Citroën C5 Aircross 1.5 BlueHDi – Ensaio Teste

By on 7 Maio, 2019

Citroën C5 Aircross 1.5 BlueHDi Shine 19

Texto: Francisco Cruz

No bom caminho…

Nascido chinês, o novo Citroën C5 Aircross é hoje também europeu, e com ambições a posição de destaque num dos segmentos mais rentáveis do Velho Continente. Fomos para a estrada com o competitivo 1.5 BlueHDi, apenas para confirmar que a Citroën regressou, efectivamente, ao melhor dos caminhos…


Mais:

Conforto; Motor e caixa de velocidades; Habitabilidade    

Menos:

Plásticos em demasia; Visibilidade traseira; Patilhas da caixa de velocidades

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10 Apontado inicialmente ao imenso mercado chinês, não apenas o posicionamento, como também a imagem, a faceta familiar, e os motores competitivos, acabaram fazendo com que a Citroën repensasse a estratégia inicialmente desenhada para aquele que passa a ser o maior dos seus Sport Utility Vehicles (SUV) – o Citroën C5 Aircross. Acabando por fazer deste, um elemento fundamental, também nas ambições de crescimento nos mercados do Velho Continente. Com 4,5 metros de comprimento, uma generosa distância entre eixos de mais de 2,7 m e uma distância ao solo elevada para os 23 cm, o C5 Aircross passou assim a ser a proposta SUV por excelência da marca do double chevron, também na Europa. Onde a estética impactante e claramente inspirada nos veículos aptos para o todo-o-terreno, pontuada por inúmeros elementos fortemente identitários e atraentes, promete captar a atenção e interesse dos consumidores europeus. Enriquecido com a versão mais recente do nível de equipamento de topo Shine, o SUV francês conta, entre outros argumentos, com faróis Full LED numa frente elevada e sólida, jantes Art Diamantadas de 19″ num perfil delimitado por protecções em plástico e airbumps descaídos, cintura elevada e vidros traseiros escurecidos com moldura metalizada, além de um enorme portão traseiro de accionamento elétrico e com sistema mãos livres, numa traseira da qual se destaca ainda a (pretensa) ponteira de escape dupla metalizada. Tudo junto, a revelar uma clara inspiração no C4 Cactus, modelo que, de resto, estreou, em grande parte, aquela que é a actual linguagem de design do construtor francês…

Interior

Pontuação: 10/10 Moderno e irreverente no aspecto exterior, o Citroën C5 Aircross transporta essa mesma imagem fresca e apelativa para o interior do habitáculo, facilmente personalizável através da aplicação de um de cinco ambientes disponíveis, eles próprios facilmente conjugáveis com uma das 30 combinações admissíveis para o exterior. Garantida em conjunto com todas estas possibilidades de personalização, uma agradável qualidade de construção, só não mais convincente, devido à presença de muito plástico rígido, e em locais bem expostos. Que, com a sua presença, acaba penalizando igualmente as sensações de qualidade e modernidade que o C5 Aircross persegue. E para as quais o design, personalizado, e a tecnologia, traduzida tanto no generoso (12,3″) painel de instrumentos 100% digital como no ecrã táctil (8″) do sistema de infoentretenimento, muito contribuem. Sentados no posto de comando, a sensação de conforto proporcionada pelos excelentes bancos Advanced Comfort em tecido, couro e material sintético, estreados no novo C4 Cactus. Convincentes igualmente pela forma correcta como, ajudados pelos vários ajustes elétricos e pela ampla regulação do volante de óptima pega, posicionam o condutor, favorecendo não somente a visibilidade dos ecrãs de informação (com cinco configurações possíveis, o painel de instrumentos cativa a atenção…), como também o acesso à generalidade dos comandos – entre os quais, o botão rotativo para selecção dos modos de condução… Ainda assim, a pedir atenção em futuras actualizações, o facto do ecrã táctil não surgir ligeiramente virado para o condutor, o que facilitaria a leitura, como também a colocação dos botões que ligam os modos de condução Eco e Sport, por detrás da vanguardista mas funcional manche da caixa automática de oito velocidades. Com o maior pecado a recair, no entanto, sobre a visibilidade traseira, pouco menos que sofrível, devido a um óculo traseiro pequenino, pequenino – salva-nos o facto de dos sensores e a câmara traseira serem de série!… Bem melhor, sem dúvida, a habitabilidade, proporcionada, de forma uniforme, nos três bancos individuais da 2.ª fila, onde se acomodam sem dificuldade três adultos. Todos eles beneficiados pelo facto destes bancos poderem ser ajustados também em profundidade (estão sobre calhas…), garantindo, dessa forma, mais espaço para pernas. A que há que somar ainda uma colocação dos assentos substancialmente mais alta que os da frente, o que, além de garantir uma posição mais correcta, não belisca o óptimo acesso ao interior. De resto, reguláveis em profundidades, os três bancos traseiros possuem ainda inclinação e rebatimento total, na horizontal, das costas, aumentando assim o espaço disponível para transporte de cargas – dos 580 litros iniciais, para uns ainda mais impressionantes 1 630 litros. Tudo isto, sem obstáculos ou valas onde algo possa cair, e mantendo, quando com o piso no patamar mais elevado, um alçapão (não muito fundo) a toda a dimensão da bagageira. Quase tão funcional quanto o enorme portão de accionamento elétrico com sistema mãos livres e chapeleira rija, cuja parte exterior sobe em conjunto com o mesmo, e bem mais convincente que as quase inexistentes soluções de funcionalidade – ganchos porta-sacos é algo que não se encontra, a (fraca) iluminação é feita por um só ponto de luz, e até os plásticos que servem de revestimento, nos fazem duvidar da sua resistência… Igualmente a rever, sem dúvida…

