Ford Focus 1.5 EcoBlue 120 – Ensaio Teste

By on 26 Dezembro, 2018

Ford Focus 1.5 EcoBlue 120 ST Line

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

A Némesis do VW Golf

O Focus sempre foi uma dor de cabeça para o Golf, não lhe dando hipóteses no que toca ao comportamento, até á última geração que não foi muito feliz apenas e só porque fazia parte da estratégia global da Ford. Carro global nunca rimou com carro europeu e o Focus suavizou-se, o prazer de condução diminuiu e a verdade é que o Focus perdeu o… foco. A Ford arrepiou caminho (o insucesso do Focus nos EUA ajudou) e fez um Focus dedicado aos europeus. E ainda melhor, fez um carro totalmente novo com uma nova plataforma, suspensões e definições de afinação que trazem de volta o prazer de condução. A marca da oval azul aumentou a proteção em caso de embate e conseguiu manter o peso do carro abaixo dos 1500 quilos. Enfim, a Ford trouxe de volta o Focus, mas foi mais além e, para mim, o novo modelo da Ford iguala o Golf sendo muito melhor em várias áreas. Que belo carro a casa da oval azul fez!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Comportamento / Refinamento / Habitabilidade

 

 

Menos:

Pequenos detalhes

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O estilo do Focus mantém ligação com o passado, mas de uma forma mais elegante, exibindo o modelo um capô longo e um pilar C mais robusto. Claro que ao ter uma distância entre eixos maior, devido à nova plataforma, permite alongar o carro. As formas da carroçaria são mais ondulantes, a frente nervurada com uma grelha redesenhada e faróis rasgados com novo desenho.  As entradas de ar e os nichos dos faróis de nevoeiro. As cavas das rodas continuam pronunciadas e nesta versão ST-Line, as jantes grandes preenchem bem as cavas e o aspeto desportivo do Focus fica reforçado. Também o trabalho feito na aerodinâmica do carro permite que não hajam ruídos aerodinâmicos sensíveis, com um coeficiente de arrasto de 0.27. A qualidade de construção é excelente, com as folgas simétricas e mínimas. E o Focus continua a ter os famosos e muito práticos protetores de porta. São uns pequenos “flaps” de plástico que saem do interior da porta para se colarem à porta evitando que a porta do Focus e a chapa do outro veículo, fiquem a salvo.

Pontuação 8/10

Interior

A Ford melhorou, muito, os interiores dos seus modelos e saltaram de um habitáculo com muitos botões e ecrãs pequenos, para um interior mais minimalista, bem desenhado com um generoso ecrã flutuante a encimar a consola central, onde o sistema Sync da Ford mostra-se com um grafismo muito agradável. Já o funcionamento… já lá vamos.

Puxando o tabliê mais para próximo da parede que divide o compartimento do motor do habitáculo, houve ganhos evidentes na habitabilidade. Ergonomicamente, a Ford fez um excelente trabalho e no que toca à qualidade percecionada, todos as zonas mais importantes do tabliê possuem plásticos suaves ao tato. O detalhe foi acautelado, com as bolsas das portas com os fundos forrados a alcatifa, mas ainda não conseguiram os homens da Ford reduzir o ruído dos “flaps” que protegem as portas do embate em outros carros no estacionamento. Mas, senhores da Ford, não acabem com eles!

Passando a utilizar um travão de mão elétrico, a consola central ganhou espaço e há porta copos reguláveis, além de um apoio de braços que contém uma caixa de arrumação, sendo disponibilizado, dependendo da versão, um carregador de telefone por indução.

Os muitos botões desapareceram, mas não na totalidade. Ou seja, ainda há controlos físicos para o sistema de info entretenimento e para o sistema de climatização, todos belissimamente integrados no conjunto do interior. Vários dos sistemas de ajuda à condução também possuem botões que permitem desliga-los.

Os bancos dianteiros não têm regulação lombar e a almofada do assento é um nadinha fina, mas o conjunto é confortável e a posição de condução ótima, mesmo que o volante esteja um nadinha baixo. Estes bancos da versão ST-Line oferecem um pouco mais de apoio lateral. Com a majorada distância entre eixos, o Focus passa a ser dos melhores do segmento no que toca ao espaço disponível, com a Ford a alisar o fundo do carro e a redesenhar a consola central, permitindo assim que o quinto elemento tenha mais espaço para os pés. A bagageira oferece 375 litros que chega aos 1354 litros com o rebatimento dos bancos.

