Dacia Duster 4×2 TCE 125 – Ensaio Teste

By on 17 Julho, 2018

Dacia Duster 4×2 TCE 125 Prestige 

Muito, por pouco!

O novo Dacia Duster está finalmente em Portugal e a versão 4×2 TCe 125 Prestige deverá ser uma das que maior sucesso conhecerá. Design “fresco”, habitáculo “arejado”, segurança reforçada e surpreendente aptidão para off road são pontos de sedução importantes. E se está a pensar que para oferecer isto tudo, a Dacia teve comprometer a sua habitual filosofia de preços low cost, não podia estar mais enganado… 

Foram seis meses de impaciente espera! O novo Duster só “entrou” em Portugal depois de sofrer alterações técnicas importantes na suspensão dianteira, a única alternativa que a Dacia teve para “requalificar” o Duster como Classe 1 nas portagens, um importante argumento de vendas para a marca “low cost” do Grupo Renault. Na prática, foi adotado um amortecedor específicos, com um apoio de mola rebaixado 20 mm, que obrigou à nova homologação do veículo e que a Dacia teve ainda que “afinar” para manter o comportamento dinâmico e o nível de conforto dos Duster convencionais (e que se vendem noutros países). Mas valeu a pena esperar!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Preço imbatível / Conforto / Equipamento / Aptidão para Off Road

 

Menos:

Direção pouco comunicativa / Motor a baixas rotações

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

À segunda geração do Duster eram reconhecidos muitos atributos, mas o design exterior estava, apesar de tudo, longe de reunir consenso favorável. Ora, gostos não se discutem, já se sabe, mas há certezas muito mais plausíveis que outras. Uma delas é precisamente que o desenho da carroçaria do novo Duster reúne muito maior quantidade de críticas positivas, mesmo se perdeu traços de personalidade muitos próprios que lhe permitiam ter um aspeto único e inconfundível com outro qualquer SUV. Perdeu-se essa identidade (já que o novo Duster pode, para os mais desatentos, passar perfeitamente por um SUV de outra marca), mas ganhou-se uma imagem muito mais moderna e apelativa. Arriscamos mesmo dizer que a última geração do Duster é exteriormente muito feliz, com um equilíbrio bem conseguido entre os três setores: dianteira, lateral e traseira.

No primeiro caso, o carácter de robustez foi reforçado, com uma grelha alargada até aos faróis, que, por sua vez, se alongam até às extremidades da face dianteira, acentuando a largura percecionada da carroçaria. A nova assinatura luminosa, com faróis diurnos LED repartidos em três segmentos e o capô mais horizontal com leves “nervuras” também contribuem para ar moderno.

Já de perfil, o Duster apresenta uma linha de cintura mais elevada, com o para-brisas mais inclinado, o que a juntar às barras de tejadilho em alumínio, aos retrovisores em cromado acetinados e às jantes de 17 polegadas conferem mais dinamismo aos seus traços.

Contudo, é na traseira que as mudanças são mais evidentes. A conhecida assinatura luminosa de quatro quadrados vermelhos foi adotada, mas os faróis ganharam um novo desenho e que que facilmente o ajudarão a distinguir de outro qualquer SUV.

O Pack Look exterior, onde estão incluídas as proteções dianteiras e traseiras, a evocarem o sentimento de evasão favorecem um certo ar radical a que o Duster não consegue, nem provavelmente, “quer” escapar.

 

Interior

O habitáculo do novo Duster foi totalmente redesenhado, obedecendo agora aos padrões de exigência de modernidade. Claro que os materiais empregues não são a última evolução do mercado, sobretudo o plástico duro do tablier, mas até neste ponto se notam que já pouco têm a ver com o seu antecessor. O painel de bordo apresenta novo design, com um completo computador de bordo entre o conta-rotações e o conta-quilómetros e a consola central integra o ecrã Media Nav Evolution, que não é tão evoluído como o sistema R-Link da Renault, mas cumpre as funções básicas de conectividade, como emparelhamento com smartphone, sistema de navegação (dispondo até da função Driving Eco2, um eco-coaching que o ensina a poupar e a otimizar o seu estilo de condução). O ecrã está agora ergonomicamente melhor posicionado, corrigindo uma das críticas principais ao interior modelo que obrigava a tirar completamente os olhos da estrada para o visualizar (com a Dacia a reivindicar mesmo a distância entre os olhos e o ecrã mais curta entre os veículos da concorrência).

