Alfa-Romeo Giulia 2.2 Q4 Veloce – Ensaio Teste

By on 31 Maio, 2018

Alfa-Romeo Giulia 2.2 Q4 Veloce 8 ATM

Texto: Filipe Pinto Mesquita

Registo alternativo!

É fácil transformar um Alfa-Romeo Giulia numa máquina de diversões. E nem precisa de ser o Quadriflogio de 510 cv. Basta ter 210 cv, quatro rodas motrizes e um chassis competentíssimo. Se é do “contra” e acha que está na hora de vergar a hegemonia alemã no segmento das berlinas, então encontrou no Giulia 2.2 D Q4 Veloce um forte aliado.

– “Querida… vou sair com a Giulia”!

Ups! É melhor reformular a frase…

– “Querida, vou sair com o Alfa Romeo”!

É fácil ficar encantado pelo Giulia e deixar transparecer isso na voz. Design moderno e atraente, dinâmica cuidada e eficácia no comportamento são sempre um bom pretexto para sair à rua. Só convém não deixar extravasar demasiado o entusiasmo e, claro, saber escolher as palavras certas…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Motor potente/Eficiência da tração integral/Direção “transparente”

 

Menos:

Impossibilidade de desligar ESP/Ruído do motor

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Se há carro em que a expressão inglesa “straight to your heart” (direto ao seu coração) faz sentido é neste Alfa Giulia, que parece minimizar as possibilidades dos gostos serem subjetivos. Se os italianos da Alfa Romeo sempre tiveram no design um dos seus principais trunfos, não tiveram, mais uma vez, qualquer pejo em voltar a coloca-lo em cima da mesa ou, neste caso, no asfalto. Exteriormente, as proporções equilibradas são o primeiro passo para uma imagem sólida e consistente que, nesta versão Veloce, ganha ainda maior desenvoltura com adoção de uma imagem exclusiva, que só na versão Quadrifoglio se mostra mais agressiva.

Para-choques dianteiro com tomada de ar específica, de maiores dimensões, traseiro para melhor a aerodinâmica e vidros laterais escurecidos, encaixam que nem numa luva na, já de si, musculada carroçaria, cujo design de linhas delgadas parece enobrecer o estatuto exterior do Giulia. Depois, as jantes negras de 19’’ (1.000 €), com pinças de travões amarelas ou a discreta barra de anti-aproximação instalada no compartimento do motor dão um impulso ainda mais desportivo a esta versão, onde o lettering “Veloce” nas laterais e o símbolo “Q4” atrás faz questão de lembrar que não estamos na presença de um Giulia qualquer.

Interior

À abertura das portas corresponde à entrada num mundo “Alfa”. Um mundo que perdeu originalidade de outras eras, mas que mantém vivas algumas tradições que ainda denotam o espírito do ragazzo italiano, que sempre quis primar pela diferença.

O painel de instrumentos semi-escondido pelas palas circulares superiores do tablier é um deles, mesmo se já não cumpre uma das funções que se dizia para o qual ter sido criado: evitar que o passageiro do lado visse o ponteiro do velocímetro! Agora a velocidade também aparece, de forma digital, entre o velocímetro e o conta-rotações, traindo as aspirações de muitos “maridos” para quem a camuflagem do velocímetro era, em tempos, um verdadeiro argumento de peso para convencer a “família” a adquirir um Alfa Romeo. Boatos ou sentido de humor à parte, o Giulia respira personalidade desportiva por grande parte dos seus poros. O botão de ignição no volante que tem o fundo plano, os pedais a combinarem o metal com a borracha, o selector de caixa de pequenas dimensões, as generosas patilhas de mudança de caixa no volante, os bancos desportivos (bacquets que se podem revelar desconfortáveis para pessoas com “estatura” lateral elevada) ou o comando de modos de condução “trifásico” (DNA) na consola central, para além dos acabamentos em alumínio consagram ao Veloce uma imagem interior marcadamente desportiva, a que não pode, nem quer escapar.