Equipamento

Pontuação: 9/10 Envergando o nível de equipamento mais completo, Shine, já actualizado para 2019, não faltam motivos de interesse a justificarem a opção por este novo C5 Aircross. O qual pouco mais relega para a lista de opcionais que algumas ajudas à condução, como é o caso do Pack Park Assist 360 (650,01€), tecnologias como a ConnectedCAM Citroën, e soluções de conforto como os bancos dianteiros com aquecimento (350,00€) e o tejadilho deslizante panorâmico (1 100,00€). Isto, já para não falar na cada vez mais desvalorizada roda sobressalente temporária, com um custo extra de 120,00€!… Pelo contrário, de série e sem agravamentos no preço, mais-valias como o sistema de tracção Grip Control com cinco modos de tracção, Pack Drive Assist com Highway Driver Assist, Pack City Camara, retrovisor interior eletrocromático, Citroën Connect Nav com função Mirror Screen, climatização automática bi-zona com filtro de pólen, assinatura luminosa Full LED de dois níveis, sistema de recarga sem fios para smartphones e retrovisores exteriores com sistema activo de Controlo do Ângulo Morto. Não está mau, não senhor!…

Consumos

Pontuação: 9/10 Expedito e convincente no funcionamento, o 1.5 BlueHDi de 130 cv mostra também ser frugal nos consumos, ao garantir médias de utilização, com muita cidade pelo meio, abaixo dos 6 litros. Uma média que, sublinhe-se, só pode ser considerada como muito positiva, e, ainda mais, por ter sido alcançada sem comedimentos de maior na utilização do acelerador, além de aproveitando todas as potencialidades e facetas de um conjunto que não se escusou sequer a algumas aventuras fora de estrada…  

Ao volante

Pontuação: 9/10 Marcante na estética, também por procurar resgatar os princípios de originalidade e sofisticação conhecidos dos Citroën de outrora, o C5 Aircross assume o mesmo desafio, relativamente a outros dois aspectos que também fizeram história na marca francesa: o conforto… e a inovação tecnológica. A materialização deste esforço surge através da nova tecnologia de suspensão com batentes hidráulicos progressivos nas quatro rodas, solução que acaba contribuindo para que o novo SUV francês, primo-direito do best-seller Peugeot 3008, faça do conforto o seu grande e principal argumento. Fortalecendo, dessa forma, não apenas as notórias características familiares que exibe, como também as aptidões de base para enfrentar pisos mais degradados e terrenos mais inóspitos. De resto, igualmente a facilitar esta faceta mais aventureira, a presença de um sistema de modos de condução, com cinco opções distintas: o Normal, que adopta por defeito e com o qual é possível seleccionar igualmente um de dois modos secundários, Eco ou Sport, e três outros, mais vocacionados para o fora de estrada – Neve, Lama, e Areia. Tudo no mesmo botão rotativo onde  também é possível desligar o ESP. Subordinado na actuação ao primado do Conforto, acentuado por uma direcção que, embora competente, também não revela muita preocupação com o feedback, torna-se assim natural e normal o desempenho ligeiramente menos eficaz do C5 Aircross, nomeadamente, em estradas mais sinuosas, embora sem que isso coloque em causa a estabilidade ou conforto. Ambos, aliás, inatacáveis, mesmo quando as oscilações da carroçaria se tornam mais notadas… No entanto, fora destes “terrenos” dinamicamente mais exigentes e a velocidades mais descontraídas, a certeza de um comportamento que facilmente agrada a todos, por mais intenso e complicado que o trânsito possa estar. Até porque, não só o conforto no rolamento, como também soluções tecnológicas eficazes, como é o caso do sistema de ajuda à manutenção na faixa de rodagem, também a isso ajudam…

