupante ou de demasiado incomodativo, mas essa vibraçãozinha está lá. Enfim, o Focus continua rei e senhor no que toca ao comportamento e se os 120 CV do bloco diesel não desafiavam o chassis, os 125 CV do bloco Ecoboost também não o incomodam.

Pontuação 9/10

Concorrentes

VW Golf 1.0 TSI

999 c.c.; 110 CV; 200 Nm; 0-100 km/h em 9,9 seg,; 196 km/h; 4,8 l/100 km, 109 gr/km de CO2; 25.874€

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Opel Astra 1.4 Turbo

1399 c.c.; 125 CV; 230 Nm; 0-100 km/h em 9,5 seg,; 205 km/h; 5,1 l/100 km, 117 gr/km de CO2; 25.999€

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Peugeot 308 1.2 Puretech

1199 c.c.; 130 CV; 230 Nm; 0-100 km/h em 9,6 seg,; 207 km/h; 4,5 l/100 km, 104 gr/km de CO2; 25.870€

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Renault Megane 1.2 TCe 130

1198 c.c.; 130 CV; 205 Nm; 0-100 km/h em 10,6 seg,; 198 km/h; 5,3 l/100 km, 119 gr/km de CO2; 27.106€

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Motor

O bloco Ecoboost com três cilindros e um litro de cilindrada, continua a ser um motor que impressiona. Tem fôlego daqui até Almeida, tem um barulhinho muito simpático, embora seja aqui e ali atrasado por um turbo que demora a encher e muitas vezes não têm aquela aceleração vigorosa que precisamos, ou desejamos. Isso é particularmente sentido nas ultrapassagens. Nada de preocupante, apenas uma contatação.

A caixa manual de seis velocidades continua a ser uma das mais agradáveis de utilizar, com engrenamento suave, mas firme.  O seletor da caixa é que podia ser melhor, tal como a alavanca podia ser um pouco maior e o curso um nadinha mais curto. Ainda assim, nota muito positiva para o bloco 1.0 Ecoboost.

Pontuação 6/10

Balanço final

Sinceramente? Gostei muito do Focus a gasolina e adorava ver o bloco 1.0 Ecoboost Turbo com um nível de acabamento ST Line. O carro impressiona pela qualidade, pelo bom desempenho do motor, pelo excelente comportamento e, também, pelo refinamento. Há muito espaço dentro do Focus e, para mim, continua a ser o melhor em termos de comportamento, estando agora mais giro, mais bem equipado e com qualidade superior e mais espaço interior. Está, perfeitamente, ao nível dos rivais e acima da maioria deles. Se procura um familiar, o Focus é uma excelente proposta que lhe vai custar 24.141 euros. Sim, leu bem, menos de 25 mil euros com todo o equipamento citado. Por isso, pelo comportamento e pelo motor a gasolina – sim acho que o Focus com motor a gasolina é mais divertido que o diesel – entendo que o Focus é um dos melhores carros do segmento.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros com injeção direta e turbo com intercooler

Cilindrada (cm3): 999

Diâmetro x Curso (mm): 71,9 x 82

Taxa de Compressão: 10,5

Potência máxima (CV/rpm): 125/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 170/1400 – 4500

Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,0

Velocidade máxima (km/h): 200

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,3/6,0/4,9

Emissões CO2 (gr/km): 112

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4378/1825/1454

Distância entre eixos (mm): 2700

Largura de vias (fr/tr mm): 1572/1553

Peso (kg): 1247

Capacidade da bagageira (l): 375 /1354

Deposito de combustível (l): 52

Pneus (fr/tr): 215/50 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 24141€
Preço da versão base (Euros): 24141€