Já a posição de condução também melhorou, com a possibilidade de múltiplas regulações (volante em altura até 40 mm e em profundidade até 50 mm) e há agora também mais espaço nos bancos da frente uma vez que a sua largura aumentou 20 mm, bem como melhor adaptação para a estatura do condutor já que o mecanismo de subida ou descida do banco goza de uma amplitude de 60 mm (mais 20 mm que no anterior modelo).

Atrás, as melhorias são também evidentes. Começam logo no conforto, com a integração de saídas de ar e prolongam-se para a maior volumetria de espaço disponível para os ocupantes desta secção da viatura. Se forem dois, vão sempre viajar confortavelmente. Se for três, o do meio sofrerá mais, mas com o túnel de transmissão a não comprometer de forma absoluta o espaço para os pés, o que é uma benesse de que nem todos os SUV se podem gabar.

Já na bagageira, 478 litros disponíveis dão para muita coisa, mas se não chegar pode ainda ir rebatendo os bancos traseiros na configuração 1/3, 2/3 ou totalmente, o que permitirá esticar a capacidade da mala até a uns generosos 1623 litros. E já que se fala de capacidade para armazenar volumes, é justo dizer que o novo Duster também se apresenta mais prático para o dia-a-dia, com diversos espaços de arrumação distribuídos por todo o habitáculo, que juntos perfazem 27,2 litros de espaço extra, onde está já contabilizado o espaço de uma nova gaveta sob o banco do passageiro.

Equipamento

Não há dúvida que também a nível de equipamento, o Duster sofreu uma forte evolução ou, se se preferir, uma pequena revolução, mesmo se, para usufruir de alguns itens seja necessário optar pela versão Prestige. É nesta versão que pode encontrar o sistema de alerta de ângulo morto nos retrovisores elétricos e com função de desembaciamento, um importante avanço em termos de ajuda à condução segura, tal como o sistema de ajuda ao arranque em subida, o sistema de ajuda ao estacionamento traseiro com camara de marcha-atrás ou o sistema multimédia Media Nav Evolution. A segurança está reforçada com os airbags laterais de cortina, mas também com o sistema detetor de pressão de pneus indireto, o sistema de assistência à travagem de emergência, o sistema de controlo de estabilidade e o ABS. Pode também contar com o sistema de ativação de luzes automática e banco do condutor com regulação altura e lombar e apoio de braço. Aliás, nesta versão Prestige, os bancos são mesmo de couro, o que dá um carácter mais nobre ao Duster e o ajuda a privilegiar a sua posição “social”. Como os “olhos também comem”, o Pack Look (com as proteções anteriores e posteriores) também faz parte do visual de série, o mesmo acontecendo com os vidros laterais e óculo traseiro sobreescurecidos. Para maior comodidade, existe um regulador de velocidade que permite definir a velocidade de circulação.

Equipamento Extra

Se o equipamento de série da linha Prestige não é suficiente para lhe encher as medidas, então é sempre possível colecionar mais alguns extras. O ar condicionado manual pode ser substituído pelo automático (300 €), a câmara multiview (350 €) pode ser um aliado precioso para manobras, o cartão mãos livres (200 €) torná-lo-á mais independente, a cartografia do GPS da Europa Ocidental (80 €) levá-lo-á mais longe, o pneu sobressalente (90 €) será uma preciosa ajuda em caso de furo e a pintura metalizada (390 €) dará outro brilho ao Duster.

Consumos

Apesar de não ser a versão menos puxada do motor de origem Renault TCe de 1.2 litros, o Duster a gasolina apresenta consumos moderados. 6,6 l/km foi a média indicada pelo computador de bordo no final do ensaio que visitou a cidade, a estrada e a autoestrada, mais 1,1 litros que os consumos anunciados.

