Mercedes-Benz Classe B 180d – Ensaio

By on 24 Fevereiro, 2018

Mercedes-Benz Classe B 180d Style

Texto: Filipe Pinto Mesquita

Hey… ainda estou aqui!

Se o Mercedes-Benz Classe B falasse, seria certamente isso que diria! Perante a explosão de SUVs e Crossovers, a vida do minimovolume da marca germânica não tem sido fácil, mas a versão 180d, a mais popular em Portugal, continua a ser uma proposta cativante se… o espírito familiar ainda falar mais alto!

Estreado no Salão de Frankfurt de 2011, o Classe B conta já com uma longa carreira no ativo. Mas esse não é o seu maior problema pois, com engenho e arte dos designers da casa alemã, o modelo da Mercedes-Benz até tem sabido refrescar a sua imagem e mantê-la atraente. O que o Classe B não contava é que o “boom” de SUV’s e Crossovers e a apetência do mercado por este tipo de veículos lhe limitasse o sucesso na sua já longa carreira. É caso para perguntar: contra factos, será que ainda há argumentos?

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Mais:

Dinâmica/Qualidade de construção

Menos:

Peso da idade/Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Os monovolumes não nasceram para impressionar pela sua beleza. Num mundo, onde a frase “gostos não se discutem” serve de suporte de predileção de qualquer um, bem ao jeito do “gosto e pronto!”, o Classe B apresenta típicas linhas “quadradas”, mas recortadas por arestas vincadas, sobretudo na dianteira, que oferecem ao conjunto maior dinamismo e ar mais jovial, para o qual os apêndices cromados por baixo da grelha e nas extremidades do para-choques integrado também muito contribuem.

Numa perspetiva lateral, é notório que o Classe B tem uma linha de cintura desenhada em ascensão que “esbarra” com uma linha final dos vidros traseiros (sobretudo os terceiros) no caminho para o portão traseiro, que termina a descer. Ora, o resultado final está longe de ser brilhante do ponto de vista estético, mas não pode deixar de ser elogiado pelo atrevimento que simboliza, se tivermos em conta o que há sete anos se fazia.

Menos “fora da caixa” é a secção traseira, composta por óticas de grandes dimensões que hoje se apresentam já “pesadas” e pouco criativas face às de “corte fino” (sim, como as batatas fritas!) que inundam os modelos mais recentes e lhe conferem uma personalidade mais vincada e uma leveza de aspeto superior.

No entanto, há algo de pouco comum neste segmento de veículos, de que o Classe B se pode orgulhar. A sua distância ao solo (1557 mm) “quebra o protocolo” e afirma-se muito mais baixa do que seria de esperar, sendo acompanhada por uma altura de bancos também mais baixa, que não só facilita a entrada no veículo como, apura a dinâmica, com o centro de gravidade mais baixo, mesmo se o dinamismo não é um objeto prioritário de quem se encanta ou tem necessidade de comprar um minimonovolume.

Interior

Passando para o interior, a qualidade de construção ressalta à vista, tal como o bom tato de todos os instrumentos e comandos. Afinal, o Classe B tem na “derme” o ADN Mercedes-Benz e outra coisa não seria de esperar.

Os bancos são ergonómicos e se a posição de condução baixa aumenta o “feeling” de condução, mas não chega a limitar a visibilidade pela dimensão alargada do para-brisas. Um look tipo grelha no tabliê, de aspeto desportivo, combina bem com a cor escura dos estofos em tecido, que se revelam confortáveis, nesta linha de design Style. As três grandes entradas de ar redondas ao centro e os difusores de design único e formato em cruz, conferem também um carácter desportivo à linguagem de design do interior e apenas o écran central TFT a cores, em forma de tablet parece já um pouco anacrónico e uma solução que, por certo será revista, na próxima encarnação do Classe B, com a adoção no novo e revolucionário sistema multimédia MBUX com que a Mercedes-Benz irá dotar todos os seus novos modelos, a partir de agora.

Não obstante, o Classe B conta com sistemas de informação e comunicação de acesso à Internet e sistema de comando de voz Linguatronic, que o tornam mais próximo do mundo digital e oferecem à família melhor oportunidades lúdicas, com a possibilidade de ligações a dispositivos móveis e de áudio. A maior parte das ações de telemática pode ser operada a partir do já conhecido, intuitivo e fácil de utilizar Comand Online, localizando na consola central inferior.

Decididamente importante e a ter em conta é o espaço interior disponível. Os lugares dianteiros não são acanhados, mas o espaço nas posições traseiras não é tão volumoso como o desejável e só mesmo duas pessoas viajam confortavelmente. Já a bagageira coloca ao serviço

488 litros disponíveis, extensíveis até aos 1547 litros, com segunda fila de bancos rebatida. A modularidade não foi esquecida e o Classe B apresenta diversas opções para funcionalizar o espaço traseiro, com os bancos a poderem ser rebatidos na configuração 1/3 ou 2/3.

Equipamento

Computador de bordo multifunções no display, duas tomadas de 12V, porta-copos duplo, assistente de luzes com sensor de luminosidade, retrovisores exteriores aquecidos, elétricos e com indicação de mudança de direção integrado fazem parte do equipamento básico deste Classe B 180d Style, a que se junta o sistema Keyless-GO.

