Mazda CX-3 4X4 Skyactiv-D 1.5 Excellence – Ensaio

By on 10 Agosto, 2017

Mazda CX-3 4X4 Skyactiv-D 1.5 Excellence

Texto: André Duarte ([email protected])

Apelo de bom gosto

Depois de chegar ao mercado em 2015, a Mazda apresentou este ano, no Salão de Genebra, o renovado Mazda CX-3 Geração 2017. Um modelo que pretende continuar a marcar posição no competitivo segmento B-SUV. Para percebermos tudo o que ele tem para oferecer, fizemo-nos à estrada com a versão de topo – Mazda CX-3 4X4 Skyactiv-D 1.5 Excellence HT Leather White.

Carroçaria

Apesar da sua aparência exterior revestida de personalidade e que alude a imaginação para algo mais, na realidade estamos perante uma proposta SUV do segmento B. O Mazda Cx-3 é um modelo compacto (4,28 metros de comprimento, 1,75 metros de largura e 1,54 metros de altura), de linhas esculpidas, inspiradas na filosofia de design KODO – Soul Of Emotion da marca, que têm o condão de camaleonicamente poderem ser mais ou menos exuberantes, mediante a tonalidade da carroçaria escolhida. Se um azul Crystal pode vesti-lo de uma presença mais discreta,  o vermelho Soul, uma das bandeiras da Mazda, reveste-o de uma aura indiscutivelmente sedutora.

A frente é marcada por uma  grelha de generosas dimensões de orla prateada com o logótipo da marca ao centro, que se une aos faróis, em LED, através de uma aba em metal. Seguindo ocularmente o conjunto, deparamo-nos com uma lateral em que sobressaem as jantes de liga leve de 18”, os retrovisores exteriores com recolhimento automático e os vidros traseiros escurecidos. Continuando o ato de observação, progredimos para uma secção traseira que parece assumir a maior expressão de todo o conjunto, dada uma postura de tendência mais elevada.

Na parte inferior, os plásticos pretos que circundam toda a carroçaria, dos pára-choques às laterais e cavas das rodas, atribuem o toque final ao conjunto, num misto entre um cunho aventureiro e descomprometido, mas ao mesmo tempo, moderno e sóbrio.

 Interior 

Chegados ao habitáculo, notam-se de imediato os efeitos da versão topo em termos de equipamento, a Excellence, assim como do Pack Half-Lether (opcional de 810€ que garante estofos em pele e alcantara e aquecimento dos bancos dianteiros) que proporciona o contacto dos ocupantes com materiais de atrativa qualidade, que se destacam pelo jogo de cores, entre o branco pérola, preto e o borgonha (cor de vinho), distribuídas ao longo dos bancos, tablier, apoios de braços nas portas e consola central. O toque de requinte final é dado pelos pespontos que variam entre o branco e borgonha.

Porém, o muito que oferece em elegância não é acompanhado em espaço interior, os passageiros nos bancos dianteiros usufruem de um à vontade que carece nos lugares traseiros. Além disso, ir ao meio será pouco confortável, dado que a posição do assento é mais elevada. O espaço para as pernas também é reduzido, e não é preciso ir ao volante uma pessoa de elevada estatura para  que quem segue imediatamente atrás tenha algumas cerimónias de mobilidade.

De facto falamos de um veículo do segmento B-SUV, mas vermo-nos com dificuldade para colocar uma simples carteira e telemóvel na consola central é algo que deveria ser repensado. Até porque o compartimento no apoio de braços é igualmente pequeno. Temos claro locais para o efeito em cada uma das portas, mas o pragmatismo de colocar tais utensílios na consola central, e a possibilidade de o podermos fazer em todos os modelos, é um “serviço mínimo” nos dias de hoje.

A bagageira, com os seus 350 litros de ‘origem’, contabilizados até à chapeleira, incluindo a sub-bagageira, estão conformes ao tamanho do modelo. No entanto, este valor sofre uma redução, como foi o caso, se tivermos incorporado no veículo o sistema de som surround de sete altifalantes Bose. Apesar de neste último caso os valores não estarem disponíveis, é notoriamente um espaço que não permite grandes veleidades em termos de compras. Porém, se necessário, com os bancos rebatidos, os 1260l já irão satisfazer todas as necessidades.

Tecnologicamente, o ecrã de 7″ colocado no centro do tablier permite-nos aceder a funcionalidades como navegação, rádio, telefone ou definições do veículo, em que podemos regular, por exemplo, os sistemas de assistência à condução. Nos lugares dianteiros podemos ainda encontrar um tomada de 12 V na consola central, assim como uma entrada Aux e outra USB. Já o sistema MZD Connect para smartphones garante a sempre necessária conectividade móvel.