Ao volante

Diz o ditado que não se fazem “omeletas sem ovos”, mas a Dacia parece apostada em fazê-lo. Se os melhoramentos exteriores e interiores são notórios, o contacto com a estrada prova que todas as mudanças não foram feitas apenas a pensar na estética e conforto, tendo repercussões também na agradabilidade de condução. Desde logo, as melhorias na insonorização “saltam ao ouvido”, com a ajuda da maior espessura dos vidros e para-brisas, mas o conforto de rolamento também advém da eficaz afinação da suspensão, que filtra de forma muito mais eficaz os desníveis da estrada do que a versão anterior, oferecendo um bom compromisso entre a comodidade e rigidez, com esta última a sobressair, todavia, mais quando o piso se torna irregular. Apenas a direção precisava de maior “presença”, tornando-se demasiado “vaga” em certas circunstâncias (sobretudo, a velocidades mais elevadas e com vento lateral), sem comprometer, no entanto, a segurança.

A única versão disponível a gasolina (no final do ano chegará uma motorização Bi-Fuel a gasolina e GPL) pode ser um bom compromisso para quem não faz muitos quilómetros, mas não oferece a mesma agradabilidade na condução que a motorização diesel. Com o motor TCe de 125 cv, o Duster é esforçado, chegando perfeitamente para uma utilização corrente e permitindo viagens agradáveis e descansadas, apenas denotando alguma falta de genica na subida das rotações inicial, já que o turbo parece “acordar” ligeiramente tarde, e isso pode, por vezes, prejudicar o seu desempenho em ambiente citadino.

Notavelmente eficaz é, por outro lado, a sua performance fora de estrada, onde, com apenas duas rodas motrizes, o Duster é capaz de superar alguns obstáculos, inclinações e até situações de cruzamentos de eixos de forma surpreendentemente eficaz e segura, motivando facilmente para incursões evasivas, com “sabor” a aventura.

Concorrentes

Citroën C3 Aircross 1.6 PureTech 130 S&S CVM Feel com 130 cv a partir de 21.408 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Fiat 500 X 1.3 Multijet Pop Star JLL17 com 95 cv a partir de 22.250 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Honda HR-V 1.5 i-VTEC Comfort com 130 cv a partir de 24.850 €

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Hyundai Kauai 4×2 1.0T-GDI Premium Int. Tec. Preto com 120 cv a partir de 20.160 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Jeep Renegade 1.4 Multiair 140 cv 4×2 Longitude com 140 cv a partir de 23.700 €

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Nissan Qashqai 1.2 DIG-T Acenta com 115 cv a partir de 26.300 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Opel Crossland X 1.2T 130 cv Innovation com 130 cv a partir de 21.630 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Peugeot 2008 1.2 PureTech 130 6.2 Allure com 130 cv a partir de 23.100 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Renault Captur TCe 120 Exclusive com 120 cv a partir de 21.000 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

SEAT Arona 1.0 TSI Style com 115 cv a partir de 19.196 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Skoda Karoq 1.o TSI 116 cv Ambition com 116 cv a partir de 25.672 €

 

Suzuki Vitara 1.6L VVT 4×2 GL com 120 cv a partir de 20.156 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Suzuki S-Cross 1.0L DITC GL com 111 cv a partir de 19.582 €

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Toyota C-HR 1.2 Active com 116 cv a partir de 24.250 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Balanço final

O novo Duster é outro Duster! Não foi apenas o design que se tornou mais apelativo, mas todos os aspetos relacionados com a condução, conforto e segurança atingiram outro patamar de agradabilidade. Com os diesel a perderem terreno, é bem possível que esta versão 4×2 TCe 125 Prestige (a melhor equipada) possa estar entre as mais vendidas, até porque permite explorar alguns trilhos aventureiros de off road. E nem os 18.400 € pedidos assustam! É muito, por pouco!

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 1197

Diâmetro x curso (mm): 72,2 x 73,1

Taxa de Compressão: 9,5: 1

Potência máxima (cv): 125/5300

Binário máximo (Nm/rpm): 205/2300

Transmissão, direção, suspensão e travões

Transmissão e direção: Dianteira, com caixa manual 6 velocidades; direção com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr): McPherson/Eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Tambores

Prestações e Consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 10,4

Velocidade máxima (km/h): 177

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 6,2/7,3/5,5

Emissões de CO2 (g/km): 138

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4341/1804/1693

Distância entre eixos (mm): 2674

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1563/1570

Peso (kg): 1301

Capacidade da bagageira (l): 445 (1478 com segunda fila de bancos rebatida)

Depósito de combustível (l): 50

Pneus (fr/tr): 215/60 R17

Preço da versão base (Euros): 18400€

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!