Equipamento

O Giulia 2.2 D Q4 Veloce é um misto de emoções no que ao equipamento diz respeito: completo, de uma forma geral, por um lado, mas com algumas falhas indesculpáveis para o patamar de automóvel onde se situa, por outro. Sem ter que tirar mais um cêntimo da carteira é possível contar com airbags laterais dianteiros (mas não traseiros) e de cortina, sistema de controlo de pressão de pneus, sistema assistente de faixa de rodagem, sistema de aviso de aproximação, faróis bi-xenon (mas não LED), sistema de travagem automática, ar condicionado automático bizona, bancos em pele, sistema Bluetooth, caixa automática de 8 velocidades, sistema de cruise control (a variante de cruise control adaptativo tem um custo suplementar de 1.200 €), acesso à Internet, sensores de chuva/luz, sensores de parque traseiros (dianteiros custam mais 300 €), sistema de navegação (se for em 3D com écran de 8,8’’ tem que adicionar 1.900 €). Bancos e volante aquecido são cortesias também bem-vindas.

Sem Head Up display (que não faz sentido não ter neste segmento), a esta versão do Giulia pode-se juntar alguns extras importantes como o alarme (500 €), o Pack Driver Assist Plus, que inclui o sistema assistente de ângulo morto (900 €), o Pack Convenience, que inclui o acesso mãos livres (800 €), o teto de abrir (1.700 €), as pinças de travão pintadas de amarelo (250 €) ou jantes negras de 19’’ (1.000 €).

Consumos

Se tivermos em conta que debaixo do pé direito estão mais de 200 cv, os 7,2 l/100 km alcançados numa condução despreocupada estão longe de fazer soar o alarme dos consumos. Claro que os 4.7 l/100 km anunciados fazem parte do mundo da utopia e mesmo que se anda a “pisar ovos”, o motor 2.2 turbodiesel nunca é condescendente com valores tão otimistas.

Ao volante

Estar ao volante do Alfa Romeo Giulia 2.2 D Q4 Veloce é uma experiência diferente. Desde logo, porque a imagem do carro é pouco discreta e é fácil cruzar com olhares indiscretos, com as pinças de travões amarelas, verdadeiramente apelativas, a assumirem uma boa parte do protagonismo. Mas, na verdade, tantos olhares não podem ser gratuitos e significam apenas que o design tonificado e as linhas estilizadas fazem realmente a diferença. Sentados ao volante, é fácil chegar à posição de condução ideal, mas a configuração dos bancos pode ser um problema já que o apoio lombar é exagerado. Preocupante? Nem por isso. Quilómetros após quilómetros, o corpo acaba por se moldar. Com o condutor como centro da ação, os restantes ocupantes perdem relevância, mas sendo este, para todos os efeitos um carro familiar, há espaço para todos, apenas o passageiro do lugar central traseiro poderá usufruir de menos conforto pela intrusão do túnel de transmissão nos seus pés, enquanto 0s 480 litros disponibilizados pela bagageira cumprem perfeitamente as necessidades de espaço de um veículo deste segmento.

Mas é, como seria de esperar, de resto, no capítulo dinâmico que este Alfa Romeo põe as garras de fora. Animado por um motor 2.2 litros turbodiesel “revisto” e que, nesta versão Veloce, oferece 210 cv (em vez de 180 cv) e 470 Nm (em vez de 450 Nm), o Giulia não deixa os pergaminhos da marca de Arese manchados. O “Cuore Desportivo” está presente na disponibilidade do motor que sobe de regime de forma energética, apenas lhe faltando um som “desportivo” a condizer já que as duas saídas de escape traseiras deixam escapar um barulho demasiado amorfo e “muito” diesel. A caixa automática de 8 velocidades, com enormes (tal como devem ser) patilhas no volante funciona em perfeita harmonia com o motor, revelando-se rápida e decidida, assumindo a sua quota parte de responsabilidade no prazer de condução que este Giulia proporciona.