Sistemas de Assistência à Condução e Segurança

Neste capítulo a aposta da marca é feita no i-ACTIVSENSE, tecnologia que recorre a um radar e câmaras para detectar obstáculos e prevenir colisões. Esta incluiu os seguintes sistemas: Adaptive LED Headlights; travagem autónoma de emergência com deteção de peões; assistente de travagem ativo; reconhecimento de sinais de trânsito; alerta de fadiga; cruise control; alerta de ângulo morto; alerta de tráfego transversal na traseira; aviso de transposição involuntária de faixa de rodagem e câmara de auxílio ao estacionamento traseiro. No fundo, equipa os sistemas que hoje em dia são cada vez mais imprescindíveis à condução.

Ao volante

Como em todos os veículos, por muito que apreciemos todos os detalhes estéticos, é a partir do momento em que nos sentamos ao volante que maior conhecimento podemos extrair deles. Desta forma, a harmonia até aqui gerada pela sensação de requinte interior, amplia-se quando assumimos o lugar do condutor. Depressa somos absorvidos pela aura Jinba Ittai (condutor e veículo como um só) em que a marca aposta em todos os seus veículos. Tudo está centrado para que nada falte ao condutor.

Em primeiro lugar, o banco eléctrico com 10 regulações e memória permite-nos instalar convenientemente, ainda que para pessoas de baixa estatura e que gostem de conduzir numa posição mais elevada, fique a ideia de que a regulação do banco em altura não é a suficiente. Mas este é apenas um pequeno detalhe.

Já o painel de instrumentos segue uma filosofia mais minimalista face a modelos de outras marcas, apresentando-nos apenas a informação necessária à condução, sem excessos. O destaque vai naturalmente para o expressivo conta rotações ao centro, ladeado por ecrãs LCD que nos permitem visualizar o consumo médio e instantâneo, a quilometragem disponível ou o nível de combustível no depósito.

Apesar destas informações serem de fácil leitura, uma vez ao volante o protagonista da nossa atenção passa a ser o ecrã Active Driving Display (Head Up Display da marca) a cores que pode ser facilmente regulado em termos de ângulo, brilho e conteúdo, e que se revela um muito útil companheiro de viagem. Através dele podemos ver a velocidade a que circulamos, chamadas de atenção oriundas dos sistemas de assistência à condução ou informações de navegação.

Ao volante, o Mazda CX-3 surpreende de imediato. Logo após os primeiros metros percorridos, o nosso corpo fica com os sentidos de imediato despertos para um veículo que prima pelo conforto em estrada. A suspensão suprime agradavelmente as perturbações com que vamos sendo prendados, mesmo que estas se materializem  em buracos de maiores dimensões ou lombas, sentindo-se um subtil e suave sobe e desce enquanto deixamos para trás as imperfeições dos percursos.

O conjunto oferece uma eficaz insonorização que contribui para que desfrutemos da viagem, calma e tranquilamente. O bloco 1.5 diesel de 105 cv é progressivo na resposta, prendando-nos com um interessante binário de 270 Nm disponível desde as 1600 rpm. Na versão ensaiada, a caixa automática SKYACTIV-Drive de 6 relações assumiu-se como um perfeito aliado do conjunto, transmitindo com toda a suavidade a potência a ambos os eixos.

Já as patilhas no volante permitem-nos experienciar momentos mais vivos. Apesar disso, deixarmos que as passagens de caixa sejam assumidas de forma automática acaba por ser o mais natural, num modelo com um motor mais vocacionado para uma utilização serena que para fazer acelerar o ritmo cardíaco.

A par do trabalho da suspensão, também a ação do sistema adaptável e inteligente de tração integral i-AWD é algo que experienciamos com igual prazer. De facto, para uma utilização diária, talvez a versão de tração dianteira seja o quanto baste para as necessidades, mas de facto o comportamento em estrada do modelo com o sistema de tração integral permite-nos abusar do CX-3 em registos para os quais ele não está geneticamente talhado.

As inserções em curva podem ser feitas com grande confiança e à-vontade, também graças ao belo trabalho do chassis e suspensão. Em momentos de excesso, para percebermos até onde pode ir o conjunto, o CX-3 assume uma tendência sobreviradora, embora sempre através de uma reação progressiva e facilmente perceptível. Com a mesma calma com que o desafiamos, também podemos corrigir as tendências dos excessos. Importante de destacar é também a ação do G-Vectoring Control (GVC), sistema baseado num software inteligente que ajusta em permanência o binário do motor em função do movimento da direcção para optimizar a carga vertical em cada roda, algo que contribui para uma melhor tração e maneabilidade do veículo. Nota final para a direção, com uma resposta em conformidade com os demais elementos.

Pouco prático é o conflito gerado entre o travão de mão e o apoio de braços, já que temos que levantar sempre este último para utilizar o travão de mão, não existindo possibilidade de apenas recolhermos o apoio de braços.