Mas é para o capítulo da segurança que a Mercedes-Benz guardou os melhores trunfos, com sistemas como o Attention Assist (sistema de alerta de cansaço do condutor), o sistema Brake Assist com reconhecimento de travagens de emergência e otimização da travagem, o sistema Collision Prevention Assist (sistema de alerta de colisão) e ainda o controlo de tração, de estabilidade e ABS a zelarem pela segurança do condutor e passageiros.

Consumos

Sem surpresa, os 4.0 l/100 km de média anunciados pela marca não correspondem às reais capacidades económicas do Classe B equipado com motor 1.5 litros diesel. E sem surpresa, porque nenhum construtor consegue fazer equivaler as médias anunciadas oficialmente com as reais. Ainda assim, com alguma contenção no acelerador é possível gastar apenas 5.6 litros por cada 100 km percorridos. Nada mau!

Ao volante

Animado pelo conhecido motor de litro e meio, turbo diesel, da Aliança Renault/Nissan, o Classe B 180d oferece uma condução bastante suave, bem de acordo com os parâmetros familiares que traçam a filosofia deste pequeno monovolume.

Os 109 cv disponíveis são entregues de forma muito linear, com o binário a despertar às 1750 rpm e a atingir os 360 Nm, o que permite uma dinâmica fluída com a ajuda da caixa manual de seis velocidades precisa e que apresenta um bom escalonamento, com rapports que não são demasiado longos.

Bastante convincente é igualmente o amortecimento da suspensão, que traz ainda a opção de escolha do Dynamic Select (que afeta também a resposta do motor, direção e, de forma indireta, os consumos) que permite selecionar entre os modos “Comfort”, “Sport” “Individual” e “Eco”, para melhor “parametrizar” as necessidades ou vontade do condutor e/ou passageiros.

Surpreendente é a agilidade em ritmos mais vivos, com o eixo dianteiro e traseiro a trabalharem em perfeita sintonia e o diâmetro máximo de viragem de 11 metros a dar a sua contribuição para um comportamento dinâmico muito positivo para um veículo com a sua configuração. Tudo sem que o conforto seja propriamente sacrificado.

Concorrentes

BMW Série 2 Active Tourer 216d (1.5 litros, 116 Cv, 195 km/h, 10.6s 0-100km/h, 3.8 l/100 km, 99 g/km, 31.739 €)

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Citroën C4 Picasso BlueHDI 120 Feel (1.6 litros, 120 Cv, 189 km/h, 11.3s 0-100km/h, 3.8 l/100 km, 100 g/km, 30.173  €)

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Fiat 500 L 1.6 Multijet Lounge (1.6 litros, 120 Cv, 181 km/h, 11.3s 0-100km/h, 4.2 l/100 km, 112 g/km, 25.700 €)

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Ford C-Max Compact 1.5 TDCi 120 Trend+ (1.5 litros, 120 Cv, 184 km/h, 11.3s 0-100km/h, 4.1 l/100 km, 105 g/km, 27.444 €)

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Kia Carens 1.7 CRDi TX (1.7 litros, 141 Cv, 191 km/h, 10.4 s 0-100km/h, 4.5 l/100 km, 118 g/km, 32.067 €)

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Opel Meriva Tourer 1.6 CDTi (1.6 litros, 110 Cv, 182 km/h, 12.9 s 0-100km/h, 3.8 l/100 km, 99 g/km, 23.270 €)

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Toyota Verso 1.6D-4D Active (1.6 litros, 112 Cv, 186 km/h, 12.7 s 0-100km/h, 4.5 l/100 km, 119 g/km, 28.977 €)

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Volkswagen Touran 1.6 TDI 115cv Trendline (1.6 litros, 115 Cv, 190 km/h, 11.4 s 0-100km/h, 4.6 l/100 km, 119 g/km, 32.451 €)

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Balanço final

Mesmo se está longe de ser o produto mais “fresco” do mercado no seu segmento, o Classe B continua a reunir um conjunto de argumentos que o colocam sempre como uma boa opção de compra: status de imagem, qualidade de construção, equipamento completo e dinâmica surpreendente ágil são pontos fortes, mesmo se não é a referência em matéria de espaço, um dos principais critérios a levar em conta para quem pretende adquirir um minivolume. Só lhe fica a falta a graciosidade da juventude.

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 1461

Diâmetro x curso (mm): 82.2 x 88

Taxa de Compressão: 23:1

Potência máxima (cv): 109/4000

Binário máximo (Nm/rpm): 260/1750

Transmissão, direção, suspensão e travões

Transmissão e direção: Dianteira, com caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, assistida

Suspensão (fr/tr): McPherson à frente/Multilink

Travões (fr/tr): D/D

Prestações e Consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 11.6

Velocidade máxima (km/h): 190

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 5.0/3.7/4.1

Emissões de CO2 (g/km): 104

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4359/1786/1557

Distância entre eixos (mm): 2699

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1552/1549

Peso (kg): 1420

Capacidade da bagageira (l): 488 (1547 com segunda fila de bancos rebatida)

Depósito de combustível (l): 50

Pneus (fr/tr): 205/55 R16

Preço da versão base (Euros): 32050€