Concorrentes

Ford Kuga 1.5 TDCi Business, 120cv, 12,7s 0-100 km/h, 173 km/h, 4,4 l/100 km, 163 g/km CO2, 37 130€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Hyundai Tucson 1.6 CRDi DCT Executive, 136cv, 11,8s 0-100 km/h, 180 km/h, 4,8 l/100 km, 126 g/km CO2, 36 155€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Jeep Compass 1.6 Multijet II 4×2 Limited, 120cv, 11,0s 0-100 km/h, 185 km/h, 4,4 l/100 km, 117 g/km CO2, 37 000€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Nissan Qashqai 1.6 dCi XTronic Tekna, 130cv, 11,1s 0-100 km/h, 183 km/h, 4,7 l/100 km, 122 g/km CO2, 38 650€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Peugeot  3008 1.5 BlueHDi EAT8 Allure, 130cv, 10,0s 0-100 km/h, 192 km/h, 4,2 l/100 km, 142 g/km CO2, 36 832€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   SEAT Ateca 1.6 TDI DSG Style, 115cv, 11,5s 0-100 km/h, 184 km/h, 4,5 l/100 km, 128 g/km CO2, 36 597€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação: 10/10 Disponível, nesta fase inicial de comercialização, também com uma motorização a gasolina – 1.6 PureTech de 180 cv -, o Citroën C5 Aircross com que tivemos oportunidade de contactar envergava, contudo, a bem mais apetecível (fiscalmente falando, bem entendido…) motorização Diesel 1.5 BlueHDi de 130 cv e 300 Nm de binário às 1750 rpm. Conjugada, no caso concreto do nosso C5, com uma já bem conhecida e não menos convincente caixa automática de dupla embraiagem Aisin de oito velocidades. Bem insonorizado e ágil no desempenho, a que junta ainda uma óptima progressividade e resposta madrugadora, é caso para dizer que este 1.5 BlueHDi cai que nem uma luva no C5 Aircross. Oferecendo prestações razoavelmente despachadas (10,6s na aceleração dos 0 aos 100 km/h…), a par de uma ampla faixa de utilização. Qualidades para as quais o pequeno Diesel conta, no entanto, com o inestimável contributo da competente e discreta caixa automática, excelente na forma como mantém o 1.5 sempre vivo e disponível, ajudando também a prescindir daquilo que é o seu aspecto menos positivo: as patilhas para passagem manual das relações da caixa. Não apenas colocadas na coluna de direcção (realmente, há quem goste…), como, ainda por cima, feitas de plástico de fraca qualidade!…

Balanço final

Pontuação: 9/10 Com a presença já assegurada nos patamares mais baixos do mercado SUV, a Citroën atira-se agora ao segmento C-SUV, hoje em dia um dos de maior peso no Velho Continente, com um produto de fortes argumentos – atraente e irreverente nas linhas e nas soluções, espaçoso para ocupantes e carga, muito confortável em qualquer um dos lugares, além de tecnologicamente avançado. Qualidades a que é ainda possível juntar um Diesel 1.5 BlueHDi convincente em todos os seus aspectos, e que, aplicado neste novo C5 Aircross, contribui para a confirmação de que a marca do double chevron voltou, efectivamente, ao bom caminho…

Ficha técnica

Motor Tipo: quatro cilindros em linha a gasóleo, injecção directa, turbo de geometria variável e intercooler Cilindrada (cm3): 1.499 Diâmetro x curso (mm): 75 x 84,8 Taxa compressão: 16.5 : 1 Potência máxima (cv/rpm): 130/3.750 Binário máximo (Nm/rpm): 300/1.750 Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com batentes hidráulicos progressivos; Eixo de torção com batentes hidráulicos progressivos Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos Prestações e consumos Aceleração: 0-100 km/h (s): 10,6 Velocidade máxima (km/h): 189 Consumos Baixa Velocidade/Média Velocidade/Alta Velocidade/Velocidade Extrema/Mistos WLTP (l/100 km): 6,3/5,2/4,7/5,9/5,4 Emissões de CO2 WLTP (g/km): 142 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,500/2,099/1,695 Distância entre eixos (mm): 2,730 Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.601/1.630 Peso (kg): 1.430 Capacidade da bagageira (l): 580/1.630 Depósito de combustível (l): 53 Pneus (fr/tr): 205/55 R19 / 205/55 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 38245€
Preço da versão base (Euros): 24317€