Pontuação 8/10

Equipamento

O nível ST-Line é dos mais completos e por isso o equipamento é generoso. O Ford Sync surge aqui com oito polegadas e com Apple CarPlay e Android Auto. A ligação aos dois sistemas funciona de forma perfeita conforme comprovei com um Samsung Galaxy S9+. O grafismo do sistema é muito bonito e a organização lógica, mas o Sync precisa de novos processadores, pois há alguma lentidão na resposta, sobretudo, do sistema de navegação.

O carro possui muitos sistemas de ajuda à condução e também um cartão SIM que lhe permite estar conectado, faz de hotspot WiFi e permite-lhe fazer algumas buscas e, com a aplicação do smartphone, pode verificar várias coisas de forma remota: verificar o nível de combustível, verificar se o carro está fechado entre outras coisas.

Claro que os vidros elétricos, os vários airbags, espelhos de regulação elétrica e acesso e arranque mãos livres, fazem parte do equipamento de série. Também de série, o volante ST Line, sensores de estacionamento à frente e atrás, assistência à pré-colisão, travagem ativa pós colisão, assistência à manutenção na faixa de rodagem e jantes de liga leve de 17 polegadas.

Se quiser gastar algum dinheiro pode comprar jantes de liga leve de 18 polegadas (609 euros), teto panorâmico (1.118 euros), faróis LED (762 euros), câmara de visão traseira (254 euros), sistema de navegação e sistema de som B&O (305 euros), HeadUp Display (406 euros), carregador sem fios (152 euros) e uma série de pacotes de equipamento. O nosso carro de ensaio tinha, ainda, o carregador sem fios do telemóvel (152 euros), a pintura metalizada (635 euros) e o sistema de navegação Premium com o Bang&Olufsen Play por 305 euros, o “head up display” (407 euros), Pacote Conforto (ar condicionado automático e sensores de chuva e luz, por 381 euros), Pacote Interior ST-Line (spoiler traseiro, pinças de travão vermelhas, tapetes frente e atrás som ST-Line, por 508 euros), Pacote Estilo Plus ST-Line (jantes de liga leve de 18 polegadas, vidros escurecidos, Faróis LED adaptativos e anti encandeamento, por 1.423 euros), Pacote Driver (sistema de estacionamento automático, câmara de visão traseira e proteção das portas, por 407 euros), Pacote Parcial Couro ST-Line (estofos parcialmente em couro com pespontos vermelhos e regulação elétrica do banco do condutor e aquecimento dos bancos dianteiros, por 762 euros) e o Pacote Driver Plus (reconhecimento de sinais de trânsito, máximos automáticos, deteção de obstáculos e controlo automático de velocidade adaptativo, por 407 euros).

Pontuação 7/10

Consumos

A Ford anuncia valores de consumos baixos, com a média a ficar nos 3,6 l/100 km. Nunca o consegui, mas ainda assim, utilizando o Focus sem muita parcimónia ou cuidado para evitar fazer subir os consumos, a média final ficou nos 5,4 l/100 km, sendo certo que quando abusei do motor para extrair do chassis tudo aquilo que ele tem para dar, o computador de bordo devolveu-me cifras próximas dos dois dígitos.

Pontuação 7/10

Ao volante

O motor turbodiesel com 120 CV nunca consegue colocar em causa as qualidades do chassis do Focus. A direção é precisa, rápida e direta e responde de forma perfeita ás nossas ordens. O eixo dianteiro é preciso e desenha a trajetória sem grandes hesitações. Não é tão reativo como já foi o Focus, mas isso está ligado ao facto desta versão com motor 1.5 litros turbodiesel estar equipada com o eixo traseiro de torção, enquanto que os carros com os motores 1.5 a gasolina e 2.0 litros a gasóleo, utiliza outra suspensão traseira.