Consumos

Este é outro dos grandes trunfos do Mazda CX-3 4X4 Skyactiv-D 1.5 de 105 cv. O bloco diesel permite-nos cumprir registos médios, dentro da legalidade, de 5l/100 km, ficando assim abaixo dos anunciados 5,2l, o que é inegavelmente bom. Em condução normal, mesmo que com uma postura mais despreocupada, num rodámos acima dos 5,4l de média. Para uma modelo de tração integral com 1295 kg, é caso para dizer, os números falam por si.

Motorizações e versões disponíveis

O Mazda CX-3 conta unicamente com o bloco 1.5 SKYACTIV-D de 105 cv. Já as versões variam entre tração dianteira, de caixa manual, ou integral, de caixa manual ou automática. Os preços do Mazda CX-3 2017 iniciam-se nos 23.629€ para o Mazda CX-3 2WD 1.5 SKYACTIV-D Evolve com caixa manual de 6 velocidades e pintura sólida e vão até aos 34.612€ euros do Mazda CX-3 AWD 1.5 SKYACTIV-D AT Excellence HT Leather White Navi com pintura metalizada. Os níveis de equipamento são dois, Evolve e Excellence.

 Equipamento Opcional

O Mazda CX-3 vem bem equipado, mas para todos os interessados, ainda podem acrescentar-lhe os seguintes elementos: Pack HS – High Safety, 1085€ (inclui: sensores de estacionamento traseiros, LDW – aviso de transposição de faixa, sensores de luminosidade e de chuva e vidros traseiros escurecidos); Pack IT – High Technology, 1310€ (inclui: BSM – sistema de monitorização de ângulo morto, HBC – controlo automático de máximos, AFSL – faróis adaptativos, MRCC – cruise control com radar); Pack Half-Leather, 810€ (inclui: estofos em pele e alcantara, aquecimento dos bancos dianteiros; em preto ou branco); Pack Navi, 400€ (sistema de navegação). As cores Machine Grey e Vermelho Soul têm um custo adicional de 150€.

Concorrentes

Em termos de concorrência, há algumas propostas a ter em conta, sendo que nenhuma reúne todos os ingredientes do Mazda CX-3 da versão ensaiada. No geral, falamos da tração integral e caixa automática aliada a um bloco 1.5 diesel. Por um lado temos o Peugeot 2008 GT Line 1.6 BlueHDI de 120 cv com caixa manual de 6 velocidades, que com a atual campanha está em 24.690€. Há também a considerar o Renault Captur Initiale Paris Energy dCi de 90 cv com caixa automática EDC de 6 velocidades, com um preço que se cifra nos 28.830€. Outra proposta é o Fiat 500X Cross 2.0 Multijet 4X4 de 140 cv, por 36.900€. No entanto, destas apenas o Fiat incorpora tração integral.

Há ainda a considerar o Seat Arona ou o Citroen C3 Aircross, embora em ambos os casos tenhamos que esperar que cheguem ao mercado nacional. O primeiro está agendado para outubro, o segundo para novembro.

Balanço Final

O Mazda CX-3 traz para o ambiente urbano um compromisso entre modernidade e espírito de requinte. Ideal para um casal ou família com um filho, porque o espaço não é o seu forte. Porém, para quem queira um modelo para desfrutar, não tendo no espaço a sua prioridade, mas prezando o conforto e comodidade de utilização, este é uma boa opção.

Na versão de equipamento Excellence, com tração integral e caixa automática de 6 relações, sentimo-nos no topo das possibilidades do modelo, mesmo que isso signifique despender 34.611€, o que nos pode fazer pensar em alternativas. No entanto, como é apanágio da marca, o objetivo não é apresentar a proposta mais em conta, mas aquela que reúna o melhor compromisso de qualidade no segmento em que se insere. Nesse prisma, o Mazda CX-3 cumpre na perfeição.

Mais: Conforto; Consumos; Insonorização; Tração integral

Menos: Espaço nos lugares traseiros/locais de arrumação no habitáculo

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – diesel, 4 cil., injeção direta, turbo, intercooler

Cilindrada (cm3) – 1499

Diâmetro x curso (mm) – 76,0 x 82,6

Taxa de compressão – 14,8:1

Potência máxima (cv/rpm) – 105/4000

Binário máximo (Nm/rpm) – 270/1600-2500

Transmissão, direcção, suspensão e travões

Transmissão e direcção – integral permanente, transmissão automática de 6 velocidades; pinhão cremalheira

Suspensão (fr/tr) – McPherson à frente e independente atrás

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 11,9s

Velocidade máxima (km/h) – 172 km/h

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 4,9/5,6/5,2

Emissões de CO2 (g/km) – 136

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) –  4275/1765/1535

Distância entre eixos (mm) – 2570

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1525/1520

Peso (kg) – 1295

Capacidade da bagageira (l) – 350/1260 (bancos rebatidos)

Depósito de combustível (l) – 44

Pneus (fr/tr) – 215/60 R16