E para explorá-lo não há nada como testar as potencialidades do chassis que são… gigantes. Aliás, bem acima do motor, o que, numa sequência de meia dúzia de curvas permite concluir que este Giulia está preparado para voos muito mais altos isto é, que o chassis preparado pelos engenheiros italianos está muito acima do motor montado, que já de si, não se pode dizer que seja propriamente anémico. A fantástica direção elétrica assistida (muito direta e precisa) e sigla “Q4” também fazem maravilhas, é preciso dizê-lo, com as quatro rodas motrizes, neste caso, a revelarem-se preciosas para um comportamento neutro e previsível, qualquer que seja o programa do DNA escolhido (Dynamic, Natural ou Advanced Efficiency). Claro que é no modo Dynamic, que motor, caixa, direção e suspensão ganham ainda mais alma e permitem espremer todo o sumo deste Giulia, com o programa Advanced Efficiency, ideal para chuva, a ter o efeito exatamente contrário, “castrando” as potencialidades em nome da segurança. A mudança de personalidade está à distância de um toque no comando esférico central do DNA, mas qualquer que seja o DNA por que opte, poderá sempre contar com uma travagem eficiente e resistente à fadiga.

Em termos de conforto, os mínimos estão sempre garantidos, com a suspensão ativa a não ser demasiado penalizante nos modos Natural e Advanced Efficiency, e a ser suficientemente seca e eficaz, como mandam as regras, no modo mais desportivo.

Concorrentes

Audi A4 2.0 TDI 190 com 190 cv a partir de 46.900 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

BMW 320d com 190 cv a partir 49.800 €

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Ford Mondeo 2.0 TDCi 180 Titanium com 180 cv a partir de 44.403 €

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Jaguar XE 2.0D 180 cv RWD Manual Pure com 180 cv a partir de 45.023 €

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Lexus IS 300h Business com 223 cv a partir de 43.980 €

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Mazda 6 2.2 Skyactiv-D 175 Excellence Navi com 175 cv a partir de 40.780 €

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Opel Insignia Grand Sport 2.0 Turbo D 170 cv BlueInjection Selective com 170 cv a partir de 40.780 €

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Renault Talisman dCi 160 EDC Executive com 160 cv a partir de 43.360 €

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Skoda Octavia 2.0 TDI 184 cv RS com 184 cv a partir de 36.755 €

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volkswagen Passat 2.0 TDI 190 cv Confortline com 190 cv a partir de 42.841 €

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volvo S60 D5 Geartronic Momentum com 225cv a partir de 49.368 €

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Balanço final

Com a versão 2.2 D Q4 Veloce do Giulia, a Alfa Romeo dá uma resposta concludente ao domínio das marcas alemãs neste segmento, afirmando-se como alternativa à altura. Só lhe falta mesmo vencer os preconceitos pois estilo, performances e dinâmica (muito auxiada pela tração integral) estão incluídas de série e são para ser levadas muito a sério. Só o preço de 55.300 €, ainda não consegue fazer a diferença.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 2143

Diâmetro x curso (mm): 83.0 x 99.0

Taxa de Compressão: 15,5: 1

Potência máxima (cv): 210/3750

Binário máximo (Nm/rpm): 470/1750

Transmissão, direção, suspensão e travões

Transmissão e direção: Integral, com caixa automática 8 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, assistida

Suspensão (fr/tr): Duplos triângulos/Duplos triângulos

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

 Prestações e Consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 6,8

Velocidade máxima (km/h): 235

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 5,8/4,0/4,7

Emissões de CO2 (g/km): 122

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4643/1860/1450

Distância entre eixos (mm): 2820

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1557/1625

Peso (kg): 1610

Capacidade da bagageira (l): 480

Depósito de combustível (l): 52

Pneus (fr/tr): 225/45 R18 / 255/45R18

Preço da versão base (Euros): 55300€

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