Com o acabamento ST-Line, o carro é rebaixado e a afinação do carro é diferente dos restantes modelos, tornando-o mais reativo mesmo com o eixo traseiro de torção. A verdade é que o carro curva de forma admirável e segura. E a firmeza de molas e amortecedores ajuda muito, sem que o conforto seja beliscado. E o que mais me impressionou foi a qualidade do amortecimento, com a carroçaria a não sofrer com as agruras de uma estrada menos cuidada ou com muitas lombas. Absolutamente fantástico explicando a razão pela qual a Ford não investiu em amortecedores pilotados.

Pontuação 9/10

Concorrentes

VW Golf 1.6 TDI

1598 c.c. (turbodiesel); 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 10,2 seg,; 198 km/h; 4,1 l/100 km, 106 gr/km de CO2; 30.256€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas a versões e motorizações AQUI)

 

Opel Astra 1.6 CDTi

1598 c.c. (turbodiesel); 110 CV; 300 Nm; 0-100 km/h em 11,0 seg,; 195 km/h; 3,5 l/100 km, 93 gr/km de CO2; 28.800€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas a versões e motorizações AQUI)

 

Peugeot 308

1499 c.c. (turbodiesel); 130 CV; 300 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 204 km/h; 3,5 l/100 km, 93 gr/km de CO2; 29.000€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas a versões e motorizações AQUI)

 

Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTD

1598 c.c. (turbodiesel); 120 CV; 320 Nm; 0-100 km/h em 10,0 seg,; 195 km/h; 3,8 l/100 km, 99 gr/km de CO2; 30.500€

(Conheça todas a versões e motorizações AQUI)

 

Motor

O motor 1.5 turbodiesel com 120 CV é generoso e rima bem com o Focus. Não é um bloco que coloque em causa as qualidades do chassis, longe disso, mas permite que ninguém se sinta envergonhado. Chega dos 0-100 km/h em 10 segundos e aproxima-se dos 200 km/h o que é mais que suficiente. Gostei da forma como sobe de rotação, embora a caixa não tenha o melhor escalonamento para que não existam tanto fossos entre mudanças. Não sendo demasiado guloso, este motor turbodiesel acaba por receber nota positiva.

Pontuação 6/10

Balanço final

Evidentemente que um carro não pode ser só avaliado pelo comportamento, pois se assim fosse, há muito que o Focus seria o melhor carro do segmento. Não era, mas andou sempre próximo e nesta, verdadeiramente, nova geração do Focus, a Ford esteve ao melhor nível, produzindo um carro brilhante. Claro que o Mercedes Classe A será o carro ideal para dar nas vistas na sua rua, mas garanto-lhe que se divertirá muito mais ao volante – mesmo sem conseguir falar com o Focus como fala com o Classe A – principalmente se escolher o acabamento ST-Line (com a suspensão desportiva). Para mim, o Ford Focus continua a ser o melhor em termos de comportamento, estando agora mais giro, mais bem equipado e com qualidade superior, mais espaço interior. Enfim, está um carro melhor e, para mim, perfeitamente ao nível dos melhores do segmento. Resta à Ford saber vender este Focus, mas isso já é outra conversa, particularmente em Portugal que, como todos sabem, é bem diferente de Espanha. Se está à procura de um familiar, vá experimentar um Focus. Verá que acabará surpreendido com a qualidade do novo modelo.

Pontuação 9/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros com injeção direta diesel e turbo com intercooler

Cilindrada (cm3): 1500

Diâmetro x Curso (mm): 75 x 84,8

Taxa de Compressão: 16,4

Potência máxima (CV/rpm): 120/3600

Binário máximo (Nm/rpm): 300/1750 – 2250

Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 10,0

Velocidade máxima (km/h): 196

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 3,4/4,0/3,6

Emissões CO2 (gr/km): 94

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4378/1825/1454

Distância entre eixos (mm): 2700

Largura de vias (fr/tr mm): 1572/1553

Peso (kg): 1288

Capacidade da bagageira (l): 375 /1354

Deposito de combustível (l): 47

Pneus (fr/tr): 235/40 R18

Preço da versão base (Euros): 24.655 (preço de campanha)

Preço da versão Ensaiada (Euros): 28.504 (preço de campanha com extras)

Preço da versão ensaiada (Euros): 28504€
Preço da versão base (Euros): 24655€